sexta-feira, novembro 15, 2013

Um companheiro incomparável

Para muitas criaturas humanas, Deus ainda é alguém a ser descoberto. Alguns dizem crer n´Ele mas, não sabem exactamente como isso lhes possa melhorar a qualidade de vida.
Outros simplesmente afirmam crer na Sua existência como algo distante, ou Alguém que fica observando o que se passa no Universo, como um mero espectador.
Inserir Deus no contexto da própria vida é algo que exige reflexão e entendimento. Por isso, alguém que começou a se deixar penetrar pela ideia desse Pai amorável, justo e bom, escreveu um dia:
Em princípio, eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que eu fazia. Desse modo, quando eu morresse, Ele saberia se eu mereceria ir para o céu ou para o inferno.
Ele estava sempre lá, como um presidente. Eu reconhecia a imagem d´Ele quando a via, mas não O conhecia de verdade.
Mais tarde, quando O conheci melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
Não me lembro quando Ele me sugeriu que trocássemos de lugar. A partir desse momento, a vida não foi a mesma...
A vida, com o Seu poder superior, tinha se tornado muito mais excitante.
Quando eu detinha o controle, sabia o caminho. Era um tanto entediante, mas previsível – sempre a distância mais curta entre dois pontos.
Mas quando Deus assumiu a liderança, porque Ele conhecia atalhos maravilhosos, passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa!
Tudo que eu podia fazer era seguir em frente!
Embora tudo aquilo parecesse loucura, Ele ficava dizendo: “Pedale, pedale!”
Eu ficava preocupado e ansioso e perguntava:
“Afinal, para onde o Senhor está me levando?”
Deus apenas sorria e não me dava uma resposta. Foi aí que me vi começando a confiar nEle. Logo me esqueci da minha vida entediante e comecei a participar da aventura.
Quando eu dizia que estava assustado, Ele se virava para trás e tocava minha mão.
Deus me levou até pessoas com dons de que eu precisava: dons da aceitação e da alegria, dentre outros.
Essas pessoas me deram ajuda para prosseguir na minha jornada. Quer dizer, nossa jornada, de Deus e minha.
E prosseguimos sempre pedalando. Então, Ele me disse: “Doe o que você tem de seu, toda a bagagem extra, pois pesa demais.”
Descobri que quanto mais eu dava, mais eu recebia. E, além disso, o meu fardo ficava mais leve.
O Senhor conhecia os segredos da bicicleta. Sabia como incliná-la para fazer curvas fechadas, pular para evitar lugares cheios de pedras, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis.
Aprendi com Ele a pedalar nos lugares mais complicados e a apreciar a paisagem e a brisa fresca em meu rosto. Tudo com o meu óptimo e constante companheiro, Deus.
E quando estava certo de que não podia mais seguir em frente, Ele apenas sorria e dizia: “Pedale.”
*   *   *
A presença de Deus em nossas vidas proporciona paz, aumentando as resistências humanas para os embates quotidianos.
Subtil e poderosa ao mesmo tempo, é um dínamo gerador de energias que recarrega as baterias da alma, da mente e do corpo, mantendo-os em condições estáveis de equilíbrio e acção.
A presença de Deus em nossas vidas nos permite pensar correctamente, falar com sabedoria e agir com precisão.
Com Deus, o temor desaparece, oferecendo lugar à coragem, que expressa bem-estar e segurança íntima.
 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Pedalando com Deus,
de autoria ignorada e pensamentos finais do cap. 11, do livro 
Filho de Deus,
pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Tornando-nos reais

Ao mirar-se o horizonte, percebia-se que o sol, senhor do dia, baixava guarda ao reinado da lua.
Primeiro um, depois outro, os vizinhos começavam a trazer suas cadeiras para a frente dos lares, em busca de uma agradável conversa de final de dia.
Enquanto os adultos dialogavam sobre os mais variados assuntos, as crianças brincavam na rua.
Era como se, naquela comunidade, todos fizessem parte de uma mesma família.
Entretanto, aconteceu que um dia um dos vizinhos chegou em casa carregando uma grande caixa de papelão.
Ao anoitecer, como era costume, todos se reuniram nas calçadas para mais algumas horas de conversa.
Foi então que alguém, verbalizando a curiosidade geral, questionou o vizinho acerca do conteúdo da misteriosa embalagem.
Ele revelou que, depois de muito poupar, sua família havido comprado um aparelho de televisão. Estavam ansiosos aguardando pelo dia seguinte, quando um técnico viria instalá-lo correctamente.
A vizinhança ficou toda admirada. Aquela era a primeira televisão a chegar naquela rua.
Os dias sucederam-se e aquele vizinho, bem como seus familiares, começaram a aparecer cada vez menos na alegre roda de conversa entre amigos.
Primeiro, vinham apenas a cada dois ou três dias. Depois, uma vez por semana. Então, uma vez ou duas por mês. E, finalmente, não apareceram mais.
Enquanto todos conversavam alegremente, contemplavam pelas vidraças a família do saudoso vizinho, sentado junto aos seus familiares, de frente para aquela tela brilhante.
O tempo foi passando. Logo, mais um vizinho apareceu com uma grande caixa de papelão em casa. E depois outro. E ainda mais um.
Gradualmente, a roda de conversa foi ficando menor, até desaparecer por completo.
Os vizinhos, agora, pouco se viam. À noite, recolhiam-se diante dos televisores, absortos pela programação, mergulhados num afastamento sem limites.
* * *
As décadas se passaram, mas a triste situação permanece.
Hoje, ainda que estejamos vivenciando a era da internet, através da qual temos ampla possibilidade de nos comunicarmos, jamais estivemos tão isolados.
Nunca o número daqueles que se sentem sós esteve tão alto, ainda que contando centenas de amigos nas redes sociais.
Contra a solidão e o isolamento, os ensinamentos eternos do Mestre: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.
Troquemos, vez ou outra, o toque frio dos mouses de computador, pelo toque caloroso de uma mão amiga. A digitação frenética, por momentos venturosos de uma conversa amistosa.
Os sites de bate papo, por idas ao parque, um jantar descontraído com os amigos, momentos de diversão.
A grande lição que todos temos diante da oportunidade reencarnatória que se apresenta é aprendermos a amar.
E tal aprendizado só se faz na relação com o outro: nos gestos de caridade e de perdão, nas palavras ditas num momento de ternura.
Quando, enfim, deixamos um pouco de lado o conforto e a praticidade da vida virtual e vivemos intensamente aquilo que nos torna reais e humanos: a capacidade de amar.
Pensemos nisso!

quarta-feira, outubro 30, 2013

ASTHANGA YOGA de Patanjali - os oito braços do Yoga

1º YAMAS (abstenções)

1 - Ahimsa: não violência  – (arrímissa)  - A não-violência começa com você mesmo. Na prática de Yoga significa respeitar seus limites.
Não sejas violento com as pessoas, com os animais e com a natureza, mas antes de tudo, não sejas violento contigo mesmo.

 2 - Satya: não mentir  – (sátyá)   Significa falar a verdade e viver com autenticidade.
Vive tua vida dentro dos princípios da verdade e no compromisso de seres sempre verdadeiro contigo mesmo. 

Estar aberto para a verdade significa, aprender a ouvir, aprender a fluir com os factos e parar de lutar. Adaptar aquilo que realmente vemos com aquilo que gostaríamos que fosse. A mente deverá estar quieta, sem o movimento do pensamento que faz ruídos e traz os ecos da memória. A verdade será percebida pelo ato de atenção, pela observação.

3 - Asteya: não roubar – (astêiá)  significa não se apropriar de algo que não lhe pertence, seja um objeto, o tempo ou a ideia de outra pessoa.
Não desejar aquilo que não te pertence. Aprende a olhar sem desejar.

O olhar que apenas olha, não cobiça. Todas as coisas que são necessárias para nós virão para nossas mãos. Precisamos aprender a ter paciência e esperar a hora certa. O que obtemos fora da hora não nos pertence de verdade. Muitas vezes nos tornamos prisioneiros de nossas posses e perdemos nossa paz.

4 - Brahmacharya: não exagerar  – (brãama- tchária) Podemos entender como moderação: na alimentação, no consumo, no uso do dinheiro.
Aprende a controlar os excessos cometidos pelo corpo e pela mente.

Aqui é necessário o conhecimento dos limites. Nossos limites são nossos melhores mestres. Quando aceitamos e compreendemos o limite, estamos aptos para transcende-los. Limites não devem ser vencidos, mas expandidos. Em alguns casos, precisamos nos impor a certos limites relacionados com o desejo, prazer e vícios. 
Em asana, significa estar consciente através da percepção  até quanto podemos nos aprofundar na pose sem forçar o corpo.

5 - Aparigraha: não ter apego  – (aparigrárra) o desejo de ter mais e mais, e nunca estar satisfeito, traz infelicidade.
Tudo o que fizeres na vida, deverá partir de um ato de desapego. O apego invalida toda a acção e a torna objecto do ego.

Desapego não significa doar seus bens e ir viver debaixo da ponte ou na solidão dos Himalaias. Desapego significa não acumular coisas desnecessárias tanto físicas como intelectuais. É bem mais difícil desapegar-se de uma ideia ou pensamento do que de objectos  O apego é um reflexo do medo. Apego é medo e necessidade de segurança.
Em asana, o desapego deve ser a acção que se une ao desempenho. A asana deve ser nova a cada execução. O trabalho anterior precisa ser desvinculado da memória e desta forma, a asana nasce nova a cada dia.

 2º NYAMAS (promoções)

Os Niyamas são a segunda parte dos oito passos do Raja Yoga. são cinco atitudes que devemos promover em relação a nós mesmos.

1 - Shaucha: purificação - (sautchá)   comer alimentos saudáveis, praticar ásanas e pranayamas e ter a mente livre de sentimentos como ódio, cobiça e orgulho.
Mantém a pureza do corpo, dos pensamentos e das atitudes.

A mente mantém-se pura através de um estado de observação sem julgamento. Cria-se desta forma uma atitude de imparcialidade. A mente deverá ser mantida em estado de pureza (inocência) durante a asana significando que esta mente deverá estar concentrada.  

2 - Santosha -  contentamento/ aceitação – (samtôchá) - a felicidade não deve depender de acontecimentos externos ou de outras pessoas. Uma mente descontente não se pode concentrar.
Faz o que tens a fazer com alegria e desprendimento.

Samtosha é entregar-se a qualquer tarefa com dedicação e imparcialidade por mais que a tarefa nos desagrade. Samtosha nos ensina a ver em cada coisa que nos acontece um motivo para aprender.

3 -Tapas: auto-disciplina – (tápas) Tanto na prática de ásanas como na vida, deves ter determinação e disciplina.
Dedica-te com amor e paixão a tudo o que fazes.

Disciplina é criar espaço na nossa vida para que o Yoga seja praticado regularmente, para que se torne o centro do movimento da vida, para que toda a acção externa parta deste centro. A disciplina manifesta-se em atitudes corretas em relação ao Yoga, ao instrutor e companheiros. A verdadeira disciplina não é um ato de compulsão, de repressão, mas um ato de amor.

"O que nos cativa também nos guia e protege.
Apaixonadamente entregues a algo que amamos,  atraímos uma avalanche de magia que nos aplaina o caminho, dá o prumo, argumenta, discorda, carrega-nos consigo sobre os abismos, os medos, as dúvidas."  

(Richard Bach - De A ponte para o sempre)

4 -Swadhyaya: estudo de si mesmo – (suádiáiá) A pessoa que pratica a swadhyaya lê seu próprio livro da vida.
Torna-te um estudante de ti mesmo através da observação, e descobre em ti o teu verdadeiro ser.

Disposição permanente para o aprendizado do novo. Disposição para a mudança. É a atitude e a postura de estar sempre, em primeiro lugar, aprendendo a auto conhecer-se. Este conceito envolve também a consciência de que todo o aprendizado, deverá, antes de tudo, libertar-se. Tudo que aprisiona o homem deve ser descartado

5 -Ishvara Pranidhana: devoção – (ichuára pranidâna) estar em unidade com Deus, reconhecer em nós parte integrante deste Universo
Entrega teu corpo e tua alma incondicionalmente ao Poder Superior que te guia e ampara. 

Isvara Pranidhana  é a confiança na existência e na sabedoria de algo maior do que o nosso próprio “eu” que nos conduz sempre para as melhores situações e condições. Neste ato incondicionado de entrega que ultrapassa as barreiras do ego, bloqueios desaparecem, abrimos o nosso ser que se conecta definitivamente com o Sagrado. Neste estado, onde as ponderações racionais da mente não existem, permitimos que os mecanismos naturais de cura entrem em funcionamento desfazendo os bloqueios e promovendo o retorno ao equilíbrio. A vida guia-nos sempre pelos caminhos do aprendizado e este caminho não necessita ser trilhado com dor. A dor e o sofrimento são resultados da resistência contra os factos.  

3º ASANAS:- (ásanas) 

- posturas físicas. Segundo Patanjali, a ásana deve ser estável e confortável. A prática traz saúde e disciplina para a mente.
Educa o teu corpo dentro dos princípios de yama e niyama para que ele se torne um instrumento para a tua conexão com o sagrado. Para que as doenças não te aflijam, para que a beleza da forma adorne a beleza do conteúdo, para que te tornes leve como os pássaros e ágil como os peixes tornando-te assim, um templo digno para a morada do espírito.

As asanas existem tal como são há milhares de anos. São perfeitas em si mesmo e não podem ser alteradas. As asanas atuam de forma subjacente no nosso corpo provocando profundas modificações psicofísicas.
Hatha Yoga visa o auto conhecimento e a ferramenta que se utiliza para este processo, é o corpo. Muito se tem lido sobre asanas mas, até hoje, ninguém pôde afirmar com exactidão científica, qual o  mecanismo completo da sua acção sobre o ser humano. Sabe-se que, enquanto a prática avança, profundas modificações de ordem física e psicológica ocorrem. Por isto, precisamos entender a "forma" perfeita da asana através do alinhamento, do equilíbrio, da busca do centro de gravidade e da direcção.
 
4º PRANAYAMA: - (prânáyâmá) 

Controle da energia vital (prana) por meio da respiração. O pranayama fortalece o sistema respiratório e acalma o sistema nervoso, favorecendo a concentração.
Aprende a conectar a respiração aos teus movimentos, ações e pensamentos.  

A vida da postura é a respiração. É através dela que a asana flui e acontece. Técnicas respiratórias avançadas só podem ser ensinadas por pessoas altamente qualificadas e você jamais deverá tentar aprender isto pelos livros.  

 A aptidão do aspirante para treinar e progredir no Pranayama deve ser avaliada por um mestre experiente e é essencial sua supervisão.



5º PRATYAHARA: - (prátiarrára) 

O controle dos sentidos.   
Aprende a fluir com tudo o que te cerca, de tal forma que conseguirás abster-te dos próprios sentidos. Assim, ouvirás o silêncio do universo no meio da batalha e conseguirás permanecer em paz no meio do tumulto.

Pratyahara capacita-nos a manter um estado de paz em qualquer circunstância.

6º DHARANA: (dá râ ná)

concentração e atenção fixa num único ponto.
Aprende a focar tua mente, tua atenção e teu pensamento em um único objecto da tua escolha e este foco será poderoso como a luz coerente de um lazer.

Dharana é concentração. Nosso cérebro não consegue passar directamente para um estado de não acção. Antes, precisamos da concentração como uma espécie de disciplina, como uma pista de descolagem que não será mais necessária durante o voo mas o é para que o avião possa subir. Da mesma forma, a meditação não é em absoluto concentração, mas necessita desta como base de lançamento.

7º DHYANA: 

A meditação.  (dí- â- )
Pelo poder da atenção completa, ingressarás em outro estado mental, onde o silêncio é o portal para a conexão final com a fonte da sabedoria plena.

O silêncio é o estado da meditação onde não há desejo, compulsão, dor, alegria, sofrimento, prazer. A personalidade não penetra este portal.

8º SAMADHI: (samád-rí )

O estado de comunhão com Deus. Comunhão completa com a Fonte, estado de união plena (Sagrado), de Graça, Uno.
 
Existe um  lugar no Universo,  
que é de paz, alegria, amor e sabedoria.
Existe um lugar em ti,
onde todo este  universo habita...
E quando tu estás neste lugar, em ti
E eu estou neste lugar, em mim
Nós somos Um!


Namasté!



terça-feira, outubro 29, 2013

nuvens...

nuvens... elas chegaram em força 
aos níveis da percepção...
brancas, etéreas e puras...
naves espaciais de anjos celestiais...

não resisti a registar esse evento,
corresponder em esperança 
o que de puro e belo se vê
e dentro de si mesmo se espera...

segunda-feira, outubro 21, 2013

senha

Quando o mensageiro celeste anunciou a Boa Nova aos pastores, no campo, assim se expressou: Eis que vos anuncio uma grande alegria, que terá todo o povo.

Nasceu, na cidade de Davi, O Salvador, que é o Cristo Senhor.

E, ante o assombro dos ouvintes que, com certeza, deveriam estar a se indagar onde exactamente estaria o menino, como O reconheceriam, arrematou:

E eis o que vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.

Os magos, por sua vez, viram surgir a estrela e a seguiram, até adentrarem a cidade e, como assinala o Evangelista Mateus, entrando na casa, encontraram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram.

Nos tempos primeiros, os seguidores de Jesus se identificavam uns aos outros, desenhando no chão, na pedra, a figura de um peixe.

Mais tarde, o símbolo da cruz passou a identificar os seguidores do Cristo. Eles a portavam ao pescoço, à cintura, ou entre seus pertences.

Quando o grande Gamaliel, rabino de Israel, foi visitado por Saulo de Tarso, após a sua radiosa visão do Cristo, na estrada de Damasco, lhe entregou o original dos escritos de Mateus.

A preciosidade lhe fora presenteada pelo Apóstolo Pedro, quando visitara a Casa do Caminho, em Jerusalém.

Para Gamaliel, esses originais seriam o passaporte para a entrada de Saulo na Casa do Caminho, no futuro. Ou seja, ao vê-los, Pedro reconheceria que Gamaliel acreditava na conversão de Saulo às fileiras de Jesus.

Em todos os tempos, as casas reais e as dinastias estabeleciam os símbolos que os haveriam de identificar.

A flor de Lis representou a realeza francesa. Estilizada, foi utilizada como símbolo do Priorado de Sião, sociedade que remonta ao ano de mil e noventa e nove.

*   *   *

Quando o Mestre Jesus profere Suas exortações aos Apóstolos, assim se expressa: Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, e que, assim como eu vos amei, vos ameis também uns aos outros.

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

Eis a senha pela qual os seguidores de Jesus devem ser reconhecidos, em todos os tempos. Nem pela empáfia, nem pelo orgulho, nem pelo se expressar de forma extraordinária, nem por dominar de memória todos os textos da Boa Nova.

Somente pelo amor. E, como diz o Espírito Lázaro, em O Evangelho segundo o Espiritismo: quando Jesus pronunciou a divina palavra - amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

Através dos tempos, muitos dos que nos dizíamos cristãos, nos servimos do poder para subjugar outros irmãos, simplesmente por não comungarem dos nossos mesmos ideais.

É tempo de revermos nossas condutas e de aprofundarmos reflexões sobre o pensamento do Cristo: Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.

Seja esse o nosso sinal. Seja essa a nossa senha, em todas as circunstâncias: o amor.

Tendo Jesus como modelo do amor, exercitemos a nossa capacidade de nos querermos bem.

Mostremos ao mundo que somos discípulos do Senhor das estrelas, que nossa senha de luz é o amor.



Redação do Momento Espírita, com base no Evangelho de
Mateus, cap.2, vers. 11; no Evangelho de Lucas, cap. 2, vers. 10
a 12; no Evangelho de João, cap. 13, vers. 34 e 35 e no cap. XI,
 item 8 de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec,
ed. FEB.
Em 21.10.2013.

terça-feira, outubro 15, 2013

O Silêncio


Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele. 
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. 
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles... 
nos transmitiram esse conhecimento.

"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás actuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. 
Vocês aprendem falando. 

Dão prémios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.

Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.

terça-feira, outubro 08, 2013

Competir... ser o melhor...

queres dar cabo de ti?

- então tenta ser o melhor, tenta ficar à frente de forma que todos te cobiçem..., que todos te adulem, que todos te procurem para que tu, dês cabo de ti.

a competição é a arma dos fracos.

quinta-feira, outubro 03, 2013

Certa vez...

“Certa vez perguntaram a Buda:
-O que você ganhou meditando?

Buda respondeu:
-Nada.

-Contudo, disse Buda, deixe-me lhe dizer o que eu perdi:

Raiva, ansiedade, depressão, insegurança, medo da idade e da morte”

segunda-feira, setembro 09, 2013

Um jeito de escapar do inferno

Mohandas Karamchand Gandhi foi um homem fabuloso e inesquecível.
Seu conhecimento sobre as leis de Deus é digno de nosso mais profundo respeito e admiração.
Uma das mais belas passagens de sua vida é relatada com competência pelo cineasta britânico Richard Attenborough.
O filme mostra a sangrenta guerra civil que se seguiu à divisão da Índia em Paquistão muçulmano e Índia hindu.
As mortes só trouxeram retaliações e mais vítimas, até que Gandhi, líder espiritual respeitado por hindus e muçulmanos, iniciou um jejum e jurou que não comeria até que a matança terminasse, mesmo que isso significasse sua morte por inanição.
Esse foi apenas um dos muitos jejuns de Gandhi defendendo a não-violência.
Um hindu enlouquecido visitou o Mahatma e, ao chegar aos pés da cama onde estava, atirou-lhe um pedaço de pão enquanto gritava:
Eu já vou para o inferno e não quero a culpa da sua morte também em minha alma! Coma, por favor!
Gandhi, sereno como sempre, replicou:
Por que você vai para o inferno?
O hindu tremia ao responder:
Eu tinha um filho pequeno, mais ou menos deste tamanho, que foi assassinado pelos muçulmanos. Então, eu peguei a primeira criança muçulmana que consegui encontrar e a matei, arrebentando-lhe a cabeça contra uma parede.
Gandhi fechou os olhos e chorou por dentro.
Depois se recompôs, pois sabia da importância de seu papel perante aquele povo e, com esperança na voz, disse:
Eu conheço um jeito de escapar do inferno.
Muitos meninos agora estão sem os pais por causa da matança. Encontre um menino muçulmano, com mais ou menos este tamanho - repetindo o gesto feito pelo visitante há pouco – e o crie como se fosse seu. Adote-o.
O homem desorientado estava admirado com a proposta, e tentava assimilá-la da melhor forma. Uma brisa de esperança chegou-lhe ao rosto.
Porém, Gandhi não havia terminado sua fala:
Atente apenas para um detalhe: você não deve esquecer que deverá criá-lo como um muçulmano.
O hindu não estava preparado para aquela proposta. Era muito diferente de tudo que sentia, de tudo que pensava. Era uma proposta revolucionária.
Era a revolução da lei do amor, ensinada por Gandhi, de forma magistral.
O homem caiu aos pés do mestre. A loucura abandonou seus olhos, que choravam copiosamente.
Gandhi colocou as mãos na cabeça do hindu, abençoando-o do fundo de seu coração, desejando que ele pudesse aceitar seu novo caminho, o caminho para sair do inferno.
Quando o hindu saiu, ele tinha um pouco de paz no coração, e uma proposta da lei do amor em suas mãos: proposta de perdão e de autoperdão.
*   *   *
Nada como o amor, em toda sua resplandecência, para nos libertar desse estado d’alma de inferno.
Sim, já somos capazes de entender que o inferno não é um local delimitado no espaço, mas um estado d’alma temporário.
Para alguns, desorientados e reincidentes nos mesmos erros, esse estado de espírito parece uma eternidade, mas essa dita eternidade dura apenas o tempo do aprendizado, o tempo do despertar para o amor.
O amor cobre uma multidão de pecados, conforme tão bem afirmou o Apóstolo Pedro.
A lei de causa e efeito abraça-se à lei da amorosidade e ambas, interligadas sempre, carregam-nos para a tão desejada felicidade.

quinta-feira, setembro 05, 2013

Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Novo


BELISANDRA E A PRAGA DOS GAFANHOTOS

 

Referidas até em relatos bíblicos, as pragas de gafanhotos sempre assustaram os agricultores. E segundo a tradição, em tempos idos, Castelo Novo esteve ameaçado por um praga de gafanhotos. 

Vivia próximo desta aldeia uma rapariga de seu nome Belisandra e que por causa da sua fama de bruxa vivia na mais completa solidão, tendo por companhia, unicamente, um gato. 
 
 Sempre que necessitava de ir á aldeia, a pobre Belisandra tinha de enfrentar um coro de maledicência, risinhos de troça e o desprezo de todos. 

Embora em horas de aflição, muitos a ela recorrerem-se em segredo, em publico troçavam dela como se uma maldição se tratasse. Do mesmo castigo sofrera sua mãe Lisandra e sua avó Cassandra. 
 
Nunca ninguém tinha presenciado nada que confirmasse tais historias, mas dela se dizia que controlava o sol e a chuva, que curava doenças, que ensinava a melhor maneira de fazer filhos homens, e assim por diante… 

Belisandra atendia quem a procurava mesmo sabendo que no dia seguinte todos continuariam a dizer horrores sobre ela.
 
Um belo dia estando os campos cobertos de belas searas e o povo preparando-se para colher os frutos do seu trabalho, viram surgir no céu uma espessa nuvem que quase cobriu o sol. 

A princípio ninguém percebia do que se tratava, mas aos poucos compreenderam que se avizinhava uma praga de gafanhotos. E pela primeira vez, em grupo, recorreram a Belisandra que a todos surpreendeu quando lhes disse que deveriam fazer uma Procissão à Senhora da Misericórdia porque só ela lhes podia valer. 
 
Assim fizeram e conta a lenda que ainda a procissão ia no adro já os gafanhotos caíam mortos às centenas. 

O povo prometeu fazer a procissão todos os anos e cumpriu, porque ainda hoje em Setembro a tradição se mantém. Belisandra continuou a viver a sua vida solitária, pela fama de bruxa, mas desde esse dia o povo passou a respeitá-la. 
 
Não sem que se perguntassem como podia uma mulher cristã dominar as forças da natureza…