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quinta-feira, setembro 05, 2013

Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Novo


BELISANDRA E A PRAGA DOS GAFANHOTOS

 

Referidas até em relatos bíblicos, as pragas de gafanhotos sempre assustaram os agricultores. E segundo a tradição, em tempos idos, Castelo Novo esteve ameaçado por um praga de gafanhotos. 

Vivia próximo desta aldeia uma rapariga de seu nome Belisandra e que por causa da sua fama de bruxa vivia na mais completa solidão, tendo por companhia, unicamente, um gato. 
 
 Sempre que necessitava de ir á aldeia, a pobre Belisandra tinha de enfrentar um coro de maledicência, risinhos de troça e o desprezo de todos. 

Embora em horas de aflição, muitos a ela recorrerem-se em segredo, em publico troçavam dela como se uma maldição se tratasse. Do mesmo castigo sofrera sua mãe Lisandra e sua avó Cassandra. 
 
Nunca ninguém tinha presenciado nada que confirmasse tais historias, mas dela se dizia que controlava o sol e a chuva, que curava doenças, que ensinava a melhor maneira de fazer filhos homens, e assim por diante… 

Belisandra atendia quem a procurava mesmo sabendo que no dia seguinte todos continuariam a dizer horrores sobre ela.
 
Um belo dia estando os campos cobertos de belas searas e o povo preparando-se para colher os frutos do seu trabalho, viram surgir no céu uma espessa nuvem que quase cobriu o sol. 

A princípio ninguém percebia do que se tratava, mas aos poucos compreenderam que se avizinhava uma praga de gafanhotos. E pela primeira vez, em grupo, recorreram a Belisandra que a todos surpreendeu quando lhes disse que deveriam fazer uma Procissão à Senhora da Misericórdia porque só ela lhes podia valer. 
 
Assim fizeram e conta a lenda que ainda a procissão ia no adro já os gafanhotos caíam mortos às centenas. 

O povo prometeu fazer a procissão todos os anos e cumpriu, porque ainda hoje em Setembro a tradição se mantém. Belisandra continuou a viver a sua vida solitária, pela fama de bruxa, mas desde esse dia o povo passou a respeitá-la. 
 
Não sem que se perguntassem como podia uma mulher cristã dominar as forças da natureza…

Castelo Novo


O topónimo desta aldeia advém do facto de terem existido dois castelos, sendo este, Castelo Novo, ocupado após o abandono do Castelo Velho, por ter melhores condições de defesa. A sua construção data do século XII-XIII.
Esta denominação só surge associada à povoação por volta de 1208, no testamento de D. Pedro Guterres (Petrus Guterri) em substituição do nome anterior, onde é citado pela primeira vez, na sua doação aosTemplários apelidando-a de: "terra a que chamam Castelo Novo".
Em 1223 o nome de Castelo Novo é referenciado no foral de Lardosa. 
A ser assim caem por terra todas as afirmações que atribuem a D. Dinis a construção do Castelo. O que não parece provável é que este monarca tenha ali mandado fazer qualquer intervenção.
Ainda no século XIII, a povoação viria a ser doada à Ordem dos Templários e, posteriormente, à Ordem de Cristo, no sentido de se garantir a posse do território conquistado aos mouros.
D. Dinis atribui foral à povoação em 1290. Este monarca ordena ainda a plantação de castanheiros na povoação.
No reinado de D. Manuel I, o castelo já não estaria propriamente novo, o que o levou a assumir a sua recuperação encarregando do assunto um escudeiro da Casa Real, que se fez acompanhar de um pedreiro mestre-de-obras natural de Castela.

D. Manuel I, em 1 de Junho de 1510, concedeu a Castelo Novo o seu segundo foral.
Deste reinado ficaram na antiga vila o Pelourinho e, eventualmente, os Antigos Paços do Concelho.
Em 1527 existe uma referência ao concelho de Castelo Novo, englobando: Alpedrinha, Vale de Prazeres, Póvoa da Atalaia, Atalaia do Campo, Louriçal, Soalheira, Orca e Zebras.
Em 1557, aquando do Numeramento Joanino, Castelo Novo é vila.

No ano de 1667, a assistência a pobres e doentes é feita pela Santa Casa da Misericórdia que é comum a Castelo Novo e Alpedrinha.
A construção do Chafariz da Bica, do Chafariz de D. João V e da Igreja Matriz (1732), nos inícios do século XVIII, comprovam o desenvolvimento que esta povoação sofreu, possivelmente, com o ouro vindo do Brasil, no reinado de D. João V.
O seu castelo, edificado no século XII, sofreu grandes estragos com o terramoto de 1755.
Em 1835 Castelo Novo perdeu o seu título de concelho e foi englobado no município de Alpedrinha.
Posteriormente, em 24 de Outubro de 1855, viria a ser anexado, junto com Alpedrinha, ao concelho do Fundão.
Dos seus tempos de concelho, conserva-se o seu símbolo principal: o Pelourinho.







 
 
 
 

Senhora da Penha


Meus 50 anos decidi festejar de forma o mais possível diferente e memorável.Assim partilho esta notável experiência que muito me encantou...
 
Lenda da Penha da Senhora da Serra
 
Os vestígios arqueológicos conhecidos sugerem uma ocupação humana do território provavelmente desde o Neolítico e Calcolítico, projectando-se num crescimento de testemunhos que se referem às idades do Bronze e do Ferro, na Época Romana e no período dos Visigodos e dos Muçulmanos.
 
Numa cota de cerca 1147 metros, no alto da Serra da Gardunha, sobre a vertente norte da aldeia de Castelo Novo, situa-se uma intrusão granítica, trata-se do sítio de Nossa Senhora da Penha. As coordenadas geográficas:  40º 05' 50,86'' N. e 07 º 30' 40,44'' O .

É um sítio Magnífico, situada no cimo da serra da Gardunha, de onde se domina toda a cova da beira para norte e toda a campina a Sul. Certamente de uma enorme vantagem na Antiguidade, este ponto Granítico no cimo do monte Ocaya, assim se chamava a Serra da Gardunha na Antiguidade.

Os Montes na Antiguidade eram em alguns casos lugares Sagrados,  tendo mesmo o nome de Monte Sacro que derivou para Monsanto, na antiguidade acreditava-se que  os Montes, por  se encontrarem mais próximos do Mundo Celeste onde residiam os principais Deuses, por esta Razão encontramos os principais Templos em cotas elevadas.


O Penhasco da senhora da Penha não é exclusão, há regra terá existido ali um local Sagrado, onde os povos da idade do Bronze e do Ferro ( povos Indígenas  que ocuparam este local cultoavam as suas divindades e sendo assim divindades como Trebaruna, Reva e outras poderiam ter ali sido cultoadas pelos Lancienses Ocelenses. 
 
Em baixo surpreendeu a diferença de cor na vegetação, onde parece existir um "corredor mais seco entre vegetação. 

Lá em baixo na curva o ponto quase imperceptível, é a Honda TransAlp em que fiz a viagem de cerca de 680 kms em dois dias e portou-se sempre como quem dizia; QUERO MAIS!!!!
 
deste mesmo ponto elevado na direcção oposta
 
Lá no alto da Gardunha, no meio de um sem fim de fragas que se entranham pelo Céu a dentro, em terras do Souto a dar para Castelo Novo, por baixo de um dos múltiplos penhascos, aparece a gruta da Capela da Senhora da Serra.

Local aprazível, onde o horizonte termina bem longe, e o domínio visual sobre a Gardunha é soberbo. O imaginário, o misterioso, a fantasia, o oculto, a surpresa, a dúvida o conto e a lenda têm todos lugar aqui, – no Sítio da Penha.

Vamos apenas falar do que sabemos. E mesmo isso, referimo–lo porque no–lo contaram!

A Penha, toda ela se encontra situada nos limites da Freguesia do Souto da Casa. Logicamente e por consequência daquela afirmação, a gruta que durante muitos anos albergou a Capela da Senhora da Serra, encontra–se completamente dentro daqueles mesmos limites.

Importa ainda referir para uma melhor compreensão daquilo que pretendemos transmitir,que a delimitação da nossa Freguesia com a de Castelo Novo é "por águas vertentes".

Consta que: A disputa da posse da Capela e da Imagem da Senhora da Serra, foi uma constante durante muitos anos, criando uma rivalidade temerária entre os dois povos vizinhos. De tal ordem se criaram situações extremas, que a população de Castelo Novo cuja povoação se encontra bem mais perto da Penha que a do Souto da Casa, chegou a "roubar" a imagem da Capela e instala–la na sua Igreja Matriz.

«Porque a Senhora não queria nada com o Povo de Castelo Novo», regressou pouco tempo de pois à sua "moradia" original: – à Capelinha, na Penha.

Não satisfeitos com tal situação e desconfiados que tivessem sido os seus vizinhos a levar a Imagem de volta à Penha, os de Castelo Novo voltaram a traze–la para a sua Aldeia.

Dias depois (poucos, naturalmente!), meia dúzia de homens destemidos e corajosos do Souto da Casa, pela calada da noite, resolveram fazer a vontade à Senhora e carregando–a ao colo, levaram–na de regresso à Sua verdadeira Casa.

Novamente o orgulho, a força do desafio e o sentimento da rivalidade soou mais alto e os homens de castelo Novo tornaram à Penha para levar consigo a Imagem da Santa que tanto desejavam como sua. Só que desta vez, «a Senhora chorou». 

E «fê–lo porque não queria mais ser roubada por ninguém. – também, porque não era Seu desejo ir novamente para Castelo Novo»

Os de Castelo Novo, temeram aquelas lágrimas mas jamais iriam prescindir de uma preciosidade a que se julgavam com direito.

Os dos Souto da Casa, cumprindo com o desejo da Santa, não mais voltaram a resgatá–La. Preferiram antes, sair prejudicados no seu orgulho e nos seus sentimentos, que voltar a sentir lágrimas no rosto da Santa.


Por tudo isto, ainda hoje, a Imagem da Senhora da Serra continua em Castelo Novo e a Sua Antiga Capela no alto da Serra, – no sítio da Penha, continua vazia e sem qualquer utilidade.
 
outra versão-«...uma mulher de Alcongosta ter ido à lenha para a serra,fazendo-se acompanhar pela sua filha de tenra idade, esta ali se perdeu, sem que fosse possível descobri-la, apesar das diligencias feitas. Voltou a mãe ao seu povo muito melancólica por este acontecimento e foi com os seus vizinhos novamente procurar a menina perdida, aonde só a puderam achar ao fim de 3 ou 4 dias dentro da Gruta de nossa senhora da Serra! 

Tendo ficado estupefactos, quando encontraram a menina viva, pois já todos a supunham morta.

Achando-a dentro da Caverna formada entre dois rochedos; mas qual seria a sua admiração quando fitaram os olhos numa perfeitíssima imagem da Senhora da Serra (...), e mais admirados ficaram quando a menina lhes disse: - que a senhora lhe havia dado de comer, alimentando-a por todo o espaço de tempo, através de uma campainha!

Este milagre foi divulgado pela região e fizeram-se romarias á senhora da Serra. (...), sendo parte da despesa abonada por El-Rei  o senhor D. João V, datada de Maio de 1731:

"poderão os vereadores gastar um jantar, na festividade que costuma fazer-se a nossa senhora da serra, por voto muito antigo do povo".» (CARDOSO,J. I.; 2005)

 
estas rochas em cimo da Serra mais pareciam cortadas como muralhas, da forma em alguns locais que entretanto explorei enquanto houve luz, estavam talhadas em linhas espantosamente rectas.
 
 
parece uma imagem gravada nesta espécie de recipiente natural...
 

 
O facto de aparecer uma imagem em Pedra muito 
antiga, que aparece como explicação de
uma imagem de nossa senhora em Pedra, trazida 
pelos Godos quando em 711 fugiram
aos Muçulmanos e tendo-se refugiado na Gardunha os habitantes da Idanha. 

Certo que Guarda de unha, significa refugio e o nome actual de Gardunha poderá derivar destas duas palavras.

podemos pensar ainda que a senhora da serra, que já não existe, uma vez que se partiu numa das procissões e terá mandado fazer uma réplica em Coimbra, réplica esta que se encontra em Castelo Novo.

Não é de excluir a hipótese de esta imagem ser uma Deusa Pagã em Pedra e ao ter sido compreendido tal facto pelo Bispo da Guarda e aproveitando-se dos factos dos desentendimentos entre povoações, terá resolvido mandar destruir o sitio de culto, não seria caso único esta situação, a população pensou ter caído no local um raio que destruiu a Capela.

Se pegarmos nos textos de Estrabão Geo III  sobre os 

Lusitanos «..que viviam em Castros, sacrificavam os 

prisioneiros atirando-os das montanhas e abriam-lhes as 

entranhas para adivinharem o futuro...» 

( ESTRABÃO: geo III) É evidente que só uma intervenção 

arqueológica profunda um dia poderá  esclarecer 

estas duvidas.
 
 
A LENDA DA GARDUNHA
No tempo em que vieram os Mouros, com muitas guerras, havia na povoação de Idanha-a-Velha um homem viúvo e rico que se casou com uma mulher muito mais nova que ele.

Esse homem tinha uma filha da primeira mulher, ainda pequena e muito linda, que a madrasta não tratava lá muito bem, ralhando-lhe por tudo e por nada.

A menina tinha um cão, que era seu grande amigo e a acompanhava para todos os lados.

A madrasta maltratava o cão, para fazer zangar a menina que era sua enteada. A menina chorava agarrada ao cão.

Um dia, a madrasta bateu com um pau no cão e a menina refilou com ela. Em resposta, levou duas lambadas da madrasta, que ainda lhe disse que, se dissesse alguma coisa ao pai, que a matava. A ela e ao cão.

A menina mais se pôs a chorar. Agarrou-se ao seu amigo cão e disse-lhe que iam os dois fugir de casa. Às escondidas, arranjou uma merenda com pão, queijo e chouriça, pôs um xaile pelos ombros e correram para fora da povoação. Avistando uma serra ao longe, a menina disse para o cão:
Farrusco, vamos para aquela serra, que nós lá nos arranjamos!

O cão sacudiu as orelhas, deu dois pinotes e arrumou-se às pernas da amiga.

Lançaram-se, então, pelos caminhos na direcção da serra, que se alevantava ao longe. Caminharam, caminharam, por veredas e caminhos. Quando chegaram aos altos da serra, já estava o dia quase a acabar. Andando mais um pouco, pelo cimo, a menina viu uns grandes penedos, onde encontrou uma grande lapa. O cão entrou na lapa e voltou a abanar o rabo. Com medo, a menina entrou logo na lapa, com o amigo cão. Sentaram-se e comeram a merenda. 

Já pelo escuro, a menina e o cão aconchegaram-se no xaile para passarem a noite. A menina estava afoita, porque tinha o cão que a guardava. Lá adormeceram.

Já com a claridade da manhã a entrar na lapa, a menina sentiu que alguém lhe batia no ombro. Levantou-se, olhou em volta, mas apenas vislumbrava alguma claridade. Ao lado, o cão pulava.

Os ares tornaram-se mais claros e no fundo da lapa apareceu um grande brilho. De lá, saiu uma Senhora muito linda, vestida de branco e a sorrir.

A menina e o cão ficaram parados a olhar para a Senhora.

Então, a Senhora, com uma voz que parecia vir dos altos, disse:
- Menina! Tens de ir à tua terra, para levares um recado.

A menina arrepiou-se e perguntou à Senhora:
- Quem é vossemecê?

A Senhora, rindo-se, disse-lhe:
- Eu sou a Nossa Senhora! Vim do Céu para te ajudar, a tia e ao povo da tua terra!

A menina ficou muito atrapalhada, a olhar a Senhora.
A Senhora caminhou para junto da menina, pôs-lhe a mão no ombro e disse-lhe:
- Vai a correr à tua terra e diz ao teu pai e a todo o povo que fujam para aqui, porque os Mouros já vêm perto, para matarem tudo. Aqui, podem muito bem defender-se, para se salvarem.

A menina e o amigo cão correram logo pela serra abaixo. O cão à frente, porque conhecia melhor o caminho.

Logo que chegou à Idanha, a menina contou ao pai o que tinha acontecido. Que a Nossa Senhora lhe apareceu e que lha disse para fugirem da Idanha.

O pai não acreditou e disse à filha que ela devia estar doente ou a sonhar.

A menina continuou a dizer ao pai que tudo era verdade. Que a Senhora lhe disse que veio do Céu para os avisar e lhes acudir. Que fugissem todos para a serra, porque os Mouros já estavam perto da Idanha.

A notícia correu logo pelas ruas e pelos campos. O povo, cumprindo o que a Senhora dissera à menina, logo fugiu e foi acoitar-se pelos penedos e pelas lapas da serra, esperando o que viesse, bom ou mau.

Quando os Mouros chegaram, já ninguém estava na Idanha. Só encontraram as casas vazias. Correram para a serra, procurando os da Idanha, mas foram derrotados pelo povo que fugiu. Nas alturas da serra, estavam em posições vantajosas e ainda, por cima, protegidos pela Nossa Senhora.

O povo da Idanha, que fugira para a serra, por ter sido avisado pela Nossa Senhora, começou a chamar Gardunha à serra, o que queria dizer: Guardou os da Idanha.

O povo da Idanha-a-Velha, refugiado na serra, logo transformou a lapa, onde aconteceu a aparição, numa capela e nela colocou uma imagem da Senhora, à qual passou a chamar Nossa Senhora da Serra e a adorá-la pelo milagre que fez.


Narrada por Laura Saraiva, natural de Castelo Novo, 97 anos, 1987, Alcaide.
 
 



 a pedra da meditação lá longe


o testemunho - a direcção





a passagem





































o falo
a noite...



... e muitas mais fotos haveria para partilhar, 
não há mesmo como deixar de lá ir...

Eu... certamente irei voltar!

quarta-feira, junho 17, 2009

O Porquê das Mortes Colectivas?

As grandes comoções que ocorrem na nossa sociedade material trazem sempre enormes indagações e dúvidas por parte de pessoas que ainda não adquiriram conhecimentos das verdades evangélicas a respeito da Lei de Causa e Efeito e das vidas sucessivas. Segundo ainda ensinamentos Evangélicos, “não caí uma só folha da árvore sem que Deus saiba” e, com toda certeza, as “mortes colectivas” não foram obras do acaso, mas sim, todas estavam cadastradas nos anais da espiritualidade para participarem dessas desencarnações colectivas. Muitos desses fatos são consequências de Leis Naturais, ou juridicamente chamadas de “casos fortuitos”, como maremotos, terremotos, erupções de vulcões, etc., porém, outros ocorrem por acidentes ou desastres, que são provocados pelo próprio Homem, como por exemplo, acidentes aéreos, marítimos, ferroviários e, hoje em dia, até por ato terrorista. Ora esses fatos acontecem sem serem provocados por Deus, mas, em ambos os tipos de ocorrências, há a influência do ser humano, directa ou indirectamente. No primeiro caso, apesar de ser um fato natural, físico, corrobora a influência inferior da Humanidade. No segundo caso, pela imprudência do próprio homem. Essas ocorrências, chamadas catastróficas, que ocorrem em grupos de pessoas, em família inteira, em toda uma cidade ou até em uma nação, não são determinismo de Deus, por ter infringido Suas Leis, o que tornaria assim, em fatalismo. Não. Na realidade são determinismos assumidos na espiritualidade, pelos próprios Espíritos, antes de reencarnar, com o propósito de resgatar velhos débitos e conquistar uma maior ascensão espiritual. O Espírito André Luiz, no livro Acção e Reacção, afirma esses fatos: “nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”. São acções praticadas no pretérito longínquo, muito graves, e por várias encarnações vamos adiando a expiação necessária e imprescindível para retirada dessa carga do Espírito, com o fim de galgar voos mais altos. Assim, chega o momento para muitos, por não haver mais condições de protelar tal decisão, e terão que colocar a termo a etapa final da redenção pretendida perante as Leis Divinas. Dessa complexidade de fatos é que geram as chamadas “mortes colectivas”. Os Espíritos Superiores possuem todo conhecimento prévio desses fatos supervenientes, tendo em vista as próprias determinações assumidas pelos Espíritos emaranhados na teia de suas construções infelizes, aí, providenciam equipes de socorros altamente treinadas para a assistência a esses Espíritos que darão entrada no plano espiritual. Mesmo que o desencarne colectivo ocorra identicamente para todos, a situação dos traumas e do despertar dependerá, individualmente, da evolução de cada um. Estes fatos, mais uma vez André Luiz confirma: “se os desastres são os mesmos para todos, a “morte” é diferente para cada um”. Assim, a Previdência Divina, com sua pré-ciência, aparelha circunstâncias de hora, dia e local, para congregar aqueles que assumiram tais resgates aflitivos, e, por outro lado, os que não vão fazer parte desse processo colectivo, por um motivo ou outro, não estarão presentes. No livro Tempo de Transição, do escritor Juvanir Borges de Souza, tiramos os seguintes ensinamentos referentes a este assunto: “...o mesmo princípio aplicável a cada indivíduo estende-se às colectividades; uma família, uma nação ou uma raça formam as individualidades colectivas; “...entidades colectivas contraem responsabilidades agindo como individualidades colectivas, respondendo seus por seus actos e pelas consequências deles; “...as expiações colectivas são os resgates de ações anteriores praticadas em conjunto pelo grupo envolvido; “...os grupos se reúnem na Terra para tarefas ou missões comuns, assim com são reunidos, para purgar faltas cometidas em conjunto, solidariamente, assim, o inocente de hoje pode estar respondendo por seus actos de ontem; “...a Providência Divina tem meios e formas para determinar os reencontros, o reinício das tarefas, os resgates, tanto no plano individual quanto no colectivo, em processos complexos que nos escapam à percepção”. Em seguida, o preclaro escritor traz exemplos significativos, lembrando da escravatura negra no Brasil que, durante três séculos foi uma instituição oficial, uma mancha social da qual resultam efeitos morais e espirituais até em nossos dias. Recorda ainda, a Guerra do Paraguai, país de menores recursos humanos e materiais, arcou com sofrimentos e dificuldades pesadas. Entretanto, passados mais de um século desse triste acontecimento, os governos uniram-se em tratado de honra e os dois povos construíram a maior usina hidroeléctrica do mundo, que proporciona enorme progresso às populações de ambos os países, com considerável vantagem para o Paraguai, uma vez que o empreendimento foi custeado na sua quase totalidade pelo povo brasileiro. Entende-se como uma espécie de ressarcimento de débito do passado, sob a forma de compreensão, cooperação e realizações positivas e justas. Existem ainda, “mortes colectivas”, provenientes de seguidores de pessoas com alto grau de persuasão, mas de baixo senso moral, que conseguem anular sentimentos e raciocínios de pessoas despreparadas e com tendência ao materialismo, inculcando ensinamentos de salvação através de actos externos, apregoando os suicídios colectivos. Mais uma vez, recorremos das palavras sábias do escritor Amilcar Del Chiaro Filho: “Quando a pessoa se fanatiza por alguma coisa, especialmente pelas ideias religiosas, o desequilíbrio se apresenta, e o que é distorcido, desatinado, parece recto, equilibrado. Existe alguma relação com obsessores? Sim, existe. Espíritos obsessores se aproveitam das disposições dos encarnados para dominar-lhes a mente e impor-lhes a própria vontade”. Transcrevermos ainda, palavras do Profº Waldo Lima de Valle, retiradas do seu livro, Morrer e Depois!: “mortes colectivas são provações muito dolorosas para os que ficam e também para os que partem, mas integram programas redentores do Espírito endividado perante a Lei e condição para que possam usufruir, merecidamente, as glórias da Vida Eterna (...) a dor colectiva corrige falhas mútuas, dos que partem e, também, dos que ficam”. O Meigo Nazareno, como não poderia deixar de ser, ensina em suas “Boas Novas” a respeito dessas vítimas: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas cousas? Não eram, eu vo-lo afirmo: se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito, sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” - Lucas 13.1-5. Isso significa que os que padecem desse drama no desencarne não são mais culpados do que outros, também habitantes deste planeta ainda inferior, pois carregamos todas dívidas e imperfeições de Espíritos que faz jus reencarnar aqui na Terra. O que precisa é o arrepender que Jesus ensina, ou seja, não mais praticarmos o mal contra nosso irmão, e praticarmos sim, a caridade para compensar o mal já efectivado em vidas passadas, para termos oportunidade de escaparmos dessas aparentes tragédias. Para encerrarmos este assunto completamos com outra parábola de Jesus que demonstra materialmente essa verdade: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não acho; pode cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”. Lucas 13.6-9. Fica assim comprovado que Deus espera de nós os frutos que devemos dar pela oportunidade da reencarnação, no sentido de melhorarmos moral e espiritualmente, para não termos que expiarmos, drasticamente, nossas faltas pretéritas.
João Demétrio (3/1/2008)

segunda-feira, abril 09, 2007

Algarve

Ilha de Faro, Ilha da Armona, vento, solidão e encontro...

do mesmo céu a diferente espécie...

de um lado o mar

que a bordo

separa da formosa ria

se ao menos aqui estivesse o meu kayak....