terça-feira, fevereiro 23, 2016

Voluntários do bem

É uma noite como tantas outras no hospital. Pacientes terminam de jantar, médicos e enfermeiros trocam o plantão.

Pelos corredores, ouvem-se passos suaves.

Parada na porta da enfermaria, a sorridente moça pergunta: Nós viemos fazer uma visita. Podemos entrar? Os pacientes estranham, pois só vêem uma pessoa.

Quando ela entra no quarto, sorrisos e exclamações se fazem ouvir. Ela vem acompanhada por um cachorro!

Um cachorro no hospital? Como pode? Pergunta um rapaz espantado.

A cena se repete em todos os andares. 

Voluntários de uma ONG levam seus cães e gatos para visitar e interagir com quem está internado.

As reacções diante da entrada dos animais são positivas.

Alguns pacientes, a princípio, ficam receosos, mas deixam os animais se aproximarem; afinal, são animais de terapia, avaliados e educados para desempenharem essa função. Os que estão hospitalizados acabam se rendendo ao amor incondicional que os bichos demonstram.

Há quem se emocione, abraçando e afagando os animais entre lágrimas, pensando nos amigos de estimação que ficaram em casa e dos quais sentem falta.

A pediatria vira uma festa. Crianças, pais, médicos e enfermeiros esquecem por um momento a dor e o cansaço e aproveitam para acariciar os anjos de quatro patas, que compreendem a delicadeza do momento, recebem de boa vontade os afagos e os devolvem com amor e carinho, lambendo mãos e rostos.

*   *   *

Aos domingos, esses voluntários vão a asilos levar seus cães e gatos para visitar avôs e avós. Para muitos deles, que não possuem parentes ou cujos familiares nunca aparecem, são a única visita que recebem há anos.

Durante a semana, os animais são levados a escolas especiais para interagir com crianças, jovens e adultos com diferentes tipos de deficiências.

Os profissionais que trabalham nessas escolas contam que o efeito dessas visitas beira o inacreditável, estimulando alunos antes refractários a vencerem dificuldades motoras, cognitivas e emocionais para se aproximarem dos cães.

Os donos desses animais são voluntários que, além de se doarem para levar um pouco de amor ao próximo, compreenderam que seus companheiros de quatro patas também poderiam contribuir para amenizar sofrimentos e dar alegria às pessoas.

Quando saem dos locais visitados, levam consigo a impressão de que receberam mais amor do que doaram e deixam nos corações e mentes dos que ali ficaram motivação para prosseguir.

*   *   *

Os animais, segundo Francisco de Assis, são nossos irmãos menores. O ser humano é responsável por sua educação e deve colaborar em seu processo evolutivo.

Educar um animal com base no amor, sem punições e sem dor, para que ele ajude a aliviar o sofrimento do próximo, é uma linda maneira de praticar a caridade.

Todos ficam envolvidos em vibrações positivas: quem recebe a visita, quem a faz e também quem presencia. Em momentos como esses, o amor se espraia, deixando, ao longo dos dias, um luminoso raio da mais pura alegria.

com base no trabalho desenvolvido pelos voluntários do Instituto Cão Amigo & Cia (Curitiba) e na reportagem Mascotes terapeutas, da coluna Viver bem, do Jornal Gazeta do Povo

A TEU CONTENDO....

Sempre que tu fazes por estar de consciência plena em que fazes o melhor que te está ao alcance da compreensão, que basicamente significa uma parte de vivências menos fáceis tomadas em tuas mãos resignadamente, tudo mas tudo no Cosmos, estará velando para que as coisas aconteçam a teu contendo.

Necessário será, que não sejas o freio consciente ou inconsciente dessa dinâmica, tomando pensamentos de controlo sobre vivências que te fogem ao controlo, pois a lição soberana é que não tens o controlo de todas as coisas. 

Não dominas todos os assuntos.

Não detens toda a sabedoria para bem conduzir todos os assuntos que se te deparam, sobretudo os mais difíceis, envolvendo outras pessoas e seus livre arbítrios.

No entanto, sobre o teu livre arbítrio tens esse ascendente, de após fazeres o que te parece o indicado para uma determinada situação apesar de até te retirar da tua zona de conforto, da tua preguiça ou inércia, findos os esforços e sem vislumbre de soluções para o em causa, tu deixes sair o ar do peito, respires profundamente, e confiadamente entregues a tua vida e a do assunto em questão, às entidades superiores que presidem ao equilíbrio da Natureza, para sob instruções superiores, daquelas que sabem melhor do que tu próprio o que é mais apropriado para ti, a um determinado momento actuem sobre os planos de vida.

Estas entidades amparadoras presentes na vida de todo o ser humano, estão especialmente activas e prazerosas em quem conscientemente lhes entrega as chaves de sua alma.

É esse o desafio maior, para um maior conhecimento de ti próprio.

Entregares a tua alma como corolário do controlo que exerces sob os teus pensamento e acções a quem desconhecendo por ora em pessoa, te guardará, amparará, e conduzirá da forma mais apropriada no teu crescer em harmonia e equilíbrio.

O meu reconhecimento em todas as áreas da minha vida, àquelas amizades espirituais benfazejas que sempre me tem acompanhado, protegido e orientado, sob o peso dos meus passos.

Bendigo a todos os Amparadores da Espiritualidade Médica, Todos os Espíritos Protectores, Todos os Anjos Guardiãos.

domingo, fevereiro 21, 2016

Snarky Puppy feat. Jayna Brown


A musica dos Anjos desce através de uma menina que lhe empresta a sua voz e ao compasso de excelentes músicos de um groove celestial, produzem a cura, a cura do amor divino através do som que emitem, que trás esperança num solo de guitarra e trás uma visão sempre renovada do que é bonito em nós.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Uma questão de inveja

Conta-se que um vaga-lume estava no afã de acender seu facho e apagá-lo. Interessante operação. A luz brilhava por segundos e apagava, para logo mais tornar a brilhar.

Uma cobra, que se encontrava nas proximidades, observou aquela luz acendendo e apagando e se esgueirou até onde se encontrava o autor de tal proeza.

Quando estava prestes a desferir o bote, foi percebida pelo minúsculo insecto, que alçou voo e escapou de ser abocanhado.

No entanto, a cobra deslizou rapidamente e foi no alcanço dele. E assim ficaram: ele voava e pousava. Ela o seguia e tentava abocanhá-lo. Finalmente, o vaga-lume pousou e disse para a sua perseguidora:

Dona cobra, pare um pouquinho. Desejo fazer uma pergunta: pode me dizer se, por acaso, eu pertenço à sua cadeia alimentar?

Não, disse sibilante, o réptil. E preparou-se para atacá-lo.

Espere aí, senhora. Diga-me: por acaso, eu lhe fiz algum mal?

Não, tornou a falar a cobra.

Cansado e impaciente, o vaga-lume perguntou: 

Pode me dizer, então, por que é que a senhora quer me abocanhar?

Muito simples, disse ela. É que você brilha.

*   *   *

A fábula nos remete a situações sobejamente conhecidas no mundo. Pessoas que se projectam, normalmente, atraem para si a inveja dos que as rodeiam.

E os invejosos somente pensam em denegrir a imagem de quem se destaca. Ou destruir o seu conceito perante os demais.

Assim, quem se alteia realizando o bem, passa a ser alvo de calúnias porque, afirmam, ninguém pode ser tão bom sem interesse próprio.

Quem se destaca no quadro da honestidade, encontra pelo caminho os que esmiúçam sua vida, seus mínimos atos, à cata de algo que possa demonstrar que, afinal, ele não é tão correto quanto aparenta.

A maledicência anda de braço dado com a inveja porque o que ambas desejam é destruir a boa imagem, a vida, a carreira daqueles que se tornaram seus alvos.

A inveja é capaz de levantar calúnias contra vidas dignas. Com frases vagas, hesitantes, tem a capacidade de difamar o mais nobre carácter.

Por isso, o invejoso é um peso infeliz na economia da felicidade alheia.

E, no entanto, bastaria que mudasse sua postura. Ou seja, em desejando para si os holofotes que se concentram em alguém, poderia se dispor a fazer o que aquele faz, a agir como aquele age, seja no campo da ciência, da arte, do bem, em geral.

Porque, no entanto, prefere não realizar esforço algum, opta pelas armas que possui: o despeito, a raiva, a acusação vazia e, por vezes, alcança seus objectivos maldosos.

Contudo, o invejoso continua desventurado em si mesmo, logo encontrando outro alvo para desferir os seus destructivos dardos.

*   *   *

Examinemos nossa própria conduta. Caso verifiquemos que nos encontramos nesse caminho tortuoso, modifiquemos o passo.

Busquemos nos iluminar se invejamos o brilho alheio!

Esforcemo-nos para alcançar quem, a esforço pessoal e dedicação, se encontra degraus acima.

Dessa forma, nos sentiremos felizes pelas próprias conquistas. E, com certeza, o mundo será melhor porque seremos mais um ser humano a apresentar o bem, a beleza, o justo.

Pensemos nisso. Façamos isso porque todos os filhos de Deus fomos criados para a luz e para o amor.

com base em fábula, de autoria desconhecida.

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Quarta-feira da 3ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mc 4,1-20): 


Outra vez, à beira-mar, Jesus começou a ensinar, e uma grande multidão se ajuntou ao seu redor. Por isso, entrou num barco e sentou-se, enquanto toda a multidão ficava em terra, à beira-mar. 

Ele se pôs a ensinar-lhes muitas coisas em parábolas. No seu ensinamento, dizia-lhes: 

«Escutai! O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e os passarinhos vieram e comeram. Outra parte caiu em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, mas quando o sol saiu, a semente se queimou e secou, porque não tinha raízes. Outra parte caiu no meio dos espinhos; estes cresceram e a sufocaram, e por isso não deu fruto. E outras sementes caíram em terra boa; brotaram, cresceram e deram frutos: trinta, sessenta e até cem por um. E acrescentou: «Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!». 


Quando ficaram a sós, os que estavam com ele junto com os Doze faziam perguntas sobre as parábolas. Ele dizia-lhes: 

«A vós é confiado o mistério do Reino de Deus. Para aqueles que estão fora tudo é apresentado em parábolas, de modo que, por mais que olhem, não enxergam, por mais que escutem, não entendem, e não se convertem, nem são perdoados». 


Jesus então perguntou-lhes:

«Não compreendeis esta parábola? Como então, compreendereis todas as outras parábolas? O semeador semeia a palavra. Os da beira do caminho onde é semeada a palavra são os que a ouvem, mas logo vem Satanás e arranca a palavra semeada neles. Os do terreno cheio de pedras são aqueles que, ao ouvirem a palavra, imediatamente a recebem com alegria, mas não têm raízes em si mesmos, são de momento; chegando tribulação ou perseguição por causa da palavra, desistem logo. Outros ainda são os que foram semeados entre os espinhos: são os que ouvem a palavra, mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e os outros desejos, a palavra é sufocada e fica sem fruto. E os que foram semeados em terra boa são os que ouvem a palavra e a acolhem, e produzem frutos: trinta, sessenta e cem por um».

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Verdadeiro respeito

Ainda hoje é comum se observar desrespeito entre membros de religiões diferentes.

Um ditado popular até inclui religião entre os temas que não devem ser conversados ou discutidos, entre colegas ou amigos. É questão nevrálgica que pode gerar desentendimentos.

É que, quase sempre, um termina por ofender o outro por serem diferentes os conceitos a respeito de Deus, da alma, das penas e recompensas futuras.

Contudo, entre grandes líderes religiosos há muito respeito. Exactamente porque um no outro admira o compromisso integral com sua própria crença.


Recordamos que no ano de 1219, Francisco de Assis, que fora se juntar aos combatentes da Quinta Cruzada, decidiu ir à presença do sultão Al-Malik Al-Kamil.

Ele desejava converter o sobrinho de Saladino ao Cristianismo. E se isso redundasse em martírio, não se importava.

Com seu companheiro Illuminatus foi em direção ao quartel-general do sultão.

Era sabido que os cristãos podiam praticar sua fé em terras muçulmanas. Mas, se tentassem converter algum maometano, estariam sujeitos à pena capital.

Quando Francisco e o amigo se aproximaram do acampamento do sultão foram imediatamente levados à sua presença.

O governante muçulmano tinha a mesma idade de Francisco. Ele governava o Egipto, a Palestina e a Síria.

Era competente em artes militares. Também completamente dedicado às tradições de sua fé e à sua disseminação.

Cinco vezes ao dia, ao ouvir o chamado para a adoração a Alá, era o primeiro a assumir a postura devida.

Francisco de Assis, pois, estava diante de um homem profundamente devoto, que também acreditava em um Deus único.

Francisco, através de um intérprete, falou ao sultão e ao seu conselho sobre a fé em Cristo e o apelo de paz em nome de Jesus, o filho de Deus.

Quando concluiu, os conselheiros presentes opinaram que os visitantes deveriam ser, de imediato, decapitados.

Entretanto, o sultão era homem que apreciava a verdadeira fé onde quer que a encontrasse e disse:

Vou contrariar esses conselhos. Jamais te condenarei à morte. Seria uma perversa recompensa para alguém que voluntariamente arriscou-se a morrer a fim de salvar minha vida diante de Deus, como acreditas.

Até onde os registos medievais, em italiano e francês, bem como as crónicas muçulmanas relatam, o fato não teve precedente na História das relações entre cristãos e muçulmanos.

Os frades ficaram no acampamento durante uma semana. E, ao despedi-los, o sultão forneceu a ambos salvo-conduto de volta ao seu acampamento.

E até mesmo a Jerusalém, pois Francisco desejava venerar os ditos lugares santos cristãos.

Deu-lhes o suficiente em provisões para a viagem de retorno e presentes preciosos. Esses, delicadamente foram recusados por Francisco, o que mais provocou a admiração de Al-Kamil.

Francisco não conseguiu converter o sultão à fé cristã mas saiu de lá com uma impressão bem diferente do seu anfitrião.

Eram dois líderes. Um liderava homens à guerra, motivados por suas convicções religiosas. O outro somente desejava que se implantasse a paz do Cristo no mundo.

Dois líderes. Conceitos divergentes. Batalhas gigantescas a vencer. Armas diferentes.

Mas um ao outro ouviu e deixou bem claras as linhas do respeito.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Doze – 1219 – 1220, do livro Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva.
Em 11.1.2016.

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Waiting for the Man - Reed and Bowie


talvez ainda hoje haja uma festa enorme no Céu...
e os bons amigos em nome da música
se reencontrem para mais um concerto...
desta...
Até sempre 

David Bowie - Starman (Live by request HD)

(1999) David Bowie Studio Live

RIP - Descansa em Paz David Bowie


A minha sentida homenagem a este herói dos heróis "do meu tempo"

Um criativo de excepcionais aptidões na musica, no cinema, na escrita, com sua presença que marcou construtivamente toda uma geração.


Um dos raros artistas que desenvolveu uma carreira em diversas vertentes artísticas, sempre colaborando com vários artistas de vanguarda e que conseguiu enorme sucesso, sendo uma referencia obrigatória através dos anos, em duas vertentes quase sempre opostas. Só um génio como Bowie conseguiu por mais que muitas vezes harmonizar a sua carreira mais comercial, sempre ditando a inovação, sempre com excelente gosto abrir novas possibilidades aos jovens artistas de seu tempo, sedentos de "sumo" para encaminhar suas carreiras, assim como na versão underground, mais fora dos circuitos da moda, alias a minha preferida, onde uma vez mais e de forma excepcionalmente criativa e timoneira, Bowie foi referencia maior para muitos dos chamados dinossauros da musica underground moderna.

Adorei sua veia de actor, nos filmes onde representou, deixou sempre uma marca de grande qualidade nos papeis que representou.


Hoje também parte uma parte de mim, com o seu desaparecimento. 

Resta a sua obra e a saudade deste génio musical, que me acompanhou sempre ao longo da minha juventude, guiando, dando conforto nas horas de maior desorientação, com seus sons e mensagens, sempre com tanto de misterioso como de profético.

Que o caminho pela espiritualidade seja para ti amigo Bowie, o descanso merecido de quem cumpriu a sua missão aqui entre nós, sempre conciliando o seu sonho pessoal com a partilha com o seu semelhante.


sexta-feira, janeiro 08, 2016

DAVID BOWIE - Ashes To Ashes (2000)

Necessidade da meditação

A meditação é recurso valioso para uma existência sadia e tranquila.

Você medita?

Caso sua resposta tenha sido não, é sempre tempo de começar.

Através dela o homem adquire o conhecimento de si mesmo, penetrando na sua realidade íntima e descobrindo recursos que nele dormem inexplorados.

Meditar significa reunir os fragmentos da emoção num todo harmonioso que elimina as fobias e ansiedades, liberando os sentimentos que aprisionam o indivíduo, impossibilitando-lhe o avanço para o progresso.

As pressões e excitações do mundo agitado e competitivo, bem como as insatisfações e rebeldias íntimas, geram um campo de conflito na personalidade.

Esse campo de conflito termina por enfermar o indivíduo que se sente desajustado.

A meditação propõe a terapia de refazimento, conduzindo-o aos valores realmente legítimos pelos quais deve lutar.

Não se faz necessária uma alienação da sociedade.

Tampouco a busca de fórmulas ou de práticas místicas ou a imposição de novos hábitos em substituição dos anteriores.

Algumas instruções singelas são úteis para quem deseje renovar as energias, reoxigenar as células da alma e revigorar as disposições optimistas.

A respiração calma e profunda, em ritmo tranquilo, é factor essencial para o exercício da meditação.

Logo após, o relaxamento dos músculos, eliminando os pontos de tensão nos espaços físicos e mentais, mediante a expulsão da ansiedade e da falta de confiança.

Em seguida, manter-se sereno, imóvel quanto possível, fixando a mente em algo belo, superior e dinâmico. Algo como o ideal de felicidade, além dos limites e das impressões objectivas.

Esse esforço torna-se uma valiosa tentativa de compreender a vida, descobrir o significado da existência, da natureza humana e da própria mente.

Por esse processo, há uma identificação entre a criatura e o Criador, compreendendo-se, então, quem somos, por que e para que se vive.

Esse momento não deve ser interrogação do intelecto. É de silêncio.

Não se trata de fugir da realidade objectiva mas de superá-la.

Não se persegue um alvo à frente. Antes, se harmoniza o todo.

O indivíduo, na sua totalidade, medita, realiza-se, liberta-se da matéria, penetrando na faixa do mundo extra-físico.

*   *   *

Crie o hábito da meditação, após as fadigas.

Reserve alguns minutos ao dia para a meditação, para a paz que renova para outras lutas.

Terminado o seu refazimento, ore e agradeça a Deus a bênção da vida, permanecendo disposto para a conquista dos degraus de ascensão que deve galgar com optimismo e vigor.

com base no cap. 16, do Livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

terça-feira, dezembro 15, 2015

Sabe

sabe ....

que enquanto respirares à estrelas no céu...
enquanto sentires à indicações do caminho a seguir...


sabe...

enquanto procurares irás encontrar...
enquanto encontrares irás sempre procurar...


porque da Lua se fez Sol...
do Sol se fez alimento,
do alimento surges tu
de ti encontro eu
de mim chego até lá...

onde tudo se resolve antes mesmo que se prenuncie...

sabe...

onde tu chegas mesmo antes do separes das coisas,
a mais profunda da tua essência, que vive e pulula...

só para te amar... assim como tu és,
inatingível.

do longínquo caminho,
que faz perto a percepção
do vulgar atributo
sacralizas a acção.

sabe...

que muito antes de lá chegares
já não estavas só.

porque do Divino Amor
nasceste tu.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Vocês não terão o meu ódio

O mundo assistiu, estarrecido, na sexta-feira, 13 de Novembro de 2015, aos atentados na cidade de Paris, na França.

As cenas pareciam irreais, tal a violência e a crueldade. Quem ligasse o aparelho de TV, de rompante, poderia pensar se tratar de um filme.

As vítimas, que somaram mais de uma centena, eram pessoas que se encontravam em lugares de lazer: amigos, familiares, colegas.

Quem poderia esperar que, no coração da capital francesa, se pudesse desenrolar drama de tal intensidade?

O saldo foi de lágrimas, de desespero, de providências por uma nação que se viu enlutada, chorando seus filhos.

Antoine Leiris, um jornalista do France Fleu, cuja esposa foi uma das vítimas, redigiu emocionante homenagem à esposa, morta no atentado a uma casa de espectáculos.

Dirigindo-se aos terroristas, escreveu:

Na noite de sexta-feira, vocês roubaram a vida de uma pessoa excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho. Mas vocês não terão o meu ódio.

Não sei quem vocês são e não desejo saber. São almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à Sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher foi uma ferida no Seu coração.

Por isso, eu não odiarei vocês. Porque responder ao ódio com raiva seria ceder à mesma ignorância dos agressores.

Vocês pretendem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com olhar desconfiado, que sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. O mesmo jogador continua a jogar.

Eu vi minha esposa somente nesta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira.

Tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos.

Claro que estou devastado pela dor. Concedo a vocês esta pequena vitória. Mas será de curta duração porque sei que minha esposa vai me acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no paraíso das almas livres.

Nós dois, meu filho e eu, vamos ser mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Não vou lhes dar do meu tempo.

Quero juntar-me a Melvil, que acorda da sua sesta. Ele só tem dezassete meses. Vai comer como todos os dias.

Depois vamos brincar como fazemos todos os dias e, durante toda a sua vida, esse garoto vai fazer a afronta de ser feliz e livre.

Tudo isso porque vocês nunca terão o seu ódio.

*   *   *

A carta, com certeza, nos emociona, toca-nos o coração. E nos remete a reflexões: como agiríamos ou reagiríamos nós?

Teríamos a mesma capacidade de retomar a vida e, sobretudo, ensinar o filho a amar?

É preciso ser grande para não se permitir envolver pela indignação ante a onda de violência. Porque da indignação ao ódio, a linha é muito ténue.

É preciso ter nobreza n’alma para não se deixar contaminar pelo desejo de vingança.

É preciso ter a certeza de que ninguém morre, de que a vida pode ser interrompida, mas os laços do amor não são destruídos pela ausência física, para se erguer e prosseguir a jornada.

É preciso ser paciente para aguardar o reencontro que pode ser logo mais, ou depois de dezenas de anos. 

Quem sabe? Somente a Divindade.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

saber para não entender...

agora é o tempo chegado
de saber para não entender...

não entender as arrelias,
os desentendimentos desconhecer...

não conhecer os sentidos do intelecto,
quando estes professam acima de si mesmos...

não ofuscar as fragilidades alheias,
com as arrogâncias que sobram de si mesmo...

não escrever histórias parvas,
vestidas de explicação para o mundo que se desconhece, apenas porque se julga saber tanto.

o mundo já conheceu sua regeneração...
afinal esteve sempre onde a fossem capaz de percepcionar...

nunca deixou ninguém de fora, 
apenas não enche taças cheias de si mesmo...

agora é  tempo da primavera
onde a matéria finalmente se decompõe
de resíduo em gaz esférico

onde os sonhos do criador e de seu filho predilecto fazem de nós próprios...
a razão do nascer e pôr do Sol...

agora não existe motivos de ser incompreendidos
pelas vozes que não articulam sons
e todos os celestiais ouvidos
escutam e encantam...

agora não mais tens que temer algum desfecho
de qualquer historia queiram contar
se ela não te trás o que acreditas ser
não mais levará o que não queiras dar.

só amplamente dá
quem não espera receber

agora afinal é o tempo 
de no tempo tua alma desnudar.

terça-feira, dezembro 01, 2015

Tim Buckley - Honey Man (Live at the Old Grey Whistle Test 1974)


Terça-feira I do Advento

Evangelho (Lc 10,21-24): Naquele mesma hora, ele exultou no Espírito Santo e disse: 

«Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». 

E voltando-se para os discípulos em particular, disse-lhes: 

«Felizes os olhos que vêem o que vós estais vendo! Pois eu vos digo: muitos profetas e réis quiseram ver o que vós estais vendo, e não viram; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram».

sexta-feira, novembro 27, 2015

Mohandas Gandhi



Ao fazer um balanço de sua existência, e ser questionado sobre que mensagem deixaria para a Índia, o grande Mohandas Gandhi afirmou:Minha vida é minha mensagem.

O grande pacifista não escolheu palavras, não escolheu lições, não escolheu fórmulas. Deixou seu exemplo, seus passos, sua vida.

Os exemplos são mais fortes do que dizeres, são mais fortes do que escritos e do que receitas.

Quando alguém é capaz de viver sua própria mensagem, ele se torna mensageiro e mensagem ao mesmo tempo. Ele se torna força e fortaleza simultaneamente.

Deixar a vida como mensagem é seguir o caminho da consciência em paz que, ao fim do dia, com segurança, sem subterfúgio algum, pode dizer que não deve nada a ninguém.

A vida como mensagem ainda vai além do não dever. Ela alcança também a esfera da afirmação: Fiz tudo que estava ao meu alcance.

A acção faz-se necessária para que cresçamos. Não basta não fazer o mal. É preciso fazer o bem, amar, aparar arestas, reforçar os laços, emitir luz para todos os lados.

Pais e mães devem se esforçar ao máximo para serem mensagens vivas para seus filhos. Isso não requer perfeição, pois ainda não está ao nosso alcance. Requer apenas atenção aos passos, seriedade nos compromissos, observação dos erros, para que com eles se aprenda.

Pessoas que têm certa visibilidade no mundo, artistas, políticos, líderes, todos esses precisam estar atentos à fala de Gandhi.

Todos trouxeram o compromisso com multidões, pois suas acções, suas palavras, sua maneira de viver são copiados por muitos.

Mesmo em esferas menores, por vezes, somos referência para muitos que percebem nosso exemplo, que notam nossos valores, e vão reparar se o que falamos é diferente daquilo que vivemos.

Se em todo trabalho de Gandhi na África do Sul e depois na Índia, ele tivesse se exaltado uma só vez, tivesse utilizado de violência em uma única oportunidade, toda sua mensagem estaria comprometida.

Porém, isso não ocorreu. Ele foi capaz de levar socos e sofrer violências morais sem necessitar de ripostar. Ele ofereceu a outra face em todos os momentos, lembrando um outro grande Mestre que também fez de Sua vida Sua mensagem.

Jesus, ao contrário do que muitos falam, não morreu para nos salvar. Ele viveu para nos dar o roteiro de salvação para nossas vidas.

Sim, Seu exemplo é o grande roteiro que nos deixou, sua grande mensagem, a ponto do homem que deseja se transformar em verdadeiro agente do bem se auto-inquirir diariamente:

O que Jesus faria em meu lugar?O que Ele faria nesta mesma situação?

As respostas não são fáceis e simples, é claro, mas a pergunta, por si só, é poderosa, e é meio caminho da jornada.

*   *   *

Seja a mudança que você quer ver no mundo. – Disse, um dia, o grande libertador da Índia.

Se desejamos ver o mundo transformado, comecemos connosco esta mudança.

Como estamos? Melhor que ontem? Preparados para a Nova Era? Dispostos a ser homens de bem?