sexta-feira, julho 10, 2009

Amar a Deus‏

Qual o maior mandamento da Lei de Deus? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Aí estão contidas toda a Lei e os profetas, nos disse Jesus. Quando perguntado pelos Doutores da Lei qual o maior mandamento da Lei de Deus, Jesus foi firme ao afirmar o amor como maior mandamento. Acima de tudo, amar a Deus, de toda a alma e de todo o coração. Mas como se pode amar a Deus? Sendo Deus imaterial, etéreo, parece tão distante de nós, que fica difícil entender como amá-Lo. E ainda, o que Deus entende por amá-Lo? Deseja Ele alguma forma de adoração, de culto, de exteriorização desse amor? Na verdade, torna-se muito mais fácil amar a Deus começando por amar aquilo que é Dele, que é obra de Sua criação. Comecemos pelo nosso planeta. Você já se preocupou em cuidar do planeta? Como moradia transitória que nos foi emprestada, não nos pertence. Pertence a Deus. E o que fazemos dele? Ao termos atitudes de cuidado com nosso planeta, não estamos amando a Deus? Por amá-lo, comecemos a mudar nossa relação com as coisas que nos cercam. Por que não deixar de comprar coisas, muitas das vezes desnecessárias, e assim diminuir o fluxo de objectos que viram lixo precocemente? Quantas vezes trocamos o telemóvel sem necessidade, o aparelho de TV, o computador, a máquina de fotografar, sem necessidade? E aí, quando compramos o novo, para onde vai o velho? Permitimo-nos uma onda de consumismo, sem perceber o quanto comprar pode virar sinónimo de gerar lixo. E geramos um lixo sem nos preocupar o que fazer com ele. Para onde vai a bateria do telemóvel descartado? As pilhas que usamos? O computador sucateado precocemente? Um mundo novo, com tanta tecnologia, exige reflexões novas de cada um de nós. Somos mais de 6 bilhões de Espíritos reencarnados nessa escola chamada Terra. E todos temos a necessidade de aqui estarmos para o aprendizado necessário. Para que nosso planeta consiga servir de morada para todos nós, é necessário que cuidemos dele. E assim, que nossos hábitos e atitudes não sejam inconsequentes e levianos. Se a temperatura do planeta aumenta, ameaçando vidas, o que está ao nosso alcance fazer? Se o volume de lixo gerado em nossa cidade é demasiado, o que podemos fazer? São as pequenas atitudes de nossa parte que demonstram nosso respeito e amor a Deus.

quinta-feira, julho 09, 2009

é onde trilho...

Todas as coisas, tudo que escolhes são o fruto das tuas concepções.

Tu lhe traças os limites e é muito através de tuas percepções tu orientas as tuas escolhas, em ultima estância.

Muito para além dos teus queixumes, das tuas entregas, fica junto contigo o resultado… o produto das tuas interacções, mais ainda para lá donde a tua vista alcança. Assim, ages para além do momento onde intervéns, quer queiras quer não, és o justo herdeiro do teu legado.

É assim contigo, pois em ti próprio continuaste o dos que te antecederam.

És o desatador dos atilhos, o abandonar das decorações, o adorador dos essenciais.

Sabes que é lá, fora dos estereótipos, onde das formas naturais obténs as confirmações, do teu agir, que usufruis dos encontros maiores.

-vê…, ainda estou sozinho na solidão que te acompanha…

Porque melhor que as palavras, ainda são as conversas do silêncio.

É onde trilho.

quarta-feira, julho 08, 2009

O que é preciso para ser feliz???...

Um velho monge zen foi certa vez convidado para ir até a corte do rei mais poderoso daquela época. -Eu invejo um homem santo que se contenta com tão pouco, disse o rei. -Eu invejo Vossa Majestade, que se contenta com menos que eu - respondeu o monge zen. Como você me diz isto, se todo este reinado me pertence? - disse o rei, ofendido. Justamente - falou o velho monge. Eu tenho a música das esferas celestes, tenho os rios e as montanhas do mundo inteiro, tenho a lua e o sol, porque procuro a pura prática no caminho da simplicidade. Vossa Majestade, porém tem apenas este reino.

terça-feira, julho 07, 2009

Acerca dos luzeiros:

Quem estimou desde cedo, acarinhou reconhecendo e alimentando o conceito, do luzeiro, que se recorde sempre, da razão essencial…

Ninguém deseja ser luzeiro sem lhe sentir a necessidade.

Em sua vida, em muito semelhante à via do TAO dos orientais, são impressas faculdades notáveis, que devem ser desconsideradas como um fim, em verdade são unicamente um meio pelo qual os luzeiros cumprem seu destino, rumo a um fim que desconhecem.

O luzeiro cedo percebe que é de seu sofrimento doado em sacrifício de amor que advém a bem aventurança para o seu semelhante. É um processo dificilmente compreensível, mais para ser vivenciado que para estabelecimento de tratado.

Um luzeiro muitas vezes sente-se uma “usina” de energias contrárias e é deste sofrimento resignado e actuante que gera a luz, o seu mistério.

Ninguém é luzeiro porque quer, mas porque necessita.

O luzeiro actua condicionando sem benefício próprio as energias, em si as atenções convergem, mesmo aquelas do que está voltado de costas. É um verdadeiro receptáculo de toda a expressão individual… onde esta encontra sua sequência. Para ele, o processo não é agradável, apenas natural.

O porteiro da luz, sabe no seu intimo sua origem, seu mistério, sua derradeira ultimação. Pode contestar suas escolhas tantas vezes quantas conseguir aguentar.

O luzeiro é um original fecundo de todos os originais dispersos, pela malha das existências imemoriais. Apenas trás no peito, a promessa continua de serviço consigo, onde vive o sonho.

Quem necessitar ser um luzeiro, tem na epiderme da alma gravada, a lembrança ardente de cada existência, cada momento e no desencontro químico do seu plano actual, ao vivenciar na livre escolha seu conteúdo, sua erudição, arde por dentro e chispa, carma cosmos e atraí, sob as sombras derrama seu sacrifício, sob o plano sua luz.

Um luzeiro é um perfeito candidato a um Avatar. Alguém que se dissolve voluntariamente no conhecimento infinito e absoluto, de uma forma irresistível, temerária mas muito orientadora.

Um luzeiro sofre, porque arde de prazer.

segunda-feira, junho 29, 2009

Definição de SAUDADE !!!

Saudade é o Amor que fica!

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de actuação profissional, com toda vivência e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Dizem que a dor é quem ensina a gemer. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além. Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar. Um dia, um anjo passou por mim... No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e directas de ver o mundo, sem meias verdades. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites! Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a frequentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim. Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada, porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames,manipulações, injecções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia. Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia: "vai tia, precisa para eu ficar boa!" Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção. Meu anjo respondeu: - Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido lá no corredor, quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim, mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida! Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei: - E o que morte representa para você, minha querida? - Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é? (Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exactamente assim.) É isso mesmo, e então? - Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é? - É isso mesmo querida, você é muito esperta! - Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar.. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira! Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem acção. - E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela. Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo: - E o que saudade significa para você, minha querida? - Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica! Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais directa e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica! Um anjo passou por mim.... Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de moda, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos... Nossa transcendência.. Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes.Que bom que existem saudades! O amor que ficou é eterno!!!

domingo, junho 28, 2009

Ode à alegria

Era o dia 7 de Maio de 1824.

Os privilegiados espectadores sentados na plateia do Teatro em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, mal sabiam que estavam para presenciar a primeira audição mundial da maior obra-prima da História da música.

Ainda que o autor já fosse uma celebridade, recebido naquele mesmo dia com uma ovação digna das plateias de música pop de hoje, a reacção foi surpreendente.

O comissário de polícia precisou intervir, para silenciar a explosão de aplausos na chegada do alemão: Ludwig Van Beethoven.

Era o dia da primeira apresentação de sua Nona Sinfonia.

Após as palmas, um grande estranhamento.

Até então, a sinfonia – forma musical para orquestra consagrada durante o classicismo – excluía por definição as vozes humanas.

No entanto, no palco sentavam-se quatro solistas e um coral em quatro partes. Para aumentar a perplexidade, enquanto todos os outros instrumentos desenrolavam movimentos que superavam a racionalidade clássica, permaneciam em silêncio o coral e os solistas. Eles entrariam apenas no quarto e último movimento.

Beethoven, três anos antes de sua morte, ali realizava uma vontade que alimentava desde os 22 anos de idade: musicar o poema alemão Ode à alegria, de Schiller. E era o que fazia no derradeiro movimento da obra, quebrando a última barreira do modelo sinfónico. Oh amigos, não chega desses sons? Entoemos algo mais prazeroso e alegre! – Vibrou o barítono em recitativo.

Os baixos do coro responderam-lhe forte: Alegria, alegria – para que, com a orquestra silenciada, começassem a solar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.

O tema proclamava: Todos os homens serão irmãos.

Era o poema da fraternidade universal, musicado pela genialidade e sensibilidade irretocáveis de Ludwig.

Abracem-se milhões! Enviem este beijo para todo mundo!

* * *

A arte é o belo expressando o bom.

É a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o Universo.

Convidar a arte para nossa vida diária é ter à disposição excelente instrumento de civilização e aperfeiçoamento. A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. Mas a razão dessa influência é geralmente ignorada. Sua razão está inteiramente neste fato: a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa.

“ citações do cap. A música espírita, do livro Obras póstumas, de Allan Kardec”