quinta-feira, junho 04, 2009

... normose ...

"Todos querem se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exactamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está a passar por algum problema. Quem não se "normaliza", quem não se encaixa nesses padrões, acaba por adoecer. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder sobre as nossas vidas? Nenhum João, Zé ou Lúcia bate à tua porta exigindo que sejas assim ou assado. Quem nos exige é uma colectividade abstracta que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Precisas de quantos pares de sapatos? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Então, como aliviar os sintomas desta doença? Um pouco de auto-estima basta. Pensa nas pessoas que mais admiras: não são as que seguem todas as regras obviamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida à sua maneira. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não fraquejaram, não passaram avante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta quereres tomar para ti as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta e faz sofrer bastante. Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão a sofrer. E se estão a sorrir, é porque a alma lhes é iluminada. Por isso divulgue o alerta: a normose está a doutrinar erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes. Talvez por isso por vezes digam que sou meio “maluco”, quando apenas o que faço é tentar não ser contagiado por esta “doença” e viver com regras mas não todas… "

terça-feira, junho 02, 2009

doutrinar Vs evangelizar

- Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual dos postulados do Espiritismo; - Para evangelizar é necessário a luz do amor no íntimo. Na primeira, bastarão a leitura e o conhecimento; na segunda, é preciso vibrar e sentir com o Cristo. Por estes motivos, o doutrinador muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos, mas o sincero evangelizador será sempre o reservatório da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem, sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo. [41a pág. 142] Emmanuel - 1940

terça-feira, maio 19, 2009

Uma nova realidade

Já te esforçaste tanto em aprenderes coisas que pouco ajudaram em tua caminhada... Criaste o impossível para ti e fizeste disso a realidade para viveres. Coisas como o sofrimento, a pequenez, o medo e a falta de luz em tua consciência, são só uma pequena parte do que fizeste. Agora queres a paz, queres a luz, mas não as consegues obter por achares que estas idéias estão muito além da tua capacidade. Se deres um pouco mais de ti,verás que as coisas não são bem como tens imaginado que elas sejam. Pede por ti e trabalha por ti, pois não há um outro meio para obteres aquilo que desejas. Não há necessidade que sofras por isso, mas que simplesmente acredites que possuis todos os meios para seres feliz. Estes meios estão para ti como o rio está para o mar; basta que tu dês uma maior atenção e retires o véu dos teus olhos que te cegam para esta grande realidade. E quando encontrares uma luz, ainda que tímida, a brilhar em ti, esta será suficiente para que dês início a tua alegria, ao teu encontro com a tua real natureza. Saberás a partir deste momento que aquilo pelo que sonhas acompanha-te a cada momento dos teus dias, apenas esperando por uma oportunidade para, junto de ti, ser reconhecido pela tua consciência. Sê atento para com tua paz e sê atento para com tua confusão. Ambas não podem coexistir no mesmo espaço, porque uma está baseada na luz que a tudo ilumina e protege da miséria do mundo, e a outra foi criada pelo medo que tu sentes em relação ao mundo em que vives. Nada há para temeres, pois teu ser verdadeiro está muito protegido, intocável pelas mãos do tempo que a tudo transforma e esgota. Lembra-te que tua fonte de luz nasce e jorra onde teu Criador, absoluto, reina e desfruta. Sê feliz.

segunda-feira, maio 18, 2009

Nossa hora

Era um dia como outro qualquer. As malas do casal já estavam prontas desde o dia anterior. Despediram-se do único filho e saíram em viagem para participar das festividades do casamento de uma sobrinha, que residia em Estado vizinho. Tão logo se distanciaram do lar, a esposa pediu ao marido que retornasse, pois gostaria de despedir-se do filho. O marido a fez lembrar que já o haviam feito, mas ela insistiu. Aquela mãe sentia que não voltaria a rever o filho amado, nem iria estreitá-lo num abraço apertado na presente existência. Sentia que aquela viagem era definitiva. De alguma forma ela pressentia isso. O marido, um tanto contrariado, atendeu ao pedido da esposa e voltou. O filho, ao vê-los, pensou que se haviam esquecido de algo. Mas a mãe logo o envolveu num suave abraço maternal, como a dizer-lhe adeus. Como quem se despede sem saber quando voltariam a reencontrar-se novamente.

Seguiram viagem, participaram das festividades, reviram os parentes, e por fim, o retorno.

Antes porém, a esposa pediu ao marido que fizesse uma prece, ao que ele respondeu que já havia orado, que o fato de não abraçarem a mesma religião não o fazia menos crente em Deus. Ao longo da viagem, por várias vezes estiveram na iminência de um acidente, mas conseguiram sair ilesos. No entanto, quando a ordem vem do Alto, nada, nem ninguém pode impedir. Mais um perigo, e dessa vez foi impossível evitar... A esposa ficou entre as ferragens do veículo, e o marido sofreu apenas pequenos arranhões.

Aquela mãe e esposa pressentia que já era hora de fechar a mala e retornar à pátria espiritual.

Alguns meses depois de sua partida, um médium espírita, amigo da família, que a conhecera ainda no corpo, trouxe a notícia de que a havia visto no mundo espiritual, que ela estava bem, feliz por ter deixado na Terra dois homens: o marido e o filho. Feliz não por tê-los deixado, mas por tê-los deixado bem. O filho já moço e o marido bem orientado. Cumprira a sua missão de esposa e mãe.

* * *

Fatos como esse acontecem diariamente. Uns voltam à pátria espiritual pelas portas do túmulo e outros tantos chegam pelas portas do berço. Mas a questão é se estamos preparados, ou se preparamos os nossos entes caros para quando chegar a nossa hora. Que ela chegará, não nos resta dúvida, mas quando chegará não sabemos. É importante que vivamos sempre em harmonia com nossos afectos, para que o remorso não nos dilacere a alma, depois da partida. É preciso que deixemos as nossas coisas sempre em ordem, não esperando a morte, mas com previdência, para que em chegando a nossa hora, não deixemos os nossos em situações difíceis. Será que nós, que temos filhos, temos procurado edificar suas vidas de forma que quando não tiverem mais a nossa presença saibam tomar decisões acertadas?

Ou será que os mantemos em total dependência nossa?

Pensemos nessas e noutras questões, e sejamos de fatos previdentes. Deixemos a nossa mala sempre arrumada para quando chegar a nossa hora, a fim de que evitemos dissabores mais tarde.

* * *

A preocupação com os afectos que ficaram é uma das causas de sofrimento para o Espírito desencarnado. A maioria dos que partem diariamente nunca se preocupou em deixar em dia seus negócios, papéis e as relações de afecto. Por isso sofrem quando se dão conta que é tarde demais. Muitos dariam tudo que lhes fosse possível, pela oportunidade de algumas palavras com os entes caros, com intuito de alertá-los para a realidade que a todos nos aguarda após a aduana do túmulo. Acontece como na Parábola de Lázaro e o Rico, narrada nos Evangelhos. O rico, deparando-se com a realidade após a morte, queria voltar para falar aos familiares para que mudassem o rumo de suas vidas. Mas o Espírito de Abraão disse-lhe que ele tivera tempo para isso, e que seus familiares tinham os Profetas, que os ouvissem portanto.

Pensemos nisso.

sábado, maio 16, 2009

arrepio de amor

se o que se faz tarde se faz presente, o que se faz presente é de facto um presente. não temer, não obstar, não resistir, não estagnar... faz de conta és, aquele campeão da passagem do testemunho, deixa a casa mais limpa do que a fundaste. agora surge o teu tempo de brilhar, sê anónimo, actuante pró activo, deste maravilhoso movimento vivo irresistível de mudança, já iniciou o começar... toda a tua respiração, é um arrepio de amor a Deus

segunda-feira, maio 11, 2009

Quem tem condições

O perfeito entendimento entre as criaturas ainda é raro no mundo. Os laços de genuína afinidade são tesouros preciosos, a serem carinhosamente mantidos. Entretanto, não é possível conviver apenas com quem partilha das mesmas ideias. Nos mais variados sectores da existência, os atritos por vezes surgem. No recesso do lar, irmãos nem sempre se entendem. Pais e filhos têm ideais diferentes. Esposos frequentemente não encontram um denominador comum na condução dos destinos da família. No sector profissional, também há criaturas com as quais o relacionamento é trabalhoso e difícil. Nessas horas críticas é que se revela o valor individual. O primeiro impulso é o de esperar ser compreendido. As próprias ideias sempre parecem mais acertadas do que as alheias. As soluções que o próprio coração alvitra costumam se afigurar mais justas do que as propostas pelos outros. O outro é que deve entender, perdoar e ceder. Contudo, esse género de expectativa não costuma ser atendido. Se ninguém se dispuser a dar o primeiro passo rumo ao entendimento, um pequeno evento pode tomar proporções desastrosas. Quanto a quem se esforçará mais e melhor pela paz, a maturidade espiritual dos envolvidos é que decide. Em qualquer situação, vigora o princípio de que ninguém pode dar o que não tem. O egoísta, vaidoso e arrogante não consegue exemplificar a humildade e facultar a concórdia. O pervertido não possui condições íntimas de vivenciar a pureza. Tendo essa realidade em mente, procure analisar como você se comporta em situações de confronto. Procura perdoar, compreender e auxiliar? Ou se considera demasiado importante para abdicar de sua posição em favor da paz? Não se trata de ganhar ou de perder, mas de aprender a respeitar opiniões diferentes. Mesmo quando sua posição é visivelmente a melhor, há como lutar por ela sem ofender e humilhar. Se você é cristão, seus deveres perante a humanidade são significativos. Afinal, você precisa ser o sal da Terra e a luz do mundo. Entre o cristão sincero e os erros do mundo trava-se há longo tempo um silencioso combate. Só que esse combate não é sanguinolento, mas se estriba no exemplo e na compaixão. Se o próximo é difícil, cabe-lhe conquistá-lo e gentilmente esclarecê-lo. Quem está mais preparado para as renúncias que a harmonia social exige? O descrente ou o idealista? Ciente disso, torne-se um agente do bem. Se a vida lhe oportuniza ser aquele que serve e luta pela paz, significa que você tem condições para tanto. Não desperdice a oportunidade!

sexta-feira, maio 08, 2009

2012

2012

Que representa 2012 para a quantidade de anos vividos, quarenta seis anos dos meus, … significa aceitação pela onda da qual me sinto filho, do turbilhão do qual me sinto irmão, do destino do qual o meu órgão?

2012 não sinto como um dia, na sequela dos seus eventos como apregoam. Sinto como aquele acto de amor nascido no dia da auto-consciência, antes do calendário até bem depois do meio dia.

2012 estava lá. Forrando a parede de meu quarto. Brincando com minha atenção sob o desenrolar dos dias, da minha consciência.

Ele é um norte que se insinua sedutor, amantíssimo só aceite por quem se descobre do véu de Maya. Esteve em boas vindas desde o imemorial de minha preconcepção, esteve nos bons dias do meu vislumbre carnal, em todas as formas dos planos que concebi, dentro e fora e no entre, 2012 esteve antes do calendário, na ara e no refúgio, antes mesmo do plano, na auréola do advento, que é afinal onde estamos nós…

2012 não tem a mínima da importância que os humanos lhe dão, pois a eles se lhe emancipou antes de eles mesmos principiarem a compreender-lhe o curso.

2012 é para o humano incompreensível na sua concepção actual do que é a vida e seu aspecto antropológico. Nas suas referências escassas acerca do domínio do escatológico da alma.

Alegorias são premonições, nos repetidos retratos sob o olhar cúmplice de todos… com as minorias.

2012 é , não vai ser.

O momento em que te escutas assertivo, seja de que maneira for, claro, em perfeita e aceite fusão com tua situação, ambígua pela dinâmica do agir, sempre sob teu controlo, e das estrelas.

2012 não é medo, não é solução fácil, nem receita, nem panaceia, nem bitola, nem nada do que já tenhas experimentado por certo.

2012 assemelha-se a um acto de amor não previsto, a uma anti-estatística, a um contacto, um deslumbre ou um feixe de luz.

2012 já acontece dentro de ti, desde antes de tu planeares dar-lhe alguma atenção. Aconteceu no peito de tua mãe, no amor atractivo de tuas células.

2012 é faz-te pai duma criança em ti, só tu a desejaste, só tu lhe alentas o espírito muitas vezes em segredo… e ela não desejou nunca estar só. Não desejou ser uma marionete de teus caprichos. Ele vibra com a vida própria, a vida que lhe deste.

quarta-feira, abril 29, 2009

imagina...

IMAGINA

Imagina que chegas à conclusão após muito pensar, após muito sofrer, após muito debate entre o que sempre soubeste e o que sempre lutaste, imagina… que chegas à conclusão nos olhos do teu vizinho, que ambos sofrem uma circunstancia de vida que os leva de uma forma sofrida mas natural, à conclusão que se juntarem, aproximarem, equilibrarem, suas horas de refeição, seus parcos pertences, seus tesouros e bens, suas diferentes capacidades e bens, seus entes mais queridos, sob o derrube de algum egoísmo sonho ultrapassado, o alimento rende. E enche as barriguinhas de todos, na partilha, em alguma discussão, mas sempre num gesto necessário e de amor.

Imagina… que já faltou +

terça-feira, abril 28, 2009

a luz

a luz sempre apresenta um campo de radiação envolvendo o objecto onde incide.. onde emerge a possibilidade de visualizar o divino em acção. A luz nem sempre vibra em seu espectro visível, e de igual modo nem sempre se é de esperar as provas de sua acção visíveis.

Tem em tudo, em ti, sempre acontecendo uma emergência de coisas novas. Quando o escutares com o coração, saberás que é a manifestação da luz. A luz que escolheu esconder-se pequenina, dentro de ti, para que tu exaltes em seu nome. Para que tu, como um impulso irresistível a adores, cada momento de tua vida, livre e sem amarras.

Para que sejas uma promessa de Porto, àqueles que te hão-de vir, para que sejas um acto de amor, ainda que sem uma aprovação daqueles que agora o copiarão para mais logo repetir, naqueles que mais logo, a inspiração fará surgir.

sexta-feira, abril 24, 2009

Oração dominical (diária ... melhor ainda...)

I - Pai-nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome!
Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do Universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino insecto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças.
II – Venha o teu reino!
Senhor, deste aos homens leis plenas de sabedoria e que lhes dariam a felicidade, se eles as cumprissem. Com essas leis, fariam reinar entre si a paz e a justiça e mutuamente se auxiliariam, em vez de se maltratarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de o esmagar. Evitados seriam os males, que se geram dos excessos e dos abusos. Todas as misérias deste mundo provém da violação de tuas leis, porquanto nenhuma infracção delas deixa de ocasionar fatais consequências. Deste ao bruto o instinto, que lhe traça o limite do necessário, e ele, maquinalmente se conforma; ao homem, no entanto, além desse instinto, deste a inteligência e a razão; também lhe deste a liberdade de cumprir ou infringir aquelas das tuas leis que pessoalmente lhe concernem, isto é, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, afim de que tenha o mérito e a responsabilidade das suas acções. Ninguém pode pretextar ignorância das tuas leis, pois, com paternal previdência, quiseste que elas se gravassem na consciência de cada um, sem distinção de cultos, nem de nações. Se as violam, é porque as desprezam. Dia virá em que, segundo a tua promessa, todos as praticarão. Desaparecido terá, então, a incredulidade. Todos te reconhecerão por soberano Senhor de todas as coisas, e o reinado das tuas leis será o teu reino na Terra.
III – Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu.
Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do inferior para com o seu superior, quão maior não deve ser a da criatura para com o seu Criador! Fazer a tua vontade, Senhor, é observar as tuas leis e submeter-se, sem queixumes, aos teus decretos. O homem a ela se submeterá, quando compreender que és a fonte de toda a sabedoria e que sem ti ele nada pode. Fará, então, a tua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.
IV – Dá-nos o pão de cada dia.
Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo, mas dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito. O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém deve o seu sustento à sua própria actividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre. Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte.” Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual. Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores. Ajudas o homem de boa vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti. Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos. Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dá-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto. Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo. Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos. Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, mau grado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa. Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. Afasta, igualmente, do nosso espírito a ideia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém exceptua; que a prosperidade material do mau é efémera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado.
V – Perdoa as nossas dividas, como perdoamos aos que nos devem. Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.
Cada uma das nossas infracções às tuas leis, Senhor, é uma ofensa que te fazemos e uma divida que contraímos e que mais cedo ou tarde teremos de saldar. Rogamos-te que no-las perdoes pela tua infinita misericórdia, sob a promessa, que te fazemos, de empregarmos os maiores esforços para não contrair outras. Tu nos impuseste por lei expressa a caridade; mas, a caridade não consiste apenas em assistirmos os nossos semelhantes em suas necessidades; também consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a tua indulgencia, se dela não usássemos para com aqueles que nos hão dado motivo de queixa? Concede-nos, ó meu Deus, forças para apagar de nossa alma todo ressentimento, todo ódio, e todo rancor. Faze que a morte não nos surpreenda guardando nós no coração desejos de vingança. Se te aprouver tirar-nos hoje mesmo deste mundo, faze que nos possamos apresentar, diante de ti, puros de toda a animosidade, a exemplo do Cristo, cujos últimos pensamentos foram em prol dos seus algozes. Constituem parte das nossas provas terrenas as perseguições que os maus nos infligem. Devemos, então, recebê-las sem nos queixarmos, como todas as outras provas e não maldizer dos que, por suas maldades, nos rasgam o caminho da felicidade eterna, visto que nos disseste por intermédio de Jesus: ”Bem-aventurados os que sofrem pela justiça!” Bendigamos, portanto, a mão que nos fere e humilha, uma vez que as mortificações do corpo nos fortificam a alma e que seremos exalçados por efeito da nossa humildade. Bendito seja o teu nome, Senhor, por nos teres ensinado que a nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgatar e de reparar nossas culpas passadas, de cumprir em nova vida o que não podemos fazer nesta, para nosso progresso. Assim se explicam, afinal, todas as anomalias aparentes da vida. É a luz que se projecta sobre o nosso passado e o nosso futuro, sinal evidente da tua justiça soberana e da tua infinita bondade.
VI – Não nos deixes entregues à tentação, mas livra-nos do mal.
Dá-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos Espíritos maus, que tentem desviar-nos da senda do bem, inspirando-nos maus pensamentos. Mas, somos Espíritos imperfeitos, encarnados na Terra para expiar nossas faltas e melhorar-nos. Em nós mesmos está a causa primária do mal e os maus Espíritos mais não fazem do que aproveitar os nossos pendores viciosos, em que nos entretêm para nos tentarem. Cada imperfeição é uma porta aberta à influência deles, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra seres perfeitos. É inútil tudo que possamos fazer para afastá-los, se não lhes opusermos decidida e inabalável vontade de permanecer no bem e absoluta renunciação ao mal. Contra nós mesmos, pois, é que precisamos dirigir os nossos esforços e, se o fizermos, os maus Espíritos, naturalmente se afastarão, porquanto o mal é que os atraí, ao passo que o bem os repele. O mal não é obra tua, Senhor, porquanto o manancial de todo o bem nada de mal pode gerar. Somos nós mesmos que criamos o mal, infringindo as tuas leis e fazendo mau uso da liberdade que nos outorgaste. Quando os homens as cumprirmos, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu de mundos mais adiantados que o nosso. O mal não constitui para ninguém uma necessidade fatal e só parece irresistível aos que nele se comprazem. Desde que temos a vontade para o fazer, também podemos ter a de praticar o bem, pelo que, ó meu Deus, pedimos a tua assistência e a dos Espíritos bons, a fim de resistirmos à tentação.
VII – Assim seja.
Praza-te, Senhor, que os nossos desejos se efectivem. Mas, curvamo-nos perante a tua sabedoria infinita. Que em todas as coisas que nos escapam à compreensão se faça a tua santa vontade e não a nossa, pois somente queres o nosso bem e melhor do que nós sabes o que nos convém. Dirigimos-te esta prece, ó Deus, por nós mesmos e também por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, pelos nossos amigos e inimigos, por todos os que solicitem a nossa assistência e, em particular, por (Nome por quem se pede em especial)
Para todos suplicamos a tua misericórdia e a tua bênção.

quarta-feira, abril 22, 2009

A pior das crises

Tiago, um dos apóstolos de Jesus, era bastante fiel às tradições da época, ao cumprimento das Leis e aos livros sagrados de seu povo. Costumava refletir sobre a profundidade dos ensinamentos de Jesus, e sobre a grande oportunidade que era conviver com Ele. Certa vez interrogou o Mestre, preocupado com as sucessivas crises políticas e econômicas que o povo local vivenciava, por conta do domínio esmagador de Roma. Queria saber por que viviam entre crises econômicas sucessivas, e, se uma crise pior ainda estava por acontecer. Jesus, na Sua infinita calma, bondade e sabedoria respondeu: A pior crise, Tiago, é a de caráter moral do homem,que acaba por causar todas as outras. Explicou que o ser humano ainda se acomoda na ignorância, ligado a paixões que o dominam e o infelicitam. Salientou que, na raiz da crise moral se encontra o egoísmo, o qual sempre atuará prejudicando o próximo. Na falta da solidariedade e da fraternidade florescem a ambição, a loucura, a perturbação e os desastres decorrentes desses vícios morais. As pessoas isolam-se em seu orgulho, na ilusão do poder, da raça, da fé religiosa ou política, contribuindo para a desarmonia entre as criaturas. A ambição desmedida pelas posses materiais causa profundos desequilíbrios, com alguns possuindo muito, e tantos possuindo quase nada. O consumo desenfreado pode levar indivíduos e, até mesmo uma nação, à ruína. Em sua conversa com Tiago, o Mestre diz que a severa crise daqueles dias era a mesma, desde o início dos tempos, e que se prolongaria ainda por um longo período na sociedade terrestre. Jesus encerra dizendo: No futuro, as crises existenciais, políticas e morais cederão lugar ao entendimento, com base no amor, porque, então, a mais severa das crises do ser humano estará resolvida: a crise moral.
* * *
As considerações feitas por Jesus há mais de dois mil anos nos são de uma atualidade impressionante. Hoje, as crises morais, como crimes e corrupção, tomam enorme tempo em noticiários e grandes manchetes em jornais. As crises políticas na forma de guerras se repetem, baseadas na ilusão da posse, no orgulho e no poder. As crises econômicas, baseadas no descaso político, na ganância dos que comandam o sistema financeiro, e na obsessão individual de amealhar bens se repetem, causando desequilíbrios de grande porte. No entanto, sabemos, escutando nosso caro Amigo e Guia, que a mudança real começa em cada um de nós, e que o mundo caminha, mesmo que a passos lentos aos nossos olhos, para uma mudança real. Um novo mundo só será possível se for baseado no amor, com os atos valendo mais do que as palavras, com entendimento e fraternidade. No futuro, crise será uma palavra restrita ao dicionário. Mas para que isso aconteça uma longa e silenciosa batalha deve ser travada no íntimo do ser humano, em busca do equilíbrio e do amor! com base no cap. 11 do livro: A mensagem do Amor Imortal, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

sexta-feira, abril 03, 2009

Casa de pérolas de luz

Hoje proponho um exercício. Sei que não me acusarás, por aproveitar o oportuno daquele que eu sou, para usar neste próprio exemplo. - Imagina que te comunico subitamente, que irei cessar de te comprovar que te amo, ou seja, não mais te procurarei. Não mais te farei chegar tudo que te revelo acerca de mim, para que te deleites e te possas encontrar com a abastança de dados teu equilíbrio. Que dirás tu a ti próprio, assim que uma das margens de teu rio deixar de conter as águas. Sabes, acho que provavelmente algo acontecerá. Se calhar, agitaríeis de forma não usual. Se calhar sentirás uma perda. Se calhar passou a faltar o teu reflexo. Se calhar o teu reflexo és tu. Se calhar no outro que nos envia estamos sós, a solicitar que adentres em tua alma corajosamente e queiras como quem respira, estender tuas próprias percepções. Sabes, desconfio nunca ninguém chegou a alguém sem ser através de alguém. Se calhar ser um ermitão é estar consciente de tal necessidade. Como vou chegar a mim, sem ser através de ti? Como vou chegar a ti, sem ser através de mim. Como vês, não chega receber apenas, como poderás só armazenar como quem não conhece os seus limites? É amor meu, tens que aliviar a tua carga, que para mais entrar do que tu necessitas, antes tens que esvaziar. E tudo é feito na mesma moeda de seu conteúdo. Se queres pois, de modo grosseiro a explicar, a tua casa de pérolas de luz forrar, são pérolas de luz que deverás doar. Quem me entenda, que me ame…