sexta-feira, março 28, 2014

Bens adquiridos

Quantas vezes, de um bem-estar se passa vertiginosamente para um mal-estar, apenas por se julgar ter possuído algo que não se pode possuir?

Hás-de pensar em quanto do teu bem-estar reside numa dinâmica, como se de uma dinâmica dum inocente se tratasse. É um sentimento de leveza. Não raras vezes sem rede, sem seguranças forçadas nem medos antecipados. É mais como uma sensibilidade para com as coisas, uma atenção com a distância certa a cultivar com todos os seres, consigo próprio. Aquela distancia contemplativa, que permite uma aproximação não calculada ao coração de si próprio.

É uma alegria genuína que abunda… que se reflecte harmoniosamente nos gestos . Cativante para quem vê, cativante para quem usufrui de algo assim…

Depois o erro comum: julgar que descobriste uma coisa acerca de ti que ninguém descobriu ainda acerca de si, algo só teu, algo que reconheces pelo bem-estar que gera, pelas portas que abre. 

É geralmente nessa altura, quando quantificas o que recebes como quem armazena para mais tarde, que inicia a tua desconexão com o próprio processo gerador deste estado de Graça.

Só em boa verdade pode garantir como possuído, aquilo que em sua essência já morreu.

A vida não se deixa agarrar por ninguém…

Sê o eterno estudante de ti próprio,
não desejes ser o mestre de ninguém…

Revês-te?

É uma altura de tua vida particularmente sensível. Daquelas alturas em que parece que se juntaram todas as dificuldades ao mesmo tempo. São contrariedades, depois situações que não dominas, parece que a insegurança ainda vem piorar mais este cenário. É profissionalmente e depois quando voltas ao lar, mais dificuldades, mais problemas, falta de comunicação, problemas de saúde…

É com os vizinhos, é com o trânsito e com os teus próprios tempos livres que em vez de serem os momentos onde costumas encontrar alguma paz, algum descanso, de repente reparas que parece mais um deserto de emoções.

Depois são dias após dias num tempo interminável de tal forma que muitas vezes estupefacto com os eventos tu pedes, pedes muito, pedes a um Deus, a uma Força Maior, pedes desesperado e repetidamente, pedes a tudo que te lembras, aos Anjos, a pessoas por quem tens fé, dia após dia pensando; caramba! quando irá isto terminar? não aguento tanta desolação, tanto problema, tanta tensão… 

a saúde fica tomada por este sentimento de frustração por tanta infelicidade…

Passam mais uns dias, umas semanas e parece que já passou uma vida neste martírio repetido até que deixas inclusive de pedir, pedir misericórdia, pedir uma ajuda sobrenatural que seja, que te valha…

Ficas como que esquecido neste torpor, dia após dia, naquilo que parece um eternidade de tempo…


Depois a um dado momento, notas que algo parece diferente e nas mais pequenas coisas um brilho mais intenso, nos sabores, nos relacionamentos que deslizam que fluem, profissionalmente corre tudo melhor, de feição. 

Obtens reconhecimentos inesperados. Quando vais para relaxar, ainda só a pensar na ideia, agora sorris. 

Eis que sem saberes como, confirmas que tudo desanuviou como se duma tempestade emergisses ileso… 

a questão que coloco é a seguinte:

Fazes o mesmo de anteriormente… ou seja, diriges-te insistentemente ao teu Deus ou ao teu Absoluto, Natureza, Força Maior ou o que seja para agradeceres a graça enfim concedida, - ou esqueces?  

Esqueces até voltares a encontrar-te em dificuldades?


sexta-feira, março 14, 2014


A sabedoria de receber

Algumas pessoas têm uma grande capacidade para dar, para oferecer a outrem presentes variados. Capacidade de descobrir o de que o outro necessita e lhe providenciar, com presteza.

Mas, percebe-se, que alguns de nós temos dificuldade em receber o que nos é ofertado. Por vezes, em determinadas circunstâncias de nossas vidas, reagimos a certas dádivas, com quase intolerância: Detesto caridade alheia em meu favor.

Esquecemos de que o próprio Cristo, o único Ser perfeito que transitou pela Terra, não se furtou a aceitar o auxílio de um tal Simão, das bandas de Cirene, na África, a conduzir o próprio madeiro da crucificação.

Com certeza, como em todos os atos de Sua vida, aproveitou o ensejo para ensinar a sabedoria de receber. Ele dera tanto de Si, amor integral que era. Mas, naquela circunstância, exaurido pela perda de sangue após o suplício dos açoites e a coroa de espinhos, a noite indormida, a falta de alimento e de água, agradeceu com o olhar o auxílio do Cireneu.

E continuou caminhando, até o local do suplício.

Igualmente, expressou gratidão ante a dádiva de Verónica que, rompendo o cordão de isolamento dos soldados, chega até Ele e lhe enxuga a face ensanguentada e suarenta: deixou impressa Sua imagem no linho alvo.

Recordamos de uma professora que foi enviada a leccionar em uma escola na periferia. Ali, havia falta de tudo. A sala de aula era escura, sem pintura, de aspecto quase sombrio. As condições eram as mais adversas possíveis.

E os alunos eram filhos de homens e mulheres sem tecto, sem emprego, e tinham de si mesmos uma imagem depreciativa.

Ela chegou e fez a diferença. 

Convocou o marido, amigos, conhecidos, os próprios pais e organizou multidões. Conseguiu tinta e a escola ganhou cores festivas. Plantou flores para alegrar a entrada. E uma horta, para benefício dos alunos, que tudo recebiam entre a surpresa e a hesitação.

Jamais alguém os presenteara tanto. 

Eles estavam habituados a ter coisa nenhuma, rumando de uma para outra banda, seguindo os passos incertos dos seus pais. E agora, estava ali uma professora a lhes oferecer beleza, arte, conforto, carinho em todas as suas atitudes.

A maior alegria foi no dia em que ela, em tendo recebido o primeiro salário, adquiriu vários livros e os disponibilizou, montando pequena biblioteca, na sala de aula.

Livros didácticos, livros de histórias, livros coloridos, cheios de gravuras. Livros que enchiam os olhos e a mente! Aquelas crianças verdadeiramente os devoraram, folheando cada um como um tesouro inestimável.

A alegria delas enchia o coração da professora de felicidades.

A maior surpresa, contudo, foi quando começaram a chegar os presentes deles: uma flor colhida na estrada, a caminho da escola; um desenho, um cartão, uma frase rabiscada em pequeno pedaço de papel.

Era a sua vez de receber. E o fez, de forma admirável, redobrando-se em cuidados para com eles. E guardou cada um daqueles mimos, emocionada, pensando: 
Meu Deus, eles nada têm e me oferecem presentes.

A sabedoria de receber. Receber gratidão, um abraço, um aperto de mão, um envelope com certa quantia de que tanto necessitamos, um presente inesperado.

Pensemos nisso e recebamos com alegria o que nos ofertam amigos, conhecidos, desconhecidos, alguém que se sentiu tocado pela nossa acção, pela nossa vida, pela nossa dificuldade.


quinta-feira, março 13, 2014

As 3 dinâmicas da manifestação no Ser Humano

 1. A dinâmica da não consciência
 2. A dinâmica consciente interna/externa
 3. A dinâmica integral


 A primeira dinâmica, da não consciência;


Dinâmica composta por elementos com características de maior densidade, maior gravidade, peso, etc. Tanto nos humanos como nos elementos presentes na natureza, as suas características mantém uma forte correspondência entre si e podem ser grosseiramente divididas em duas sub-características em contraponto, exemplo;


§  No extremo da base desta dinâmica - o mundo mineral, as pedras, os metais, os cristais, enfim materiais de maior densidade física, por consequência com quase ou total ausência de “consciência”. Sua natureza e atributos são um resultado de sua frequência ou emissão vibratória, com frequência circunscrita, lenta e menor abrangência, podem estes materiais entretanto deter excelentes propriedades condutoras, sendo inclusive  usados em inúmeros  aparelhos tecnológicos da actualidade, como baterias ou memórias de informação. Por iniciativa própria são incapazes de qualquer alteração ao destino que lhes foi preparado, submetidos até à extinção ou transformação energética. 

São identificáveis comportamentos humanos semelhantes a estes graus dinâmicos de manifestação verificados no mundo natural. Quantos humanos por exemplo, executam rotinas muitas vezes com elevada eficácia, sem colocar em questão porque o fazem? para que o fazem? quando o fazem?... afinal, apenas o fazem desde que se lembram... afinal, os avós e os pais assim o fizeram e esperam eles, muitas vezes os filhos o venham a fazer da mesma forma... senão...


§ No extremo topo desta dinâmica e de forma genérica, usando também uma analogia natural; o universo vegetal. Composto por organismos ainda algo rudimentares quando comparados com os organismos animais por exemplo, são bem mais desenvolvidos com os que lhe antecederam. Sua natureza caracteriza maior disponibilidade molecular, sua constituição celular mais sútil, sua emissão vibratória elevada ao ponto de possuírem muitos destes organismos movimento presenciável e detectável. Mais complexos, como no caso de algumas plantas, reagem aos ambientes externos, rodam, fecham, abrem, curvam, esticam. Suas estruturas já desenvolveram partes distintas responsáveis por funções distintas, a nutrição, a auto preservação, disponibilidade de esporos para reprodução da espécie, etc. Existem organismos vegetais que devido a sua complexidade e desenvolvimento celular, conseguem reagir em tempo perceptível ao olhar atento, como as plantas sensitivas que reagem ao toque ou as carnívoras que se encerram quando sentem uma presa. 

Também nesta dinâmica natural de manifestação é possível visualizar alguns dos comportamento humanos comuns. Nesta dinâmica o humano elevou a sua capacidade de executar cegamente uma tarefa, para o patamar da reflexão, ainda que não compreenda muito bem porquê, no seu intimo já não acha estranho dispor-se a agir de acordo com os seus interesses, suas necessidades, suas conveniências.  

A segunda dinâmica, a consciente interna/externa; 

É uma dinâmica de manifestação que está para o reino animal como está para a relação do ser humano com sua natureza biológica. As suas características são rápidamente detectáveis e representadas pelos sentidos inatos presentes nos animais, na sua morfologia. Características avaliadas internamente, que muito contribuem pela forma como o sujeito se manifesta externamente, o que lhe acaba por dar um certo cunho de previsibilidade. Especificamente nos humanos este nível interno especializou-se no que são as dinâmicas presentes à constituição do ego, da personalidade, do processo mental. As dinâmicas internas fruto de pressões manifestadas externamente, são responsáveis ao nível energético por um tipo de vibração rápida mas ainda gravitacionalmente “agarrada” à sua portabilidade consciencial ou relacional. A sua dinâmica de característica híper estimulada que em resultado se origina, nutre os diversos corpos do ego e em seu auge, à obtenção mais ou menos consciente, da capacidade de captar ressonâncias astrais. É um tipo de híper-sentidos resultantes da vibração de uma dinâmica de manifestação de aspecto dual, interno e externo. Tem os humanos tradição em atribuir causas sobrenaturais a estes estados de consciência transitórios e seus fenómenos, erradamente quanto à sua sobrenaturalidade. É um fenómeno puramente natural e decorre de um relacionamento vibratório que em sede de ego, expande extraordinariamente oscilando desarmoniosamente em seu eixo dual


Existem muitos humanos que apresentam comportamentos uma vez mais, similares a estes processos, um exemplo pode considerar-se aquele humano que em determinado momento defende com unhas e dentes uma situação, mas que a outro momento já defende o contrário, igualmente com muita convicção. Ou aquele ainda que defende ambos os lados em simultâneo, para situações diversas. Eis aqui um comportamento algo típico do estado do que antecede o inicio de uma iniciação. Existe muita abertura, muita flexibilidade, pouca disciplina e dispersão que baste. Grande abrangência, pouca elevação. É difícil impedir a inconsistência dos factos manifestados, apesar de literalmente "já se assistir de 1º balcão à peça".



3. A terceira dinâmica, a integral;


 A dinâmica de manifestação característica ou fruto de estados vibracionais incomuns. Antropologicamente está associada a fenómenos da para-normalidade, por sua vez associados a super-humanos, se bem ser apenas o resultado de uma integração dirigida, constante, propositada e intencional de elementos, de agentes de modificação, de estados aceleradores de consciência, naturalmente observados, como agregadores de um eixo ou centro único.  

São as dinâmicas da manifestação humana no plano da existência ao serviço de uma interminável sede de conhecimento e observação do plano existencial, mas crescentemente com a intencionalidade da correcção de trajectórias, seja pela compreensão prática ou simbológica, dos factos manifestados sobre seu eixo.


Nesta dinâmica de manifestação o humano elege-se em oferenda às experiências de vida em que se vê imerso como se fosse um conteúdo. Não interfere propositadamente com o curso da natureza sempre que possível, sendo que procura de igual forma e intensidade compreender o rumo desse mesmo curso e em última e mais importante análise, aceite pacificamente e reforçadamente não saber para onde se dirige. Sabe que o seu objectivo não se resume num fim, mas sim num meio. Eis o seu instrumento de trabalho, o meio de... 


Compreende a necessidade da disciplina que a liberdade contém, mas não defende a necessidade de estratificar suas experiências, focando muito mais senão inteiramente sua própria experiência de vida em todos os seres que o rodeiam e todo o ambiente que o envolve e interpenetra, sempre com uma atitude elevadora, altruísta, filantrópica, integradora e espiritual.


É a dinâmica de manifestação integral ensinada por humanos entendidos como Avatares, Santos, Sábios, Guias ou Mestres da Humanidade. É uma dinâmica sem estática, universal, cósmica, onde o humano pela experiência vibracional harmoniosa a que se submete em seu relacionamento integral, se relaciona com o todo, com o colectivo inconsciente de sua própria  génese. Intervindo incólume em sua própria trajectória, opera ao nível celular alterando significativamente mais rápido sua espiral consciencial, integrando ao nível energético planos de manifestação de energia superiores, dissipando em consequência corpos de ilusão do ego para se fixar gradualmente seja no corpo búdico ou crístico, em última instância o espírito santo.  


Pai Deus do Universo, Filho Homem Deus imanente, Espírito Santo manifestação da comunhão perfeita do Filho com Pai

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

A ilusão não existe

Tudo o que existe é indissociável da Força Divina

Ilusão não existe. Ilusão aparenta existir.


Ilusão não é pertença de Deus, não se auto sustém.

A ilusão para que se manifeste tem que ser retroalimentada, já que não possui meios de auto subsistir à erosão da manifestação.

A ilusão ainda assim é a frágil base de sustentação da maior parte da civilização actual. Daí a necessidade constante de manter em elevados níveis a competição entre as partes, para que desta desarmonia, desta fricção mais ou menos controlada possa derivar energia suficiente para que o sistema se sustenha à custa das colisões entre os seres.  

A forma institucionalizada é claramente dependente de fontes de energia para que todas as suas instituições e leis funcionem e façam sentido. 

É um sistema que funciona enquanto literalmente possuir forma de vida, fontes de energia, que possam conscientemente ou não, colaboradamente ou não, sob qualquer pretexto estar ao serviço e ao empenho desta organização de náufragos, em que para não desaparecer é necessário criar constantemente dinâmicas ilusórias, mas que permitam distrair e manter cativas as fontes de sustentação da própria ilusão.

Assim tem sido o relacionamento da humanidade com a Natureza ao nível energético, onde se obtém para todos os fins conhecidos, sem uma preocupação em repor e em consequência se está a destruir o que é básico para manter a própria existência, a comprometer o futuro.

É de facto e em verdade, um suicídio ou homicídio à escala mundial.

É figuradamente comparável, àquele instrumento denominado de gaita-de-foles, que para produzir sons, melodias fantásticas, necessita ter seu fole sempre insuflado e com uma constante entrada de ar para compensar o ar que é expelido no decurso da emissão do som.

Ora o Universo e as leis de Deus, não funcionam desta forma.

São auto-suficientes e eternas.

O Universo não necessita de nenhuma intervenção, nem humana nem de nenhuma outra natureza que não seja a Divina, para que tudo funcione com o que lhe está determinado naturalmente.

Assim, é fácil verificar o quanto desde a sua origem, a humanidade se tem afastado de métodos considerados alinhados com a manifestação Divina ou Natural, para tentar impor suas regras perante o Universo e segundo a sua própria linguagem, ou seja a linguagem ilusória.

É certamente da defesa deste sistema que decorrem todas as desarmonias na vida das pessoas e na vida das sociedades ou seja, das relações das pessoas umas com as outras.

Daí tantas pessoas constantemente desnutridas, desenraizadas de sua natureza, como uns espantalhos de si mesmas, ávidas e sedentes tortuosamente dependentes da ilusão, de se alimentarem desta ilusão, algo que está na origem de um sistema vicioso e deletério de energia. 

Algo parecido com uma doença maligna, um vampirismo que impede as pessoas de buscarem alimento dentro de si mesmas, para à imagem dos vampiros necessitarem de vítimas que em resultado contagiam.

A manifestação de desaprovação da Divina natureza de onde deriva a energia destinada a herança da humanidade, já inicia a demonstrar-se pela graça e misericórdia Divina, como que a lembrar que cada um ainda é livre de escolher onde se quer fixar, onde quer residir e donde quer ir buscar alimento, sendo que ninguém mais poderá reclamar desconhecimento pelo seu próprio desrespeito ao seu Deus interior, à sua fonte sagrada de alimento e de vitalidade.

É um apelo da Natureza os actuais eventos climáticos, para que a Humanidade de cada um de nós se oriente para o seu centro interior de energia e dissipe o mais rapidamente possível, estes autênticos monstros conscienciais de energia deletéria criados pela ilusão colectiva, alimentados pela ilusão individual.

Que cada um seja herói de si mesmo, seja o seu mais forte defensor, o seu guia superior, no sentido de elevar a sua existência neste plano, para o plano da existência de Deus que habita em si e em Amor Fraterno



Paz sobre todas as fronteiras e vida eterna sob o olhar atento de Deus.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

MEDITAÇÃO

Costumas procurar reservar uma altura dia teu dia, ou da tua noite para a prática de um qualquer tipo de meditação. 

Sabes o bem-estar que essa prática te devolve. 

A base desse saber sabes ser segura dado que resulta de sua própria prática que ao consolidar-se perante uma força de vontade dirigida, constante e disciplinada, não de imediato mas ao longo do tempo se vai revelando.

Até aqui tudo é fácil reconhecer-se, incluindo as dificuldades naturais de desmembrar um ego mais ou menos incrustado, para se obter a recompensa da paz e do silêncio da autenticidade.

Um dia porém sob a julgada rotina de algo que não se domina ainda, apesar dos deslumbres que possam até já ter acontecido, pode acontecer não acontecer nada apesar de todos os esforços aplicados.

Surge então uma sensação de frustração pela "refeição" que outrora parecia garantida, e a fome do que já se teme perder cresce avassaladora.

Da paz que se julgou garantida, retorna uma inquietação que se julgava impossível...

Quando tal acontecer é um sinal recebido desde a origem dos teus anseios, que te está a informar que a tua pratica de meditação, tem agora que crescer...

Tem agora que sair desse espaço que lhe consagraste e invadir impiedosamente para lá das fronteiras seguras da sua prática controlada.

Quando isso te acontecer é porque a tua meditação nessa altura, nesse dia, nesse momento ou nessa vida até.... é para ser respirada desde o sopro que agora acontece até ao teu último sopro que não sabes quando irá acontecer...

Quando não consegues meditar tranquilamente tua prática conhecida, é porque a tua meditação deseja transpor fronteiras que tu próprio julgavas não existir, mas que te mantém refém de alguma forma.

Nessa altura, não te reúnas ao dia nem à noite sem a trazer contigo, essa meditação que agora se transforma e te transmuta, em algo que bem podes comparar a um salto mortal no escuro, para que não te assustes...

Boas Meditações.









quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Meu irmão, meu ídolo (José Augusto)

Ainda não sei falar... Não através das línguas tradicionais do mundo, mas acho que você me entende, não entende?

Acho que você compreende, quando o observo com atenção, correndo ao meu redor, e meus olhos brilham, meu sorriso nasce e minha gargalhada ressoa por toda casa.

Só para você eu sorrio assim pois, de alguma forma, acho que me lembro de você, e essa lembrança me traz paz, me traz segurança, me traz alegria.

Sim, alegria. Você tem me ensinado muito sobre ela, pois nunca vejo você triste. E saber que esta nova vida pode ser assim, alegre, me deixa mais tranquila perante os desafios que terei de enfrentar.

Você é maior do que eu, chegou antes neste lar, e me contaram que estava lá para me receber quando cheguei.

Você é grande e já fala tantas coisas! Às vezes não para de falar, inclusive.

Eu fico tentando imitá-lo, vendo os movimentos de sua boca, de seu rosto. Acho que já estou começando a entender alguns sons, embora seja difícil para mim ainda.

Você pula para lá e para cá e eu já pulo com você.

Você dança com as músicas e eu fico observando os seus pés, atentamente, para ver os movimentos engraçados que eles fazem, pensando: Será que os meus podem fazer o mesmo?

Estou tentando andar... tenho me esforçado muito, pois meu tempo é um pouco diferente do das outras crianças, e você é minha maior inspiração, pois você anda de um jeito muito engraçado e veloz.

E você tem paciência comigo... não me compara, não exige de mim mais do que consigo neste momento. Sabe que conseguirei fazer tudo, mas no meu ritmo. Não tenho pressa.

Você escolhe os videozinhos que eu mais gosto, você assiste comigo filmes que não assistia mais, por não serem para a sua idade. Você é calmo comigo... e eu preciso que tenham calma comigo.

Você não reclama quando eu quase arranco seus cabelos ou seu nariz ou suas orelhas... Você nunca protestou por eu pegar seus brinquedos e jogá-los para cima, fazendo bagunça em seu quarto.

Acho que todos tinham que ter um irmão mais velho como você! Você é o máximo! Suas baterias duram mais do que qualquer um dos meus brinquedos!

E eu sei que você não vai dormir sem antes vir se despedir de mim... Eu sinto, mesmo quando já fui para o mundo dos sonhos.

Meus pais disseram que você vai estar sempre ao meu lado, e eu acredito nisso, pois sinto, de alguma forma, e não sei explicar ainda, que já ouvi isso antes.

Meu irmão, meu ídolo, que possamos crescer juntos nesta nova vida, de mãos dadas, pois segurando em suas mãos, não terei nada a temer.

*   *   *

Os laços de família são fortalecidos pela reencarnação.

Os espíritos formam no espaço grupos ou famílias, unidos pela afeição, simpatia e semelhança de tendências. 

Felizes por estarem juntos, procuram-se. A encarnação apenas os separa momentaneamente, pois, após sua volta à erraticidade, reencontram-se como amigos que retornam de uma viagem.

Às vezes, uns seguem a outros na encarnação, reunindo-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, trabalhando juntos para seu mútuo adiantamento.

Os mais adiantados procuram fazer progredir os que se atrasam.

Cada vez menos ligados à matéria, seu afecto é mais vivo, por isso mesmo mais puro, e não é mais perturbado pelo egoísmo, nem pelo arrastamento das paixões.

Podem, assim, percorrer um número ilimitado de existências corporais sem que nada afecte sua mútua afeição.

Redacção do Momento Espírita,com pensamentos finais do item 18, do cap.4,do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 4.2.2014

Ponte da vida


Uma companhia de seguros aliou-se ao governo da Coreia do Sul para começar uma campanha publicitária específica, numa das pontes mais importantes de Seul, a capital, que, assim, transformou-se de ponte da morte em ponte da vida.
A Coreia do Sul é um dos países com maior taxa de suicídio do mundo, e a Ponte Mapo registava média de vinte e uma mortes por ano.

Para solucionar o grave problema, o governo estudava duas alternativas: construir um muro ou fechar a ponte.

Até que surgiu uma terceira alternativa: realizar uma campanha publicitária a favor da vida, de tal modo que mensagens fizessem com que as pessoas pensassem duas vezes, antes de tomarem a medida extrema do suicídio.

A Companhia Corretora de Seguros criou parceria com publicitários, psicólogos e activistas de prevenção ao suicídio, para que frases inspiradoras fossem criadas.

Na sequência, painéis luminosos de led com sensores foram instalados ao longo de mais de dois quilómetros, fazendo com que eles acendam, conforme os transeuntes caminham pela ponte, possibilitando que as pessoas leiam frases como:

Vá ver as pessoas de quem você sente saudade.

Os melhores momentos da sua vida ainda estão por vir.

Como você gostaria de ser lembrado?

A campanha teve início em Setembro de 2012. Até Dezembro do mesmo ano, ou seja, no período de três meses, a taxa de suicídio na ponte diminuiu 85%, merecendo a campanha premiação especial do conhecido Festival Internacional de Cinema de Cannes.

*   *   *

Embora a campanha possa ter, inclusive, um pendor comercial, como afirmam alguns, considerando o envolvimento de uma corretora de seguros, o que ressalta é o efeito: muitas mortes voluntárias foram evitadas.

E isso é o que mais importa: a demonstração de que um ser humano se preocupa com outro ser humano, seu irmão.

O suicídio é dos mais graves delitos que o ser humano possa praticar. Diz, com sua atitude, que despreza a vida que a Divindade lhe conferiu e joga fora a oportunidade de crescimento individual.

Insurge-se contra o Criador Supremo, cortando, de forma voluntária, o fio da existência.

Se você está a ponto de atentar contra a própria vida, pense um pouco: O que está acontecendo que o faz alimentar esse desejo?

*   *   *

Se você perdeu o amor, o emprego, uma oportunidade preciosa, pense que nada melhor do que aguardar um pouco mais, porque tudo passa.

O escuro painel da desesperança que hoje sombreia as suas horas, logo mais se dissipará.

Pense que após a escuridão da noite, sempre surge a gargalhada da esplendorosa madrugada. E, logo mais, o sol, as cores.

Portanto, deixe que as horas da noite se escoem, aguarde a madrugada risonha e se permita viver o alvorecer de um novo dia.

Tudo se modifica rapidamente: o clima, as situações, as dificuldades, os problemas.

Aguarde o amanhã, confiante. Não abandone a vida hoje. A esperança se encontra à janela, sorridente, aguardando seu olhar.

Pense nisso. A vida, por mais rude, merece ser vivida em plenitude, dádiva do Pai amoroso e bom.

terça-feira, dezembro 03, 2013

PETER GABRIEL - SECRET WORLD LIVE [COMPLETE CONCERT]


This music is a true transportation to a magical world of beauty and hope. Thanks - for it is good medicine for the soul...

terça-feira, novembro 26, 2013

A DESCOBERTA DA BONDADE FUNDAMENTAL

- SEGUNDO CHOGYAM TRUNGPA,AUTOR DO LIVRO SHAMBHALA : A TRILHA SAGRADA DO GUERREIRO

A Descoberta da Bondade Fundamental

No livro Shambhala: a trilha sagrada do guerreiro, Chögyam Trungpa nos conta que o caminho para a auto-estima e o apreço ao mundo passa pela meditação. Confira um trecho do livro a seguir:

Grande parte do caos que existe no mundo deve-se ao fato de que as pessoas não se auto-valorizam. Como jamais desenvolveram o sentimento de benevolência ou empatia por si mesmas, não conseguem experimentar o sentimento de paz ou harmonia interior, e por isso o que projectam para os demais é igualmente desarmónico e confuso.

Em vez de valorizarmos a vida, frequentemente julgamos nossa existência como algo garantido, algo que não exige maiores preocupações, ou a consideramos um fardo pesado e deprimente. Há pessoas que ameaçam suicidar-se porque não estão recebendo da vida o que acreditam merecer. Algumas transformam a ameaça de suicídio em chantagem, dizendo que se matarão se certas coisas não mudarem.

É preciso levar a vida a sério, sem dúvida, mas isso não significa exasperar-se, chegar à beira da crise queixando-se dos problemas e alimentando rancor contra o mundo. Temos de aceitar a responsabilidade pessoal pela elevação de nossas vidas.

Quando uma pessoa não se condena, quando não se inflige punições, quando relaxa um pouco mais e valoriza seu corpo e sua mente, ela começa a ter contacto com a noção básica de bondade fundamental existente nela.

Por isso é extremamente importante a disposição para abrir-se a si mesmo. Cultivar ternura por nós mesmos permite-nos enxergar com clareza tanto os nossos problemas como as nossas potencialidades; não nos sentimos compelidos nem a fechar os olhos aos problemas, nem a exagerar nosso potencial. Esse tipo de carinho e auto-estima é indispensável. É o ponto de partida para nos ajudarmos e ajudarmos aos outros.

Como seres humanos, possuímos uma base de trabalho que nos permite elevar nossa condição existencial e nos tornar plenamente animados. Essa base de trabalho está sempre ao nosso alcance. Temos a mente e o corpo, e eles nos são muito preciosos.

É por termos a mente e o corpo que somos capazes de compreender o mundo. A existência é maravilhosa, é algo precioso. Nenhum de nós sabe por quanto tempo viverá. Logo, enquanto estamos vivos, por que não usar a vida? Mais ainda, antes de usá-la, por que não lhe dar valor?

Como descobrir essa forma de apreço? 

Desejá-la na imaginação ou simplesmente falar sobre o assunto não ajuda. Na tradição de Shambhala, a disciplina para desenvolver tanto a auto-estima como o apreço pelo mundo é a prática de sentar-se em meditação. A prática da meditação foi ensinada pelo Buda há mais de 2.500 anos e desde então faz parte da tradição de Shambhala.

Está baseada numa tradição oral: desde a época do Buda essa prática vem sendo transmitida de um ser humano a outro. Assim, manteve-se como tradição viva, de modo que, embora seja uma prática antiquíssima, continua actual. Neste capítulo vamos abordar com algum detalhamento a prática da meditação, mas é importante lembrar que, para compreendê-la plenamente, é preciso receber orientação directa e individualizada.

Por meditação, entendemos aqui algo básico e muito simples, não vinculado a nenhuma cultura em particular. Estamos falando de um ato simplesmente fundamental: sentar no chão, adoptar uma boa postura e cultivar o sentimento de termos um espaço próprio, de termos nosso lugar na terra.
Esse é o meio de nos redescobrirmos e de redescobrirmos nossa bondade fundamental, o meio de entrarmos em sintonia com a genuína realidade, sem nenhuma expectativa, sem nenhum preconceito.

Às vezes a palavra meditação é empregada para designar a contemplação de determinado tema ou objecto: medita-se sobre isto ou aquilo. Meditando-se sobre uma questão ou sobre um problema, pode-se achar a solução para eles. A palavra também está ligada à busca de uma condição mental superior, através de algum tipo de estado de transe ou absorção.

Mas aqui nós falamos de um conceito de meditação completamente diferente: a meditação incondicional, sem nenhum objecto ou ideia fixados na mente. Na tradição de Shambhala meditar é simplesmente treinar nosso ser para que a mente e o corpo possam estar sincronizados. Através da prática da meditação podemos aprender a ser absolutamente autênticos, sem dissimulação: podemos aprender a viver plenamente.

A vida é uma viagem sem ponto final; é uma grande rodovia que se estende infinitamente no horizonte. A prática da meditação fornece-nos um veículo para percorrer essa estrada. A viagem está cheia de altos e baixos, de esperança e medo, mas é uma boa jornada. A prática da meditação permite-nos vivenciar todas as texturas da estrada, e é justamente nisso que consiste a viagem.

Com a prática da meditação começamos a descobrir que, afinal de contas, não há em nós nenhum motivo fundamental para nos queixarmos de coisa alguma.

Damos início à prática da meditação sentando-nos no chão com as pernas cruzadas. Simplesmente pelo fato de permanecermos ali, no instante presente, começamos a sentir que podemos moldar nossa vida e até torná-la maravilhosa. Percebemo-nos capazes de sentar como rei ou rainha num trono. A majestade dessa situação revela-nos a dignidade que há em sermos tranquilos e simples.

Na prática da meditação uma postura recta é extremamente importante. Manter as costas erectas não é uma postura artificial. É a posição natural do corpo humano. O estranho é justamente o contrário. Uma postura descuidada, com ombros caídos e costas recurvas, impede-nos de respirar de forma adequada, além de ser um indício de que estamos começando a ceder à neurose.

Assim, ao sentarmos erectos estamos proclamando — a nós mesmos e ao resto do mundo — nossa disposição para nos tornarmos guerreiros, seres plenamente humanos.
Para ter as costas erectas não é necessário fazer força e obrigar os ombros a se levantarem; a postura erguida vem naturalmente do ato de sentar com simplicidade, mas também com altivez, no chão ou numa almofada própria para meditar. Logo, se as costas estão rectas, não sentimos nenhum vestígio de timidez ou constrangimento, e assim não há por que abaixarmos a cabeça.

Não estamos nos curvando a nada. Por isso os ombros automaticamente se endireitam, e nossa percepção da cabeça e dos ombros começa a ficar mais aguçada. Podemos agora deixar que as pernas repousem naturalmente na posição cruzada; não é necessário que os joelhos toquem o chão. Completamos a postura apoiando levemente as palmas das mãos sobre as coxas, o que nos dá uma sensação ainda maior de estarmos assumindo de maneira adequada o nosso lugar.

Nessa postura o olhar não se perde em passeios a esmo. Temos a sensação plena de estarmos ali e não em outro lugar. Os olhos permanecem abertos, mas o olhar se inclina ligeiramente e estanca a cerca de dois metros diante de nós. Não vagueia de um lado para o outro, o que fortalece a sensação de algo deliberado e bem-definido.

Essa postura real pode ser encontrada em posturas egípcias e sul-americanas, assim como em estátuas orientais. Trata-se de uma postura universal, não específica de nenhuma cultura ou época.

No dia-a-dia também devemos estar atentos à postura, à posição dos ombros e da cabeça, ao modo de andar, de olhar para as pessoas. Mesmo quando não estamos meditando podemos dignificar nossa existência. Podemos superar o constrangimento e ter orgulho de sermos seres humanos. Esse orgulho é aceitável e bom.

Assim, na prática da meditação, sentando-nos com uma boa postura ficamos atentos à respiração. Ao respirar, estamos inteiramente ali, verdadeiramente ali. Com a expiração nós saímos de nós mesmos, nosso fôlego se dissolve e logo em seguida a inspiração naturalmente acontece. Então saímos outra vez. Ocorre assim um constante “ir embora” com a expiração.

Ao expirar nós nos dissolvemos, nos difundimos. Logo depois a inspiração se produz, naturalmente; não precisamos tomar conta. Simplesmente voltamos à postura — e estamos prontos para mais uma expiração. Sair e dissolver-se: chuuu…; em seguida, voltar à postura; logo depois, chuuu…, e voltar à postura.

Haverá então um inevitável clique! — um pensamento. Nesse instante nós dizemos: “Pensando”. Dizemos mentalmente, não em voz alta: “Pensando”. Rotular assim os pensamentos é uma poderosa alavanca para retornarmos à respiração. Quando um pensamento nos afasta por completo do que estamos realmente fazendo — quando já não percebemos que estamos sentados numa almofada, mas nos vemos em Nova York ou San Francisco —, nós dizemos: “Pensando“, e assim nos trazemos de volta à respiração.

O tipo de pensamento na verdade não faz diferença. Na prática da meditação sentada todos os pensamentos, sejam eles escabrosos ou benfazejos, são vistos simplesmente como pensamentos. Não são nem virtuosos nem pecaminosos. Pode-se pensar em assassinar o próprio pai ou ter vontade de fazer uma limonada e comer biscoitos.

Por favor, não nos escandalizemos com nenhum pensamento que tivermos: qualquer pensamento é apenas pensamento. Nenhum deles merece nem uma medalha de ouro nem uma repreensão. Limitemo-nos a aplicar-lhes o rótulo — “Pensando” — e voltemos à respiração. “Pensando”, e voltemos à respiração.

A prática da meditação é muito precisa. Deve acertar exactamente no alvo. É um trabalho bastante árduo; porém, se nos lembrarmos da importância da postura, isso levará à sincronização entre a mente e o corpo. Sem uma boa postura, a prática será semelhante ao esforço de um cavalo manco para puxar uma carroça: nunca funcionará. Assim, primeiro é preciso sentar e assumir uma boa postura.
Em seguida, tem início o trabalho com a respiração: chuuu…, sair, voltar à postura; chuu…, voltar à postura; chuuu… Quando surge um pensamento, nós lhe aplicamos o rótulo — “Pensando” — e voltamos à postura, voltamos à respiração. A mente trabalha em conjunto com a respiração, mas o corpo se mantém sempre como ponto de referência. Não trabalhamos apenas com a mente. Trabalhamos com a mente e o corpo, e quando ambos trabalham juntos, nunca abandonamos a realidade.

O estado ideal de tranquilidade provém da vivência da sincronização entre o corpo e a mente. Se o corpo e a mente não estão sincronizados, o corpo perde vigor… e a mente se perde por um caminho qualquer. É como um tambor malfeito: o couro não está ajustado à armação, logo, ou a armação se quebrará ou o couro acabará cedendo. A tensão entre eles nunca se mantém constante.

Quando a mente e o corpo estão sincronizados, então, graças à boa postura, a respiração se produz naturalmente. E como a respiração e a postura trabalham juntas, a mente dispõe de um ponto de referência para orientar-se. Como consequência, a mente pode sair naturalmente com a exalação.

Esse método de sincronização entre a mente e o corpo nos ensina a ser muito simples e a sentir que não somos nada especiais — somos seres comuns, extraordinariamente comuns. Nós apenas nos sentamos, como guerreiros, e desse ato nasce um senso de dignidade pessoal. Estamos sentados na terra — e percebemos que essa terra nos merece e que nós merecemos essa terra.

Estamos aqui — pessoalmente, com plenitude e autenticidade. Na tradição de Shambhala, portanto, a prática da meditação é indicada para educar as pessoas a serem honestas e autênticas, fiéis a si mesmas.

Em certo sentido, deveríamos ter a sensação de carregar um grande fardo: o fardo de ajudar o mundo. Não podemos nos esquivar a essa responsabilidade para com os outros. Porém, se assumimos esse fardo como um prazer, podemos realmente liberar o mundo.

O meio é este: começar por nós mesmos. Sendo abertos e honestos em relação a nós mesmos, podemos aprender a ser abertos também para com os outros. Desse modo, partindo da bondade que descobrimos em nós, podemos trabalhar com o resto do mundo. Por esse motivo, a prática da meditação é vista como um bom meio — aliás, um excelente meio — de vencer a guerra no mundo: nossa guerra pessoal e as guerras em maior escala.

Chögyam Trungpa, Shambhala: a trilha sagrada do guerreiro.
Tradução de Denise Pegorim. Supervisão técnica e notas de Lincoln Berkley.

São Paulo: Cultrix, s.d., p. 37-44. Copyright 1984 by Chögyam Trungpa.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Impressionante GANDHI ...



Quando Gandhi estudava direito na Universidade de Londres tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi nunca baixou a cabeça e eram vários os seus recontros.


Um dia o professor estava a comer no refeitório e Gandhi sentou-se à mesma mesa. O professor disse-lhe:

- Senhor Gandhi, você não sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?


- Ok professor, já estou a voar… E mudou de mesa....

O professor, rubicundo, resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele respondeu brilhantemente a todas as perguntas. Então resolveu fazer-lhe a seguinte pergunta:

- Senhor Gandhi, indo o senhor por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a sabedoria e muito dinheiro. Com qual deles ficava?

- Claro que com o dinheiro, professor.

Ah pois, eu no seu lugar ficaria com a sabedoria…

- Tem razão professor, cada um ficaria com o que não tem!

O professor furioso escreveu na prova “Idiota” e entregou-a.
Gandhi recebeu a prova e sentou-se. Alguns minutos depois foi ter com o professor e disse-lhe:

- O professor assinou a prova, mas não pôs a nota…