terça-feira, novembro 24, 2015

UM SIMPLES GESTO

Muitas perturbações psíquicas e depressões graves têm como origem apenas a negligência, em pessoas que não souberam fazer o esforço de reagir imediatamente a certos mal-estares. 

Após uma decepção, um desgosto, um revés, elas deixaram-se submergir pouco a pouco pelo desalento até se tornarem realmente doentes. Poderiam muito bem nunca ter chegado a essa situação se tivessem procurado imediatamente mudar o seu estado. Ora, a maioria das pessoas não reage, espera que as coisas se resolvam por si mesmas. É verdade que, na maior parte dos casos, a vida retoma naturalmente o seu curso; mas, em certas situações mais difíceis, se não se estiver atento as coisas não se resolvem. 

E o mais grave é que muitas pessoas nem sequer se dão conta de que estão a escorregar por uma ravina perigosa: afundam-se pouco a pouco em estados mórbidos e um dia são “engolidas”. O que no começo era apenas um pequeno mal-estar acaba por tornar-se uma verdadeira doença. 

Deveis, pois, tornar-vos conscientes, saber que pensamentos, sentimentos e sensações vos atravessam, e não permitir que se instalem em vós estados negativos. 

A partir do momento em que sentis um mal-estar interior, reagi! Frequentemente, basta um simples pequeno gesto: regar as flores, sorrir ou dizer umas palavras bondosas a alguém, oferecer a uma pessoa um objecto de que ela necessita ou que lhe agradará… 

Mas só se esse gesto for feito conscientemente, com a vontade de dar uma outra orientação aos vossos estados interiores e, sobretudo, de o fazer antes de as coisas se tornarem graves. O essencial é não ficar apático, estagnado, mas sim desencadear conscientemente algo de positivo. 

Portanto, tentai vigiar sempre os vossos estados interiores, senão passar-se-á convosco o mesmo que com uma bola de neve que começastes a empurrar: a neve vai-se aglomerando e chega o momento em que essa bola, que ficou enorme, acaba por obstruir o vosso caminho. Vós lamentai-vos: «Já não posso passar!» De quem é a culpa? Quem formou essa bola? Vós próprios! 

Alimentastes toda a espécie de pensamentos e sentimentos negativos, permitistes que eles tomassem proporções gigantescas na vossa cabeça, no vosso coração, e ficastes encurralados, bloqueados. «E agora, o que hei de fazer?» 

Acendei um fósforo e aproximai-o dessa bola de neve: ela derreterá, a água irá regar os vossos jardins, os vossos pomares, e tereis flores e frutos em abundância. É isto que se deve fazer: acender o fogo do amor; e o amor fará derreter em vós todas as bolas de neve, todos os tumores. 

Sim, o amor manifesta-se através de todos esses gestos aparentemente sem importância que podemos fazer em cada dia. Não espereis que o vosso equilíbrio e a vossa saúde venham de grandes coisas. As pequenas coisas são as mais benéficas. Se vos habituardes a levá-las a sério, desenvolvereis em vós uma atitude e forças que podem proteger-vos. Existem tantas possibilidades! 

Nem que seja apanhar do chão ou do caminho um objeto, um papel, uma garrafa vazia… afastar uma pedra em que alguém poderia tropeçar ou pedaços de vidro em que alguém poderia ferir-se… Esforçai-vos por encontrar sempre algo novo para fazer, sabendo que cada pequeno gesto executado com diligência, sinceridade e amor será como uma criatura de luz que afastará as trevas ou as impedirá de entrar em vós e destruir tudo. 

sexta-feira, novembro 20, 2015

Poesias?...

O tempo acontece e as peles enrugam
as ondas lavam quebrando o quebra-mar

Enlouquecer para quê se a sanidade ainda aqui não morou.

Concordo... concordo contigo, estás contente… 

Ou estarás a mentir?

O som esse me leva onde me traz
Tem gente que eu amo dentro…

Fazem acreditar na ilusão que eu sou
Palavras pequenas…
Pequenas palavras…
Aumento.

Sou tão feliz que nem sei
e nas imagens até acredito,
que do faço não resto mais, 
O Homem velho morreu…

para que o homem novo morra…

Afinal não é a morte o alimento da existência…

O homem não é o sal de Deus?

Por enquanto somente…
serei a pedra do meu sapato.

brisa na viagem de um momento

fiz as contas sem pensar
aconteci então interrupto

afinal era mesmo o momento
de registar o meu passei.

afinal não acreditamos todos,
que não há o fim…

que toda a morte é vida que nasce

que tu não tens qualquer domínio sobre si
que ela transcende a forma e o fim
se banquetea com a impressibilidade do destino

se me compreenderes já não estarei só.

Mas como assim não é
jogo correndo o destino tomando
os dias um de cada vez…

procurando perder-me até não me achar mais.

Exercício de amor

Quem de nós já não se decepcionou com um amigo? 

Alguém a quem se entregou o coração e, em algum momento, nos traiu a confiança ou nos voltou as costas?

Alguém de quem esperávamos todo o apoio e nos falhou, na hora precisa?

Qualquer uma dessas circunstâncias nos magoará e se constituirá em quebra da afeição.

Por essa razão, a lição de dois meninos é tão marcante.

Eles haviam nascido no mesmo dia, mês e ano. Um era judeu. O outro, alemão.

Nove anos era a idade deles. Um era natural da Polónia e habitara uma casa, com vários cómodos, em cima da relojoaria do seu pai.

Um dia, tudo lhe foi tirado e ele se viu prisioneiro, em meio a outros milhares, padecendo fome. Para vestir, um estranho pijama listrado, com boné no mesmo padrão.

O outro nascera em Berlim, vivera numa casa muito grande, de três andares. Agora, residia no campo e vivia a reclamar da casa menor e da falta de amigos.

Encontraram-se, um dia, um de cada lado de uma interminável cerca de arame farpado. Bruno, o menino alemão, se sentia solitário e se pôs a conversar com o outro.
Nenhum dos dois entendia muito do que acontecia ao seu redor. Mas se tornaram amigos. Viam-se todas as tardes.

Um dia, ao entrar em casa, Bruno viu ali o amigo do pijama listrado. Lustrava os cristais com seus dedos miúdos.

Bruno se serviu de um lanche e ofereceu ao outro, sempre faminto.

Mal colocara na boca um pedaço de frango, adentrou a cozinha um oficial. Vendo que o pequeno prisioneiro estava comendo, o inquiriu, de forma grosseira, acusando-o de furtar comida.

Sem malícia alguma, o menino disse que fora seu amigo quem lhe ofertara o lanche.

Mas Bruno estava tão assustado com a truculência do oficial, com a inquirição que lhe era feita, que se deixou tomar pelo pavor.

E, apavorado, negou conhecer o outro, negou ter-lhe dado comida, o que, para aquele valeu violento castigo.

Dias passados, Bruno retornou ao local onde costumava encontrar o amigo. Havia tristeza e muitos hematomas no rosto do aprisionado.

Peço desculpas, disse Bruno. Tive muito medo, naquele dia. Você ainda quer ser meu amigo?

E, então, a mão esquálida do judeu se estendeu para o lado de fora da cerca. Bruno a apertou.

Era a primeira vez que se tocavam. Era o toque da amizade sólida, que sempre perdoa.

*   *   *


Amizade é um exercício de amor. Amor de amigo é inigualável. Já disse Jesus, ao seu tempo, que o amigo dá a sua pela vida do amigo, santificando assim esse sublime sentimento.

Por isso, o amigo perdoa as fraquezas do outro, perdoa as suas falhas e continua amigo.

Felizes aqueles que florescerem a alma com amizade, enriquecendo-se de paz, granjeando gratidão pelos caminhos que percorre.

com base em cenas do filme O menino do pijama listrado.


quinta-feira, novembro 19, 2015

PROFECIA...

Evangelho (Lc 19,41-44): Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: «Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos!. Dias virão em que os inimigos farão trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados. Esmagarão a ti e a teus filhos, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada».


quarta-feira, novembro 18, 2015

paisagem...


todos os pensamentos sou capaz de absorver, 
absorvo não deixo nem 1 para desaproveito

todos os detalhes de cada coisa, de cada som, 
de cada luz e sombra, de cada cor

escolho deleitar-me assim com o que habituado a viver numa espécie de solidão interior, agora constitui um apêndice de mim próprio, uma espécie de extensão


a sua beleza, a das coisas contempladas, supera de longe a insensatez dos juízos mantidos por uma mente relutante

tudo o que trago de belo e conclusivo ao domínio da mente, acaba invariavelmente por se constituir em carma, pelo que falho no corpo e pelo juízo da própria mente, dominadora

os planos contemplativos da própria consciência são bem mais atractivos

ai não existem regras impostas, não existe desejo de forma alguma, não existe julgamento

apenas no não existir a consciência contemplativa da própria ausência de ser se percepciona levemente...

é o tipo de testemunho e celebração à vida,
sem peso ou o ónus da tua própria existência.




Às vezes...

às vezes o vento sopra onde não o esperas,
às vezes não...

depois tem a linha do mar, 
nas palmas da mão,

o singular aperto do coração.

às vezes o chegar até só, 
ainda que sonhos sejam acompanhados
de pessoas, de quimeras...

depois falas com um livrinho, 
como se leva-se a um destino
exacto, perene...
às vezes não.

as trajectórias não se perdem em vãos de escada

o sol laranja seduz e encanta,
enquanto se esconde por detrás da neblina marítima.

pede um desejo de amor que hoje,

na Aguda às vezes...

quinta-feira, outubro 29, 2015

Não rezamos por rezar

“Não rezamos por rezar, mas para sermos ouvidos. Não rezamos para ouvir-nos rezando, mas para que Deus possa nos ouvir e responder. E não rezamos para receber qualquer resposta: tem de ser a resposta de Deus.” 

sexta-feira, outubro 23, 2015

O homem de Jericó

Jericó era um oásis. O seu clima suave e tépido era propício para fartos pomares, roseirais e palmeiras.

Era ali que morava Zaqueu. Era um colector de impostos para o Império Romano. Também tinha seus lucrativos negócios.

Zaqueu e sua mulher viviam isolados da vida social de Jericó. Quando davam festas, os únicos convidados eram sempre os parentes e os funcionários da alfândega.

Extremamente rico, ele tinha uma consciência de inferioridade, face ao tratamento que recebia do seu povo. 

Todos o desprezavam porque trabalhava para o opressor romano.

Sua consciência lhe dizia que nunca prejudicara a ninguém, pois que procurava ser justo.

Então, às vésperas da Páscoa, se espalhou a notícia de que o Rabi da Galileia, a quem chamavam Jesus de Nazaré, chegaria a cidade.

Zaqueu ouvira falar d´Ele e uma secreta simpatia o invadira. 

Aquele era o Homem que dizia que todos deveriam se amar como irmãos, que comia à mesa dos publicanos e se misturava com o povo.

Junto a numerosas pessoas, ele foi receber Jesus à entrada da cidade.

De pequena estatura, gordo, pernas curtas, por mais se pusesse na ponta dos pés, não conseguia ver coisa alguma.

Ofereceu moedas a um homem para que lhe vendesse um jumento. Pensou que subindo nele, talvez pudesse enxergar.
Mas o homem desprezou o seu dinheiro.

Pediu a um homem muito alto que o erguesse, em troca de sua bolsa cheia de moedas. Em vão.

Empurrado e pisado pela multidão, finalmente Zaqueu conseguiu ver, à beira da estrada, uma árvore.

Era uma mistura de figueira e amoreira, um sicômoro, com raízes grossas para fora da terra.

Mais do que depressa, nela subiu e sorriu feliz. Dali, ele podia ver o Mestre se aproximando.

E uniu a sua voz a de todos os demais, gritando hosanas a Jesus.

Quando o Mestre passou pela árvore, olhou para cima e ao ver aquele homem agarrado aos galhos, como se fosse um fruto, lhe disse:

Zaqueu! Desce depressa, porque hoje me convém pernoitar em tua casa.

O homem desceu rápido, correu para casa para, junto com a mulher, preparar o melhor para o conviva.

Na sua intimidade dizia que não era digno que criatura de tão nobre estirpe entrasse em sua casa.

Mentalmente, reviu os negócios. Teria lesado alguém? Teria recebido a mais?

Talvez tivesse comprado terras a preço irrisório e as vendido com lucro excessivo. Sente-se atormentar.

Quando observa o Amigo chegando, acompanhado por grande multidão, vai ao encontro d´Ele e exclama:

Senhor, eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado! Entra na minha casa!

Jesus sorriu, um riso leve e bom como um sopro de amor.

Hoje - disse suave - veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

Narram tradições evangélicas que, anos mais tarde, Simão Pedro convidou o antigo publicano a dirigir florescente comunidade cristã, nas terras de Cesareia.

E Zaqueu, rico de amor e humildade, foi servir a Jesus, servindo aos homens.

*   *   *

Somos muitos os que aguardamos por Jesus, nas estradas amarguradas em que nos encontramos.

Atendamos ao chamado e nos tornemos criaturas felizes. Sirvamos.

com base  no cap. 18, do livro Vida e mensagem, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

terça-feira, outubro 13, 2015

MUNDO INFORMÁTICO

NO DIA EM QUE AS PROMESSAS, AS PROFECIAS, JORRAREM JOGADAS NA RUA
SABERÁS QUE O DIA CHEGOU ANTES DE TERES DADO CONTA
CAPTURADO
PODERIAS TER EVITADO

AGORA SABERÁS TER ENFRENTADO.

segunda-feira, outubro 12, 2015

Da escuridão para a Luz

Para a autoconsciência desta migração constante de um para outro extremo, será interessante algumas propostas de reflexão.

Sendo dois estados opostos, ambos detém um centro comum e ao menos duas vias principais comunicantes entre eles.

Imaginemos na manifestação de vida e mais concretamente num humano, seria proposto o humano como o eixo ou centro, ou ainda consciência destes dois extremos, a um lado escuridão e sua via comunicante e a um outro luz e sua respectiva via comunicante.


 A visualizar esta proposta como um balancé, temos nos opostos os assentos e nos seus prolongamentos em direcção ao centro onde está montada a estrutura que os suporta, o eixo ou ponto central de onde as forças são diametralmente opostas e semelhantes.

Assim, é a consciência centrada que detém o desvio de se deslocar para qualquer um dos extremos, originando desequilíbrios.

A luz proporciona a consciência do seu oposto e vice-versa.

Assim dentre estes dois extremos necessária se faz a consciência, que é o que devolve equilíbrio e equanimidade.

No ser humano ainda que sendo constituído na menor parte por matéria, sua densidade magnética é característica e fundamental para a constituição ou base expancional dos restantes atributos não materiais desta mesma constituição humana.

Tem por interesse para o mantenimento do posicionamento equilibrado e equidistante de ambos, luz e escuridão, o centro ou o igual afastamento do corpo da matéria de seus extremos.

Resumindo;

No decurso das actividades diárias humanas, a consciência pessoal secundada pela consciência colectiva, constituem a habitação do espírito.

Esta habitação ou corpo manifestado é consubstanciado nos extremos, estes por sua vez descaracterizados na periferia do ser.

A luz ambiciona os estados iluminados.

A escuridão ambiciona os estados caóticos.

O ser humano consciente ambiciona o equilíbrio entre estes dois de forma de perpetuar a espécie e a evoluir sustentavelmente.

Faz-se neste propósito todo o sentido, daqueles movimentos filosóficos que promovem o caminho do meio ou o Tao, como caminho de virtude e de transcendência. 

No absoluto compromisso do correcto entendimento da transitoriedade humana, a promoção da espécie está correctamente garantida, sem tabus, mitos ou dogmas.

Somente no mergulho para dentro de si mesmo o Ser Humano almejará sair de si próprio para uma dimensão externa e expansionada. Mergulho tanto mais eficaz quanto mais autenticamente cultivado a sós, sem cultivo de grupo nem de piscina grupal.

Chega lá quem o funde em si ou seja por ele fundado.

sexta-feira, outubro 09, 2015

ALQUIMIA ESPIRITUAL

«Por que é que a maior parte dos humanos deixa as suas tendências instintivas desenvolverem-se livremente, sem que as suas faculdades superiores tenham uma palavra a dizer, para as controlarem, para as orientarem?... 

Ou, então, eles atiram-se a elas para as aniquilar, como se elas fossem inimigas da sua evolução. 

Pois bem, em ambos os casos eles cometem um erro, pois introduzem uma divisão entre o alto e o baixo. 

Ora, a Inteligência Cósmica previu que as faculdades superiores obteriam as suas energias nas funções inferiores; com efeito, estas são como raízes indispensáveis, para que a árvore que o homem é possa extrair da sua “terra” as substâncias que ele transformará para dar flores e frutos. 


Como é que, na árvore, se processa a transformação da seiva bruta, absorvida pelas raízes, em seiva elaborada?...

É nas folhas que se opera esta transformação, graças à luz do sol... 

Do mesmo modo, graças à luz do sol espiritual, nós podemos transformar em nós a seiva bruta, as nossas tendências instintivas, em seiva elaborada, que irá alimentar as flores e os frutos da nossa alma e do nosso espírito. 

Será assim que nos tornaremos verdadeiros alquimistas.» 

terça-feira, outubro 06, 2015

Verdade e consequência

Existe um jogo que na adolescência muitos faziam em grupo e era motivo de grande brincadeira. Denominava-se verdade ou consequência, seja ou se respondia com veracidade a uma questão colocada ou não o desejando se ficava sujeito a cumprir uma tarefa ou um outro qualquer castigo.

Não é deste jogo que trata o texto mas de um outro denominado, o jogo da vida.

É do tipo verdade e consequência, algo que nem todos reconhecem mas todos sem excepção podem confirmar assim o desejem.

Temos escolhas na vida e consequentemente geramos o que lhes está diametralmente oposto. Não raro as denominamos de escolhas erradas ou fora do nosso caminho. Escolhas não acertadas para nós apenas porque não definimos seguir. 

Abordando este tema  mais profundamente, estas referidas escolhas que perfazem o nosso lado sombrio por assim dizer, tendemos a identifica-las como escolhas pouco positivas, indesejáveis ou mesmo prejudiciais. Umas vezes é assim outras nem por isso.

Esta outra margem do que escolhemos para nós, gera em resultado da nossa escolha o que se pode denominar de uma consciência da transgressão. 

A consciência da transgressão é uma projecção de si mesmo deslocada para o plano ambivalente de si próprio. 
Genericamente, temos:

O que eu sou, onde estou e o caminho que escolho com todo o seu conteúdo.

O que eu não devo ser, onde não devo estar e o caminho que determino rejeitar com todo seu conteúdo.

É sobre este último as considerações e partilha de observações.

As forças entre estes opostos é diametralmente igual; quanto maior a intensidade despendida num deles maior o refluxo automático na ausência (apetência) do outro.

Assim enquanto realizas um caminho construído passo a passo corajosamente, tem um outro que imaterializado ganha atractividade e não é razoável de menosprezar.

Considerando que quando se move uma pessoa do campo das suas escolhas descriminadas para uma irresistibilidade de umas outras que em princípio se rejeitariam, assim se entra em transgressão consigo mesmo.

Notas acerca da transgressão. 

No humano a possibilidade da Transgressão é imensa, ao contrário de algumas ciências que pretendem delimitar os seus atributos, ela é potencialmente muito vasta. 

É muitas vezes associada a uma liberdade imensa, superior até ao gosto de cumprir. 

Trás junto consigo um espírito de rebelião, de fazer o que me havia destinado a não fazer, de coabitar com essa espécie de monstro dominador criado por mim e que em última instância me irá aprisionar. 

Numa sociedade essencialmente convencional, a transgressão converte-se facilmente num apetite insaciável, devorador da vontade, onde uma espécie de  liberdade demoníaca encontra a sua maior expansão.

No entanto saiba-se que esse fervor apesar de fascinar facilmente, não cumpre, não é o Céu nem tem Asas.

Não é um Paraíso cultivar assim o conhecimento do seu próprio negativo. 

É mais parecido com a suite de luxo do inferno.

terça-feira, setembro 29, 2015

TU ÉS TUDO AQUILO QUE FORES.


Assim como nas vias físicas, o cuidado, o prazer, a preocupação, o receio que sentimos por aqueles que estimamos muito, afecta a nossa vida e a de a quem apontamos o sentir, condiciona e interfere com uma intensidade ainda maior, ao nível do invisível.

Neste processo, tem o que pensas e o que fazes, em grande parte pela enorme quantidade de atenção necessária em graus de consciência desiguais e até desequilibrados.

Tu consegues muitas, algumas ou apenas uma vez que seja, compreender testemunhando esse processo natural. De sentir em ti mais que uma dinâmica de consciência acontecendo simultaneamente, muitas vezes do tipo seres o que és e ser auto-confrontado simultaneamente com o que gostarias ou acharias que deverias ser.

Dois caminhos distintos a partir da mesma origem, desiguais, intemperados e não poucas vezes divergentes, cheios de regra distintas moralidades e esforços intrínsecos.

Tem a certeza porém que o que acontece no campo das tuas percepções ditas grosseiras, acontece pela mesma natureza no campo ainda mais vasto e desconhecido da tua própria linguagem desconhecida ou seja invisível.

Como um invisual sentes e levas com ela, quer queiras quer não queiras e é assim que lhe testemunhas a acção.

Feliz nascimento esse de reconhecer a acção inequívoca daquilo que tu próprio geras ainda que lhe não reconheças o rosto.

Mas é assim mesmo, os cuidados que não reconheces mas expressas de alguma forma, eles criam uma vontade própria gerada no seio de ti mesmo e afectam a todos os que te rodeiam e em última instância, aqueles a quem são dirigidos.

Assim todas as tuas queixas tem origem em processos que te são legítimos e muito possivelmente tu alimentas. 

Assim nada mudará de fora para dentro porque não tem lá a sua origem. 

Assim, não adianta lamentares todas as desgraças que afinal são apenas lembrete à tua capacidade de criar, mal dirigida.

Tudo afinal acontece por sermos literalmente uns Deuses, cismados em negar o imenso poder que detém nossa própria vontade, auto-limitados pelo aspecto visível das emoções fortes, trágicas ou exageradas, renegando a nossa génese Divina a favor duma amálgama de turvas intenções que de forma organizada procuram arrecadar todos e cada um para o redil dos capturados.

Acordar para as capacidade que em ti residem, que sabes em ti se inquietam, calar o dialecto da banalidade que te assalta todos os dias, é reconhecer uma ajuda importante e Altíssima que tem a sua origem em ti mesmo e é capaz de mover montanhas… invisíveis é claro.

O teu futuro é construído agora.

A vida daqueles que para ti são mais influentes bebe desse destino que lhes dás, assim como tu desse néctar és alimentado.

Atenção portanto no teu processo de criar arte em ti.

Deixa as formas externas que sem tua participação nada valem. 


Do externo que não passe pelo crivo da tua consciência nada vale, são apenas figuras de estilo coordenadas a alimentarem estilos de vida morta, de esterilidade que nada vai doar de si mesma a ninguém porque não possui em si mesmo o Dom de doar a vida que não possui, que apenas aparentemente a toma pela sua forma externa.

À que acordar interiormente os níveis de percepção superiores, necessários a promover as nossas vidas e a dos demais. Tudo em nome de um destino que já nos está reservado pelos direitos que nos foram concedidos. 

Quem tem ouvidos para ouvir que ouça, como disse um Homem de Sonho.



terça-feira, setembro 22, 2015

COMO PODE ALGUÉM AJUDAR O SEU PAÍS.

Os dirigentes de um país estão continuamente expostos a críticas, à hostilidade ou à troça dos cidadãos. E por toda a parte, para divertir o público, nos bares, nos teatros, na rádio, na televisão, são feitas referências aos homens políticos em moldes ridículos e grotescos. 

Mesmo que, por vezes, haja razão para criticar e troçar, não será desta maneira que se irá levá-los a melhorar. 

Pelo contrário, atormentando-os com pensamentos e sentimentos negativos não só não se consegue nada, como ainda se cria no invisível as condições favoráveis para que eles cometam ainda mais erros e tomem decisões cada vez menos luminosas para o país. 

Sim! Como vedes, esta questão leva-nos muito longe. 

Assim, se quereis verdadeiramente ajudar o vosso país, em vez de praguejardes constantemente contra aquele que está à sua cabeça, enviai-lhe luz, a fim de que ele seja inspirado. Não podeis ajudar o vosso país todo porque ele é imenso, mas basta que ajudeis um homem, um só; é mais fácil, e ele fará bem a todos porque muitas coisas dependem de si. 

Se ele conseguir fazer aprovar leis sociais a favor da saúde pública, da habitação, da instrução, etc., todos beneficiarão, porque um só foi bem inspirado. 

Os cidadãos de um país devem tomar consciência, finalmente, das ligações que existem entre eles e os seus dirigentes. Não basta exigir isto e reclamar aquilo, é preciso aprender a conhecer os métodos mais eficazes para se obter o que se deseja, sem desencadear consequências ainda piores. 

Vós sabeis que a sabedoria dos povos se exprime frequentemente por contos. 

Há um que narra a história de um reino onde só aconteciam epidemias, fomes, tumultos. O rei, não sabendo o que fazer para remediar todas aquelas desgraças, mandou vir um sábio, e este disse- lhe: «Majestade, és tu a causa de todas as desgraças do teu reino. Vives na devassidão, és injusto, cruel, e por isso as catástrofes não param de cair sobre o teu povo.» Em seguida, o sábio apresentou-se diante do povo e disse-lhe: «Se sofreis, é porque o merecestes; pela vossa maneira insensata de viver, atraístes um monarca que causa a vossa infelicidade.» Eis como os sábios explicam as coisas. 

Quando os cidadãos de um país decidem viver na luz do espírito, o Céu envia-lhes governantes nobres e honestos que só trazem bênçãos; mas, se uma nação tem dirigentes que dão livre curso aos seus piores caprichos a expensas do povo, bem, aí é preciso que o povo tome consciência de que tem uma parte da responsabilidade. 

E depois, por que se há de querer sempre que as soluções venham dos outros, por mais altamente colocados que eles estejam? 

Por que se há de esperar que sejam sempre os outros a começar a trabalhar para melhorar a situação? 

Na vossa opinião, são sempre os outros que devem fazer esse esforço; mas por que haveriam eles de o fazer? 

Eles agem como vós, esperam que sejais vós a esforçar-vos primeiro, e isso pode durar eternamente. Então, decidi-vos vós, finalmente, a agir. 

Alguns perguntar-me-ão: «Mas o que é que está a aconselhar-nos? Quer que façamos uma carreira política?» 

Para mim, a questão não reside nisso. 

Quando eu falo de trabalho útil para a sociedade, subentendo em primeiro lugar um trabalho interior que cada um deve fazer sobre si próprio e que é sempre indispensável, quer a pessoa se lance, quer não, numa carreira política. 

A única actividade realmente importante na vida é tornarmo-nos mais lúcidos, mais generosos, menos interesseiros, mais senhores de nós próprios. 

Direis vós: «Sim, mas, se seguirmos esses conselhos, se fizermos esse esforço para nos aperfeiçoarmos e nos reforçarmos, as condições no mundo são tais que ficaremos a um canto, ignorados, obscuros, privados de todos os meios de acção.» Que sabeis vós a esse respeito? 

Se vos tornardes verdadeiramente capazes de manifestar as virtudes do espírito, mesmo que não conteis com isso, os outros recorrerão a vós como conselheiros, como guias. Se isso ainda não aconteceu é porque não o mereceis, é porque ainda não estais preparados para tal. 

É preciso aprender a contar com os poderes do espírito; é nisso que se vê o verdadeiro espiritualista. 

Quando se trata só de falar, muitas pessoas poderão dizer-se espiritualistas, farão discursos intermináveis sobre a reencarnação, a aura, as hierarquias dos anjos, mas não será isso que as ajudará a resolver os problemas da sociedade. 

Só se poderá resolver os problemas da sociedade se se fizer continuamente um esforço para despertar em si os poderes da vontade, do bem e da luz. 

quarta-feira, setembro 16, 2015

Aprender com o silêncio.....


"Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafectos. 

Aprenda com o silêncio a aceitar alguns factos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, a evitar reclamações vazias e sem sentido. 

Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido.

Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores. 

Aprenda com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo.

Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar. Como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa.

Aprenda com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir, e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. 

Aprenda com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares.

Aprenda com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo, e o Santuário que é a sua vida. 

Aprenda hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar. Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença.

Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.

Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este tem-se confundido com prepotência e violência.

Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol que nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.

Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude. 

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.

O oxigénio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença. 

A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, actuam com a suavidade de uma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física.

Quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência. 

A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder. 

Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais perfeita quietude e benevolência.

Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos homens nem percebe a Sua acção.

Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza. 

Até mesmo a morte chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência. “Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra”. “Boa Terra em teus pés, Água o bastante em tua semente, bom Vento para o teu sopro, Fogo em teu coração e muito Amor em teu ser”.

“O êxito ou o fracasso de sua vida não depende de quanta força você põe em uma tentativa, mas da persistência no que fizer.”

E em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe uma vida vitoriosa. Desejo Paz e Silêncio para você."

Jean-Yves Leloup