quarta-feira, julho 29, 2009
a jóia da vizinha
Peregrinação
À entrada desta cidade (Estarreja), sou surpreendido com uma placa colocada num cruzamento que menciona segundo o decreto 36.448 –“é proibida a mendicidade”. Acho este decreto uma ironia absoluta, criado para servir uma humanidade doentia, cheia de penúrias e necessidades…
quarta-feira, julho 15, 2009
Solilóquio? …
Acerca do confronto de uma ideia pré-concebida baseada em experiencia legitima: Atento por ser muito próximo à razão dos sentimentos, legislei dentro de mim, que certa personagem pela sede das minhas observações, é distante, superficial e materialista. Não querendo carregar o fardo das conclusões acerca desta personagem, não mais insisti em contactos, ficando esta relação supostamente inerte. Numa certa altura cruzamo-nos socialmente, novamente verifiquei que não andava longe do que anteriormente havia conjecturado para com “os meus botões” acerca da personagem em questão.
A certa altura, enquanto eu conversava sentado à mesa, a referida personagem ao passar por detrás da cadeira, faz deslizar a sua mão suavemente por minhas costas, de ombro a ombro, silenciosamente.
E sob esse contacto sem palavras, sob esse silencioso evento, uma babilónia de paredes escuras ruiu dentro de mim, deixando perceber uma luz até então ausente…
De que serve afinal, tudo que se pensa saber acerca de alguém que se julga conhecer, senão pelo encontro da incapacidade de julgar a si mesmo?
Ocorre-me o pensamento, que muito pouco se beneficia na comunicação das palavras se estas não reflectirem o tempo de uma gestação.
De que serve tanta pressa nas conclusões se no final permanecer inconsciente?
São tantas as armadilhas ilusórias do poder pessoal, quantos os obstáculos a uma iniciação espiritual.
segunda-feira, julho 13, 2009
O que desejas te é dado ver
sexta-feira, julho 10, 2009
Amar a Deus
quinta-feira, julho 09, 2009
é onde trilho...
Todas as coisas, tudo que escolhes são o fruto das tuas concepções.
Tu lhe traças os limites e é muito através de tuas percepções tu orientas as tuas escolhas, em ultima estância.
Muito para além dos teus queixumes, das tuas entregas, fica junto contigo o resultado… o produto das tuas interacções, mais ainda para lá donde a tua vista alcança. Assim, ages para além do momento onde intervéns, quer queiras quer não, és o justo herdeiro do teu legado.
É assim contigo, pois em ti próprio continuaste o dos que te antecederam.
És o desatador dos atilhos, o abandonar das decorações, o adorador dos essenciais.
Sabes que é lá, fora dos estereótipos, onde das formas naturais obténs as confirmações, do teu agir, que usufruis dos encontros maiores.
-vê…, ainda estou sozinho na solidão que te acompanha…
Porque melhor que as palavras, ainda são as conversas do silêncio.
É onde trilho.
quarta-feira, julho 08, 2009
O que é preciso para ser feliz???...
Um velho monge zen foi certa vez convidado para ir até a corte do rei mais poderoso daquela época.
-Eu invejo um homem santo que se contenta com tão pouco, disse o rei.
-Eu invejo Vossa Majestade, que se contenta com menos que eu - respondeu o monge zen.
Como você me diz isto, se todo este reinado me pertence? - disse o rei, ofendido.
Justamente - falou o velho monge. Eu tenho a música das esferas celestes, tenho os rios e as montanhas do mundo inteiro, tenho a lua e o sol, porque procuro a pura prática no caminho da simplicidade. Vossa Majestade, porém tem apenas este reino.terça-feira, julho 07, 2009
Acerca dos luzeiros:
Quem estimou desde cedo, acarinhou reconhecendo e alimentando o conceito, do luzeiro, que se recorde sempre, da razão essencial…
Ninguém deseja ser luzeiro sem lhe sentir a necessidade.
Em sua vida, em muito semelhante à via do TAO dos orientais, são impressas faculdades notáveis, que devem ser desconsideradas como um fim, em verdade são unicamente um meio pelo qual os luzeiros cumprem seu destino, rumo a um fim que desconhecem.
O luzeiro cedo percebe que é de seu sofrimento doado em sacrifício de amor que advém a bem aventurança para o seu semelhante. É um processo dificilmente compreensível, mais para ser vivenciado que para estabelecimento de tratado.
Um luzeiro muitas vezes sente-se uma “usina” de energias contrárias e é deste sofrimento resignado e actuante que gera a luz, o seu mistério.
Ninguém é luzeiro porque quer, mas porque necessita.
O luzeiro actua condicionando sem benefício próprio as energias, em si as atenções convergem, mesmo aquelas do que está voltado de costas. É um verdadeiro receptáculo de toda a expressão individual… onde esta encontra sua sequência. Para ele, o processo não é agradável, apenas natural.
O porteiro da luz, sabe no seu intimo sua origem, seu mistério, sua derradeira ultimação. Pode contestar suas escolhas tantas vezes quantas conseguir aguentar.
O luzeiro é um original fecundo de todos os originais dispersos, pela malha das existências imemoriais. Apenas trás no peito, a promessa continua de serviço consigo, onde vive o sonho.
Quem necessitar ser um luzeiro, tem na epiderme da alma gravada, a lembrança ardente de cada existência, cada momento e no desencontro químico do seu plano actual, ao vivenciar na livre escolha seu conteúdo, sua erudição, arde por dentro e chispa, carma cosmos e atraí, sob as sombras derrama seu sacrifício, sob o plano sua luz.
Um luzeiro é um perfeito candidato a um Avatar. Alguém que se dissolve voluntariamente no conhecimento infinito e absoluto, de uma forma irresistível, temerária mas muito orientadora.
Um luzeiro sofre, porque arde de prazer.
sábado, julho 04, 2009
segunda-feira, junho 29, 2009
Definição de SAUDADE !!!
Saudade é o Amor que fica!
domingo, junho 28, 2009
Ode à alegria
Era o dia 7 de Maio de 1824.
Os privilegiados espectadores sentados na plateia do Teatro em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, mal sabiam que estavam para presenciar a primeira audição mundial da maior obra-prima da História da música.
Ainda que o autor já fosse uma celebridade, recebido naquele mesmo dia com uma ovação digna das plateias de música pop de hoje, a reacção foi surpreendente.
O comissário de polícia precisou intervir, para silenciar a explosão de aplausos na chegada do alemão: Ludwig Van Beethoven.
Era o dia da primeira apresentação de sua Nona Sinfonia.
Após as palmas, um grande estranhamento.
Até então, a sinfonia – forma musical para orquestra consagrada durante o classicismo – excluía por definição as vozes humanas.
No entanto, no palco sentavam-se quatro solistas e um coral em quatro partes. Para aumentar a perplexidade, enquanto todos os outros instrumentos desenrolavam movimentos que superavam a racionalidade clássica, permaneciam em silêncio o coral e os solistas. Eles entrariam apenas no quarto e último movimento.
Beethoven, três anos antes de sua morte, ali realizava uma vontade que alimentava desde os 22 anos de idade: musicar o poema alemão Ode à alegria, de Schiller. E era o que fazia no derradeiro movimento da obra, quebrando a última barreira do modelo sinfónico. Oh amigos, não chega desses sons? Entoemos algo mais prazeroso e alegre! – Vibrou o barítono em recitativo.
Os baixos do coro responderam-lhe forte: Alegria, alegria – para que, com a orquestra silenciada, começassem a solar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.
O tema proclamava: Todos os homens serão irmãos.
Era o poema da fraternidade universal, musicado pela genialidade e sensibilidade irretocáveis de Ludwig.
Abracem-se milhões! Enviem este beijo para todo mundo!
* * *
A arte é o belo expressando o bom.
É a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o Universo.
Convidar a arte para nossa vida diária é ter à disposição excelente instrumento de civilização e aperfeiçoamento. A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. Mas a razão dessa influência é geralmente ignorada. Sua razão está inteiramente neste fato: a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa.
“ citações do cap. A música espírita, do livro Obras póstumas, de Allan Kardec”
