segunda-feira, maio 19, 2008

Objectiva VS Objectivo

Ocorreu-me o “confronto” entre estas duas palavras para abordar uma simples técnica que pode facilmente ser usada, tanto para a meditação, como para auto-avaliação ou um momento de oração, enfim, para um momento de reflexão sobre uma porção de tela vivencial, tanto acontecida como por acontecer. Definições: Objectiva – Faz-me recordar a objectiva de um aparelho fotográfico. Ela é a forma encontrada, de captar uma certa quantidade de imagem que pelo seu conteúdo pode constituir informação, que é reflectida para o interior do aparelho fotográfico a fim de que este a registe em rolo fotográfico e mais recentemente em formato digital, ou seja conteúdo electrónico. A objectiva em questão foca seleccionando os acontecimentos, capta as nuances e os brilhos, as cores e as noções de tridimensionalidade. No entanto, é sobretudo ser o canal condutor de todas estas coisas para o interior do aparelho fotográfico, que lhe dá o maior sentido. Após uma sessão fotográfica, nada fica retido em seu corpo, sendo o aparelho fotográfico com seus componentes mecânicos e electrónicos, que irão armazenar todos os dados anteriormente captados. Objectivo: Continuando com o exemplo anterior, o objectivo diferencia-se como a palavra indica, pela sugestão que transmite do destino final de um dado sentido. Enquanto uma objectiva permite a captação de determinada imagem, o objectivo é para onde, independentemente da objectiva usada, essa captação será conduzida. È o corpo do aparelho fotográfico, neste exemplo. Assim sendo, sem mais delonga, começarei por apresentar o objectivo deste exercício com um exemplo aleatório, retirado da infinita possibilidade de usos, donde pode ser empregue esta técnica. Estou feliz com a minha profissão? Terei ferramentas de avaliação eficazes, que me ajudem a “decifrar” esta questão, levando em conta todas as condicionantes implicadas, do tipo: Estou bem pago? Sou pró-activo? Interajo correctamente com os meus colegas profissionais?
Como se reflectem todos estes dados conjuntamente, sobre a minha vida familiar?
São um desenrolar de questões interligadas que se debatem sobre o indivíduo, que não tarda, se sente congestionado por questões que se apresentam como os tentáculos de um polvo, sem que consiga responder satisfatoriamente a todas em simultâneo.
Como me sinto com a minha profissão? Constitui ela uma objectiva ou um objectivo na minha vida? Basicamente, é a minha profissão um meio ou um fim em minha vida? Aqui reside toda a diferença, dado que dependendo da forma como me sentir em relação a esta questão, estarei a responder a todas as outras questões que dali advém, desmontando assim todo esse cenário inquietante e por vezes até, paralisante. Então vejamos: Se constitui uma objectiva em minha vida, então entendo a minha profissão como uma forma de interagir com várias dinâmicas não como um fim em si, mas como um meio de obter ou chegar a algo que até posso a dado momento desconhecer. Interiormente inicio a viagem à desmontagem das restantes questões que se apresentaram:
Estarei bem pago? Se não sinto a minha profissão como um objectivo se calhar não estarei a dar o meu máximo, pelo menos, poderei ter que rever em baixa a minha expectativa de renumeração dado que estou a ser retribuído de outra forma, mais como um meio em si, do que como um fim em si. Pelo menos é um princípio chegar a um “beco com saída”. Sou pró activo? Será razoável exigi-lo? Então se estou a usar a minha profissão numa objectiva não especializada, será que é razoável esperar isso de mim? Não estarei a necessitar de mais razoabilidade e tolerância por mim mesmo? Interajo correctamente com os meus colegas? Estarei a relacionar-me com eles, dentro deste contexto? Não estarei a derivar ansiedades, ou desfuncionalidades para cima deles e de mim mesmo? Poderei encorpar comportamentos dentro desta esfera de relacionamento mais adequados onde esclarecido, possa apaziguar o ambiente. Podem certamente estas reflexões ajudar na estabilização e promoção, de um ambiente mais saudável em casa, onde junto dos meus familiares posso encontrar mais disponibilidade para um relacionamento mais fraterno e lúcido. Se constitui um objectivo. Neste caso em concreto é um pouco mais fácil, pois se identifico a minha profissão actual como um objectivo, então novamente sobre as mesmas questões esperariam-se respostas diferentes que originariam também respostas diferente:
Estarei a trabalhar com a empresa certa? Será este o projecto em que devo investir mais tempo, que me retribui em renumeração o que acho que me é devido. Necessitarei de investir mais em formação? Estarei a funcionar dentro da esfera que me é favorável, no departamento certo? Terei que tentar alguma alteração nos meus hábitos de funcionamento para que possa ser reparado pela positiva, no sentido de granjear algum reconhecimento extra, tanto pelos meus colegas como pelas minhas chefias. Em casa, estarei a exigir o razoável da minha família, será que compreendem minha ambição na empresa? Etc… etc… Se reparar, em cada questão das muitas colocadas e que ficaram por colocar, sempre podia usar o mesmo: Objectiva ou objectivo? Àquelas questões que não se resolve de imediato, das que advém sempre fica uma porta aberta. Enfim este foi um exemplo dos muitos onde se pode realizar um tal exercício. Muito bom para os neurónios da modernidade, sujeitos a constante adormecimento e robotização, ao serem assim estimulados activam em sua mobilização a possibilidade de acontecer além da estabilização de uma forma de vida, a promessa real de encontro com algo ainda maior. Um Objectivo

sexta-feira, maio 16, 2008

O amor perante a indignidade

É comum o cristão experimentar a angustiante sensação de que não está à altura da crença que esposa. Ele pensa que não se esforça o bastante para viver o que acredita. Ou que seus esforços não dão os resultados que gostaria. Uma triste dúvida por vezes lhe baila na mente: Será que ele é apenas um hipócrita, enamorado de belos ideais, mas sem colocá-los em prática?
O modelo cristão é bastante elevado. Trata-se da figura do Cristo, sublime sob todos os aspectos. Embora em constante contato com seres ignorantes e transviados, preservou Sua pureza. Ensinou, curou e exemplificou as mais excelsas virtudes. Submetido às maiores violências, perdoou imediatamente. Rigorosamente paciente com os simples e ignorantes, soube usar de energia ao tratar com os poderosos e os sábios de coração vazio. Jesus alterou a História e os valores da Humanidade. Com ele, a palavra amor ganhou uma nova acepção. Não mais se tratava apenas de erotismo ou de amizade, conforme o legado dos filósofos gregos.Tinha-se doação incondicional, sem qualquer expectativa de retorno. Surgiu a concepção de que o semelhante deve ser amado apenas porque existe, independentemente de seus valores e de seus atos. Aí reside um fator de dificuldade para uma boa parte dos cristãos. A figura de Jesus cintila em Suas perfeições. O relato de Seus feitos provoca um intenso desejo de segui-Lo, de imitar-Lhe a conduta. Mas para isso é preciso desenvolver um amor desinteressado e abrangente. Entretanto, a Humanidade parece tão lamentável e suscita tão pouca simpatia!
Pessoas genuinamente boas são raras no Mundo. Já os desonestos são tão abundantes e ardilosos! As notícias sobre políticos corruptos não colocam o coração humano em disposição amorosa. Os criminosos sempre estão a conseguir um modo de sair da cadeia. Vê-se por todo lado a esperteza, a desonestidade e o egoísmo. Parece que todo mundo está à cata de vantagens e de privilégios. Fala-se mais em greves do que em serviços eficientemente prestados. Amar uma Humanidade assim parece uma tarefa bem difícil, quase impossível ...
Entretanto, Jesus é o Modelo e conviveu com homens ainda mais rudes e os amou. Um fator importante a considerar é que cada qual recebe conforme suas obras. À Justiça Divina preside a harmonia universal. Não é necessário gastar tempo com atitudes de revolta e inconformismo. As leis humanas são falhas e freqüentemente são burladas. Mas as Leis Divinas são incorruptíveis e infalíveis.Todo ato, seja digno ou indigno, tem naturais e automáticas repercussões. Assim, os que se permitem viver no mal devem apenas ser lamentados. Eles estão semeando dores em seus destinos.
Conforme afirmou o Mestre na cruz, eles não sabem o que fazem.
Ciente dessa realidade, não deixe que a miséria moral alheia seja um obstáculo à sua piedade e ao seu amor. Mesmo que você não consiga fazê-lo com perfeição, esforce-se em amar seu semelhante. Os ignorantes e indignos são apenas os mais necessitados de compreensão e auxílio. Pense nisso.

sexta-feira, maio 09, 2008

Uma chance a ti mesmo

Apenas uma chance para que possas respirar devagar, suavemente, para assim descobrir quão imensa é a vida que reside dentro de ti.
Dá uma oportunidade para que a tua visão interior encontre as cores que te compõem,
Para então ensinar-te a colorir a tela que ainda permanece em branco por pensares que não és capaz de dar-te o arco-íris.
Apenas um instante para aquietar-te e sentir o silêncio que em ti habita, onde todas as perguntas se calam, pois as respostas, todas, estão ali na tua entrega a ti mesmo.
Teus passos, um a um, vão compondo o teu percurso e depende de ti fazer deste caminho algo digno do ser humano que tu és.
Vem com tua força e não com tua fraqueza.
Vem com tua alegria e não com tua tristeza.
Vem com tua luz e não com a tua escuridão.
Alimenta o que te fortalece frente o tempo que te é dado.
Vê, depende de ti estar em conexão com a vida, o teu amor maior.
Portanto, dá uma chance para que possas, ao menos, ter um vislumbre do que é estar bem, estar em equilíbrio, estar preenchido, estar pleno, cheio de clareza, de luz.
O tempo está passando e se acreditas que o teu destino já foi moldado por outras mãos que não as tuas, realmente estás perdendo tempo, muito tempo...
Alcança para ti o que teu ser sente saudade.
Alcança para ti o que teu ser reconhece como sendo o seu lar, sua morada.
Pois, está, definitivamente, dentro de ti tudo que necessitas para sentir paz...
Paz e gratidão...
Porque, o que te é dado dia a dia, não é pouco e nunca será.
Sê feliz.

quarta-feira, abril 30, 2008

Começa por ti

Para quem tem olhos de ver, em toda parte ensinamentos se fazem presentes.
No túmulo de um bispo anglicano, que está na cripta da Abadia de Westminster, na praça do Parlamento, em Londres, pode-se ler o seguinte: Quando eu era jovem, livre, e minha imaginação não tinha limites, eu sonhava em mudar o mundo. À medida que me tornei mais velho e mais sábio, descobri que o mundo não ia mudar. Reduzi, então, meu campo de visão e resolvi mudar apenas meu país. Mas acabei achando que isso, também, eu era incapaz de mudar. Envelhecendo, numa última e desesperada tentativa, decidi mudar apenas minha família, os mais próximos, mas, ai de mim, eles não estavam mais ali.
Agora, no meu leito de morte, de repente percebo: se eu tivesse primeiro me empenhado apenas em mudar a mim mesmo, pelo meu exemplo eu teria mudado minha família. Com a inspiração da família e encorajado por ela, teria sido capaz de melhorar meu país e, quem sabe, poderia até ter mudado o mundo.
* * *
Quase sempre, pensamos e agimos exatamente assim. É comum lermos um trecho do Evangelho e logo pensarmos como aquelas frases seriam muito importantes para alguém da nossa família. Quando ouvimos uma palestra edificante, que concita ao bem, logo nos vem à mente o pensamento de que seria muito bom se determinada pessoa estivesse ali para ouvir. Isso faria muito bem para ela! É o que dizemos para nós mesmos. Como esta informação a poderia modificar, mudar sua forma de agir.
Quando estamos vinculados a uma determinada religião, o pensamento não é diferente. Ficamos a desejar que nossos parentes, nossos amigos, colegas professem a mesma crença, comunguem dos mesmos ideais. Por vezes, chegamos a nos tornar um pouco inconvenientes, ou talvez até em demasia, mandando recados, frases escolhidas para os amigos. Tudo nesse intuito de que eles as leiam, as absorvam e coloquem em prática. São frases que se referem aos bons costumes, à ética, à moral e quem as recebe, com certeza, pensará também: Seria muito bom que o remetente colocasse em prática essas fórmulas. Ele precisa disso. Por isso é que o Mundo ainda não é esse local especial que tanto ansiamos: um oásis de compreensão, com aragem de paz e fontes cantantes de fraternidade.
Porque cada um de nós deseja, pensa, anseia por mudar o outro. Por fazer que o outro se revista de compreensão, de polidez. Contudo, o Modelo e Guia da Humanidade estabeleceu que cada um deve dar conta da sua própria administração. Administração da sua vida, dos seus deveres, da sua missão.
O mundo é a somatória de todos nós, das ações de todos os homens.
Cabe-nos pois a inadiável decisão de nos propormos à própria melhoria.
E hoje, hoje é o melhor dia para isso. Nem amanhã, nem depois. Hoje.
Comecemos a pensar em que poderemos nos melhorar.
Quem sabe, um gesto de gentileza?
Que tal um Bom dia?
Um Obrigado, um sorriso?
Pensemos nisso.

terça-feira, abril 29, 2008

1 ruga

1 ruga: ele fez de tudo um pouco para se desviar de algum percurso para si projectado por alguém que o criou, que o alimentou e viu crescer.
Dáva assim a voz a algo que do seu peito cedo emergiu sem forma, e no vigor da sua juventude acabou por emprestar a seu quadro cores fortes e algo berrantes.
Andou pelos excessos, contrapostos àquilo que não sentia n/os outros compreender.
Viveu excessos. Embriagou-se despudoradamente virando as costas ao que se havia instituído, que lhe dava guarida/guarita.
Era assim uma espécie de vadio sem o ser, miserável sem o ser, pobre sem o ser, solitário sem o ser.
Passaram-se aventuras em excessos mergulhadas, ele sempre via tipo pelo retrovisor aquele que se encontrava ao seu redor e àquele que percebia em situação idêntica, deu sempre a mão.
Quando não o fez, pela tarde chorou amargamente.
Depois de alguns acontecimentos, vários, demais amontoados em caos suburbano, numa trip sem planear, descobriu o que sempre procurou da forma o mais avassaladora possível.
É que todos eram irmãos: Todos os destinos, todas as missões, todos os caminhos afinal, tudo expressão de um único autor...
Uma única ruga ancestral, no rosto imponderável da eternidade.

quinta-feira, abril 24, 2008

Uma chance de ser bom novamente

Consciência de culpa: severa companheira dos corações amargurados. Acusadora cruel, que devora qualquer paz que deseje nos acariciar o rosto, mesmo que por alguns segundos.
Quantos... Quantos de nós carregamos na alma a vergonha de atos do passado. Quantos escondemos segredos no íntimo assombrado pelas guerras conscienciais...
Quantos desses fantasmas nos atemorizam, muitas vezes, sem que percebamos...
Certas palavras que ouvimos, quando nos lembram do que guardamos na alma, parecem mais punhais incandescentes querendo nos torturar.
Queria voltar o tempo; Quisera ter agido de outra forma; Se soubesse o que sei agora...
Todas são expressões típicas da consciência culpada. Mas, e se ela, do alto de seu reinado de fogo em nossa intimidade, um dia ouvisse a seguinte expressão: Há uma chance de ser bom novamente. Taparia os ouvidos, certamente, num primeiro momento. Mas a frase continuaria ecoando. Não há mais como não ouvi-la. Ela brada com força e doçura, irresistível.
O reinado da dominadora culpa está ameaçado. Existe uma chance de liberdade para aqueles que se consideravam prisioneiros de si mesmos.
Agora há uma chance...
Uma chance da paz voltar, e voltar maior do que era... Que chance é essa?
É a chance da prática do bem. Tudo que destruímos, um dia poderá ser reconstruído, através desta ação. Cobrindo a multidão de pecados, o amor, através da prática do bem, nos concederá a liberdade que tanto sonhamos. As ações do passado não se apagam, é certo, feito mágica, mas as novas atitudes, quando alicerçadas no bem, produzirão tanta luz, que o pretérito de sombras não mais nos assustará.
As leis de Deus, perfeitas e amorosas, sempre nos dão exemplos desta possibilidade. Almas que traímos, que maculamos, que transviamos, retornam ao convívio diário, através da reencarnação, para que agora as amemos. Se no passado destruímos, se fomos exemplo de descaso, indiferença e violência, voltamos para construir, e exemplificar a conduta pacífica e agregadora. Se apresentamos condutas indignas, se faltamos com a honestidade, sempre há tempo de recuperar a dignidade, e de sermos honestos, de agora em diante. Não existe condenação eterna na legislação divina. Então, por que insistimos em nos condenar ao sofrimento infinito no íntimo?
Auto-perdão não é sinônimo de condescendência, mas sim oportunidade de uma nova chance. O perdão divino se funda nesta realidade: dar uma nova chance de acertar. Assim, se Deus nos concede tal chance, por que não nos permitimos recomeçar?
A consciência de culpa tem sua utilidade apenas como mola propulsora, no início, para nos fazer verificar o erro, e nos motivar à correção. Caso faça ninho na alma, passa a ser veneno perigoso e paralisante, atrapalhando o desenvolvimento do ser, rumo ao seu encontro com a felicidade.
* * *
Há uma chance de ser bom novamente. Uma chance de iluminar a sombra. Há no bem a força de romper as grades. Há no amor a libertação da culpa.

quarta-feira, abril 23, 2008

desabafos...

Caminhar pelos dias compenetrado em teu semelhante origina vários dissabores, acerca das misérias, das dificuldades alheias. Atento, em maior sintonização com as origens das reflexões, é razoável sentir-se emocionado. Difícil é, estejam conscientes ou não, alhearmo-nos destas dores alheias. Exemplos do dia: rua no centro da cidade do Porto. Rua antiga e suja. De passagem chama-me à atenção exuberante e como se indefesa entre as feras, uma jovem de raça negra, lindíssima. Uma adolescente ainda, menor com certeza. Ali, no cinzento frio e escuro da rua, à mercê dos predadores, numa esquina prostituindo-se. Encontro seus olhos, expressivos e grandes, numa angustia como que a ornamentar um corpo perfeito, lindo e exposto aos transeuntes da cidade implacável, estranha e fria. Esta criança roubada, com o corpo em flor à mercê de quem passa. Cruzar de passagem com ela, encontrar de raspão o seu olhar, ler-lhe sua inocência estuprada, todo pânico contido num amanhã sem futuro, entristeceu-me a alma para além do meu domínio. Maldição, como é possível que tanto sofrimento assim revestido em consumível possa ser desejável. Segundo acontecimento: Hora do almoço. Uma senhora cega almoça só, defronte a mim. Com movimentos calmos e compassados, sem os sobressaltos característicos de quem usufrui da visão, conduz seus alimentos à boca. Bebe do seu copo, que previamente enche sem falhar, talvez uma ou duas gotas derrame, mas num ritmo certo e seguro, bebe saboreando do copo que leva aos lábios, numa calma tão intensa e contida, capaz até de desacelerar o próprio ambiente em seu redor. De um ser humano que apressamos em julgar às escuras eis que surge luz para o mundo. Como é que uma mulher privada da sua visão, ilumina assim, o espaço em seu redor… Uma vez mais, agora por motivos diferentes, me comovo sem mostrar com o desempenho que cada um representa, à razão deste sentir. Andamos muitas vezes, apenas semi-acordados em nossa escuridão a que chamamos de vida, egocêntricos em nossos assuntos esquecemos o mundo e a luz que para nós reflecte. Tantas vezes naquilo que desprezamos por receio de que vá desmoronar o gelo do iceberg da nossa indiferença, fria, surda e manipuladora. Oxalá um dia, possamos deixar de ser manipuladores, antes de encontrar a Deus.

quinta-feira, abril 17, 2008

manual de sobrevivencia

Começa por ti

Tua natureza divina não foi feita para ser aprisionada à sombra do sofrimento, fora do alcance de Deus, e sim para expandir, crescer, para assim, reencontrar sua real função. És a flecha que tem por destino ser arremessada ao tronco do conhecimento e se forças em direção contrária, cais em depressão, por negares ao teu ser a tua real necessidade que é a de estares livre, presente na tua realidade divina. Deves saber que as coisas não precisam acontecer desta forma. Lembra que sempre que sentires a ausênciado teu coração em tuas decisões, ou seja,a ausência da paz de espírito, tens a opçãoem escolher novamente. Volta, recolhe teu ser no silêncio que habita tua morada, e lá, começa por ti. O que queres que não podes ter? Nesta frase tão curta, reside todo o emaranhado de fios que te sufocam a cada dia.Começa por ti e em ti. Aprende a conhecer tuas reais necessidades e começa por elas. Uma a uma, purificando teu ser do sofrimento que tens te causado por todo este tempo. Desacredita da tua má sorte e põe tua atenção, teu coração no conhecimento que está dentro de ti, em silêncio, a esperar-te para dar-te a paz, a certeza de quem és.

terça-feira, abril 15, 2008

esquecendo...vem cá...

A cada dia que passa, a cada noite. Por todos os que me envolvem e pelos que não, invulnerável a uma invulnerabilidade invencível, o resultado das experiencias inicia a contagem dos votos. Abrange-me um sono, o esquecendo vem cá…

quarta-feira, abril 09, 2008

Aprendendo com a vida

Por vezes ficas em desespero, pensas que não resistirás a mais um dia;Choras de pressa, de vontade para que tudo mude rapidamente, para que possas te aliviar e respirar mais tranqüilo. E, na pressa, acabas perdendo o foco, a real oportunidade que te é mostrada para crescer, aprender sobre ti mesmo.Há sempre mais alguma coisa a se aprender quando as mudanças tão desejadas não te acontecem.Costumas valorizar em demasia o que acontece fora de ti e não percebes que, muitas vezes, não importa o que aconteça, mas importa a lição que aprendes com cada momento que te é dado.Dentro de ti a tua luz brilha e contempla com alegria o teu percurso.Portanto, não te angusties se o que desejas ainda não te foi dado;Se pelo que sofres ainda não recebeste alívio;Se o que te negas a mudar ainda não te fez compreender a importância de te permitires ser moldado pela própria vida.Não te preocupes, apenas silencia e te permitas estar em paz por um momento.A vida ensina aos poucos, para que tu tenhas tempo de te moldares aos planos do teu Criador.A vida ensina aos poucos para que não venhas a ter medo e fechar a tua porta novamente para as múltiplas possibilidades que tens de crescer e ser feliz.Vai com tua calma e desiste de fazer planos de perder-te de ti mesmo, pois tua missão é estar consciente, saudável e definitivamente iluminado pela tua própria vontade de estar em conexão com o teu coração

domingo, abril 06, 2008

Fragilidade

Deixai vir a mim as criancinhas é uma célebre frase de Jesus.
Dela podem ser extraídas inúmeras lições.
Por vezes, se identifica na passagem evangélica a necessidade de abordar o sagrado com simplicidade e sem afetação. Afinal, as crianças são espontâneas e singelas em suas manifestações. Outra lição possível é a de que se deve manter a capacidade de encantamento perante a vida. Assim são as crianças, que lançam olhares deslumbrados ao mundo que principiam a descobrir. Um enfoque igualmente interessante é sobre a necessidade de proteger as criaturas frágeis.
Jesus era forte em todos os sentidos. Possuía infinita sabedoria, que impressionava e confundia os sábios e os grandes da época. Sua autoridade moral era incontestável, a ponto de dominar as massas com Sua simples presença.
Há relatos espirituais de pessoas que, frente ao Mestre, caíram ajoelhadas, sem poder dominar a sensação de estar na presença de alguém superior. Foi esse homem, entre todos, forte que abriu os braços à própria imagem da fragilidade: as crianças. A Sabedoria Divina veste a infância com encantadora roupagem para despertar o instinto protetor dos adultos. A violência contra a criança sempre parece a mais repulsiva de todas. A graciosidade dos pequenos seres enternece os mais rudes corações. Ocorre que a fragilidade nem sempre se apresenta encantadora. A velhice é um bom exemplo. Os idosos gradualmente perdem as forças físicas e passam a depender da paciência e do auxílio alheio. Do mesmo modo, os enfermos carecem de socorro.
A imagem do sofrimento e da miséria humana não costuma ser agradável. É mais fácil ter arroubos de ternura com uma criança rosada e risonha do que com um adulto definhante. Mas há um gênero de fragilidade ainda mais carente de compreensão e auxílio. Trata-se dos homens moralmente frágeis. Ninguém é mais necessitado de compaixão do que os viciosos do corpo e da alma. Curiosamente, eles costumam suscitar apenas reprovação e desprezo. Suas dificuldades são vistas como falta de vergonha ou de vontade. Não raro, tem-se um sentimento de rejúbilo quando algo mau ocorre com alguém de hábitos corrompidos.
Por exemplo, há muito pouca preocupação com as condições de vida dos detentos no Brasil. Sabe-se que vivem em celas superlotadas e sem higiene, mas isso não incomoda. Não é possível ser ingênuo e abolir os modos pelos quais a sociedade se protege de seus elementos perigosos. Mas é necessário lembrar que se trata de seres humanos. Embora por vezes truculentos, os criminosos são frágeis em sua rebeldia para com as Leis Divinas. Trilham caminhos tortuosos que lhes preparam grandes dores. Cedo ou tarde, terão de reparar todos os males que causaram. Contudo, permanecem irmãos na infinita caminhada da Humanidade rumo à plenitude. Importa, pois, adotar uma postura cristã, em especial quanto aos seres moralmente débeis. Reprovar seus erros e prevenir os abusos, mas sem se tomar de ódio e sem embrutecê-los com maus tratos. Educá-los e auxiliá-los, a fim de que se recuperem.
Afinal, quem se diz cristão tem o dever de tornar-se amparo dos irmãos de jornada.
Pense nisso.

sábado, abril 05, 2008

Ganham as asas de um Anjo

Todo aquele que dentro de um sistema comunitário, social... de qualquer tipo, qualquer etnia... por um estranho evento ou capricho em sua vida enfrentar um justo. E se com o apoio incontestável dos seus, mergulhados em suas tramas causadas por não serem correspondidos em seus caprichos, no canto da vitória dos lobos descobrir em si próprio a liberdade e a inocência do cordeiro... Será libertado ainda mais generosamente que na proporção dos seus apedrejamentos. Assim amanhã como hoje, ganham as asas de um justo. Ganham as asas de um Anjo.

sexta-feira, abril 04, 2008

Herbert Vianna

'Cirurgia de lipoaspiração?'
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. "Cuide bem do seu amor, seja ele quem for".