terça-feira, setembro 22, 2015

COMO PODE ALGUÉM AJUDAR O SEU PAÍS.

Os dirigentes de um país estão continuamente expostos a críticas, à hostilidade ou à troça dos cidadãos. E por toda a parte, para divertir o público, nos bares, nos teatros, na rádio, na televisão, são feitas referências aos homens políticos em moldes ridículos e grotescos. 

Mesmo que, por vezes, haja razão para criticar e troçar, não será desta maneira que se irá levá-los a melhorar. 

Pelo contrário, atormentando-os com pensamentos e sentimentos negativos não só não se consegue nada, como ainda se cria no invisível as condições favoráveis para que eles cometam ainda mais erros e tomem decisões cada vez menos luminosas para o país. 

Sim! Como vedes, esta questão leva-nos muito longe. 

Assim, se quereis verdadeiramente ajudar o vosso país, em vez de praguejardes constantemente contra aquele que está à sua cabeça, enviai-lhe luz, a fim de que ele seja inspirado. Não podeis ajudar o vosso país todo porque ele é imenso, mas basta que ajudeis um homem, um só; é mais fácil, e ele fará bem a todos porque muitas coisas dependem de si. 

Se ele conseguir fazer aprovar leis sociais a favor da saúde pública, da habitação, da instrução, etc., todos beneficiarão, porque um só foi bem inspirado. 

Os cidadãos de um país devem tomar consciência, finalmente, das ligações que existem entre eles e os seus dirigentes. Não basta exigir isto e reclamar aquilo, é preciso aprender a conhecer os métodos mais eficazes para se obter o que se deseja, sem desencadear consequências ainda piores. 

Vós sabeis que a sabedoria dos povos se exprime frequentemente por contos. 

Há um que narra a história de um reino onde só aconteciam epidemias, fomes, tumultos. O rei, não sabendo o que fazer para remediar todas aquelas desgraças, mandou vir um sábio, e este disse- lhe: «Majestade, és tu a causa de todas as desgraças do teu reino. Vives na devassidão, és injusto, cruel, e por isso as catástrofes não param de cair sobre o teu povo.» Em seguida, o sábio apresentou-se diante do povo e disse-lhe: «Se sofreis, é porque o merecestes; pela vossa maneira insensata de viver, atraístes um monarca que causa a vossa infelicidade.» Eis como os sábios explicam as coisas. 

Quando os cidadãos de um país decidem viver na luz do espírito, o Céu envia-lhes governantes nobres e honestos que só trazem bênçãos; mas, se uma nação tem dirigentes que dão livre curso aos seus piores caprichos a expensas do povo, bem, aí é preciso que o povo tome consciência de que tem uma parte da responsabilidade. 

E depois, por que se há de querer sempre que as soluções venham dos outros, por mais altamente colocados que eles estejam? 

Por que se há de esperar que sejam sempre os outros a começar a trabalhar para melhorar a situação? 

Na vossa opinião, são sempre os outros que devem fazer esse esforço; mas por que haveriam eles de o fazer? 

Eles agem como vós, esperam que sejais vós a esforçar-vos primeiro, e isso pode durar eternamente. Então, decidi-vos vós, finalmente, a agir. 

Alguns perguntar-me-ão: «Mas o que é que está a aconselhar-nos? Quer que façamos uma carreira política?» 

Para mim, a questão não reside nisso. 

Quando eu falo de trabalho útil para a sociedade, subentendo em primeiro lugar um trabalho interior que cada um deve fazer sobre si próprio e que é sempre indispensável, quer a pessoa se lance, quer não, numa carreira política. 

A única actividade realmente importante na vida é tornarmo-nos mais lúcidos, mais generosos, menos interesseiros, mais senhores de nós próprios. 

Direis vós: «Sim, mas, se seguirmos esses conselhos, se fizermos esse esforço para nos aperfeiçoarmos e nos reforçarmos, as condições no mundo são tais que ficaremos a um canto, ignorados, obscuros, privados de todos os meios de acção.» Que sabeis vós a esse respeito? 

Se vos tornardes verdadeiramente capazes de manifestar as virtudes do espírito, mesmo que não conteis com isso, os outros recorrerão a vós como conselheiros, como guias. Se isso ainda não aconteceu é porque não o mereceis, é porque ainda não estais preparados para tal. 

É preciso aprender a contar com os poderes do espírito; é nisso que se vê o verdadeiro espiritualista. 

Quando se trata só de falar, muitas pessoas poderão dizer-se espiritualistas, farão discursos intermináveis sobre a reencarnação, a aura, as hierarquias dos anjos, mas não será isso que as ajudará a resolver os problemas da sociedade. 

Só se poderá resolver os problemas da sociedade se se fizer continuamente um esforço para despertar em si os poderes da vontade, do bem e da luz. 

quarta-feira, setembro 16, 2015

Aprender com o silêncio.....


"Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafectos. 

Aprenda com o silêncio a aceitar alguns factos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, a evitar reclamações vazias e sem sentido. 

Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido.

Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores. 

Aprenda com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo.

Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar. Como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa.

Aprenda com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir, e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. 

Aprenda com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares.

Aprenda com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo, e o Santuário que é a sua vida. 

Aprenda hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar. Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença.

Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.

Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este tem-se confundido com prepotência e violência.

Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol que nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.

Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude. 

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.

O oxigénio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença. 

A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, actuam com a suavidade de uma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física.

Quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência. 

A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder. 

Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais perfeita quietude e benevolência.

Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos homens nem percebe a Sua acção.

Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza. 

Até mesmo a morte chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência. “Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra”. “Boa Terra em teus pés, Água o bastante em tua semente, bom Vento para o teu sopro, Fogo em teu coração e muito Amor em teu ser”.

“O êxito ou o fracasso de sua vida não depende de quanta força você põe em uma tentativa, mas da persistência no que fizer.”

E em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe uma vida vitoriosa. Desejo Paz e Silêncio para você."

Jean-Yves Leloup

segunda-feira, setembro 14, 2015

Casamento feliz

Qual o segredo para um casamento feliz?

Todo relacionamento é desafiador. Quanto mais íntimo se faz, mais dedicação nos exige.

Assim, a vida a dois, o compartilhar a nossa existência com outrem, demanda empenho e atenção.

Porém, será possível entender quais as melhores virtudes para construir um casamento feliz?

Se a paixão inicial, e logo em seguida o amor, são factores indispensáveis, haverá outros valores que necessitam permear a relação?

Pensando nisso, dois psicólogos americanos, John e Julie Gottman, fizeram um estudo com casais para entender o sucesso ou fracasso de um casamento.

Analisaram o comportamento de cento e trinta casais, como eles se relacionavam, como reagiam entre si, em atitudes corriqueiras, como cozinhar, limpar a casa, fazer as refeições.

Baseados em suas percepções, os pesquisadores classificaram os casais em dois grupos básicos.

Passados seis anos, os psicólogos voltaram a analisar os mesmos casais.

Perceberam que os pertencentes ao primeiro grupo continuavam casados e felizes.

Porém, aqueles que foram classificados no segundo grupo, ou estavam separados, ou permaneciam juntos, porém, infelizes.

Ao analisar as causas de sucesso do primeiro grupo, o casal Gottman percebeu que duas virtudes preponderavam na vida desses casais: a bondade e a generosidade.

Os psicólogos perceberam que, a longo prazo, torna-se fundamental e significativo que nas acções diárias, mesmo nas mais corriqueiras, a generosidade e a bondade estejam presentes.

Por exemplo, a esposa se atrasa para um compromisso porque despendeu um tempo maior se arrumando.

A reacção do marido poderá ser a de brigar, resmungar e reclamar que ela sempre se atrasa, que nunca consegue cumprir horários. Ou ele poderá perceber nisso um zelo e cuidado dela para se apresentar em sua companhia, de um jeito especial e da melhor forma.

Se o marido vai ao supermercado e esquece a compra de alguns itens, trazendo metade do relacionado, a esposa pode reclamar, dizer que ele não dá valor às coisas da casa, chamá-lo de distraído e descuidado. Ou ela poderá lhe agradecer por ter ido ao supermercado, e apenas refazer a lista com o que faltou.

São nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor.

Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez.

Assim, em nome do casamento que elegemos para nós, analisemos quanto de bondade e generosidade temos para com nosso cônjuge.

Frente à resposta ríspida, utilizemo-nos da bondade da palavra suave e compreensiva.

Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha.

Pensemos nesses detalhes.

quinta-feira, setembro 03, 2015

S. Tomás de Aquino

 «Quem tropeça no caminho, por pouco que avance, sempre se aproxima da meta; quem corre fora dele, quanto mais corre mais se afasta da meta»

sexta-feira, julho 31, 2015

Apatia‏

Olhando só para o chão, percebeu apenas o movimento das sombras sem cor.
Sem coragem de olhar para o céu, deixou de ver o voo azul das borboletas.
*   *   *
Apatia é doença da alma. Congela a vontade, paralisa os movimentos, faz-nos estátuas vivas. Vivos-mortos que perdem o sentido de viver, que cedem ao automatismo dos dias, que adquirem visão monocromática de tudo e de todos. Indiferença. Os apáticos sofrem do vício da indiferença.

Acostumaram-se com as notícias ruins, as desgraças, os flagelos destruidores, e tais fatos nem mais lhes tocam o coração. Não são capazes nem de enviar bons pensamentos às vítimas.

Uma prece? Não. Prece é coisa de religioso fanático. – Dizem ou pensam.

Acostumaram-se com o jeitinho, esquecendo que tal maneira de negociar ou resolver as questões é apenas corrupção disfarçada. Acostumaram-se com as lágrimas dos outros e elas não mais os emocionam. Foram obrigados a represar suas emoções. Expressar emoções é para os fracos. – segredam. Acostumaram-se com o mal... inacreditavelmente.

*   *   *

Acostumamo-nos a olhar mais para o chão do que para o céu, esta é a verdade, e depois de um tempo nem achamos o chão tão mau assim...

Isso é gravíssimo, pois se perde a referência de algo melhor, de algo maior, e todos precisamos mirar alto para poder crescer.

A apatia nos aprisionou em estruturas de pensamentos absurdas, nos aprisionou à falta de emoções e em comportamentos robóticos insensíveis.

Ela nos fez pensar que não somos capazes de mudar nada, que tudo sempre foi assim, que a Humanidade não tem jeito e que nosso futuro é desesperador.

O apático é alguém que perde a batalha antes mesmo de enfrentá-la.
*   *   *
Elimina do teu vocabulário as frases pessimistas habituais, substituindo-as por equivalentes ideais.
Não digas: "Não posso"; "Não suporto mais"; "Desisto".

Faze uma mudança de paisagem mental e corrige-a por outras: "Tudo posso, quando quero"; "Suporto tudo quanto é para o meu bem" e "Prosseguirei ao preço do sacrifício, para a vitória que persigo".

A apatia é doença da alma, que a todos cumpre combater com as melhores disposições. Na luta competitiva da vida terrestre, não há lugar para o apático.  Receando o labor bendito ou dele fugindo, mediante mecanismos de evasão inconsciente, a criatura se deixa envenenar pela psicosfera mórbida da auto-piedade, procurando inspirar compaixão antes que despertar e motivar amor.

Reage com vigor à urdidura da apatia, do desinteresse.

Ora e vence o adversário sutil, que em ti procura alojamento, utilizando-se de justificativas falsas. A lei do trabalho é impositivo das leis naturais que promovem o progresso e fomentam a vida.

Não é por outra razão que a tradição evangélica nos informa: “Ajuda-te e o céu te ajudará”, conclamando-nos à luta contra a apatia e os seus sequazes, que se fazem conhecidos como desencanto, depressão, cansaço e equivalentes.

com base no poema Apatia, de Adélia Maria Woellner, e no cap. 35, do livro Alerta, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco

Defendam os direitos dos Animais


quinta-feira, junho 18, 2015

+ como Tu...

Estou convencido que assim comecem a surgir entre nós mais como Jesus, que o mundo acelerará de forma irretornável, para um clima crescente de paz, segurança e fraternidade entre os povos.

E não será mais preciso, para alcançar estes patamares de enorme evolução humana e civilizacional, nenhum tipo de suplicio ou enorme sacrifício. 

Esse esforço já está cumprido. Assumiu-o voluntariamente o próprio Mestre Jesus enquanto esteve cá entre nós fisicamente, no suplicio e martírio a que foi sujeito apesar de inocente e que resultou na entrega de sua própria vida pela remissão dos nossos pecados seja, pelo carma pesado que teríamos todos ainda que superar, para absorver os profundos conhecimentos das maravilhas do Pai.

Reflexão que aponta para a importância essencial para cada um de nós usar a força da intenção dirigida, do pensamento direccionado, da oração, da meditação, para que estes fluidos benevolentes e curadores sejam um balsamo renovador num mundo presentemente tão acometido de injustiças, incompreensões e intolerâncias.

Orar seja no livre método de cada um, uma responsabilidade para si, para os seus e para aqueles que quando partirmos hão-de vir.

Assim Seja!

quarta-feira, junho 17, 2015

FORQ - Limax (Batch)

Dia Litúrgico: Quarta-feira da 11ª semana do Tempo Comum

Hoje fui sujeito a uma situação corriqueira. 

Numa fila de pessoas para atendimento num estabelecimento comercial uma pessoa com quem tinha estado a conversar sobre banalidades, mas também sobre um certo teor de certo e errado, ao entrar um seu conhecido na recepção aproveitou e mesmo depois de conversar comigo, utilizando-se dum ardiloso impulso, passou à minha frente com ar de grande naturalidade. 

Eu não quis levantar escândalo e freei meus impulsos, ainda perplexo pela atitude inesperada daquele que conversando amenamente comigo, estava agora a comportar-se lamentavelmente.

Quase imediatamente outro personagem preparava-se para fazer o mesmo. Não teve hipótese, já que levantei a voz chamando atenção para aqueles que já aguardavam à sua frente para serem atendidos. 

Percebi que a primeira personagem enquanto era atendida estava envergonhada do que fizera e ainda que me olhasse tentando conquistar simpatia, eu comportei-me como se ela deixasse de existir, apesar de antes ter estado a falar com ela descontraidamente. 

Por essa altura questionava-me se no momento de se retirar, ao cumprimentarmo-nos a iria repreender. Achei que ela tinha entendido e que já bastava, deixando o tema à sua própria consciência, preferindo ignorar o assunto.

O senhor acabou saindo sorrateiramente e eu nem lhe dignei um olhar de reprovação. Apenas o ignorei. Achei que assim ainda lhe tinha poupado uma vergonha porque se viesse despedir-se ia ser repreendido com certeza absoluta.

Resumo da forma como me senti em relação ao assunto mais tarde umas horas: 

Em primeiro lugar queria ter uma atitude de tolerância e acabei alimentando uma atitude de orgulho. Depois cuidei que ninguém escutasse em voz alta a falha do senhor em questão e acabei por certificar-me que ele ficasse como que confrontado pela sua imprudência. Afinal tudo que tentei fazer para que não lesasse o meu irmão acabou por ser transformado numa espécie de refinada tortura, para que ele ficasse marcado pela sua falha.
Julgamento, orgulho, Intolerância, soberba... grande fiasco... quando aprenderei????

Mais tarde uma horas, acabo cruzando com a seguinte passagem do evangelho:

Evangelho (Mt 6,1-6.16-18): «Cuidado! não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros, só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não mandes tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos outros.

Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita, de modo que tua esmola fique escondida. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa. 

»Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar nas sinagogas e nas esquinas das praças, em posição de serem vistos pelos outros. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa. 

»Quando jejuardes, não fiqueis de rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para figurar aos outros que estão jejuando. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os outros não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está no escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa».

-não consigo deixar de pensar.... que maravilhosa forma de ver a vida e suas complexas relações... que maravilhosos pensamentos... que nobreza de carácter... cada vez amo e admiro mais este maravilhoso homem, que foi Jesus de Nazaré...

terça-feira, junho 16, 2015

Dia Litúrgico: Terça-feira da 11ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 5,43-48): «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’Ora, eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! 

Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 

Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito».

quinta-feira, junho 11, 2015

Quando tudo parece contra nós

Qual seria o destino de toda aquela gente? As oficinas do campo de Auschwitz haviam sido fechadas. Também o barracão trinta e um, com suas quase quinhentas crianças.

O que se haveria de esperar agora? Falava-se de uma selecção que os temidos oficiais da SS realizariam. Dita estava cansada. A esperança parecia fugir de sua alma adolescente como areia fina entre dedos entreabertos.

Seu pai morrera, vítima dos trabalhos forçados, de fome e de enfermidade. Nenhum medicamento lhe fora providenciado, quando a febre começara a devorá-lo e a pneumonia lhe destroçara os pulmões.

Ela nem pudera estar perto dele para assistir seus últimos momentos. Seu corpo fora se juntar ao de tantos outros, que morriam, diariamente, no campo de extermínio.

Sua mãe parecia um farrapo humano, com os ossos rasgando a pele, tal a magreza. Piolhos, pulgas, mau cheiro, fome, muita fome. Ela não aguentava mais.

Vamos rezar. – Convidou Margit, a amiga.

Rezar? Para quem? - Explodiu Dita.

Para quem mais poderia ser senão para Deus?

A raiva tomou conta de Dita. Há muito tempo tudo aquilo estava guardado dentro dela. Como um vulcão, ela expeliu a lava da sua amargura.

Centenas de milhares de judeus rezam a Deus, desde 1939. Ele não escutou ninguém.

Talvez não tenhamos rezado o suficiente, forte o bastante para que ele nos escute.

A amiga procurava os últimos fiapos de esperança, dentro de si, buscando apoio na companheira.

Ora, Margit. Deus sabe de tudo o que fazemos e não sabe que estão matando milhares de inocentes? Não sabe que outros milhares são mantidos como prisioneiros e tratados piores do que cães? Acha mesmo que Ele não sabe?

Embora a revolta que extravasava, Dita demonstrava que tinha certeza absoluta daquele Deus, cuja existência os pais lhe haviam ensinado.

Ele era omnipresente. Omnipotente. Por que não tomava uma atitude? Por que não fazia nada? Acaso os judeus não eram Seus filhos?

Não sei, foi a resposta de Margit. Sei que não se deve questionar Deus. Podemos ir para o inferno.

Não seja ingênua, Margit. Já estamos no inferno.

*   *   *
Ante as dores superlativas que nos visitam, por vezes, a desesperança nos abraça.

É que quando chega a madrugada, e as dificuldades do dia anterior voltam a nos assaltar, parece-nos que já não existe energia para fardo tão pesado.

É o momento do desespero. A oração parece perder sua força e seu poder.

Deus nos parece alguém distante e insensível. Alguém que talvez passeie pelos jardins do Éden, esquecido dos que padecem.

Jesus, na agonia da cruz, ante as dores que O dilaceravam, legou-nos o mais extraordinário ensino. Enquanto se debatiam os condenados, ao Seu lado, Ele orava ao Pai:

Senhor, concede o Teu perdão. Eles não sabem o que fazem.

Preocupava-se com os Seus irmãos.

E, sentindo se aproximar o momento da morte, rogou:

Senhor, em Tuas mãos entrego meu Espírito.

Nenhuma revolta. Nenhum desespero. Fortaleza na prece.

Aprendamos com o Modelo e Guia, porque, nesta Terra de tanta intranquilidade, tudo se finda.

Só o Espírito é eterno, indestrutível.

Pensemos nisso.


com base no cap. Julho de 1944, do livro A bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G. Iturbe, ed. AGIR.

sexta-feira, junho 05, 2015

Harmonizando sentimentos

Carlos tinha uma irmã. Toda vez que saía, ele precisava levá-la junto.

E Terry, no conceito do irmão, não era uma boa companheira para as brincadeiras. No jogo de bola, vivia deixando a bola cair.

No jogo de pique, ficava correndo à toa, parecendo folha que o vento carrega de um lado a outro. Enfim, ela não entendia as regras e fazia tudo errado.

Antes do Natal, ele foi ao Shopping Center para comprar um presente para a avó. Como sempre, Terry foi a tiracolo.

E como sempre, atrapalhou. Carlos se sentiu obrigado a comprar uma boneca boba, só porque ela não parava de dizer: linda, linda. E não queria sair daquele balcão.

De mau humor, quando Terry pediu para ir ao banheiro, ele simplesmente apontou a porta, ao fundo do corredor, e a deixou ir sozinha.

Ele a viu tropeçar duas vezes nos degraus. Ela estava toda alvoroçada por estar indo sozinha a um lugar.

Cansado de esperar, depois de dez minutos, considerando a irmã a pessoa mais lerda do mundo, foi procurá-la.

Mas ela tinha desaparecido. Estava perdida. Ele começou a subir e descer escadas. Andou por todos os corredores. Perguntou a pessoas. Nada!

O remorso começou a tomar conta dele. O que diriam seus pais? Com certeza, pensariam que ele fizera de propósito, para ver-se livre dela de uma vez por todas.

E se não a encontrasse nunca mais? Começou a lembrar do cartão de aniversário que ela lhe dera. Sua mãe lera vários cartões e ela escolhera um que dizia: Para o meu querido irmão.

Recordou de quantas vezes Terry enxugava a louça, no lugar dele, porque ela gostava.

Lembrou de como ela conseguia fazer o bebezinho rir, quando ele ficava irritado, por causa dos primeiros dentinhos.

Começou a chorar. E se alguém a estivesse maltratando? E se ela estivesse sozinha e apavorada?
Foi andando mais depressa. As lágrimas escorrendo pelo rosto.

E quase caiu em cima de Terry. Ela estava sentada no chão, com um garotinho no colo. A mãe dele fazia compras e logo elogiou o jeito dela para lidar com bebés.

Carlos teve vontade de gritar com a irmã, bater nela! Queria que ela soubesse o quanto ele tinha ficado assustado com a ideia de perdê-la.

Mas não fez nada disso. Somente deu-lhe um grande e apertado abraço.

Tomou-a pela mão e foram para casa. E descobriu que amava muito aquela irmã. Que ela era importante para a sua vida.

Hoje, ele tem um trato com sua mãe: Metade das vezes que sai para brincar com os amigos, ele vai com Terry. A outra metade, vai sozinho.

E toda vez que ela sai com ele, Carlos a leva com a maior boa vontade.

Este ano, quando Terry fez aniversário, Carlos lhe comprou um cartão com os dizeres: Para uma irmã maravilhosa.

E era de coração.

*   *   *

Ante as limitações de um filho, aprende a observar os demais. Na tua maturidade de pai ou mãe, auxilia-os a se entenderem e se amarem.

Explica ao saudável das carências do outro. Mas não lhe carregue os ombros com a incumbência total de atender ao irmão.

Lembra que, por vezes, ele mesmo pode estar se sentindo preterido pelas tantas atenções que o outro desperta.

Ajuda-o para que se amem, cresçam e conquistem louros da vida, juntos.
com base no livro Minha irmã é diferente, de Betty Ren Wright, ed. Ática.

quinta-feira, maio 14, 2015

2 passos atrás para dar 5 à frente

Em pleno clima de urbanos excessos, com a oferta a superar a procura em praticamente todas as áreas da vida quotidiana, ocorre-me reflectir como a expressão “ 2 passos atrás para dar 5 à frente” tem tanta actualidade.

Eis alguns dos incontáveis exemplos que se podem encontrar e que “desmontando” a questão poderiam ser por si só suficientes à desejada mudança de paradigmas disfuncionais, desactualizados e desarmoniosos.

- No estudo da espiritualidade, na instituição da Trindade, PAI – Absoluto Poder, FILHO – Absoluta Presença, ESPÍRITO SANTO – Absoluto Casamento, cabe ao Ser Humano manter equilíbrio entre estes três mistérios actuantes entre si. Qualquer excesso ou sobreposição de um deles abala de imediato o equilíbrio entre os restantes. O bom e eficiente entendimento destas três forças maravilhosas e actuantes, constitui a percepção da realização do caminho.

Assim, se o estudo se adianta demasiado à vivência é necessário parar de estudar para reunir atenção e energia no máximo aproveitamento das vivências. Aparentemente em relação ao estudo se estaria andar para trás quando na realidade isso é falso, pois essa aparente pausa, dinamiza a percepção das vivências, o que é absolutamente necessário para que o estudo se co-substancialize.

Inversamente demasiada vivência sem estudo, irá forçosamente acabar por desnutrir o candidato, pois que derramando-se sobre o plano continuamente sem nutrir o espírito, depois de o conduzir a uma banalidade vivencial, acabará exaurindo-lhe o sentido de caminho.

Saber parar a um determinado momento, ainda que socialmente se esteja imerso num padrão de adesão continua, além de ser um acto de coragem é inteligente e uma prova de autenticidade para com o próprio sistema, que idealmente deveria reflectir pessoas autênticas para a autenticidade em si mesmo.

Esta regra aplica-se a cada um de nós, em todas as áreas da nossa vida. Das mais elaboradas e subtis às mais básicas e primárias, porque é uma lei da Natureza e não dos homens.

Só por ser acessível toda quantidade de alimento, toda a variedade de alimento, não quer significar que tens que te alimentar a toda a hora, de todas as coisas, senão vais enfermarte.

Se a um dado momento te excedeste, seja porque outros o fizeram e tu achaste - porque não? Ou um outro motivo qualquer, - PÁRA! – Tu deves parar. Deves parar para desintoxicando o organismo, possas voltar a disciplinar os teus hábitos alimentares de acordo com o que te é mais adequado ou seja, para evoluíres e cuidares da tua saúde. 

Andar aparentemente para trás para poder andar para a frente.

A ideia irresistível pós-guerra e capitalista de que na nossa vida é “tudo estrada”, é um enorme engano promovido afim de alimentar um monstro insaciável, insustentável e destruidor.

É necessário cuidar do corpo e da Alma. 
Cuidando destes tem que se lhe dar um sentido, ou seja cuidar do espírito. 
Cuidando do espírito é necessário repensar tudo de novo. 
Repensando tudo de novo cresce-se reposicionando o objectivo, ilustrando o caminho. 

Tudo isto não nada vale  se não existir um destino… o Sal desta Alquimia…, é necessário a cada passo abrir as portas da fé em cada estágio de crescimento, é necessário dedicar amor e atenção ao entendimento por todas as coisas.

Existem muitos modelos, o modelo de Jesus é um modelo de Salvação. 

Alguns de seus atributos mais actuantes para nós são a humildade. Sem ela não tem o homem capacidade de reconhecer a necessidade dos demais. 

A caridade, sem ela não tem o homem a possibilidade de frutificar suas obras. 

A Fé, sem ela não tem o homem acesso ao seu cordão umbilical cósmico.

Enfim muito mais provém deste maravilhoso Mestre, e estudando suas parábolas, estudando seu proceder nos episódios conhecidos de sua vida, suas tribulações e seu amor pela humanidade, pode qualquer um de nós, sem se deslocar a nenhum lugar especial, nenhum grupo de pessoas especiais, conhece-lo intimamente e enriquecer a sua vida.

Jesus vive onde disse que o encontrariam, na tua família, entre os teus entes queridos, no cumprimento das tuas obrigações para com todos os irmãos e na solidão do deserto do teu coração.

Para quê procurar a Cristo, nos lugares onde tudo o que te oferecem não o pode trazer a ti.

És tu que tens que o Encontrar em ti.

Muitas vezes, é necessário parar. Dar mesmo um passo atrás, deixar cair projectos que cheios de boas intenções se tornaram um centro de vaidade para o ego, de ruína espiritual e de desvio de muitos irmãos desprevenidos. 

É necessário dar 2 passos atrás para dar 5 à frente.`


E isso só pode acontecer dentro de ti…

sexta-feira, maio 08, 2015

O Maior dos Profetas

Uma das obras mais célebres do Século XX, rapidamente traduzida para quase todas as línguas, é a Vida de Jesus, de autoria de Ernest Renan.

Em 1862, o autor foi nomeado professor de hebraico no Collège de France. O governo de Napoleão III suspendeu o curso, após a primeira aula.

Isso porque Renan chamara Jesus de Homem Incomparável. Um Homem acima de todos os profetas, ímpar, sem igual. Mas, um homem.

Para ele, a popularidade de Jesus procedia daquele amor raro que Ele oferecia a todas as gentes, um amor incondicional.

As pessoas não estavam acostumadas a esse tratamento. Acabavam se maravilhando e entregando suas próprias crenças ao serviço da Boa Nova apaixonante.

Também o discurso do Nazareno, de fácil compreensão, cheio de parábolas sábias e ilustrativas, soava aos ouvidos como o mais belo e convincente.

Eram palavras que prometiam uma nova vida, cheia de esperança e livre das dores humanas. Uma filosofia nunca dantes apresentada.

A vida de Jesus é verdadeiramente arrebatadora. Muito a respeito dessa invulgar personalidade já se escreveu.

Seus primeiros biógrafos, os quatro Evangelistas, O retratam como um homem fora do Seu tempo.

Nem poderia ser de outra forma. Conforme os ensinos dos Espíritos, Jesus é o único Espírito Perfeito que habitou a Terra.

Por isso, Suas acções, Seus ensinos extrapolam os conceitos da Humanidade que ainda não alcançou a excelência das virtudes.

Como pedagogo de excepcionais qualidades, Ele viveu o que ensinou.

Disse que se deveria oferecer ao agressor a outra face, ou seja, não revidar o mal recebido.

E, sendo traído por um dos Seus, para ele somente teve gestos de afecto. Quando recebe o beijo da traição, indaga: Amigo, a que viestes? Ou seja, o que você deseja? Por que vem a mim, na calada da noite, com soldados armados?

Senhor do Mundo, Se submeteu ao julgamento do procurador da Judeia, que estava muito mais interessado em manter a sua posição e o seu poder do que, verdadeiramente, julgar com imparcialidade e nobreza.

Tão verdadeiro é esse posicionamento que, mesmo não tendo encontrado nada que devesse ser punido naquele homem, lhe confere a sentença de morte.

E O manda executar da forma terrível que Roma reservava para os revolucionários, os que se erguiam contra o Império.

Contudo, o Pastor das Almas somente teve palavras de perdão. Em meio à agonia da cruz, roga ao Pai que a todos perdoe, pois que não sabem o que fazem.

O supliciado Se preocupa pelo futuro dos Seus algozes.

Arauto da Imortalidade, entregou o Espírito ao Pai, em lacónica mas profunda prece.

E, adentrando a Espiritualidade, retornou glorioso, demonstrando que a morte não Lhe destruíra senão o corpo físico.

Ele estava ali, triunfador da morte, testificando que a vida prossegue, que quem parte não esquece os que permanecem na Terra.

E, aparecendo no cenáculo a portas fechadas, fazendo-Se anunciar por vento brando; ou aguardando na praia os companheiros que vinham da pesca, demonstra estar vivo, presente, actuante.

Sim, tinha razão Ernest Renan ao apresentá-lO como um Homem Incomparável, o maior entre todos os Profetas: Nosso Mestre e Senhor Jesus.