terça-feira, dezembro 03, 2013

PETER GABRIEL - SECRET WORLD LIVE [COMPLETE CONCERT]


This music is a true transportation to a magical world of beauty and hope. Thanks - for it is good medicine for the soul...

terça-feira, novembro 26, 2013

A DESCOBERTA DA BONDADE FUNDAMENTAL

- SEGUNDO CHOGYAM TRUNGPA,AUTOR DO LIVRO SHAMBHALA : A TRILHA SAGRADA DO GUERREIRO

A Descoberta da Bondade Fundamental

No livro Shambhala: a trilha sagrada do guerreiro, Chögyam Trungpa nos conta que o caminho para a auto-estima e o apreço ao mundo passa pela meditação. Confira um trecho do livro a seguir:

Grande parte do caos que existe no mundo deve-se ao fato de que as pessoas não se auto-valorizam. Como jamais desenvolveram o sentimento de benevolência ou empatia por si mesmas, não conseguem experimentar o sentimento de paz ou harmonia interior, e por isso o que projectam para os demais é igualmente desarmónico e confuso.

Em vez de valorizarmos a vida, frequentemente julgamos nossa existência como algo garantido, algo que não exige maiores preocupações, ou a consideramos um fardo pesado e deprimente. Há pessoas que ameaçam suicidar-se porque não estão recebendo da vida o que acreditam merecer. Algumas transformam a ameaça de suicídio em chantagem, dizendo que se matarão se certas coisas não mudarem.

É preciso levar a vida a sério, sem dúvida, mas isso não significa exasperar-se, chegar à beira da crise queixando-se dos problemas e alimentando rancor contra o mundo. Temos de aceitar a responsabilidade pessoal pela elevação de nossas vidas.

Quando uma pessoa não se condena, quando não se inflige punições, quando relaxa um pouco mais e valoriza seu corpo e sua mente, ela começa a ter contacto com a noção básica de bondade fundamental existente nela.

Por isso é extremamente importante a disposição para abrir-se a si mesmo. Cultivar ternura por nós mesmos permite-nos enxergar com clareza tanto os nossos problemas como as nossas potencialidades; não nos sentimos compelidos nem a fechar os olhos aos problemas, nem a exagerar nosso potencial. Esse tipo de carinho e auto-estima é indispensável. É o ponto de partida para nos ajudarmos e ajudarmos aos outros.

Como seres humanos, possuímos uma base de trabalho que nos permite elevar nossa condição existencial e nos tornar plenamente animados. Essa base de trabalho está sempre ao nosso alcance. Temos a mente e o corpo, e eles nos são muito preciosos.

É por termos a mente e o corpo que somos capazes de compreender o mundo. A existência é maravilhosa, é algo precioso. Nenhum de nós sabe por quanto tempo viverá. Logo, enquanto estamos vivos, por que não usar a vida? Mais ainda, antes de usá-la, por que não lhe dar valor?

Como descobrir essa forma de apreço? 

Desejá-la na imaginação ou simplesmente falar sobre o assunto não ajuda. Na tradição de Shambhala, a disciplina para desenvolver tanto a auto-estima como o apreço pelo mundo é a prática de sentar-se em meditação. A prática da meditação foi ensinada pelo Buda há mais de 2.500 anos e desde então faz parte da tradição de Shambhala.

Está baseada numa tradição oral: desde a época do Buda essa prática vem sendo transmitida de um ser humano a outro. Assim, manteve-se como tradição viva, de modo que, embora seja uma prática antiquíssima, continua actual. Neste capítulo vamos abordar com algum detalhamento a prática da meditação, mas é importante lembrar que, para compreendê-la plenamente, é preciso receber orientação directa e individualizada.

Por meditação, entendemos aqui algo básico e muito simples, não vinculado a nenhuma cultura em particular. Estamos falando de um ato simplesmente fundamental: sentar no chão, adoptar uma boa postura e cultivar o sentimento de termos um espaço próprio, de termos nosso lugar na terra.
Esse é o meio de nos redescobrirmos e de redescobrirmos nossa bondade fundamental, o meio de entrarmos em sintonia com a genuína realidade, sem nenhuma expectativa, sem nenhum preconceito.

Às vezes a palavra meditação é empregada para designar a contemplação de determinado tema ou objecto: medita-se sobre isto ou aquilo. Meditando-se sobre uma questão ou sobre um problema, pode-se achar a solução para eles. A palavra também está ligada à busca de uma condição mental superior, através de algum tipo de estado de transe ou absorção.

Mas aqui nós falamos de um conceito de meditação completamente diferente: a meditação incondicional, sem nenhum objecto ou ideia fixados na mente. Na tradição de Shambhala meditar é simplesmente treinar nosso ser para que a mente e o corpo possam estar sincronizados. Através da prática da meditação podemos aprender a ser absolutamente autênticos, sem dissimulação: podemos aprender a viver plenamente.

A vida é uma viagem sem ponto final; é uma grande rodovia que se estende infinitamente no horizonte. A prática da meditação fornece-nos um veículo para percorrer essa estrada. A viagem está cheia de altos e baixos, de esperança e medo, mas é uma boa jornada. A prática da meditação permite-nos vivenciar todas as texturas da estrada, e é justamente nisso que consiste a viagem.

Com a prática da meditação começamos a descobrir que, afinal de contas, não há em nós nenhum motivo fundamental para nos queixarmos de coisa alguma.

Damos início à prática da meditação sentando-nos no chão com as pernas cruzadas. Simplesmente pelo fato de permanecermos ali, no instante presente, começamos a sentir que podemos moldar nossa vida e até torná-la maravilhosa. Percebemo-nos capazes de sentar como rei ou rainha num trono. A majestade dessa situação revela-nos a dignidade que há em sermos tranquilos e simples.

Na prática da meditação uma postura recta é extremamente importante. Manter as costas erectas não é uma postura artificial. É a posição natural do corpo humano. O estranho é justamente o contrário. Uma postura descuidada, com ombros caídos e costas recurvas, impede-nos de respirar de forma adequada, além de ser um indício de que estamos começando a ceder à neurose.

Assim, ao sentarmos erectos estamos proclamando — a nós mesmos e ao resto do mundo — nossa disposição para nos tornarmos guerreiros, seres plenamente humanos.
Para ter as costas erectas não é necessário fazer força e obrigar os ombros a se levantarem; a postura erguida vem naturalmente do ato de sentar com simplicidade, mas também com altivez, no chão ou numa almofada própria para meditar. Logo, se as costas estão rectas, não sentimos nenhum vestígio de timidez ou constrangimento, e assim não há por que abaixarmos a cabeça.

Não estamos nos curvando a nada. Por isso os ombros automaticamente se endireitam, e nossa percepção da cabeça e dos ombros começa a ficar mais aguçada. Podemos agora deixar que as pernas repousem naturalmente na posição cruzada; não é necessário que os joelhos toquem o chão. Completamos a postura apoiando levemente as palmas das mãos sobre as coxas, o que nos dá uma sensação ainda maior de estarmos assumindo de maneira adequada o nosso lugar.

Nessa postura o olhar não se perde em passeios a esmo. Temos a sensação plena de estarmos ali e não em outro lugar. Os olhos permanecem abertos, mas o olhar se inclina ligeiramente e estanca a cerca de dois metros diante de nós. Não vagueia de um lado para o outro, o que fortalece a sensação de algo deliberado e bem-definido.

Essa postura real pode ser encontrada em posturas egípcias e sul-americanas, assim como em estátuas orientais. Trata-se de uma postura universal, não específica de nenhuma cultura ou época.

No dia-a-dia também devemos estar atentos à postura, à posição dos ombros e da cabeça, ao modo de andar, de olhar para as pessoas. Mesmo quando não estamos meditando podemos dignificar nossa existência. Podemos superar o constrangimento e ter orgulho de sermos seres humanos. Esse orgulho é aceitável e bom.

Assim, na prática da meditação, sentando-nos com uma boa postura ficamos atentos à respiração. Ao respirar, estamos inteiramente ali, verdadeiramente ali. Com a expiração nós saímos de nós mesmos, nosso fôlego se dissolve e logo em seguida a inspiração naturalmente acontece. Então saímos outra vez. Ocorre assim um constante “ir embora” com a expiração.

Ao expirar nós nos dissolvemos, nos difundimos. Logo depois a inspiração se produz, naturalmente; não precisamos tomar conta. Simplesmente voltamos à postura — e estamos prontos para mais uma expiração. Sair e dissolver-se: chuuu…; em seguida, voltar à postura; logo depois, chuuu…, e voltar à postura.

Haverá então um inevitável clique! — um pensamento. Nesse instante nós dizemos: “Pensando”. Dizemos mentalmente, não em voz alta: “Pensando”. Rotular assim os pensamentos é uma poderosa alavanca para retornarmos à respiração. Quando um pensamento nos afasta por completo do que estamos realmente fazendo — quando já não percebemos que estamos sentados numa almofada, mas nos vemos em Nova York ou San Francisco —, nós dizemos: “Pensando“, e assim nos trazemos de volta à respiração.

O tipo de pensamento na verdade não faz diferença. Na prática da meditação sentada todos os pensamentos, sejam eles escabrosos ou benfazejos, são vistos simplesmente como pensamentos. Não são nem virtuosos nem pecaminosos. Pode-se pensar em assassinar o próprio pai ou ter vontade de fazer uma limonada e comer biscoitos.

Por favor, não nos escandalizemos com nenhum pensamento que tivermos: qualquer pensamento é apenas pensamento. Nenhum deles merece nem uma medalha de ouro nem uma repreensão. Limitemo-nos a aplicar-lhes o rótulo — “Pensando” — e voltemos à respiração. “Pensando”, e voltemos à respiração.

A prática da meditação é muito precisa. Deve acertar exactamente no alvo. É um trabalho bastante árduo; porém, se nos lembrarmos da importância da postura, isso levará à sincronização entre a mente e o corpo. Sem uma boa postura, a prática será semelhante ao esforço de um cavalo manco para puxar uma carroça: nunca funcionará. Assim, primeiro é preciso sentar e assumir uma boa postura.
Em seguida, tem início o trabalho com a respiração: chuuu…, sair, voltar à postura; chuu…, voltar à postura; chuuu… Quando surge um pensamento, nós lhe aplicamos o rótulo — “Pensando” — e voltamos à postura, voltamos à respiração. A mente trabalha em conjunto com a respiração, mas o corpo se mantém sempre como ponto de referência. Não trabalhamos apenas com a mente. Trabalhamos com a mente e o corpo, e quando ambos trabalham juntos, nunca abandonamos a realidade.

O estado ideal de tranquilidade provém da vivência da sincronização entre o corpo e a mente. Se o corpo e a mente não estão sincronizados, o corpo perde vigor… e a mente se perde por um caminho qualquer. É como um tambor malfeito: o couro não está ajustado à armação, logo, ou a armação se quebrará ou o couro acabará cedendo. A tensão entre eles nunca se mantém constante.

Quando a mente e o corpo estão sincronizados, então, graças à boa postura, a respiração se produz naturalmente. E como a respiração e a postura trabalham juntas, a mente dispõe de um ponto de referência para orientar-se. Como consequência, a mente pode sair naturalmente com a exalação.

Esse método de sincronização entre a mente e o corpo nos ensina a ser muito simples e a sentir que não somos nada especiais — somos seres comuns, extraordinariamente comuns. Nós apenas nos sentamos, como guerreiros, e desse ato nasce um senso de dignidade pessoal. Estamos sentados na terra — e percebemos que essa terra nos merece e que nós merecemos essa terra.

Estamos aqui — pessoalmente, com plenitude e autenticidade. Na tradição de Shambhala, portanto, a prática da meditação é indicada para educar as pessoas a serem honestas e autênticas, fiéis a si mesmas.

Em certo sentido, deveríamos ter a sensação de carregar um grande fardo: o fardo de ajudar o mundo. Não podemos nos esquivar a essa responsabilidade para com os outros. Porém, se assumimos esse fardo como um prazer, podemos realmente liberar o mundo.

O meio é este: começar por nós mesmos. Sendo abertos e honestos em relação a nós mesmos, podemos aprender a ser abertos também para com os outros. Desse modo, partindo da bondade que descobrimos em nós, podemos trabalhar com o resto do mundo. Por esse motivo, a prática da meditação é vista como um bom meio — aliás, um excelente meio — de vencer a guerra no mundo: nossa guerra pessoal e as guerras em maior escala.

Chögyam Trungpa, Shambhala: a trilha sagrada do guerreiro.
Tradução de Denise Pegorim. Supervisão técnica e notas de Lincoln Berkley.

São Paulo: Cultrix, s.d., p. 37-44. Copyright 1984 by Chögyam Trungpa.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Impressionante GANDHI ...



Quando Gandhi estudava direito na Universidade de Londres tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi nunca baixou a cabeça e eram vários os seus recontros.


Um dia o professor estava a comer no refeitório e Gandhi sentou-se à mesma mesa. O professor disse-lhe:

- Senhor Gandhi, você não sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?


- Ok professor, já estou a voar… E mudou de mesa....

O professor, rubicundo, resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele respondeu brilhantemente a todas as perguntas. Então resolveu fazer-lhe a seguinte pergunta:

- Senhor Gandhi, indo o senhor por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a sabedoria e muito dinheiro. Com qual deles ficava?

- Claro que com o dinheiro, professor.

Ah pois, eu no seu lugar ficaria com a sabedoria…

- Tem razão professor, cada um ficaria com o que não tem!

O professor furioso escreveu na prova “Idiota” e entregou-a.
Gandhi recebeu a prova e sentou-se. Alguns minutos depois foi ter com o professor e disse-lhe:

- O professor assinou a prova, mas não pôs a nota…

sexta-feira, novembro 15, 2013

Um companheiro incomparável

Para muitas criaturas humanas, Deus ainda é alguém a ser descoberto. Alguns dizem crer n´Ele mas, não sabem exactamente como isso lhes possa melhorar a qualidade de vida.
Outros simplesmente afirmam crer na Sua existência como algo distante, ou Alguém que fica observando o que se passa no Universo, como um mero espectador.
Inserir Deus no contexto da própria vida é algo que exige reflexão e entendimento. Por isso, alguém que começou a se deixar penetrar pela ideia desse Pai amorável, justo e bom, escreveu um dia:
Em princípio, eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que eu fazia. Desse modo, quando eu morresse, Ele saberia se eu mereceria ir para o céu ou para o inferno.
Ele estava sempre lá, como um presidente. Eu reconhecia a imagem d´Ele quando a via, mas não O conhecia de verdade.
Mais tarde, quando O conheci melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
Não me lembro quando Ele me sugeriu que trocássemos de lugar. A partir desse momento, a vida não foi a mesma...
A vida, com o Seu poder superior, tinha se tornado muito mais excitante.
Quando eu detinha o controle, sabia o caminho. Era um tanto entediante, mas previsível – sempre a distância mais curta entre dois pontos.
Mas quando Deus assumiu a liderança, porque Ele conhecia atalhos maravilhosos, passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa!
Tudo que eu podia fazer era seguir em frente!
Embora tudo aquilo parecesse loucura, Ele ficava dizendo: “Pedale, pedale!”
Eu ficava preocupado e ansioso e perguntava:
“Afinal, para onde o Senhor está me levando?”
Deus apenas sorria e não me dava uma resposta. Foi aí que me vi começando a confiar nEle. Logo me esqueci da minha vida entediante e comecei a participar da aventura.
Quando eu dizia que estava assustado, Ele se virava para trás e tocava minha mão.
Deus me levou até pessoas com dons de que eu precisava: dons da aceitação e da alegria, dentre outros.
Essas pessoas me deram ajuda para prosseguir na minha jornada. Quer dizer, nossa jornada, de Deus e minha.
E prosseguimos sempre pedalando. Então, Ele me disse: “Doe o que você tem de seu, toda a bagagem extra, pois pesa demais.”
Descobri que quanto mais eu dava, mais eu recebia. E, além disso, o meu fardo ficava mais leve.
O Senhor conhecia os segredos da bicicleta. Sabia como incliná-la para fazer curvas fechadas, pular para evitar lugares cheios de pedras, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis.
Aprendi com Ele a pedalar nos lugares mais complicados e a apreciar a paisagem e a brisa fresca em meu rosto. Tudo com o meu óptimo e constante companheiro, Deus.
E quando estava certo de que não podia mais seguir em frente, Ele apenas sorria e dizia: “Pedale.”
*   *   *
A presença de Deus em nossas vidas proporciona paz, aumentando as resistências humanas para os embates quotidianos.
Subtil e poderosa ao mesmo tempo, é um dínamo gerador de energias que recarrega as baterias da alma, da mente e do corpo, mantendo-os em condições estáveis de equilíbrio e acção.
A presença de Deus em nossas vidas nos permite pensar correctamente, falar com sabedoria e agir com precisão.
Com Deus, o temor desaparece, oferecendo lugar à coragem, que expressa bem-estar e segurança íntima.
 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Pedalando com Deus,
de autoria ignorada e pensamentos finais do cap. 11, do livro 
Filho de Deus,
pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Tornando-nos reais

Ao mirar-se o horizonte, percebia-se que o sol, senhor do dia, baixava guarda ao reinado da lua.
Primeiro um, depois outro, os vizinhos começavam a trazer suas cadeiras para a frente dos lares, em busca de uma agradável conversa de final de dia.
Enquanto os adultos dialogavam sobre os mais variados assuntos, as crianças brincavam na rua.
Era como se, naquela comunidade, todos fizessem parte de uma mesma família.
Entretanto, aconteceu que um dia um dos vizinhos chegou em casa carregando uma grande caixa de papelão.
Ao anoitecer, como era costume, todos se reuniram nas calçadas para mais algumas horas de conversa.
Foi então que alguém, verbalizando a curiosidade geral, questionou o vizinho acerca do conteúdo da misteriosa embalagem.
Ele revelou que, depois de muito poupar, sua família havido comprado um aparelho de televisão. Estavam ansiosos aguardando pelo dia seguinte, quando um técnico viria instalá-lo correctamente.
A vizinhança ficou toda admirada. Aquela era a primeira televisão a chegar naquela rua.
Os dias sucederam-se e aquele vizinho, bem como seus familiares, começaram a aparecer cada vez menos na alegre roda de conversa entre amigos.
Primeiro, vinham apenas a cada dois ou três dias. Depois, uma vez por semana. Então, uma vez ou duas por mês. E, finalmente, não apareceram mais.
Enquanto todos conversavam alegremente, contemplavam pelas vidraças a família do saudoso vizinho, sentado junto aos seus familiares, de frente para aquela tela brilhante.
O tempo foi passando. Logo, mais um vizinho apareceu com uma grande caixa de papelão em casa. E depois outro. E ainda mais um.
Gradualmente, a roda de conversa foi ficando menor, até desaparecer por completo.
Os vizinhos, agora, pouco se viam. À noite, recolhiam-se diante dos televisores, absortos pela programação, mergulhados num afastamento sem limites.
* * *
As décadas se passaram, mas a triste situação permanece.
Hoje, ainda que estejamos vivenciando a era da internet, através da qual temos ampla possibilidade de nos comunicarmos, jamais estivemos tão isolados.
Nunca o número daqueles que se sentem sós esteve tão alto, ainda que contando centenas de amigos nas redes sociais.
Contra a solidão e o isolamento, os ensinamentos eternos do Mestre: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.
Troquemos, vez ou outra, o toque frio dos mouses de computador, pelo toque caloroso de uma mão amiga. A digitação frenética, por momentos venturosos de uma conversa amistosa.
Os sites de bate papo, por idas ao parque, um jantar descontraído com os amigos, momentos de diversão.
A grande lição que todos temos diante da oportunidade reencarnatória que se apresenta é aprendermos a amar.
E tal aprendizado só se faz na relação com o outro: nos gestos de caridade e de perdão, nas palavras ditas num momento de ternura.
Quando, enfim, deixamos um pouco de lado o conforto e a praticidade da vida virtual e vivemos intensamente aquilo que nos torna reais e humanos: a capacidade de amar.
Pensemos nisso!

quarta-feira, outubro 30, 2013

ASTHANGA YOGA de Patanjali - os oito braços do Yoga

1º YAMAS (abstenções)

1 - Ahimsa: não violência  – (arrímissa)  - A não-violência começa com você mesmo. Na prática de Yoga significa respeitar seus limites.
Não sejas violento com as pessoas, com os animais e com a natureza, mas antes de tudo, não sejas violento contigo mesmo.

 2 - Satya: não mentir  – (sátyá)   Significa falar a verdade e viver com autenticidade.
Vive tua vida dentro dos princípios da verdade e no compromisso de seres sempre verdadeiro contigo mesmo. 

Estar aberto para a verdade significa, aprender a ouvir, aprender a fluir com os factos e parar de lutar. Adaptar aquilo que realmente vemos com aquilo que gostaríamos que fosse. A mente deverá estar quieta, sem o movimento do pensamento que faz ruídos e traz os ecos da memória. A verdade será percebida pelo ato de atenção, pela observação.

3 - Asteya: não roubar – (astêiá)  significa não se apropriar de algo que não lhe pertence, seja um objeto, o tempo ou a ideia de outra pessoa.
Não desejar aquilo que não te pertence. Aprende a olhar sem desejar.

O olhar que apenas olha, não cobiça. Todas as coisas que são necessárias para nós virão para nossas mãos. Precisamos aprender a ter paciência e esperar a hora certa. O que obtemos fora da hora não nos pertence de verdade. Muitas vezes nos tornamos prisioneiros de nossas posses e perdemos nossa paz.

4 - Brahmacharya: não exagerar  – (brãama- tchária) Podemos entender como moderação: na alimentação, no consumo, no uso do dinheiro.
Aprende a controlar os excessos cometidos pelo corpo e pela mente.

Aqui é necessário o conhecimento dos limites. Nossos limites são nossos melhores mestres. Quando aceitamos e compreendemos o limite, estamos aptos para transcende-los. Limites não devem ser vencidos, mas expandidos. Em alguns casos, precisamos nos impor a certos limites relacionados com o desejo, prazer e vícios. 
Em asana, significa estar consciente através da percepção  até quanto podemos nos aprofundar na pose sem forçar o corpo.

5 - Aparigraha: não ter apego  – (aparigrárra) o desejo de ter mais e mais, e nunca estar satisfeito, traz infelicidade.
Tudo o que fizeres na vida, deverá partir de um ato de desapego. O apego invalida toda a acção e a torna objecto do ego.

Desapego não significa doar seus bens e ir viver debaixo da ponte ou na solidão dos Himalaias. Desapego significa não acumular coisas desnecessárias tanto físicas como intelectuais. É bem mais difícil desapegar-se de uma ideia ou pensamento do que de objectos  O apego é um reflexo do medo. Apego é medo e necessidade de segurança.
Em asana, o desapego deve ser a acção que se une ao desempenho. A asana deve ser nova a cada execução. O trabalho anterior precisa ser desvinculado da memória e desta forma, a asana nasce nova a cada dia.

 2º NYAMAS (promoções)

Os Niyamas são a segunda parte dos oito passos do Raja Yoga. são cinco atitudes que devemos promover em relação a nós mesmos.

1 - Shaucha: purificação - (sautchá)   comer alimentos saudáveis, praticar ásanas e pranayamas e ter a mente livre de sentimentos como ódio, cobiça e orgulho.
Mantém a pureza do corpo, dos pensamentos e das atitudes.

A mente mantém-se pura através de um estado de observação sem julgamento. Cria-se desta forma uma atitude de imparcialidade. A mente deverá ser mantida em estado de pureza (inocência) durante a asana significando que esta mente deverá estar concentrada.  

2 - Santosha -  contentamento/ aceitação – (samtôchá) - a felicidade não deve depender de acontecimentos externos ou de outras pessoas. Uma mente descontente não se pode concentrar.
Faz o que tens a fazer com alegria e desprendimento.

Samtosha é entregar-se a qualquer tarefa com dedicação e imparcialidade por mais que a tarefa nos desagrade. Samtosha nos ensina a ver em cada coisa que nos acontece um motivo para aprender.

3 -Tapas: auto-disciplina – (tápas) Tanto na prática de ásanas como na vida, deves ter determinação e disciplina.
Dedica-te com amor e paixão a tudo o que fazes.

Disciplina é criar espaço na nossa vida para que o Yoga seja praticado regularmente, para que se torne o centro do movimento da vida, para que toda a acção externa parta deste centro. A disciplina manifesta-se em atitudes corretas em relação ao Yoga, ao instrutor e companheiros. A verdadeira disciplina não é um ato de compulsão, de repressão, mas um ato de amor.

"O que nos cativa também nos guia e protege.
Apaixonadamente entregues a algo que amamos,  atraímos uma avalanche de magia que nos aplaina o caminho, dá o prumo, argumenta, discorda, carrega-nos consigo sobre os abismos, os medos, as dúvidas."  

(Richard Bach - De A ponte para o sempre)

4 -Swadhyaya: estudo de si mesmo – (suádiáiá) A pessoa que pratica a swadhyaya lê seu próprio livro da vida.
Torna-te um estudante de ti mesmo através da observação, e descobre em ti o teu verdadeiro ser.

Disposição permanente para o aprendizado do novo. Disposição para a mudança. É a atitude e a postura de estar sempre, em primeiro lugar, aprendendo a auto conhecer-se. Este conceito envolve também a consciência de que todo o aprendizado, deverá, antes de tudo, libertar-se. Tudo que aprisiona o homem deve ser descartado

5 -Ishvara Pranidhana: devoção – (ichuára pranidâna) estar em unidade com Deus, reconhecer em nós parte integrante deste Universo
Entrega teu corpo e tua alma incondicionalmente ao Poder Superior que te guia e ampara. 

Isvara Pranidhana  é a confiança na existência e na sabedoria de algo maior do que o nosso próprio “eu” que nos conduz sempre para as melhores situações e condições. Neste ato incondicionado de entrega que ultrapassa as barreiras do ego, bloqueios desaparecem, abrimos o nosso ser que se conecta definitivamente com o Sagrado. Neste estado, onde as ponderações racionais da mente não existem, permitimos que os mecanismos naturais de cura entrem em funcionamento desfazendo os bloqueios e promovendo o retorno ao equilíbrio. A vida guia-nos sempre pelos caminhos do aprendizado e este caminho não necessita ser trilhado com dor. A dor e o sofrimento são resultados da resistência contra os factos.  

3º ASANAS:- (ásanas) 

- posturas físicas. Segundo Patanjali, a ásana deve ser estável e confortável. A prática traz saúde e disciplina para a mente.
Educa o teu corpo dentro dos princípios de yama e niyama para que ele se torne um instrumento para a tua conexão com o sagrado. Para que as doenças não te aflijam, para que a beleza da forma adorne a beleza do conteúdo, para que te tornes leve como os pássaros e ágil como os peixes tornando-te assim, um templo digno para a morada do espírito.

As asanas existem tal como são há milhares de anos. São perfeitas em si mesmo e não podem ser alteradas. As asanas atuam de forma subjacente no nosso corpo provocando profundas modificações psicofísicas.
Hatha Yoga visa o auto conhecimento e a ferramenta que se utiliza para este processo, é o corpo. Muito se tem lido sobre asanas mas, até hoje, ninguém pôde afirmar com exactidão científica, qual o  mecanismo completo da sua acção sobre o ser humano. Sabe-se que, enquanto a prática avança, profundas modificações de ordem física e psicológica ocorrem. Por isto, precisamos entender a "forma" perfeita da asana através do alinhamento, do equilíbrio, da busca do centro de gravidade e da direcção.
 
4º PRANAYAMA: - (prânáyâmá) 

Controle da energia vital (prana) por meio da respiração. O pranayama fortalece o sistema respiratório e acalma o sistema nervoso, favorecendo a concentração.
Aprende a conectar a respiração aos teus movimentos, ações e pensamentos.  

A vida da postura é a respiração. É através dela que a asana flui e acontece. Técnicas respiratórias avançadas só podem ser ensinadas por pessoas altamente qualificadas e você jamais deverá tentar aprender isto pelos livros.  

 A aptidão do aspirante para treinar e progredir no Pranayama deve ser avaliada por um mestre experiente e é essencial sua supervisão.



5º PRATYAHARA: - (prátiarrára) 

O controle dos sentidos.   
Aprende a fluir com tudo o que te cerca, de tal forma que conseguirás abster-te dos próprios sentidos. Assim, ouvirás o silêncio do universo no meio da batalha e conseguirás permanecer em paz no meio do tumulto.

Pratyahara capacita-nos a manter um estado de paz em qualquer circunstância.

6º DHARANA: (dá râ ná)

concentração e atenção fixa num único ponto.
Aprende a focar tua mente, tua atenção e teu pensamento em um único objecto da tua escolha e este foco será poderoso como a luz coerente de um lazer.

Dharana é concentração. Nosso cérebro não consegue passar directamente para um estado de não acção. Antes, precisamos da concentração como uma espécie de disciplina, como uma pista de descolagem que não será mais necessária durante o voo mas o é para que o avião possa subir. Da mesma forma, a meditação não é em absoluto concentração, mas necessita desta como base de lançamento.

7º DHYANA: 

A meditação.  (dí- â- )
Pelo poder da atenção completa, ingressarás em outro estado mental, onde o silêncio é o portal para a conexão final com a fonte da sabedoria plena.

O silêncio é o estado da meditação onde não há desejo, compulsão, dor, alegria, sofrimento, prazer. A personalidade não penetra este portal.

8º SAMADHI: (samád-rí )

O estado de comunhão com Deus. Comunhão completa com a Fonte, estado de união plena (Sagrado), de Graça, Uno.
 
Existe um  lugar no Universo,  
que é de paz, alegria, amor e sabedoria.
Existe um lugar em ti,
onde todo este  universo habita...
E quando tu estás neste lugar, em ti
E eu estou neste lugar, em mim
Nós somos Um!


Namasté!



terça-feira, outubro 29, 2013

nuvens...

nuvens... elas chegaram em força 
aos níveis da percepção...
brancas, etéreas e puras...
naves espaciais de anjos celestiais...

não resisti a registar esse evento,
corresponder em esperança 
o que de puro e belo se vê
e dentro de si mesmo se espera...

segunda-feira, outubro 21, 2013

senha

Quando o mensageiro celeste anunciou a Boa Nova aos pastores, no campo, assim se expressou: Eis que vos anuncio uma grande alegria, que terá todo o povo.

Nasceu, na cidade de Davi, O Salvador, que é o Cristo Senhor.

E, ante o assombro dos ouvintes que, com certeza, deveriam estar a se indagar onde exactamente estaria o menino, como O reconheceriam, arrematou:

E eis o que vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.

Os magos, por sua vez, viram surgir a estrela e a seguiram, até adentrarem a cidade e, como assinala o Evangelista Mateus, entrando na casa, encontraram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram.

Nos tempos primeiros, os seguidores de Jesus se identificavam uns aos outros, desenhando no chão, na pedra, a figura de um peixe.

Mais tarde, o símbolo da cruz passou a identificar os seguidores do Cristo. Eles a portavam ao pescoço, à cintura, ou entre seus pertences.

Quando o grande Gamaliel, rabino de Israel, foi visitado por Saulo de Tarso, após a sua radiosa visão do Cristo, na estrada de Damasco, lhe entregou o original dos escritos de Mateus.

A preciosidade lhe fora presenteada pelo Apóstolo Pedro, quando visitara a Casa do Caminho, em Jerusalém.

Para Gamaliel, esses originais seriam o passaporte para a entrada de Saulo na Casa do Caminho, no futuro. Ou seja, ao vê-los, Pedro reconheceria que Gamaliel acreditava na conversão de Saulo às fileiras de Jesus.

Em todos os tempos, as casas reais e as dinastias estabeleciam os símbolos que os haveriam de identificar.

A flor de Lis representou a realeza francesa. Estilizada, foi utilizada como símbolo do Priorado de Sião, sociedade que remonta ao ano de mil e noventa e nove.

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Quando o Mestre Jesus profere Suas exortações aos Apóstolos, assim se expressa: Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, e que, assim como eu vos amei, vos ameis também uns aos outros.

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

Eis a senha pela qual os seguidores de Jesus devem ser reconhecidos, em todos os tempos. Nem pela empáfia, nem pelo orgulho, nem pelo se expressar de forma extraordinária, nem por dominar de memória todos os textos da Boa Nova.

Somente pelo amor. E, como diz o Espírito Lázaro, em O Evangelho segundo o Espiritismo: quando Jesus pronunciou a divina palavra - amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

Através dos tempos, muitos dos que nos dizíamos cristãos, nos servimos do poder para subjugar outros irmãos, simplesmente por não comungarem dos nossos mesmos ideais.

É tempo de revermos nossas condutas e de aprofundarmos reflexões sobre o pensamento do Cristo: Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.

Seja esse o nosso sinal. Seja essa a nossa senha, em todas as circunstâncias: o amor.

Tendo Jesus como modelo do amor, exercitemos a nossa capacidade de nos querermos bem.

Mostremos ao mundo que somos discípulos do Senhor das estrelas, que nossa senha de luz é o amor.



Redação do Momento Espírita, com base no Evangelho de
Mateus, cap.2, vers. 11; no Evangelho de Lucas, cap. 2, vers. 10
a 12; no Evangelho de João, cap. 13, vers. 34 e 35 e no cap. XI,
 item 8 de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec,
ed. FEB.
Em 21.10.2013.