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quarta-feira, junho 29, 2016

Uma palavra amiga


Ele é um australiano de 82 anos. Seu instrumento de trabalho mais precioso é um binóculo.

Com isso e mais uma conversa amiga, ele já conseguiu salvar das garras do suicídio nada menos de quatro centenas de pessoas.

Ao realizar seu salvamento de número 401, foi entrevistado pela BBC Brasil, narrando a sua actividade.

Corretor de seguros de vida aposentado, há cinco décadas ele monitoriza, de forma voluntária, o movimento no penhasco The Gap, perto de sua casa, nos arredores de Sidney.

A média anual de suicídios no penhasco é de cinquenta pessoas. E Donald Ritchie, que já recebeu o apelido de anjo da guarda, fica atento. Basicamente, o trabalho é de observação.

Sempre que vê alguém por ali, muito pensativo, ou ultrapassando as cordas postas no lugar, vai em direcção à pessoa e puxa conversa.

Não é raro que a convide para um café, em sua casa. É um dos seus métodos preferidos.

E com o café, oferece um sorriso, uma palavra amável, uma conversa amiga. Conforme ele narra, muitas vezes consegue fazer com que a pessoa mude de ideia.

Por toda essa dedicação, Ritchie tem recebido muitas manifestações de agradecimento e carinho. Em sua porta, já foram deixadas cartas, pinturas e outros mimos.

Naturalmente, ele não consegue ter êxito total, mas a contabilização de quatrocentas e uma pessoas salvas, graças à sua actuação, é uma significativa marca.

À semelhança desse australiano aposentado, quantos de nós podemos realizar benefícios, sem ir muito longe de nossa própria casa, do nosso bairro.

Tantas vezes idealizamos ser missionários em longínquas terras, em prestar serviços nessa ou naquela entidade internacional.
E, contudo, bem próximo de nós, há tanto a se fazer. Tantas questões nos requerem a acção.

Bom, portanto, nos perguntarmos o que será que podemos fazer que ainda não foi feito e tem urgência de ser realizado, em nosso quarteirão, em nosso bairro, em nossa cidade.

Não são poucos os exemplos que temos. Estudantes, donas de casa, profissionais diversos que se dedicam em horas que lhes deveriam ser de lazer, a servir ao próximo.

Jovens que buscam comunidades carentes para oferecer aulas de reforço escolar. Ou praticar desportos com as crianças, retirando-as das ruas.

Donas de casa que se organizam em equipes para atender a pessoas do bairro, que enfrentam enfermidades longas, sem família por perto.

Ou mães que trabalham fora do lar e têm necessidade de quem lhes atenda os filhos por algumas horas, no retorno da escola.

Um detalhe aqui, outro ali. Quantas benesses!

Alguns salvam vidas como Donald Ritchie. Outros podemos salvar criaturas do analfabetismo, nos transformando em pontes entre o iletrado e a escola.

Ou retirar do desespero uma pessoa em solidão que apenas espera que alguém se disponha a ouvi-la.


Pensemos nisso e nos disponhamos a ofertar a nossa palavra amável, a mão amiga, a presença actuante.





quinta-feira, maio 19, 2016

Renascer com as manhãs

Quando Jesus falou com o doutor da lei, Nicodemos, sobre nascer de novo, não estava falando apenas sobre as novas existências materiais.

É necessário renascer da água e do Espírito – disse o Mestre, com poesia.

A água representa o elemento material. Os antigos tinham a crença de que toda a vida havia surgido das águas. Assim, a água representa nosso elemento material, os renascimentos em novos corpos físicos.

Porém, Ele falou também em renascer do Espírito e, com isso abriu novos horizontes aos já vastos conhecimentos daquele chefe dos judeus.

Jesus falou em renovar-se. Não basta voltar ao palco terrestre inúmeras vezes. Faz-se necessário modificar-se, esculpir a alma, melhorar-se.

E para isso o Criador nos dá oportunidades grandiosas e mensagens muito claras.

Vejamos alguns exemplos: cada vez que reencarnamos, voltamos como se fosse nossa primeira vida, com este frescor de renovação, com novas chances, esquecendo o passado, ganhando uma nova vestimenta carnal.

Chegamos aqui como bebés, desprotegidos, inspirando amor, cuidados, tendo que reaprender tantas coisas que já sabíamos antes. Tudo em nome desse projecto de renovação.

Recebemos como familiares antigos amores, mas também desafectos, em perfeito sigilo, para que possamos nos adequar a essa nova formação familiar e tentar viver em harmonia.

Há também a proposta dos ciclos.

A existência e a natureza são repletas de ciclos justamente para que possamos, de tempos em tempos, avaliar, recomeçar e renovar.

Quando cada ano termina, fazemos o balanço do que passou, do que fomos e planeamos, e o que desejamos ser.

Traçamos metas e as perseguimos. Cada ano somos novos eus,gradualmente, em busca da perfeição.

Há também os ciclos de nossos anos de vida no planeta. Nossos chamados aniversários.

Cada novo ano completo aqui é também momento de introspecção, de reflectir profundo, de auto-conhecimento: Quem sou eu? O que faço aqui? O que já construí? O que falta? O que virá pela frente? Quanto tempo ainda me resta?

Fechamos um capítulo do livro, abrimos outro.

Temos vidas dentro de uma mesma vida. Infância, adolescência, juventude, vida de casado, filhos, madureza, terceira e porque não, até quarta-idade.

Há pessoas que estão renascendo com seus sessenta, setenta anos! Dando a si mesmas uma nova chance de viver, de aprender, de amar. Afinal, nunca é tarde!

Por fim, dentro dos ciclos, há ainda o de cada dia.

Podemos, dessa forma, renascer com as manhãs, considerando cada nascer do sol uma nova chance que o Criador nos dá de nos reinventarmos, de fazer de novo, de fazer o certo.

*   *   *

Agradeçamos pelo presente da nova manhã, da nova vida dentro da vida e sigamos adiante.

A existência é feita de renascimentos. O renascer é lei do Universo.

É preciso renascer com as manhãs. É preciso renascer com os anos. É preciso renascer da água e do Espírito para alcançar a plenitude que tanto desejamos.

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Verdadeiro respeito

Ainda hoje é comum se observar desrespeito entre membros de religiões diferentes.

Um ditado popular até inclui religião entre os temas que não devem ser conversados ou discutidos, entre colegas ou amigos. É questão nevrálgica que pode gerar desentendimentos.

É que, quase sempre, um termina por ofender o outro por serem diferentes os conceitos a respeito de Deus, da alma, das penas e recompensas futuras.

Contudo, entre grandes líderes religiosos há muito respeito. Exactamente porque um no outro admira o compromisso integral com sua própria crença.


Recordamos que no ano de 1219, Francisco de Assis, que fora se juntar aos combatentes da Quinta Cruzada, decidiu ir à presença do sultão Al-Malik Al-Kamil.

Ele desejava converter o sobrinho de Saladino ao Cristianismo. E se isso redundasse em martírio, não se importava.

Com seu companheiro Illuminatus foi em direção ao quartel-general do sultão.

Era sabido que os cristãos podiam praticar sua fé em terras muçulmanas. Mas, se tentassem converter algum maometano, estariam sujeitos à pena capital.

Quando Francisco e o amigo se aproximaram do acampamento do sultão foram imediatamente levados à sua presença.

O governante muçulmano tinha a mesma idade de Francisco. Ele governava o Egipto, a Palestina e a Síria.

Era competente em artes militares. Também completamente dedicado às tradições de sua fé e à sua disseminação.

Cinco vezes ao dia, ao ouvir o chamado para a adoração a Alá, era o primeiro a assumir a postura devida.

Francisco de Assis, pois, estava diante de um homem profundamente devoto, que também acreditava em um Deus único.

Francisco, através de um intérprete, falou ao sultão e ao seu conselho sobre a fé em Cristo e o apelo de paz em nome de Jesus, o filho de Deus.

Quando concluiu, os conselheiros presentes opinaram que os visitantes deveriam ser, de imediato, decapitados.

Entretanto, o sultão era homem que apreciava a verdadeira fé onde quer que a encontrasse e disse:

Vou contrariar esses conselhos. Jamais te condenarei à morte. Seria uma perversa recompensa para alguém que voluntariamente arriscou-se a morrer a fim de salvar minha vida diante de Deus, como acreditas.

Até onde os registos medievais, em italiano e francês, bem como as crónicas muçulmanas relatam, o fato não teve precedente na História das relações entre cristãos e muçulmanos.

Os frades ficaram no acampamento durante uma semana. E, ao despedi-los, o sultão forneceu a ambos salvo-conduto de volta ao seu acampamento.

E até mesmo a Jerusalém, pois Francisco desejava venerar os ditos lugares santos cristãos.

Deu-lhes o suficiente em provisões para a viagem de retorno e presentes preciosos. Esses, delicadamente foram recusados por Francisco, o que mais provocou a admiração de Al-Kamil.

Francisco não conseguiu converter o sultão à fé cristã mas saiu de lá com uma impressão bem diferente do seu anfitrião.

Eram dois líderes. Um liderava homens à guerra, motivados por suas convicções religiosas. O outro somente desejava que se implantasse a paz do Cristo no mundo.

Dois líderes. Conceitos divergentes. Batalhas gigantescas a vencer. Armas diferentes.

Mas um ao outro ouviu e deixou bem claras as linhas do respeito.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Doze – 1219 – 1220, do livro Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva.
Em 11.1.2016.

sexta-feira, novembro 20, 2015

Exercício de amor

Quem de nós já não se decepcionou com um amigo? 

Alguém a quem se entregou o coração e, em algum momento, nos traiu a confiança ou nos voltou as costas?

Alguém de quem esperávamos todo o apoio e nos falhou, na hora precisa?

Qualquer uma dessas circunstâncias nos magoará e se constituirá em quebra da afeição.

Por essa razão, a lição de dois meninos é tão marcante.

Eles haviam nascido no mesmo dia, mês e ano. Um era judeu. O outro, alemão.

Nove anos era a idade deles. Um era natural da Polónia e habitara uma casa, com vários cómodos, em cima da relojoaria do seu pai.

Um dia, tudo lhe foi tirado e ele se viu prisioneiro, em meio a outros milhares, padecendo fome. Para vestir, um estranho pijama listrado, com boné no mesmo padrão.

O outro nascera em Berlim, vivera numa casa muito grande, de três andares. Agora, residia no campo e vivia a reclamar da casa menor e da falta de amigos.

Encontraram-se, um dia, um de cada lado de uma interminável cerca de arame farpado. Bruno, o menino alemão, se sentia solitário e se pôs a conversar com o outro.
Nenhum dos dois entendia muito do que acontecia ao seu redor. Mas se tornaram amigos. Viam-se todas as tardes.

Um dia, ao entrar em casa, Bruno viu ali o amigo do pijama listrado. Lustrava os cristais com seus dedos miúdos.

Bruno se serviu de um lanche e ofereceu ao outro, sempre faminto.

Mal colocara na boca um pedaço de frango, adentrou a cozinha um oficial. Vendo que o pequeno prisioneiro estava comendo, o inquiriu, de forma grosseira, acusando-o de furtar comida.

Sem malícia alguma, o menino disse que fora seu amigo quem lhe ofertara o lanche.

Mas Bruno estava tão assustado com a truculência do oficial, com a inquirição que lhe era feita, que se deixou tomar pelo pavor.

E, apavorado, negou conhecer o outro, negou ter-lhe dado comida, o que, para aquele valeu violento castigo.

Dias passados, Bruno retornou ao local onde costumava encontrar o amigo. Havia tristeza e muitos hematomas no rosto do aprisionado.

Peço desculpas, disse Bruno. Tive muito medo, naquele dia. Você ainda quer ser meu amigo?

E, então, a mão esquálida do judeu se estendeu para o lado de fora da cerca. Bruno a apertou.

Era a primeira vez que se tocavam. Era o toque da amizade sólida, que sempre perdoa.

*   *   *


Amizade é um exercício de amor. Amor de amigo é inigualável. Já disse Jesus, ao seu tempo, que o amigo dá a sua pela vida do amigo, santificando assim esse sublime sentimento.

Por isso, o amigo perdoa as fraquezas do outro, perdoa as suas falhas e continua amigo.

Felizes aqueles que florescerem a alma com amizade, enriquecendo-se de paz, granjeando gratidão pelos caminhos que percorre.

com base em cenas do filme O menino do pijama listrado.


segunda-feira, julho 21, 2014

Sem competição

Desde cedo, o homem é educado para a competição. Os pais fazem questão de enumerar as qualidades dos seus filhos, que são ou devem ser os mais inteligentes, os mais espertos, os mais ágeis.

Nas idas ao parque, eles esperam que seus filhos sejam os que demonstrem melhores habilidades na bicicleta, no escorrega, sejam os primeiros na corrida, um craque da bola.

Nas festas de aniversário, melhor é aquele que consegue apanhar mais brinquedos na hora do estouro dos balões recheados de mil coisas que fazem o encanto da criançada.

Os destaques são, na escola, para os que conseguem as notas mais altas, aprendem mais rápido ou, de alguma forma, se sobressaem nos estudos ou nos jogos.

Para os não tão hábeis, nem tão inteligentes, resta verem os irmãos em evidência, os colegas sendo laureados e, se não tiverem uma boa estrutura emocional, admitirem o adjectivo de incapazes ou de tolos.

Bela é a experiência daquela professora recém-formada, chamada Mary, que foi leccionar em uma reserva de índios navajos.


Todos os dias ela pedia a cinco dos jovens alunos navajos que fossem até o quadro e resolvessem um problema simples de matemática de seu dever de casa.

Eles ficavam ali em silêncio, sem querer cumprir a tarefa. Mary não conseguia entender.

Nada do que Mary havia estudado em seu currículo pedagógico ajudava e ela não sabia como lidar com a situação.

O que estou fazendo de errado? Será possível que eu tenha escolhido cinco alunos que não sabem resolver o problema?

Finalmente, ela perguntou a eles o que havia de errado. E, na resposta de seus jovens alunos índios, aprendeu uma surpreendente lição sobre auto-imagem e noção de valor próprio.

Eles explicaram que queriam se respeitar uns aos outros. E, como sabiam que uns eram mais capazes e outros encontrariam dificuldade em resolver os problemas, não queriam exibir isso publicamente.

Apesar de muito jovens, entendiam como era inútil e desrespeitoso a competição do tipo perde-ganha na sala de aula. Pensavam que ninguém sairia ganhando se algum deles se exibisse ou ficasse encabulado diante de toda a turma.

Então se recusavam a competir uns com os outros em público.

navajos em 1902

Quando entendeu aquilo, Mary mudou o sistema, de modo a poder corrigir, individualmente, os problemas de matemática de cada criança, dedicando-se mais aos que tinham dificuldades.

E mudou muitas coisas em sua vida ao compreender que todos nós queremos aprender – não para nos sobressairmos diante dos outros, mas para sermos mais felizes.

*   *   *

Não estimule a competição no seu filho. Cultive nele a consciência dos valores reais.

Ensine-o a respeitar os que apresentam dificuldades, reconhecendo que o importante não é chegar em primeiro lugar a qualquer preço, mas completar com honra o percurso, e nunca a sós.

Por fim, estimule-o a conquistar a mais bela e brilhante medalha que deverá ostentar no peito: a do amor fraterno, que significa se importar com o outro, em todas as circunstâncias.

com base no cap. O que há de errado, de O manual do orador, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Meu irmão, meu ídolo (José Augusto)

Ainda não sei falar... Não através das línguas tradicionais do mundo, mas acho que você me entende, não entende?

Acho que você compreende, quando o observo com atenção, correndo ao meu redor, e meus olhos brilham, meu sorriso nasce e minha gargalhada ressoa por toda casa.

Só para você eu sorrio assim pois, de alguma forma, acho que me lembro de você, e essa lembrança me traz paz, me traz segurança, me traz alegria.

Sim, alegria. Você tem me ensinado muito sobre ela, pois nunca vejo você triste. E saber que esta nova vida pode ser assim, alegre, me deixa mais tranquila perante os desafios que terei de enfrentar.

Você é maior do que eu, chegou antes neste lar, e me contaram que estava lá para me receber quando cheguei.

Você é grande e já fala tantas coisas! Às vezes não para de falar, inclusive.

Eu fico tentando imitá-lo, vendo os movimentos de sua boca, de seu rosto. Acho que já estou começando a entender alguns sons, embora seja difícil para mim ainda.

Você pula para lá e para cá e eu já pulo com você.

Você dança com as músicas e eu fico observando os seus pés, atentamente, para ver os movimentos engraçados que eles fazem, pensando: Será que os meus podem fazer o mesmo?

Estou tentando andar... tenho me esforçado muito, pois meu tempo é um pouco diferente do das outras crianças, e você é minha maior inspiração, pois você anda de um jeito muito engraçado e veloz.

E você tem paciência comigo... não me compara, não exige de mim mais do que consigo neste momento. Sabe que conseguirei fazer tudo, mas no meu ritmo. Não tenho pressa.

Você escolhe os videozinhos que eu mais gosto, você assiste comigo filmes que não assistia mais, por não serem para a sua idade. Você é calmo comigo... e eu preciso que tenham calma comigo.

Você não reclama quando eu quase arranco seus cabelos ou seu nariz ou suas orelhas... Você nunca protestou por eu pegar seus brinquedos e jogá-los para cima, fazendo bagunça em seu quarto.

Acho que todos tinham que ter um irmão mais velho como você! Você é o máximo! Suas baterias duram mais do que qualquer um dos meus brinquedos!

E eu sei que você não vai dormir sem antes vir se despedir de mim... Eu sinto, mesmo quando já fui para o mundo dos sonhos.

Meus pais disseram que você vai estar sempre ao meu lado, e eu acredito nisso, pois sinto, de alguma forma, e não sei explicar ainda, que já ouvi isso antes.

Meu irmão, meu ídolo, que possamos crescer juntos nesta nova vida, de mãos dadas, pois segurando em suas mãos, não terei nada a temer.

*   *   *

Os laços de família são fortalecidos pela reencarnação.

Os espíritos formam no espaço grupos ou famílias, unidos pela afeição, simpatia e semelhança de tendências. 

Felizes por estarem juntos, procuram-se. A encarnação apenas os separa momentaneamente, pois, após sua volta à erraticidade, reencontram-se como amigos que retornam de uma viagem.

Às vezes, uns seguem a outros na encarnação, reunindo-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, trabalhando juntos para seu mútuo adiantamento.

Os mais adiantados procuram fazer progredir os que se atrasam.

Cada vez menos ligados à matéria, seu afecto é mais vivo, por isso mesmo mais puro, e não é mais perturbado pelo egoísmo, nem pelo arrastamento das paixões.

Podem, assim, percorrer um número ilimitado de existências corporais sem que nada afecte sua mútua afeição.

Redacção do Momento Espírita,com pensamentos finais do item 18, do cap.4,do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 4.2.2014

Ponte da vida


Uma companhia de seguros aliou-se ao governo da Coreia do Sul para começar uma campanha publicitária específica, numa das pontes mais importantes de Seul, a capital, que, assim, transformou-se de ponte da morte em ponte da vida.
A Coreia do Sul é um dos países com maior taxa de suicídio do mundo, e a Ponte Mapo registava média de vinte e uma mortes por ano.

Para solucionar o grave problema, o governo estudava duas alternativas: construir um muro ou fechar a ponte.

Até que surgiu uma terceira alternativa: realizar uma campanha publicitária a favor da vida, de tal modo que mensagens fizessem com que as pessoas pensassem duas vezes, antes de tomarem a medida extrema do suicídio.

A Companhia Corretora de Seguros criou parceria com publicitários, psicólogos e activistas de prevenção ao suicídio, para que frases inspiradoras fossem criadas.

Na sequência, painéis luminosos de led com sensores foram instalados ao longo de mais de dois quilómetros, fazendo com que eles acendam, conforme os transeuntes caminham pela ponte, possibilitando que as pessoas leiam frases como:

Vá ver as pessoas de quem você sente saudade.

Os melhores momentos da sua vida ainda estão por vir.

Como você gostaria de ser lembrado?

A campanha teve início em Setembro de 2012. Até Dezembro do mesmo ano, ou seja, no período de três meses, a taxa de suicídio na ponte diminuiu 85%, merecendo a campanha premiação especial do conhecido Festival Internacional de Cinema de Cannes.

*   *   *

Embora a campanha possa ter, inclusive, um pendor comercial, como afirmam alguns, considerando o envolvimento de uma corretora de seguros, o que ressalta é o efeito: muitas mortes voluntárias foram evitadas.

E isso é o que mais importa: a demonstração de que um ser humano se preocupa com outro ser humano, seu irmão.

O suicídio é dos mais graves delitos que o ser humano possa praticar. Diz, com sua atitude, que despreza a vida que a Divindade lhe conferiu e joga fora a oportunidade de crescimento individual.

Insurge-se contra o Criador Supremo, cortando, de forma voluntária, o fio da existência.

Se você está a ponto de atentar contra a própria vida, pense um pouco: O que está acontecendo que o faz alimentar esse desejo?

*   *   *

Se você perdeu o amor, o emprego, uma oportunidade preciosa, pense que nada melhor do que aguardar um pouco mais, porque tudo passa.

O escuro painel da desesperança que hoje sombreia as suas horas, logo mais se dissipará.

Pense que após a escuridão da noite, sempre surge a gargalhada da esplendorosa madrugada. E, logo mais, o sol, as cores.

Portanto, deixe que as horas da noite se escoem, aguarde a madrugada risonha e se permita viver o alvorecer de um novo dia.

Tudo se modifica rapidamente: o clima, as situações, as dificuldades, os problemas.

Aguarde o amanhã, confiante. Não abandone a vida hoje. A esperança se encontra à janela, sorridente, aguardando seu olhar.

Pense nisso. A vida, por mais rude, merece ser vivida em plenitude, dádiva do Pai amoroso e bom.

segunda-feira, setembro 09, 2013

Um jeito de escapar do inferno

Mohandas Karamchand Gandhi foi um homem fabuloso e inesquecível.
Seu conhecimento sobre as leis de Deus é digno de nosso mais profundo respeito e admiração.
Uma das mais belas passagens de sua vida é relatada com competência pelo cineasta britânico Richard Attenborough.
O filme mostra a sangrenta guerra civil que se seguiu à divisão da Índia em Paquistão muçulmano e Índia hindu.
As mortes só trouxeram retaliações e mais vítimas, até que Gandhi, líder espiritual respeitado por hindus e muçulmanos, iniciou um jejum e jurou que não comeria até que a matança terminasse, mesmo que isso significasse sua morte por inanição.
Esse foi apenas um dos muitos jejuns de Gandhi defendendo a não-violência.
Um hindu enlouquecido visitou o Mahatma e, ao chegar aos pés da cama onde estava, atirou-lhe um pedaço de pão enquanto gritava:
Eu já vou para o inferno e não quero a culpa da sua morte também em minha alma! Coma, por favor!
Gandhi, sereno como sempre, replicou:
Por que você vai para o inferno?
O hindu tremia ao responder:
Eu tinha um filho pequeno, mais ou menos deste tamanho, que foi assassinado pelos muçulmanos. Então, eu peguei a primeira criança muçulmana que consegui encontrar e a matei, arrebentando-lhe a cabeça contra uma parede.
Gandhi fechou os olhos e chorou por dentro.
Depois se recompôs, pois sabia da importância de seu papel perante aquele povo e, com esperança na voz, disse:
Eu conheço um jeito de escapar do inferno.
Muitos meninos agora estão sem os pais por causa da matança. Encontre um menino muçulmano, com mais ou menos este tamanho - repetindo o gesto feito pelo visitante há pouco – e o crie como se fosse seu. Adote-o.
O homem desorientado estava admirado com a proposta, e tentava assimilá-la da melhor forma. Uma brisa de esperança chegou-lhe ao rosto.
Porém, Gandhi não havia terminado sua fala:
Atente apenas para um detalhe: você não deve esquecer que deverá criá-lo como um muçulmano.
O hindu não estava preparado para aquela proposta. Era muito diferente de tudo que sentia, de tudo que pensava. Era uma proposta revolucionária.
Era a revolução da lei do amor, ensinada por Gandhi, de forma magistral.
O homem caiu aos pés do mestre. A loucura abandonou seus olhos, que choravam copiosamente.
Gandhi colocou as mãos na cabeça do hindu, abençoando-o do fundo de seu coração, desejando que ele pudesse aceitar seu novo caminho, o caminho para sair do inferno.
Quando o hindu saiu, ele tinha um pouco de paz no coração, e uma proposta da lei do amor em suas mãos: proposta de perdão e de autoperdão.
*   *   *
Nada como o amor, em toda sua resplandecência, para nos libertar desse estado d’alma de inferno.
Sim, já somos capazes de entender que o inferno não é um local delimitado no espaço, mas um estado d’alma temporário.
Para alguns, desorientados e reincidentes nos mesmos erros, esse estado de espírito parece uma eternidade, mas essa dita eternidade dura apenas o tempo do aprendizado, o tempo do despertar para o amor.
O amor cobre uma multidão de pecados, conforme tão bem afirmou o Apóstolo Pedro.
A lei de causa e efeito abraça-se à lei da amorosidade e ambas, interligadas sempre, carregam-nos para a tão desejada felicidade.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Deixai secar primeiro

Contam que Carlyle, o célebre historiador escocês, quando ainda era muito moço, teve uma questão bastante grave com um dos seus companheiros. Um dia, sentindo-se insultado, declarou que ia imediatamente exigir satisfações daquele que o havia ofendido.

Um velho professor, informado do caso, aproximou-se de Carlyle e disse-lhe:

Meu caro amigo. Tenho longa experiência de vida e conheço as consequências tristes dos actos impetuosos.

Um insulto é como a lama que cai em nossa blusa. A lama pode ser retirada facilmente, com uma simples escova, quando já está seca. Deixe secar primeiro. Não seja apressado. Espere até que se acalme, e verá como tudo será facilmente resolvido.

Carlyle aceitou o conselho do professor, e o resultado foi tão feliz que, no dia seguinte, o colega que o insultara veio lhe pedir desculpas.

Malba Tahan, nesta rica passagem, vem nos dizer que, dada a grande diversidade de temperamentos e caracteres humanos, não nos é possível viver em paz com o próximo, sem refrearmos a ira, e insistirmos na prática da mansidão.

Nenhuma resolução sadia pode ser tomada com ímpeto.

Às vezes, numa acção impensada, numa reacção violenta, podemos comprometer séculos e séculos de nossas existências.

Alguns segundos de invigilância, permitindo que um pequeno acto de vingança se externe, pode gerar um compromisso imenso para o futuro, através da Lei de causa e efeito, que prevê a colheita obrigatória de tudo aquilo que livremente plantamos.

Vale a pena esperar. Vale a pena o esforço de conter um impulso naquele momento em que o nervosismo procura reinar. Contar até dez. Tomar um banho frio. Fazer uma oração, pedindo auxílio a Deus. Parar tudo que estamos fazendo e reflectir para não reagir sem pensar.

Vale a pena o esforço. Vale a pena ter calma. Se algum dia você for vítima de uma violência, não revide. Quando receber injúrias, não procure se defender atacando. Se for caluniado, não acumule ódio e ressentimento em sua alma.

Sabemos que é difícil compreender, perdoar, ainda, mas precisamos começar, precisamos desenvolver esta virtude em nossos corações.

Os maiores beneficiados com isso seremos nós mesmos, pois deixaremos de ser depósitos de sentimentos impuros, desequilibrados, que insistem em nos fazer infelizes. Deixe secar primeiro.

A Terra recebeu, na figura de um homem muito simples, um grande defensor da não-violência.

Mahatma Gandhi, o líder religioso indiano que comandou centenas de hindus, foi a lição viva da desnecessidade da violência para resolver problemas.

Eis aqui um sábio pensamento seu: Não-violência e covardia são termos contraditórios. 

A não-violência é a maior das virtudes, enquanto a covardia é o maior dos vícios.

A não-violência provém do amor, a covardia do ódio.

A não-violência sempre sofre, enquanto a covardia sempre gera o sofrimento.

A perfeita não-violência é a maior das bravuras.

Sua conduta não é jamais desmoralizante, enquanto a forma da covardia se conduzir sempre o é.





com base no cap. Deixai secar primeiro, do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, ed. Record

domingo, novembro 27, 2011

Anjos de guarda


Quem cuida de seu filho quando ele não está sob seus olhos?
Você diz que, na escola, os professores são os responsáveis; que em seu lar, você tem uma babá igualmente responsável.
Enfim, você sempre acredita que alguém, quando você não estiver por perto, estará de olho nele.
Parentes, amigos, contratados à parte, há, também, uma proteção invisível que zela por seu filho.
Você pode dizer que é seu anjo de guarda, seu anjo bom. A denominação, em verdade, não importa.
O que realmente se faz de importância é esta certeza de que um ser invisível debruça sua atenção sobre seu filho, onde quer que ele esteja.
E também sobre você. Não se trata de uma teoria para consolar as mães que ficam distantes de seus filhos longas horas.
Ou para quem caminha só nas estradas do mundo. Refere-se a uma verdade que o homem desde muito tempo percebeu.
Basta que nos recordemos de gravuras antigas que mostram crianças atravessando uma ponte em mau estado, sob o olhar atento de um mensageiro celeste.
Ou que evoquemos o livro bíblico de Tobias, onde um anjo acompanha o jovem em seu longo itinerário, devolvendo-o ao pai zeloso, são e salvo.
É doce e encantador saber que cada um de nós tem seu anjo de guarda. Um ser que lhe é superior, que o ampara e aconselha.
É ele que nos sussurra aos ouvidos: Detenha o passo! Acalme-se! Espere para agir!
Ou nos incentiva: Vá em frente! Esforce-se! Estou com você!
É esse ser que nos ajuda na ascensão da montanha do bem. Um amigo sincero e dedicado, que permanece ao nosso lado por ordem de Deus.
Foi Deus quem aí o colocou. e ele permanece por amor a Deus, desempenhando o que lhe constitui bela, mas também penosa missão.
Isso porque em muitas ocasiões, ele nos aconselha, sugere e fazemos ouvidos surdos. Ele se entristece, nesses momentos, por saber que logo mais sofreremos pela nossa rebeldia.
Mas não afronta nosso livre-arbítrio. Permanece à distância, para agir adiante, outra vez, em nova tentativa.
Sua ação é sempre regulada, porque se fôssemos simplesmente teleguiados por ele não seríamos responsáveis pelos nossos atos.
Também não progrediríamos se não tivéssemos que pensar, reflexionar e tomar decisões.
O fato de não o vermos também tem um fim providencial. Não vendo quem o ampara, o homem confia em suas próprias forças.
E batalha. Executa. Combate para alcançar os objetivos que pretende.
Não importa onde estejamos: no cárcere, no hospital, nos lugares de viciação, na solidão, ele sempre estará presente.
Esse anjo silencioso e amigo nos acompanha desde o nascimento até a morte. E, muitas vezes, na vida espiritual.
E mesmo através de muitas existências corpóreas, que mais não são do que fases curtíssimas da vida do Espírito.
* * *
Você pode ter se transviado no mundo. Quem sabe, perdido o rumo dos próprios passos.
Pense, no entanto, que um missionário do bem e da verdade, que é responsável por você, pela sua guarda, permanece vigilante.
Se você quiser, abra os ouvidos da alma e escute-o, retomando as trilhas luminosas.
Ninguém, nunca, está totalmente perdido neste imenso universo de almas e de homens.
Pense nisso!
 
com base nos itens 492, 495 e 501 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec

segunda-feira, outubro 31, 2011

Antes que seja tarde


É bastante comum pessoas, no leito de morte, desejarem aliviar a consciência. Fazem confissões apressadas de erros passados, pedindo e esperando perdão.

Acreditam que, por estarem partindo, tudo será perdoado e esquecido. Não é verdade.

Em algumas circunstâncias, revelações das faltas cometidas deixam, nos corações dos que ficam na Terra, muita mágoa e azedume. Mágoa e azedume que, como vibrações negativas, chegarão ao Espírito liberto, perturbando-o, na vida espiritual.

Outros, antevendo a proximidade da morte, apresentam suas últimas vontades. Dessa forma, os que os assistem nessa hora final, ficam constrangidos a executá-las, gerando-lhes, por vezes, muitos incómodos.

Moribundos há que desejam falar, mas não dispõem de voz, debatendo-se em aflição.

Por tudo isso, pensa e age de forma diversa.

Se sabes que um dia a morte te arrebatará o corpo, providencia já o que acredites necessário. Não faças, nem alimentes inimigos. Perdoa sempre. Desfaz, quanto antes, o mal-entendido, para que, depois da morte, não venhas a te perturbar, por causa de remorsos, que serão tardios.

Se desejas presentear alguém com o que te pertença, ou almejes adquirir, providencia de imediato. Não aguardes o tempo futuro. Ele poderá não te chegar. Faz testamento, regulariza a doação. Executa tua vontade, agora. Se pensas em reparar erros do ontem, toma logo a atitude. Não relegues a outrem o acerto dos teus desatinos. E, para que não te arrependas, depois da partida, não economizes palavras e gestos aos teus amores. Acarinha, abraça, beija.

Após o desenlace, poderás desejar o retorno para dar recados e falar do amor que nunca expressastes na Terra. Poderá ocorrer que a Divindade não te permita. Ou que não tenhas as condições para a manifestação. Ou não encontres a quem falar e dizer. Por ora, podes falar e agir. Faze-o. Depois da morte, precisarás contar com quem te interprete o pensamento, quem te deseje ouvir, te sintonize.
E lembra que se não semeares afeições e simpatias, enquanto no trânsito carnal, não terás frutos a recolher na Espiritualidade. Nem quem te recorde no mundo.

Se almejas fazer o bem, servindo à comunidade, prestando serviço voluntário, engaja-te hoje ainda. Não aguardes aposentadoria.

Dá hoje a hora que te sobra ou conquistas, entre os tantos compromissos agendados, porque poderá acontecer que não venhas a gozar os dias que esperas. Ou que, por circunstâncias que independam da tua vontade, necessites alongar a jornada profissional por mais alguns anos. Vive intensamente. Matricula-te no curso de idiomas, na aula de música, pintura, bordado.

Esmera-te no aprendizado para que, ao partir, leves contigo uma grande bagagem. De braço dado com quem amas, realiza a viagem sonhada. E fotografa tudo com o coração, para não esquecer nenhum detalhe. A máquina fotográfica poderá falhar, por defeito técnico ou inabilidade de quem a manuseia. Mas o teu coração não esquecerá jamais o que viveu amorosamente.

Feito tudo isso, se a morte chegar, de rompante ou te abraçar de mansinho, poderás seguir sem traumas, sem medos, em paz. E em paz deixarás os teus familiares, os teus amigos, os teus colegas e conhecidos.

Pensa nisso.

com base no cap. Antes da desencarnação,
 pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 31.10.2011.