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terça-feira, junho 10, 2025

A beleza

Aspiração humana, a beleza física atinge em cheio nosso senso estético. Enche os olhos com suas cores e formas. Atrai, desperta desejos. Todos a ambicionamos. Faz parte da natureza humana querer sobressair-se, destacar-se por algo que os demais não têm.

Por isso, estendemos nosso desejo de beleza física para parceiros, filhos, roupas, casa, jardim, objetos. Queremos beleza em tudo, a toda hora. E rejeitamos automaticamente o que consideramos feio.

Mas o que é a beleza física? Um corpo perfeito, um rosto adorável? Cabelos brilhantes? Tudo isso é tão passageiro.

Cuidar do corpo é fundamental, mantê-lo asseado, bem tratado, é dever de todos nós. Porém, cabe-nos prestar atenção para que não transformemos o corpo no centro absoluto de nossas preocupações. 

Uma saudável vaidade não é condenável. Querer estar bem, não afrontar os demais com uma aparência maltratada é o ideal. Quando ocorrem os exageros, podemos criar para nós mesmos muitas dores desnecessárias. E, é de nos perguntarmos, ao final da vida, o que será de nós se focamos toda nossa atenção no corpo?

Não nos tornemos pessoas atormentadas, sem aceitar a própria idade, transformando-a em motivo de infelicidade. Lembremos, igualmente, de cultivar a beleza da alma, essa que permanecerá para todo o sempre. Essa beleza esplêndida, que se manifesta em gestos de amor, em palavras gentis, em paciência, doçura, serenidade. Acreditemos: as atitudes afetuosas são os cremes que retiram a fealdade da alma. São as cirurgias plásticas que restauram a beleza moral. São o nosso mais valioso investimento para o futuro.

Naturalmente, não pensemos que essas conquistas acontecem como um estalar de dedos. Para exercitar a beleza da alma, é necessário mais do que uma simples vontade. É preciso disciplina e perseverançaE, muito importante é ter os olhos voltados para algo desta vida.

Dessa maneira, não nos prendamos demais aos valores materiais. A vida terrena é muito curta para que a tornemos centro único de toda nossa atenção. Procuremos fixar mais amiúde o nosso pensamento em Deus, procurando agir de acordo com as leis criadas por Ele.

Encaremos a vida na Terra somente como uma passagem. Trabalhemos, relacionemo-nos com as pessoas, cultivemos amizades, simpatias, amores. Lancemos sementes de benquerer por onde transitemos. Possivelmente encontraremos algumas dificuldades para viver dessa maneira. Afinal, a sedução da Terra é muito grande. Os prazeres, condições e sensações materiais têm apelos muito fortes. Eles nos atraem, prendem e nos mantêm atados às cadeias das paixões e alegrias passageiras. Assim, os que desejamos cultivar a beleza da alma precisamos estar focados na aquisição dos valores imortais da vida. 

Então, com os olhos postos nas estrelas, conscientes de que a vida é muito mais que a carne do corpo, viveremos com a certeza de que somos parte do imenso plano divino, onde a única beleza que importa é a do Espírito, que vive para todo o sempre.

Pensemos nisso! Foquemos em nossa imortalidade.

quarta-feira, fevereiro 26, 2025

Nossa dualidade

A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, visitando o campo de concentração Majdanek, na Polônia, ficou horrorizada ao lembrar que ali mais de trezentas mil pessoas haviam morrido. Fora uma verdadeira usina de morte de Adolf Hitler. Enquanto percorria os alojamentos sinistros, questionou como era possível tamanha crueldade. Era-lhe difícil compreender como seres humanos podem agir de forma tão criminosa com relação a outros seres humanos, em especial a crianças inocentes. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz calma e segura de uma jovem: Se você tivesse sido criada na Alemanha nazista, também seria capaz de fazer isso.

Elizabeth reagiu dizendo que fora criada por uma boa família e era uma pacifista.

No entanto, antes de deixar a Polônia, ela haveria de passar por momentos perigosos e afligentes.

Caminhando por uma estrada de cascalho, suava de febre. Seu objetivo era retornar à Suíça. Sentia-se fraca. A fome a dominava. Então, ela pareceu vislumbrar a figura de uma menina em uma bicicleta, comendo um sanduíche. E confessa: Por um instante considerei a possibilidade de roubar aquele sanduíche arrancando-o da mão da criança. Nesse impasse, ela revive, em sua mente, as palavras da jovem: Cuidado, há um Hitler dentro de nós!

Ela se assusta, se controla. Logo mais, seria encontrada por uma mulher, conduzida a um hospital e atendida. Mas, esse fato a levaria a escrever, anos mais tarde:

Cada um de nós tem dentro de si um Gandhi e um Hitler. O Gandhi corresponde ao que há de melhor em nós, nosso lado capaz de maior compaixão, enquanto o Hitler corresponde aos nossos aspectos negativos e mesquinhos. Nosso desafio é desenvolver o que há de melhor em nós e nos outros. Aprender as lições de curar nosso Espírito – nossa alma – e de trazer à tona a pessoa que realmente somos.

Gandhi foi muito mais do que um líder político do século XX. Foi um ícone da não violência. Sua maneira de agir ultrapassou fronteiras e continentes, inspirando milhões de pessoas ao redor do mundo. Ele declarou que era incapaz de odiar. Através de uma disciplina baseada na oração, procurava amar a todos. A sua era a filosofia da não violência. Outros líderes, em seus próprios países, se inspiraram nele para lutar pela justiça social e pelos direitos civis.

Tudo isso nos afirma que podemos superar a fera que, eventualmente, resida em nós. Podemos domá-la, dominando nossas más paixões. Quando optarmos pela lei de amor, tão profundamente ensinada pelo Mestre de Nazaré, abandonaremos as lutas contra nossos irmãos. A guerra será banida da Terra, quando entendermos que somos uma única família, num imenso lar, chamado Terra. E tudo que nos compete é nos darmos as mãos, aprendendo a lição do mútuo apoio, para que com rapidez implantemos o reino de paz, de igualdade, que todos desejamos.

Afinal, nosso destino final é a perfeição. Por que não a aceleramos?

Então, depois de uma vida plena de bons exemplos, poderemos deixar esta Terra para dançar em todas as galáxias, como Espíritos libertos. Seres imortais que instalamos em nós o reino de Deus.

terça-feira, fevereiro 25, 2025

Todos temos jeito

A juíza Mindy Glazer e um réu de nome Arthur Booth tiveram um encontro inusitado em um tribunal há cerca de dez anos. O vídeo, que ficou bastante conhecido nas redes sociais, mostra o momento em que o réu, condenado por assalto a dez anos de prisão, já em trajes penitenciários, recebe a condenação em frente à juíza.

Antes de sentenciá-lo ela pergunta: Você cursou o Ensino Médio na Nautilus?

Imediatamente Arthur desaba e começa a chorar.

Ambos haviam se reconhecido. Haviam sido colegas de escola. Ele se desespera, caindo em si, percebendo onde sua vida o havia levado. Não podia acreditar.

A juíza, claramente sensibilizada, olha para todos ao redor e diz: Ele era um garoto excelente. Era um dos melhores jovens no Ensino Médio. Eu costumava jogar futebol com ele e vejam o que aconteceu.

O homem estava transtornado. O remorso chegava com todo seu peso.

Ainda, na despedida, ela pôde lhe dizer: Senhor Booth, espero que o senhor possa mudar a sua vida.

Para quem assiste ao vídeo, a história acaba ali, mostrando como duas pessoas podem tomar caminhos tão distintos. No entanto, ela segue adiante e fica mais bonita.

Arthur não precisou cumprir os dez anos de reclusão. Foi liberado antes por bom comportamento.

No dia de sua saída da prisão, além da família para recebê-lo, teve uma grande surpresa. A juíza Mindy Glazer estava lá aguardando a sua saída e os dois se abraçaram. Entre lágrimas e sorrisos ela lhe diz: Você vai mudar sua vida e vai fazer algo bom por alguém, prometa-me.

Arthur mudou de vida e sempre diz que a juíza foi uma grande inspiração para ele. Ele se tornou gerente de uma empresa farmacêutica no Estado da Flórida e vive bem.

Arthur conta sua história para inspirar outros jovens para não se envolverem com drogas e com o mundo do crime.

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Todos temos jeito.

Jamais nos deixemos abater por pensamentos derrotistas como: Esse aí não tem mais jeito. Fulano se perdeu e não tem mais salvação nesta vida. Ainda nesta existência há como mudar os caminhos e retomar o rumo.

Talvez não consigamos consertar tudo, voltar a como as coisas eram antes dos grandes equívocos. Mas podemos mudar algumas rotas e tentar novos começos. Mesmo depois de velhos, ainda temos jeito. Sempre podemos mudar, aprender algo novo, reinventar a vida.

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Perdoar

Perdoarmo-nos. Pedir perdão a alguém e nos oferecermos para ajudar de alguma maneira. Podemos ter quebrado algumas louças em pedacinhos e dizer: Não há mais como juntar, não sabemos nem onde estão os pedaços. E mesmo que conseguíssemos, elas nunca ficariam como antes.

Talvez não possamos consertar o quebrado, mas temos chance de aprender a arte da cerâmica e construir novas obras. Para as leis divinas isso também significa consertar, refazer caminhos, reajustar-se. Nunca pensemos que é tarde demais. Não nos deixemos abater pelo pessimismo que teima em nos incutir pensamentos como: O mundo não tem jeito, a Humanidade não tem jeito. Todos temos algum jeito. Agora ou depois. Todos podemos nos consertar.

sexta-feira, janeiro 17, 2025

Você não é seu corpo

Já aconteceu de você se olhar no espelho e não se reconhecer?

Teve dificuldade em aceitar aquela imagem refletida, muitas vezes castigada pelas marcas dos longos anos de vida ou por cicatrizes que o tempo desenhou?

Não se preocupe, não se trata de um desequilíbrio ou transtorno. Não, você simplesmente pode estar estranhando o fato de que por dentro, você é uma pessoa e por fora, no mundo tangível, o mundo das formas, é outra. Essa é uma das consequências de estarmos encarnados, vestindo um corpo material, que nos serve durante um tempo para cumprirmos determinados objetivos, mas que se deteriora, que tem vida útil. Importante sempre lembrar que você não é seu corpo. Você se utiliza dele para estar aqui, para agir no mundo. Ele é importantíssimo, fundamental, mas, é apenas uma roupa. Procure não se identificar demais com ele. Assim, quando os traços da velhice se apresentarem, inevitáveis, entenda que é o corpo que está colhendo os frutos do tempo, não é você, Espírito Imortal, que está perdendo a vitalidade. Entenda que quando os músculos não responderem mais com o mesmo vigor dos tempos de juventude, e tudo parecer mais lento, não é você, alma Imortal, que está ficando para trás. É apenas o veículo corporal, que tem ciclo marcado com ascensão, ápice e queda. Você, a essência verdadeira, não necessita perder o ânimo, a vitalidade, as forças. Pelo contrário. Quanto mais experiência ganha a alma, mais vigor moral, mais pujança de vontade ela pode ter e demonstrar.

O que acontece é que, ainda muito ligados à matéria, misturamos as coisas.

Se não temos mais beleza, não podemos ser felizes, não podemos mais ser aceitos pelos padrões do mundo exterior. Se pensarmos dessa forma, murchamos com o corpo. Envelhecemos a alma. Se não podemos mais realizar certas atividades, que exigiam energia explosiva, altas cargas de resistência física, então não servimos mais, não somos bons o suficiente... 

Esse mundo cruel, de valores cruéis, fomos nós mesmos que criamos. Vejamos quantos tipos de energia existem. Quantos tipos de trabalho e força criativa podemos encontrar em a natureza. Por que apenas os jovens e impetuosos devem ser cultuados? É porque nossos valores estão doentes, estão trocados. Não vivemos como Espíritos que vestem corpos, mas como corpos que, vez ou outra, lembram que têm uma essência Imortal...

Você não é seu corpo. Lembre sempre disso, embora deva respeitá-lo e cuidar dessa máquina fabulosa para que ela lhe proporcione tudo que pode lhe dar. A imagem no espelho é uma das máscaras que vestimos. É uma casca. O seu eu verdadeiro está em algum lugar, entre o fundo do seu olhar e o invisível, o intocável. Não se deixe impressionar em demasia pelas marcas do corpo. Não se deixe desestimular pelas limitações que ele pode apresentar. Limitações essas que foram escolhidas e necessárias para essa sua fase de provas e expiações. Não se julgue pelo corpo. Não deixe que o corpo seja uma barreira. Você é mais do que ele. Somos muito mais do que ele.

domingo, junho 23, 2024

A flor da honestidade

Conta-se que, por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:

Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça. Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu: Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar, ao menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me torna feliz. À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções.

Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China. A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valoriza muito a especialidade de cultivar algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos.

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse, na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia, ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada. Nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. 

As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis. A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.

sábado, maio 25, 2024

Semeando nosso amanhã

Conta-se que, um dia, Sócrates acompanhou sua mãe para ajudar em um parto complicado. Vendo-a realizar o trabalho, filosofou: 

Minha mãe não irá criar o bebê. Apenas o ajudará a nascer e tentará diminuir a dor do parto. Se ela não tirar o bebê, logo ele irá morrer, e igualmente a mãe morrerá!

Dessa forma, concluiu que ele também era um parteiro. O conhecimento está dentro das pessoas que são capazes de aprender por si mesmas. Porém, dizia, eu posso ajudar no nascimento deste conhecimento.

É por isso que criou o método de ensino, conhecido como maiêutica, que significa dar à luz, parir. Acreditava o filósofo que a verdade está latente em todo ser humano, podendo aflorar aos poucos, à medida que este responde a uma série de perguntas simples, porém inteligentes. Assim, o seu método buscava, num primeiro momento, levar o interlocutor a duvidar do seu próprio saber sobre determinado assunto, revelando as contradições presentes em sua forma de pensar, normalmente baseadas em valores e preconceitos sociais. Depois, conduzia a pessoa a vislumbrar novos conceitos, novas opiniões, estimulando-a a pensar por si mesma.

Como precisamos disso na atualidade! Despojarmo-nos de preconceitos, de certos modismos que propõem como se deve pensar, como se deve entender a Humanidade em geral. Muito importante que tenhamos humildade para assumir que o que sabemos não é o todo, sobre qualquer assunto. Importante nos abrirmos para ideias renovadas, para conceitos mais elevados do que o simples terra a terra.

Enquanto ficamos discutindo se devemos nos servir deste ou aquele vocábulo para designar uma raça, por exemplo, alguém, ao nosso lado, padece de fome e dor. 

Enquanto nos preocupamos com a cor que devemos vestir porque pode revelar ou significar nossa adesão a um ou outro partido político, alguém chora sozinho, na casa ao lado da nossa.

Enquanto estacionamos ouvindo as reclamações dos que não simpatizam com nossas ideias, com nossa vontade de fazer, a necessidade avança nas calçadas do nosso bairro. Permitamo-nos encharcar por ideias positivas. Ante os acontecimentos lamentáveis que são descritos pela mídia, todos os dias, não acreditemos que o futuro da Humanidade será sombrio.

Jamais houve tantas manifestações de solidariedade, de amor ao próximo quantas descobrimos na atualidade. Somente não se tornam noticia de última hora porque quem está envolvido na semeadura das bênçãos não está preocupado em aparecer no noticiário.

Disciplinemo-nos para ouvir e ver menos, em número de horas, o material deprimente do rádio, da TV, das redes sociais. Ele nos deprime e promove angústias. Diluamos as camadas de negatividade que nos atormentam. Cultivemos ideias generosas, vibrações positivas, vontade de fazer algo para o bem comum, que pode ser simplesmente manter o asseio do nosso terreno, evitando a proliferação de pragas que atacam a coletividade. Façamos o bem por menos significativo que nos possa parecer. Ele é bom para todos. Reservemos campo mental para o que desejamos ser amanhã, começando hoje, no agora.

sábado, outubro 14, 2023

Somos uma estrela

Deus é Luz, afirma o Evangelista João. Portanto, criados pela Luz, impregnados da Sua imagem e semelhança, somos luz. E o que nos compete é iluminar. Iluminar nossa mente, nosso coração. Tornarmo-nos um ser de luz. Brilhar.

Há os que brilham nos palcos, de forma momentânea, recebendo os aplausos do mundo. Muitos deles, parecem fogo fátuo, chamas rápidas que são ofuscadas pelo brilho de quem os sucede, nas apresentações.

Há os que brilham na intelectualidade, demonstrando a grandiosidade dos seus conhecimentos.

Há os que brilham na arte, legando-nos obras de incomparável beleza. E nos extasiamos com as melodias que compõem, com os versos que elaboram, com a voz que nos embala, nas canções harmoniosas.

Cada um faz a sua parte. Exatamente como, nos imensos céus, cintilam as estrelas e cada uma com seu brilho específico por ele se permite identificar pelos astrônomos, por aqueles que mantêm os olhos fixos nesse imenso e ainda tão desconhecido Universo. Brilhemos, então. Brilhemos na comunidade, onde a miséria faz morada, levando o necessário para o momento e oferecendo oportunidades de erguimento para quem pensa que deve, apenas, sobreviver.

Brilhemos, auxiliando-os a idealizar, a sonhar, a perseguir seus anseios, para igualmente fazerem luz ao seu redor. Muitas luzes juntas produzem uma apoteose, que maravilha. E que espanca as trevas que teimam reinar.

Brilhemos, diminuindo a dor no mundo. Poderá ser o secar de uma simples lágrima de uma única pessoa.

Nosso sol, estrela de quinta grandeza, jamais se envergonha por não dispor da grandiosidade de outros sóis, maiores e mais potentes. Ele se apresenta, todos os dias, radiante, quente, benéfico. Brilha. Nunca deixa de brilhar. 

Brilhemos também, com nossa pequena ou grande luz. Somos uma estrela escondida num corpo. Estar vivo na carne é uma ventura inigualável. Nem podemos imaginar quantos gostariam de estar em nosso lugar, usufruindo das bênçãos deste planeta, mesmo que o qualifiquemos de provas e expiações. Viver é um hino de bênçãos. Brilhemos, oferecendo a canção de esperança, neste momento de gemidos e de lágrimas.

Não aguardemos realizar grandes e heroicos feitos. Os heróis que reverenciamos, simplesmente agiram, realizando o que se fazia necessário, num momento preciso. Não imaginaram que seriam honrados por isso. Foram impelidos à ação por sua vontade e seu desejo de servir. Eis o que nos compete. Fazer o que seja necessário, onde nos encontremos.

Já sorrimos hoje? Cumprimentamos nosso vizinho? Agradecemos o empregado do mercado por seu trabalho?

Oferecemos uma prece, uma vibração de paz a quem padece num leito de dor?

Enviamos uma mensagem de carinho a um amigo?

Brilhemos. Esta é a nossa missão. Brilhar até alcançar a glória solar, engrandecendo a vida. Descubramos, em cada recanto, a presença do Criador, nos convidando a brilhar. De uma chama bruxuleante, pequenina, tornemo-nos uma potência de luz, brilhando de contínuo.

O mundo necessita do nosso brilho. E nosso destino final é nos tornarmos um ser de luz, semelhante ao Pai. Brilhemos!

sexta-feira, junho 16, 2023

Ouve

 Ouve.

Ouve o sussurro reconfortante

Do vento nos ramos do salgueiro.


Ouve os estalos d’água da fonte solitária

Vertendo pureza e servindo sem o saber.


Escuta o recital da asa branca

Profundo e rouco atrás de um par que a aceite.

Escuta o canto simples das cigarras

Ecoando na floresta em noites de verão.


Percebe o bater transparente das asas do beija-flor

Frenéticas, quase oitenta vezes, num único segundo.


Percebe o rufar do trovão à distância

Anunciando novo movimento na sinfonia do céu.


Descobre a complexa canção das baleias

Correndo grandes distâncias na imensidão marinha.


Observa a areia regendo as vagas no calar da noite

Nenhum compasso se repete. Uma pauta sem fim.


Ouve o coração acelerado

De quem acabou de voltar ao mundo

Na ânsia de ser mais.

Ouve!


A música do Grande Compositor está em todo lugar.

Desperta e ouve!

Mas, ouve com atenção

Pois, a voz da beleza - falava um grande sábio

A voz da beleza fala baixo…

Andrey Cechelero

Camille Flammarion, importante astrônomo e pesquisador psíquico francês, assim se expressou, com propriedade: 

Em todas as províncias da vida, a mão do Criador inteligente e previdente se revela aos olhos que sabem verdadeiramente ver. E sempre que a dúvida nos perturbe, nada melhor se nos impõe que o estudo acurado da natureza, porquanto todos os que tiverem consigo o sentimento do belo e verdadeiro, ante o espetáculo maravilhoso da Criação, logo terão dissipadas as nuvens, qual floração de luz. A natureza tem harmonias para a alma, tem quadros para o pensamento, tem tesouros para as ambições do Espírito e ternuras para as aspirações do coração.

Sim, ela os tem, porque não nos é estranha. Somos um com ela.

Fazemos parte da grandiosidade do Universo. Somos parte dessa natureza encantadora que cada dia nos surpreende com suas habilidades, perfeições e mistérios. Precisamos aprender a nos conectar melhor com tudo isso.

A vida moderna nos privou do contato mais constante com os outros seres vivos. O verde passou a ser visto enquadrado em poucas paredes, quando nos permitimos construir janelas. Areia, relva, pássaros passaram a ser atrações eventuais e não mais convívios diários. A beleza continua atuante ao nosso redor, por vezes, praticamente gritando: Estou aqui. Mas, não temos tempo, não temos ânimo e nem interesse.

Curioso ver o ser humano doente, agoniado, ansioso, inseguro, com o remédio claramente ao seu lado...

A conexão com Deus através da natureza tem poder terapêutico. A natureza nos acalma, nos ensina sobre a paciência, nos dá lições de persistência. Desenvolve na alma a empatia, a sensibilidade e tantas e tantas outras virtudes. Que possamos nos permitir mais momentos de vida na natureza. Que, assim como outros bons hábitos diários, acrescentemos os momentos de contemplação, a visita e os cuidados com um jardim, namorar o canto de alguns pássaros...

Percebamos esta vida maior que nos envolve. Percebamos o quão grande e bela é a Criação Divina e que fazemos parte dela com muita honra e alegria.

domingo, março 26, 2023

Ninguém deveria receber esta medalha

Marilyn Wills deixou sua mesa e foi para a sala de conferências, naquela manhã. Enquanto pensava em como seria demorada a reunião, houve uma grande explosão, que atingiu a parede atrás dela. Ela olhou para cima e viu uma bola de fogo.

A força da explosão a jogou do outro lado da sala. Havia fumaça. Pessoas gritavam. De joelhos, gatinhou, procurando chegar na porta mais próxima. Estava muito quente. Isso significava fogo do outro lado. Então, com os joelhos ensanguentados, foi rastejando através do fumo, para o outro lado, com a manga do suéter na boca, para respirar. Alguém agarrou a parte de trás de sua calça. Era uma mulher que trabalhava em seu escritório.

A tenente-coronel Wills ofereceu a outra manga do suéter para ela. Depois para um soldado e outro oficial.

Ela começou a rezar: Senhor, me tire daqui.

Lembrou das duas filhas. Não quero morrer, Senhor.

Viu um pequeno raio de luz e rastejou para lá.

Um soldado atirou uma impressora ou algo parecido contra aquela janela. Sem resultado. As janelas do Pentágono são feitas para não serem quebradas. Alguém arrancou freneticamente a moldura da janela. E a corajosa mulher foi ajudando os companheiros a sair. Quando finalmente ela saiu, perdeu a consciência e acordou dois dias depois no hospital. Inalara muito fumo e apresentava queimaduras.

Foi presenteada com a Medalha do Soldado, por seu heroísmo, durante esse ataque de 11 de setembro de 2001. Pelos ferimentos sofridos, ela recebeu, mais tarde, o Coração Púrpura, condecoração oferecida a soldados feridos ou mortos, durante o serviço militar. Numa entrevista disse a corajosa mulher: Ninguém deveria receber um Coração Púrpura.

Imaginamos porque ela teria assim se expressado. E nos demos conta: ninguém deveria ser ferido ou morto em combate. Isso significaria abolir a guerra, os conflitos armados, as ações terroristas. Isso significaria colocar em prática o Amai-vos uns aos outros. Perdoai os vossos inimigos.

Lições que atravessaram milênios mas ainda não alcançaram os nossos corações, porque não aderimos a essas convocações. Em plena transição planetária, enquanto as ciências e as artes encantam sempre mais o mundo, continuamos a nos agredir. Agressões no estreito círculo familiar, agressões na escola, no trabalho.

Parece que não aprendemos que a violência não é má somente quando nos atinge ou a quem amamos. Então, erguemos a bandeira branca, gritando por paz.

Mas a paz começa em nós, em nossa intimidade, sufocando o orgulho, a sede de poder, de mando e comando. Aprendei de mim, disse o Sábio Galileu, que sou manso e humilde de coração e encontrareis repouso para as vossas almas.

A tenente-coronel retornou ao trabalho, apenas onze dias depois dos ferimentos sofridos. Manteiga de cacau nas cicatrizes, confiança em Deus e vontade de auxiliar companheiros e famílias dos mortos a fizeram superar a grave crise. Tudo servindo-se da sua compaixão e do mestrado em aconselhamento psicológico.

Ela acredita que a superação ao ataque é difícil para todos.

Porém, agradece por ter sobrevivido e poder auxiliar.

Uma bela lição.

terça-feira, dezembro 13, 2022

Tempos do mundo, tempo de Deus

Sem dúvida, há na Terra a mais variada gama de pessoas, abraçando ideias, propostas e objetivos diferenciados. Sintonizamos, cada um de nós, em um  tempo próprio, coerente com os valores e ideais que agasalhamos na intimidade com uns ou com outros.

Há cientistas aplicando seu intelecto, capacidades e recursos, a fim de desenvolver aparatos bélicos e armas de destruição em massa. Ao mesmo tempo, encontramos outros que se aplicam no desenvolvimento de vacinas, na busca da cura de doenças.

Há filósofos e escritores que, através de seus textos, provocam a discórdia, a desavença, fomentam os antagonismos, exacerbam os preconceitos. Porém, há outros que utilizam sua inspiração e imaginação para propor reflexões oportunas, trazendo compreensão, empatia e entendimento mútuo em seus textos e falas.

Encontramos líderes políticos desvirtuados em suas obrigações públicas, preocupados apenas com interesses mesquinhos e enriquecimento próprio. No entanto, encontramos, também, aqueles que se servem do cargo político para concretizar ideais pelo bem comum, servindo à população com dignidade e honra.

Cada um na exata sintonia do seu próprio tempo. Outros, ainda, sintonizam apenas o tempo do mundo, do imediato, do agora. Creem que devem se servir do mundo a fim de atingir seus ideais egoístas e exclusivos. Muito embora carreguem um cabedal intelectual respeitável, trazem no seu íntimo uma visão estreita da vida e do mundo.

Felizmente, existem aqueles que sintonizam com o tempo de Deus. Esses produzem e oferecem ao mundo valores nobres, que vencem os interesses imediatistas. Conseguem perceber que viver no mundo é doar-se e contribuir para que a vida seja melhor e mais justa.


Cada um de nós tem a oportunidade de escolher com que tempo quer sintonizar. Importante identificarmos em qual desses tempos nos colocamos profissionalmente. Agimos de maneira a sempre tirar vantagens e ganhos, não importando como, ou entendemos que o certo e o justo devem prevalecer em nossas ações?

Será que educamos nossos filhos para serem vencedores, campeões, os melhores a qualquer preço? Ou, ao educá-los, nos preocupamos em falar de empatia, respeito, que se sensibilizem com as dores e carências alheias, entendendo que esses valores são eternos e compatíveis com o tempo de Deus?

No trato com nossos vizinhos, no trânsito, no transporte público, como temos nos comportado? Somos guiados pela indiferença, pelo descomprometimento com o coletivo, com as regras e leis postas para a ordem geral? Ou entendemos que viver coletivamente é obedecer regras, leis, sabendo que nosso direito deve respeitar os limites do direito do outro?

Importante refletirmos sobre o tempo em que situamos nosso coração. Embora tenhamos compromissos e obrigações com o tempo do mundo e com as necessidades imediatas, partiremos daqui, algum dia. E então, nos restará apenas aquilo que investimos no tempo de Deus, que transcende as preocupações imediatas e valem pelo todo.

pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter

sexta-feira, novembro 25, 2022

Fundadores de reinos

Existiu na Mesopotâmia, um reino. Localizado em rota estratégica, era um importante e próspero lugar, centro de comércio e comunicações. Chamava-se Mari e era diferente de todos os demais reinos da Antiguidade. Seu rei não usava espada. Ao contrário, ele estendia a mão em sinal de bênção e paz. Um estranho mundo, com certeza, onde predominava o amor e a bondade, em meio aos ferozes domínios que o cercavam. 

Mais impressionante do que esse reino, que foi destruído em 1742 a.C., um outro foi fundado, mais justo e mais fascinante. Seu fundador foi um jovem carpinteiro. Ele o proclamou num sábado, numa cidade quase insignificante, chamada Nazaré. Naquele dia, judeus ansiosos pela salvação de Israel ocupavam a sinagoga. O Carpinteiro passou entre eles e se sentou.

Sua túnica brilhava, causando assombro entre os presentes. Como podia brilhar tanto? Quando lhe permitiram falar, levantou-se, tomou nas mãos o rolo da Torá e o abriu, nos escritos de Isaías. Com voz serena, leu:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me para proclamar a libertação dos cativos e a restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável ao senhor.

Concluindo a leitura, fechou o livro, e tornou a se sentar. Ele estendeu o olhar por todos os presentes, e afirmou:

Hoje se cumprem estas palavras do profeta.

De início, houve um grande silêncio. Depois, se manifestaram alguns gestos de impaciência. Os protestos se fizeram mais fortes, abafando a voz calma, que falava de um reino de amor e de justiça. A multidão avançou para Ele, O agarrou e arrastou para fora. Levaram-nO para o alto de um monte, desejando precipitá-lO dali para baixo, entre rochas pontiagudas e muitas pedras. Ele, no entanto, desembaraçou-se, tranquilamente, daqueles punhos de ferro e desceu a encosta, rumo à cidade. E foi para outras bandas pregar o Seu reino.

*   *   *

Um reino. Quem pode fundar um reino?

Em verdade, qualquer um de nós pode fundar um reino porque cada homem tem o poder de criar o que quiser. O reino terá as características que desejarmos. Pode ser um reino de guerra ou de paz, de amor ou de ódio, como o fizermos. Por isso, ainda hoje, na Terra, se multiplicam os reinos da mentira, da violência, da maldade, da subjugação do outro. Podemos fundar o reino da descrença, um reino árido, estreito e seco. Um reino sem luz, que não consegue estabelecer fronteiras muito além de si mesmo. Ou o reino da injustiça, da ganância, um reino de intrigas e abusos de toda ordem. No entanto, podemos aderir ao reino proclamado há dois mil anos e fundar, onde nos encontrarmos, o nosso reino. Um reino de paciência, que suporta as tolices dos demais e apenas esclarece, desejando fazer luz. Um reino de amor, que ampara o próximo, que admira a natureza e a protege, que zela pelo bem-estar do outro. Um reino de concórdia, de entendimento, o reino de Deus. O local, todos o temos, enorme, inigualável, o nosso coração

sábado, novembro 05, 2022

Antes de mergulhar no corpo

Antes de mergulhar no corpo de carne, para uma nova encarnação, você fez alguns pedidos. Rogou aos benfeitores do seu destino as oportunidades de crescimento mediante a redenção pessoal.

Após meditação necessária e aconselhamento valoroso, reconheceu as suas principais deficiências, entendendo a necessidade de programas iluminativos na nova prova terrena. Por mais que você possa se surpreender agora, naqueles momentos preparatórios, suplicou pela presença da aflição, vez que outra; da enfermidade, periodicamente; dos testemunhos morais frequentes, para que a sua consciência lembrasse do quanto é frágil a vida física. Você está mergulhado num mundo que busca o prazer a todo custo e que tem medo da dor. Porém, naqueles momentos que antecederam a sua vinda, você entendia o quanto a dor é professora eficiente e necessária. Em algum momento, inclusive, enquanto tudo buscava planejar, os seus mentores chegaram a aconselhar que dispensasse algumas cargas, que poderiam ser difíceis demais. No entanto, você, cheio de boa vontade, de coragem exemplar, antevendo o futuro feliz que o aguardaria, após a vitória, se manteve firme nas propostas iniciais de se redimir de muitas coisas.

Assim, você foi devidamente preparado. Teve a contribuição de Espíritos nobres, que lhe trouxeram palavras de incentivo e lhe ofereceriam ajuda, a qualquer momento, durante a vida na Terra. Alguns deles se propuseram a vir como pais. Outros, como amigos, companheiros de lutas. Alguns, permanecendo na pátria espiritual, para a inspiração de bons pensamentos, consolo em instantes graves, nunca o deixando sozinho. Então, você mergulhou na névoa carnal, entre alegrias e promessas, como um grande candidato ao triunfo.

E aqui está você, instalado na escola terrestre, enfrentando os mil desafios que sabia iria encontrar. Está, como se diz, no olho do furacão, tendo que lidar com inúmeras questões da vida, da sua e da dos seus, pois outras tantas dificuldades estão na vida de relação dos que estão à sua volta. Pois bem, tudo faz parte do que foi anteriormente traçado. Aí estão todas as matérias das variadas provas da escola terrena.

Respire fundo e não reclame de forma alguma. Siga adiante, recordando que tudo faz parte do planejamento prévio que fez. E que você tem todas as condições de sair vitorioso. Lembre de quantos participaram dessa sua investida de luz, dos que planejaram com você e dos que estão aqui, ao seu lado, contribuindo para que tudo dê certo. Não deixe de contar com os amigos espirituais, sempre dispostos a auxiliar, com conselhos, consolo. Ou até mesmo para secar suas lágrimas, nos instantes mais graves.

Pela meditação, pela oração e pelo estudo, conecte-se a eles, sintonize com a lucidez dos dias que antecederam a sua vinda a este planeta. Retome a coragem, retome a força de vontade, por mais machucado que esteja. Feridas e arranhões se curam com o tempo, e passam a ser traços luminosos em nossa história imortal.


sexta-feira, agosto 12, 2022

Um amor para muitas vidas

Camões, em belíssimo soneto, relata a história do personagem bíblico Jacó. Precisando de se exilar, ele foi para as terras de seu tio materno, chamado Labão. Assim que viu uma das filhas dele, Raquel, por ela se apaixonou, perdidamente. Para obter o consentimento de tê-la como esposa, ele dispôs-se a servir a Labão, durante sete anos. No entanto, após esse período, o tio lhe deu a primogênita, Léia, para o matrimônio.

Registra Camões o desencanto do pastor que, vendo que assim, de forma enganosa, lhe era negada a sua pastora, começou a servir outros sete anos, dizendo: Mais servira se não fora para tão longo amor, tão curta a vida. O personagem é bíblico, a poesia traduz amor.

Mas, existirá, um amor que espere tanto tempo?


Uma médica conta que atendeu, em seu consultório, um casal, ambos na casa dos oitenta anos. Quando ela deu a notícia de que a esposa era portadora de cancro avançado de pulmão, viu as lágrimas percorrendo caminhos entre as rugas profundas, enquanto dizia o marido:

Tão pouco tempo com você. Mas cada minuto vale, para sempre.

Num primeiro momento, a médica imaginou que ele estaria  referindo-se ao pouco tempo que ainda estariam juntos. Então, soube que eram casados há apenas dois anos.

O esposo contou que conhecera a atual esposa quando eles tinham vinte anos. Moravam na mesma rua. Ele era casado, ela também. Quando a viu, pela primeira vez, se apaixonou. Mas, guardou o sentimento em seu coração para honrar o laço matrimonial. Durante anos, sofreu em silêncio. Aos setenta e oito anos, enviuvou. Dois anos depois, o marido dela morreu. Ele aguardou um ano, o que considerou respeito ao luto. Então, se aproximou e passaram a conversar todos os dias. Quando ele disse que a amava, para sua surpresa, descobriu que esse era igualmente o sentimento dela, desde a juventude.

Casaram-se octogenários. E ele, semelhante a Jacó, confessou: Posso dizer com toda a certeza: eu a esperaria por quantos anos ou quantas vidas fossem necessárias para ter um único dia de amor com ela.

Agradecia a Deus ter tido dois anos ao lado da mulher que sempre amara. E se propôs a cuidar dela, cada hora que Deus permitisse que ele se visse refletido nos olhos dela. Com tratamento radioterápico, ela viveu por mais seis meses. Fragilizada, continuou a ser profundamente amada por seu companheiro. Nada alterou o olhar amoroso dele: rugas, deformidades, cabelos brancos emaranhados, fraldas, cansaço.

Ela morreu numa noite enluarada, em sua casa, sem desconforto físico algum, de mãos dadas com seu amor. Ele se despediu dela com serenidade: Vai, minha amada. Vai tranquila. Lembra que tu transformaste a minha vida, que ficou linda depois de tua chegada. Eu vou ficar bem. Saudoso, mas sempre feliz por te ter encontrado e amado.

Lembramos Camões em outro soneto de amor: 

Alma minha, gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida descontente;

Repousa lá no céu eternamente

E viva eu cá na Terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste;

Memória desta vida se consente,

Lembra-te daquele amor ardente

Que já nos olhos meus tão puro viste.

Um amor para muitas vidas.

sexta-feira, julho 29, 2022

Sem limitações

Quantas vezes reclamamos por ter muito trabalho? Ter peso a carregar? Ter alguma coisa mais difícil para elaborar?

É comum que nos afirmemos incapazes de realizar isso ou aquilo. Quer dizer: damo-nos por vencidos, antes mesmo de tentar, de batalhar para conseguir. Muitas pessoas, no entanto, nos dão exemplos de que para quem deseja, nenhum obstáculo é bastante forte para impedir o alcance do objetivo.

Recordamos Beethoven que, totalmente surdo, compôs oito das suas sinfonias. É um testemunho do triunfo do Espírito sobre a matéria. Ravel compôs um concerto de piano para a mão esquerda, especialmente dedicado a um pianista amigo que perdera a mão direita na guerra.

Um dos mais extraordinários exemplos de triunfo sobre a matéria nos dá o polonês Arystarch Kaszkurewicz.

Poucos devem ter ouvido falar a respeito desse homem ímpar que morreu, no ano de 1989, no anonimato, em São Bernardo do Campo, Estado de São Paulo. Dedicou-se à arte sacra, notadamente à arte de vitrais, mosaicos e afrescos. Também fez cerca de vinte vitrais contando a História da Colonização do Brasil. Sua arte está espalhada em dezenas de igrejas, templos, basílicas e hospitais pelo país. Uma autora o chamou de O arquiteto dos deuses.A História desse artista poderia ser como tantas outras não fosse pela peculiaridade com que se desenrolou.

Arystarch era pós-graduado em Direito em Varsóvia e cursou Belas Artes na Alemanha. Nascido em 1912, durante a Segunda Guerra Mundial, sofreu a perda das duas mãos e do olho esquerdo, em consequência da explosão de uma granada. A limitação física e a perseguição aos poloneses fizeram com que ele escolhesse o Brasil para continuar vivendo com sua esposa e seu filho. Desejava reconstruir sua vida. Na época, havia um decreto em nosso país proibindo a imigração de deficientes físicos.

O país precisava de mãos laboriosas para a produção.

Foi por intervenção de uma instituição religiosa alemã que, em 1952, o presidente Getúlio Vargas lhe deu a autorização. Ele desembarcou no porto de Santos com a reduzida família e se fixou, posteriormente, em São Bernardo do Campo. A princípio, trabalhou como empregado em uma casa especializada em vitrais. Somente pedia uma coisa: que lhe arregaçassem as mangas.

Usava os tocos dos dois pulsos para segurar o lápis, a caneta, o pincel e trabalhava com rapidez. Peregrinou por todo o país, que adotou como lar, espalhando a beleza e a esperança, através de sua arte. Avesso à publicidade, morreu no anonimato. A poesia dos seus vitrais encanta as criaturas, mesmo que suas obras não tragam sua assinatura.

Não nos deixemos abater pelas tempestades da vida. Se temos um corpo perfeito, pensemos em quantos gostariam de usufruir dessa ventura. E, mesmo em suas limitações, se encantam pela vida e deixam a sua poesia, a sua alegria e a sua esperança para que outros com elas se felicitem. Limitados, se superam. Mutilados, afirmam com sua obra que o Espírito é soberano, senhor do corpo a quem governa. Pensemos nisso e não nos permitamos deixar de produzir o bem, o bom, o belo.

sábado, maio 21, 2022

Guerreiro da luz

A noite estava chuvosa e fria na pacata cidadezinha do Interior de uma pequena cidade de qualquer um dos países do nosso mundo civilizado. O ruído dos raios e da chuva forte no telhado acordaram o jovem guerreiro, em meio à madrugada. Sim, ele é um bravo guerreiro pois, ao se dar conta da intensidade da chuva, lembrou-se de que muita gente poderia estar precisando de ajuda. Levantou-se rapidamente e vestiu seu traje de combate. Afinal, ele é um guerreiro. Um guerreiro da luz. É um bombeiro voluntário.

Saiu rapidamente sem se importar com o temporal ameaçador. Uma única disposição o animava: ser útil para quem dele necessitasse. Ao apresentar-se no quartel, ficou sabendo que sua intuição estava certa. Muita gente estava desabrigada. Os combatentes eram poucos para a grande e urgente tarefa. Homens, mulheres e crianças corriam perigo, em meio aos desmoronamentos provocados pela forte enxurrada.

O guerreiro da luz não mediu esforços. Trabalhou até que todos estivessem a salvo. Qual é o nome dele? Não importa. Por que faz isso? Não é por dinheiro, certamente, nem para obter reconhecimento. Ele faz por prazer porque é um guerreiro da luz. É um cidadão consciente da tarefa que lhe cabe na construção de um mundo melhor.

Durante o dia, ele trabalha para garantir o sustento. À noite e nos finais de semana ele é um bombeiro voluntário, sempre pronto para atender a um chamado urgente. Se, eventualmente, uma catástrofe precisa de seus braços fortes durante o dia, ele não hesita. Pede à empresa que o dispense e desconta o dia do seu próprio salário. Sim, porque nem sempre o empresário está disposto a contribuir em casos assim. Mesmo sabendo que um familiar seu pode estar necessitando da ajuda desses anjos voluntários. É assim que esses jovens guerreiros, de vinte e poucos anos, dão utilidade às horas. Mas, isso não é divulgado pelos mídia, porque não dá audiência.

Lamentavelmente, o que dá audiência são as ações dos guerreiros das trevas. Esses poucos jovens que se perdem nos cipoais dos vícios e do crime. Para esses se dispõe de horário nobre e programação ininterrupta.

Por essa razão, vale a pena enaltecer o bem. Enaltecer a ação desses jovens de valor, que dedicam a sua juventude construindo um mundo justo, fraterno e solidário. E são milhares deles no mundo. 💞

Se você quer ser um guerreiro da luz mas se sente incapaz, pense que todo guerreiro da luz começou dando o primeiro passo. Todo guerreiro da luz já ficou com medo de entrar em combate...

Todo guerreiro da luz já traiu e mentiu, no passado. Todo guerreiro da luz já perdeu a fé no futuro... Já trilhou um caminho que não era o seu.

Já sofreu por pequenos disparates... Já achou que não era um guerreiro da luz.

Já falhou em suas obrigações espirituais. Já disse sim quando queria dizer não. Todo guerreiro da luz já se omitiu quando deveria ter falado...

Todo guerreiro da luz já feriu alguém que amava.

Por isso ele é um guerreiro da luz; porque passou por esses desafios e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.

Pense nisso!