sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Tudo está certo

Conta uma antiga lenda norueguesa que um homem cuidava com muito zelo de uma capela, num distante povoado.

Haakon era seu nome e via, todos os dias, muita gente adentrar a ermida e orar, com devoção, frente a uma cruz muito antiga.

Certo dia, Haakon, impulsionado por um sentimento de generosidade, ajoelhou-se diante da cruz e fez uma oferta ao Crucificado.

Senhor, desejo padecer por Vós. Deixai-me ocupar o Vosso lugar.

O Senhor da cruz abriu os lábios e falou:

Amigo, posso atender a tua rogativa, mediante uma condição.

Qual é, Senhor? Será uma condição muito difícil? Estou disposto a cumpri-la.

Então, lhe disse o Cristo: Escuta-me. Aconteça o que acontecer, não importa o que vejas, terás que guardar sempre absoluto silêncio.

O homem, resoluto, respondeu: Eu prometo, Senhor!

Fizeram a troca sem que ninguém viesse a perceber. O tempo passou e aquele que substituía o Crucificado conseguia cumprir o seu compromisso de sempre se manter calado.

Um dia, porém, um rico foi até a capela orar. Ao sair, esqueceu a sua bolsa sobre um dos bancos.

Haakon viu e se calou. Também não disse nada quando, umas duas horas depois, alguém que também viera orar, encontrou a bolsa e a levou para si.

Ainda ficou calado quando um rapaz veio pedir as graças dos céus antes de empreender uma longa viagem.

Contudo, o rico retornou em busca do que esquecera.

Como não encontrasse sua bolsa, pensou que o rapaz se teria apropriado dela. Voltou-se para ele e o interpelou, com raiva, exigindo que lhe devolvesse o que lhe pertencia.

Não peguei nenhuma bolsa! – Defendeu-se o jovem.

Mentiroso! – Gritou o homem rico. E arremeteu furioso contra ele, no intuito de agredi-lo.

Então, uma voz forte soou: Pára! 

E a imagem falou, defendendo o jovem e censurando o rico pela falsa acusação.

Este saiu aniquilado do local. O jovem, porque tinha pressa para empreender a sua viagem, saiu logo em seguida.

Quando a ermida ficou vazia, Jesus dirigiu-Se a Haakon e lhe disse: Desce da cruz. Não serves para ocupar o meu lugar. Não sabes guardar silêncio.

E, ante as justificativas do servidor, trocaram de lugar, concluindo o Cristo: Tu não sabias que era conveniente para aquele homem perder a bolsa que trazia o preço de muita maldade.

Quanto ao rapaz, que iria receber alguns golpes, as suas feridas o teriam impedido de fazer a viagem que, para ele, foi fatal.

Faz uns minutos seu barco soçobrou e ele se afogou.

Tu não sabias, mas eu sabia. Por isso, eu sempre me calo.

*   *   *

Toda vez que acreditares que as tuas preces não foram ouvidas porque não foram atendidas, pensa que tudo está certo.

Logo mais ou um pouco depois descobrirás que Deus estava certo em Se manter silencioso.

Tenha certeza: nada te acontece que não seja o melhor para ti, naquele momento.

Isso porque Deus nunca Se engana.

com base em lenda norueguesa

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Tao Te Ching - 53

Torne-me naturalmente firme e possuidor do saber
Percorrendo o Grande Caminho
Temendo apenas o desperdício

O Grande Caminho  é bastante tranquilo
Mas os homens gostam bastante de atalhos

Governo com excesso de degraus
Campo com excesso de erva daninha
Armazém com excesso de vazios
Vestir bordados coloridos
Carregar espada afiada
Satisfazer-se comendo e bebendo
Possuir moedas e bens em excesso

Isto se chama roubo e auto-encantamento
Roubo e auto-encantamento negam o
Caminho

Sortudo


Somos todos umas extensões de nós mesmos, literalmente. 

Como se o Cosmos fosse um colossal e inimaginável instrumento musical e cada um de nós, um som de escala, dessa escala de sons emitidos.

Nessa escala cada um de nós, relacionados como as notas de uma escala sobre uma melodia. 

Todos facetas imanentes de nós próprios, complementares, envolvidos no mesmo vislumbre momentâneo da melodia Universal.

Como é que uma nota de escala se poderá relacionar, fora da melodia da sucessão de notas que a compõe?

Porque há-de o Humano esquecer que tem à sua mercê o que pediu, todas as notas da sua melodia…, as pessoas, os seres e os eventos que cruzam consigo diariamente a mando do Cosmos, em seu serviço.

Como querer estar noutro lugar?

Como recusar o Pão Nosso de Cada Dia? - Se em cada pedaço de tudo que me acontece está o que pedi. Porquê virar as costas e perder o olhar no horizonte, quando a mesa está posta?

Todas as alegrias, contrariedades, festejos e dores necessárias, para ti te foram ofertadas, para pleno desfruto.
Tudo para o teu crescer. Que esperas? 

Achas que por voares para longe, vais deixar os teus fantasmas para trás? 

Não vês que tudo que tu és, por amor de teu Pai por ti, levas contigo para onde fores. 

É que tal relaxares e entregares a tua Alma aos gozos que o teu Pai te preparou. 

E que tal seres o tal filho pródigo, com a imensa capacidade Universal de amar tudo que a vida te dá manifestado e não manifestado...

Sortudo

terça-feira, janeiro 18, 2011

Morrendo para viver

Conta-se que, no tempo de Buda, uma jovem chamada Kisa Gotami sofrera uma série de tragédias. Primeiro foi seu marido que morreu, depois um outro familiar.

Tudo que lhe restava era seu único filho. Logo ele também adoeceu e morreu. Lamentando-se de dor, ela tomou nos braços o corpo do filho morto e passou a carregá-lo por toda parte, pedindo ajuda.

Deveria haver, em algum lugar, alguém ou algo, um remédio, uma poção que o trouxesse de volta à vida.

Sua busca, no entanto, se mostrou infrutífera. Até que ela se achegou frente a Buda, que estava ensinando em um bosque.

Aproximando-se, suplicou em pranto para que ele trouxesse seu filho de volta à vida.
Buda, de imediato, concordou. Disse-lhe, contudo, que ela precisava lhe trazer um punhado de sementes de mostarda. Com um detalhe muito importante. Deveria obter as sementes de uma família onde ninguém tivesse morrido. Nem pai, nem mãe, nem esposo, nem filho ou amigo.

A jovem voltou correndo para a vila. Na primeira casa que entrou e explicou a sua tragédia, logo recebeu as sementes. Quando se retirava, lembrou-se de perguntar se alguém morrera naquela casa.
Sim, disseram eles. Foi no ano passado.

Ela saiu a correr. Entrou na casa ao lado. E na outra. E outra mais. Em todas, alguma morte havia ocorrido. Era uma tia, um filho amado, uma filha recém-nascida. Um pai amoroso. Uma mãe carinhosa.

O que quer dizer que, depois de uma longa busca, ela não encontrou nenhum lar que não tivesse entrado em contato com a morte.

Debruçando-se de dor, deu-se conta de que o que acontecera a ela e ao seu filho, acontece a todos. Todos os que nascem, morrem um dia.
Então, carregou o corpo do filho morto até onde estava Buda e lá o enterrou.

Depois, curvou-se diante de Buda e pediu que ele lhe ensinasse as coisas que lhe trouxessem sabedoria e refúgio, neste mundo onde se nasce e se morre.

Os ensinamentos de Buda calaram profundamente em seu coração e ela iniciou a importante atitude de educar-se para a morte.

* * *

Na qualidade de pais, nos preocupamos bastante em educar os nossos filhos, desejando vê-los se tornarem cidadãos produtivos e honrados.

O nosso é o anseio de os ver progredir, alcançar êxito na vida, sucesso em suas carreiras profissionais. Tornarem-se pais e mães conscientes.

Tudo muito louvável. Mas seria bastante oportuno que nos lembrássemos de os preparar, desde a infância, para a realidade da morte.

Isto porque o encontro com a morte é certo. Informá-los a respeito do que ela significa e afastar o terror de a enfrentar, acenando-lhes com a vida imortal é sinal de previdência e sabedoria.

* * *
É curioso notar que em nosso tempo cuidamos da educação para a vida e esquecemos de que vivemos para morrer.

A morte é o nosso fim inevitável e, no entanto, chegamos a ela sem o menor preparo.

Quem primeiro cuidou da educação para a morte, em nosso tempo, demonstrando a necessidade do homem aprender a morrer, foi o mestre francês Allan Kardec.

Por anos seguidos, ele falou a respeito com os Espíritos dos chamados mortos e, em agosto de 1865, lançou uma obra que descreve a situação dos Espíritos no plano espiritual.
Chama-se O céu e o inferno - a Justiça Divina segundo o Espiritismo.

com base em conferência proferida por Divaldo Pereira Franco.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Acorda...


Remete o sonho da vida para longe, renega o sonho pela respiração.
Como podes ser tão insensível à luz dos teus próprios olhos, irmão.
O conhecimento não traz descanso, mas acaso esqueceste que és um trabalhador?
Pensa-te como o fruto que só se descasca a partir de seu interior.
Então de que estás à espera? 
– Muitos assim como tu são necessários para que se derrame sobre o mundo, as artes da revelação.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

As Diferenças entre Religião e Espiritualidade

A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém
lhes diga o que fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção
à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo,
a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprende com o erro".

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Abraço


Não somos irmãos por um acaso.

Escolhemo-nos assim para nos conhecer mutuamente.

Foi como um tipo de código que encontramos para recordar em tempos difíceis, o teor da nossa missão.

Irmanados nesse voto secreto de nos desvendar conscientemente a nós próprios, como algo invisível, indetectável, indefinível… uma iniciação.

Construímos esse voto em nosso âmago, procuramos com o primeiro sopro de vida, colorir o nome do alimento que sustem a própria vida sem cor.

Partilhamos as dificuldades enormemente de forma análoga, secreta, quase individual. Sofremos a distância causada pela imposição de nossa mente aos conteúdos da nossa encarnação, duvidamos e conjecturamos, para depois mais logo, muitas vezes em solidão, escondidos e rendidos, entregar tudo em avalanche às datas sem lugar.

Sofremos juntos, calados, em gemidos contidos, as afirmações de desacerto pelas direcções que imprimimos às vidas que alugamos como nossas…. e ainda surpreendidos pela resistência dos dias e do organismo, acreditamos de repente compensa esquecer as dores do parto… da espiritualidade… do apêndice mais importante do corpo físico.

Queremos salvar o mundo enquanto afogamos o nosso sem clemência, olhamos tudo que diz respeito às nossas relações humanas e aos próprios humanos através de um auto-imposto vitral fosco e depois deslumbramo-nos com as nuvens do céu. 

Chegamos a blasfemar ao ponto de desejar que tudo que fosse humano fosse como o céu a quem nos entregamos sem peso e medida, enquanto viciados no jogo vicioso que nos alimenta o desejo, continuamos a adulterar profanando. 

Preferimos para o enaltecer do nosso ego, o menosprezo da pura lógica natural. 

Sofremos com prazer repetidas vezes a escravatura do Ego. Esse amado tirano que nos impede de ver a verdade inconveniente, mas dona da nossa própria verdade. 

Os instrumentos do corpo, ao nosso serviço, disponibilizamos para cauterizar a torto e a direito, como for e calhar, sem qualquer noção real de sua própria extensão, relegando as consequências para depois e para quem vier.

Agimos em perfeita loucura, auto induzida e imposta, deitando as culpas a todos e a tudo, deixando nossa própria sobrevivência de sobreaviso, com tal dispêndio de recursos, generosamente cedidos pela Mãe da Terra e pelo Pai do Cosmos.

Agimos nós os filhos eleitos, como tiranos invasores, vírus destrutivos, inconsoláveis e órfãos de qualquer resquício de sacralidade… de qualquer beleza.

E apesar de tudo isto ainda acreditamos na cor do sangue que corre nas nossas veias, na energia que permeia nossos sentimentos, na razão que ilumina dissipando as nossas trevas.

É por isso que te amo, que acredito em ti, por que me acredito, por sei que o mais seguro é que para além, ou muito mais além do que eu sei tu sabes ou desejas saber… e que isso faz de mim teu irmão e de ti minha irmã, e dessa irmandade faremos o berço da civilização.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Canção de Natal

Era a véspera de Natal do ano de 1818. Em Hallein, nos Alpes austríacos, o padre Joseph Mohr lia a Bíblia.
Quando se detinha nos versículos que se referiam às palavras do visitante celeste aos pastores de Belém: Eis que vos trago uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: hoje nasceu o Messias, o Esperado..., bateram à porta.
Uma camponesa pedia que fosse abençoar o filho de uns pobres carvoeiros, que acabara de nascer. O padre colocou as botas de neve, vestiu seu abrigo. Atravessou o bosque, subiu a montanha.
Em pobre cabana de dois cómodos, cheia de fumaça do fogão, encontrou uma mulher com seu filho nos braços. A criança dormia.
O padre Mohr deu sua bênção ao pequeno e à mãe. Uma estranha emoção começou a tomar conta dele. A cabana não era o estábulo de Belém, mas lhe fazia lembrar o nascimento de Jesus.
Ao descer a montanha, de retorno à paróquia, as palavras do Evangelho pareciam ecoar em sua alma.
Aproximando-se da aldeia, pôde observar os archotes que brilhavam na noite, disputando seu brilho com o das estrelas.
Era o povo que seguia para a igreja, a fim de celebrar, ali, em oração, o aniversário do Divino Menino. A milenária promessa de paz vibrava no silêncio do bosque e no brilho das estrelas.
Padre Mohr não conseguiu dormir naquela noite. Febricitante, ergueu-se do leito, tomou da pena e escreveu um poema, externando o que lhe ía na alma.
Pela manhã procurou o maestro Franz Gruber, seu amigo. Mostrou-lhe os versos.
O maestro leu o poema e disse, entusiasmado: Padre, esta é a canção de Natal de que necessitamos!
Compôs a música para duas vozes e guitarra, porque o órgão da igreja, o único na localidade, estava estragado.
No dia de Natal de 1818, as crianças se reuniram, debaixo da janela da casa paroquial, para ouvir o padre Mohr e o maestro Gruber cantar.
Era diferente de tudo quanto haviam escutado. Noite de paz, noite de amor...
Dias depois, chegou ao povoado o consertador de órgão. Consertado o instrumento da igreja, o maestro Gruber tocou a nova melodia, acompanhado pela voz do padre.
O técnico em consertos de órgão era também um excelente musicologista e bem depressa aprendeu letra e música da nova canção.
Consertando órgãos por todos os povoados do Tirol, como gostasse de cantar, foi divulgando a nova Canção de Natal. Não sabia quem a tinha composto pois nem o padre Mohr, nem o maestro Gruber lhe tinham dito que eram os autores.
Entre muitos que aprenderam a Canção, quatro crianças, os irmãos Strasser passaram a cantá-la.
O director de música do Reino da Saxónia, em ouvindo-lhes as vozes claras e afinadas, se interessou por eles e os levou a se apresentarem, num concerto.
A fama dos pequenos cantores se espalhou por toda a Europa e a Canção apaixonava os corações.
Mas ninguém sabia dizer quem era o autor.
Foi um maestro de nome Ambrose quem conseguiu chegar até Franz Gruber.
Haviam se passado mais de trinta anos. E a história do surgimento da Canção de Natal foi escrita em 30 de Dezembro de 1854.
Não são conhecidas outras músicas de Franz Gruber. A Noite de paz parece ter sido sua única produção.
Não será possível crer que as vozes do céu, que se fizeram ouvir na abençoada noite do nascimento de Jesus, tivessem inspirado os versos e a primorosa melodia para que nós, os homens, pudéssemos cantar com os mensageiros celestes, dizendo da nossa alegria com a comemoração, a cada ano, do aniversário do nosso Mestre e Senhor?

terça-feira, novembro 23, 2010

E se a vida fosse uma canção…


Uma canção que se vai aprendendo desde cedo… que reflecte e acompanha a vida desde o primeiro gemido ao nascer…

Uma canção que evolui equilibrada e harmoniosa, com todas as partes naturais de uma melodia, com compassos, pausas, partes a solo, partes em refrão…

Uma canção que cantando incendeia o peito de sentido, que acende a chama da completa identidade da vida, bela, construtiva e dialogante, com equilibrada melodia.

Uma canção que revê e fortalece o seu carácter, na repetição do refrão. Afinal a parte que melhor se decora…

A parte que todos podem decorar com maior facilidade…
A parte em que acontece uma espécie de resumo união em torno da totalidade de seu conteúdo, como todas as outras canções…

E se a letra a cantar nesse refrão, que se repete como a vida, vezes sem conta, e que une harmoniosamente todas as suas partes, for:
- Perdoa-me, não guardarei ressentimentos, sinto muito perdoa-me, amo-te… HO'OPONOPONO…

Que acontece, ao interpretar esta canção da vida, se negligencia por repetidas vezes o refrão, aquele momento da música que é o elemento melódico mais importante, de união e harmonização das restantes partes …

Rapidamente se conclui que a canção ficará desarmoniosa.

Ao ignorar o refrão, que representa a parte que dá força, que consolida os solos e permite em simultâneo um ponto ideal de encontro para o reconhecimento e adição de mais instrumentos por exemplo, a canção da vida necessariamente se manterá pobre e sem extremidades de comunicação.
É fácil meditar um pouco, como na generalidade das canções, é no refrão que todos memorizam mais rápido, todos cantam a uma só voz e harmonizam naturalmente…
É dos refrãos que se originam as palavras de ordem, os “slogans”, etc.
O refrão está para a canção, como o campo magnético para um íman.

De uma canção linda e harmoniosa, equilibrada e participada, se passará para uma espécie de livro imenso sem capítulos, desequilibradamente, desarmoniosamente e em extremo, mais grave ainda, sem sentido.

Num ser humano, é como se:
- O lado e espaço interior da sua pele fossem um disco de vinil.
- A inteligência e a mente a agulha electromagnética.
- A totalidade do mundo exterior à sua pele, as colunas de som.

Para reproduzir a canção da vida, todo conteúdo de um corpo humano, todos os seus órgãos e suas respectivas funções são necessários.
Para a leitura desta canção impressa nestes órgãos e funções, são necessários os instrumentos da mente bem conduzida, o cultivo da inteligência aliado às boas práticas, às práticas sãs.
Por fim para que se ouça esta maravilhosa melodia, é necessário o plano de ressonância que constitui a pauta onde esta canção se escreve de forma a dar-se a conhecer como experiência.

O refrão desta canção também pode comparar-se a uma pedrinha que caiu no trilho que se percorre muitas vezes. Se o caminhante no seu vai e vem constante pelo trilho, não se verga para a apanhar, não tardará que com o acumular de pedrinhas caídas em suas viagens, erga um verdadeiro muro para tropeçar.