quarta-feira, junho 23, 2021

Aprender a conhecer alguém...

  A magia de conhecer de verdade alguém, 

é sempre olhar como se fosse pela primeira vez.


Quando olhar o seu semelhante dessa forma desformatada,

a sua entrega torna-se o seu prazer e a sua verdade,

a sua verdade a construção de relacionamentos autênticos.


Quando consegue olhar alguém que vê diariamente, 

como se fosse pela primeira vez, dispõe da maior atenção e cuidado

e essa pessoa vai sentir-se compreendida e estimada.


Assim como o que é puro permanece intacto

o seu bem agir permanece na sua natureza.



quarta-feira, junho 09, 2021

Educação

Dia desses lemos, em um adesivo colado no vidro traseiro de um veículo, a seguinte advertência: Minha educação depende da tua. Ficamos a imaginar qual seria o conceito de educação para quem pensa dessa forma. Ora, se nossa educação dependesse dos outros, certamente seria tão instável quanto a quantidade de pessoas com as quais nos relacionamos. Ademais, se assim fosse, não formaríamos jamais o nosso caráter. Seríamos apenas o resultado do comportamento de terceiros. Refletiríamos como se fôssemos um espelho.

A educação, segundo o Codificador do Espiritismo Allan Kardec, é a arte de formar caracteres e, por conseguinte, é o conjunto de hábitos adquiridos. Assim sendo, como fica a nossa educação se refletir tão somente o comportamento dos outros, como uma reação apenas?

O verdadeiro caráter é forjado na luta. Na luta por dominar as más tendências, por não revidar uma ofensa, por retribuir o mal com o bem. Um amigo tinha o costume de dizer: Bateu, levou. Um dia perguntamos se ele admirava os mal-educados que tanto criticava. Imediatamente ele se posicionou em contrário: É claro que não!

Então questionamos outra vez: Se não os admira, por que você os imita?

Ele ficou um tanto confuso, pensou um pouco e respondeu: É, de fato deveríamos imitar somente o que achamos bonito. Dessa forma, a nossa educação não deve jamais depender da educação dos outros, menos ainda da falta de educação dos outros. Todos os ensinamentos do Cristo, a quem a maioria de nós diz seguir, nos recomendam apresentar a outra face.

Imaginemos se Jesus, o Mestre, tivesse nos ensinado: Se alguém te bater numa face, esmurra-lhe a outra. Ou então: Faz aos outros tudo aquilo que não desejas que te façam. Nós certamente não O aceitaríamos como Modelo e Guia. Assim sendo, lutemos por nos educar segundo os preceitos do Mestre de Nazaré que, diante dos momentos mais dolorosos de Sua vida, manteve a calma e tolerou com grandeza todas as agressões sofridas.

Não nos espelhemos nos que não são modelos nem de si mesmos. Construamos o nosso caráter com os exemplos nobres. Quando tivermos que prestar contas às leis que regem a vida, não encontraremos desculpas para a nossa falta de educação, nem poderemos jogar a culpa nos outros, já que Deus nunca deixou a Terra sem bons exemplos de educação e dignidade.


*   *   *


Não adotemos os costumes comuns que nada têm de normais. O normal é cada um buscar a melhoria íntima com os recursos internos e externos que Deus oferece. As rosas, mesmo com as raízes mergulhadas no estrume, se abrem para oferecer ao mundo o seu inconfundível perfume. O sândalo, por ser uma árvore nobre, deixa suave fragrância impregnada no machado que lhe dilacera as fibras. Assim, nós também podemos dar exemplos dignos de serem imitados.

terça-feira, maio 18, 2021

O lixo do comportamento humano vem à superfície em transbordamento para a reciclagem

O grande entrave na atualidade, sob o ponto de vista das corretas relações pessoais, é que uma maioria só pensa na satisfação de si mesma, sem querer assumir nenhuma responsabilidade, empatia ou deferência para com o próximo. Esse comportamento nocivo foi sendo adquirido paulatinamente.

A involução social foi iniciada em séculos precedentes, tendo como embrião a necessidade da massa humana em abandonar a vida no campo, onde se vivia gregariamente em famílias numerosas, com interação entre avós, pais, filhos e netos próximos, para ir morar nas cidades urbanizadas com vistas a ganhar o sustento. A Revolução Industrial teve um papel fundamental na quebra de paradigma daquela época, onde o número dos membros do núcleo familiar foi ficando cada vez mais restrito e distante da árvore familiar maior. Em paralelo a isso, as cidades, notadamente as capitais, foram ficando cada vez mais inchadas. Isso já causou um distanciamento humano que foi decisivo para que a família fosse perdendo o intimismo e a sensação de pertencimento a um grupo coeso de grande peso para a educação e os costumes.

A primeira fase da Revolução Industrial, na Europa, aconteceu a partir do Século XVIII, tendo a terceira fase incrementada a partir de 1950, já no Século XX, com os adventos da robótica, genética, informática, telecomunicações, eletrônica, etc. Nesse intervalo ocorreram vários eventos mundiais, a exemplo das duas grandes guerras, lutas por questões raciais, totalitarismo implantado em alguns lugares, o início e fim do movimento hippie, a busca da emancipação feminina em muitos países, o crescente apelo à implementação da democracia, etc.

Foi no decorrer da terceira fase da Revolução Industrial que apareceu a Era Digital. Na vida contemporânea, entretanto, em situação paralela à oferta de informação de valor e à sua capacidade de circulação cada vez maior, veio também um nível muito tóxico de desinformação, deformação de conceitos, manipulação de conteúdos que levou à adoção de hábitos duvidosos. Com a velocidade das redes sociais, foi dada vazão à crescente desagregação e anonimato, ambos, perniciosos em sua raiz.

Ocultos atrás de uma tela, no vão apelo ao imediatismo, ao descompromisso, ao “tanto faz”, ao “eu não me importo” e ao pensamento voltado apenas para seu próprio umbigo, foi criada uma multidão que se conecta virtualmente com milhares e milhões de pessoas, no entanto, sem lhes oferecer o que as relações saudáveis demandam: o devido calor humano, sentimentos, prioridade e senso de importância.

O mundo virtual relegou qualidades necessárias ao bom convívio, antes tidas como sustentadoras da sociedade, acarretando um desconforto em relação ao que pode ser realizado anonimamente no ambiente da web, ao arrepio dos valores humanos saudáveis.

Criou-se um nível de volatilidade, superficialidade, de relações falsas, pautadas na aparência fabricada, em uma “felicidade de plástico” (ilusória e tóxica), em elogios artificiais, que sepultam as reais e verdadeiras qualidades do ser humano normal.

Exatamente por esse nível de desagregação e de ENTROPIA (NOTA 1), foram gerados inúmeros problemas que afetam o emocional do mundo contemporâneo. Nunca foi tão necessária a ajuda de profissionais da área da psicologia e da psiquiatria para dar suporte ao desajuste tão comum nos tempos modernos.

Essa desumanização leva apenas a um caminho: à degradação da sociedade; à inglória desconstrução do que é humano e que produz as ervas daninhas da corrupção; da deslealdade; das prevaricações; da DISTOPIA (NOTA 02); da luxúria; de ressaltar o que é material e corporal em detrimento ao que é imaterial e do campo das emoções nobres; do sexo cru mercantilizado, destituído de humanidade e de sentimentos; da ganância; do egocentrismo; e, do lado mais sombrio e degenerado das criaturas.

Nesse processo esquisito, foi consolidado o fenômeno do vampirismo: essas pessoas querem aplausos, querem ser vistas a todo custo, de modo a angariarem “seguidores” que se multiplicam diariamente, preocupando-se em atrair a atenção deste público que servirá apenas para alimentar seus egos, retendo o que recebe dos outros e querendo mais e mais admiradores de suas imagens, sem lhes oferecer retribuição de qualidade ou trocas venturosas.

Essas pessoas não se importam em estabelecer nenhum nível de INTIMISMO ou interação para PARTICIPAR da vida do outro. Não querem saber o que os outros estão passando ou pelo apoio que eventualmente estejam precisando obter. Estender a mão amiga para dar suporte ao semelhante, é uma ação que nem sequer passa por suas mentes. Essas pessoas egoístas, estão tão imersas em suas bolhas imaginárias, que só pensam em ter holofotes sobre si mesmos, sem dar a menor importância para quem passa fome, sofre bullying, padece durante esta grande Pandemia, necessita de cuidados, ou, apenas de apoio emocional.

Aliás, essa Pandemia tem sido um grande divisor de águas: porque está REVELANDO as reais intenções, dedicações, prioridades, pensamentos e emoções desses protagonistas do individualismo.

Todo esse cenário trouxe consigo a exclusão daqueles que estão sintonizados naquilo que é real, que dá enfoque à construção de relacionamentos de verdade, que envolvem aprofundamentos e dedicação mútuas.

Em um processo de virada ou retorno ao que é sadio, agregando conquistas e confortos do Século XXI, temos em curso um MOVIMENTO cada vez mais ROBUSTO, protagonizado por pessoas que se irmanam ao redor do mundo para estabelecer novos padrões de comportamento. Movimentos artísticos e literários iniciados no Século XIX já tinham esse ideário em sua essência, ganhando mais vida e adesão agora no século atual. Há questões do meio ambiente, do cuidado entre ser humano e natureza, do respeito à vida marinha e aos animais em geral, do apelo ao êxodo de pessoas das grandes cidades para centros mais rurais, porém com conforto e facilidades que a vida urbana oferece. Temos um crescente chamamento a novos padrões e condutas para a sociedade como um todo.  

Esse status quo atual (avesso), que estamos claramente presenciando, representa o apogeu e a apoteose de todos os atributos nocivos que devem ser substituídos por qualidades humanas, humanizantes e humanizadas (NOTA 03), revestidas de calor humano, de vibração pela INCLUSÃO, COOPERAÇÃO e PARCERIAS.

O endeusamento do tremendo monstro egóico que muitos absorveram, assumiram e veneram, tenderá a ser SOTERRADO pela avalanche de MUDANÇAS que já está em curso nos corações e mentes daqueles que se importam, que querem CONSTRUIR e CONSOLIDAR uma nova perspectiva de vida, um novo marco civilizatório, com padrões de CONSCIÊNCIA, com equilíbrio respeitoso nos quatro elementos:

Deus ◄► Ser Humano ◄► Reinos Animal/Vegetal/Mineral ◄►Natureza

Juntos, em interação harmoniosa, esses níveis de compreensão descobrirão, valorizarão e validarão o QUINTO ELEMENTO: o AMOR (imbuído de inclusão, respeito, empatia, sentimento, reconstrução e aprimoramento contínuo do ser humano).

Nesse processo TRANSFORMADOR, todo o refugo e lixo emocional está vindo à superfície, devendo passar por um transbordamento que o expulsará do grande oceano de consciências, para que possa se reciclar, se ressignificar, se reconstruir, banhando-se na LUZ do entendimento. Só com essa limpeza e saneamento na toxidade desse comportamento atual reverso, é que ele poderá ser reciclado, refeito e só assim, ser útil para os novos tempos que estão por vir.

Atualmente, fazem parte da minoria, aqueles que já estão aptos a um NOVO MODELO CIVILIZACIONAL, íntegro, humano melhorado, com RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, EXPURGADO (NOTA 04) e com CONSCIÊNCIA MAIS ELEVADA, porém, cuja força e poder de TRANSFORMAÇÃO, excedem essa anomalia do comportamento da maioria que ainda está inconsciente.

Os novos tempos pedem coragem, tenacidade, honradez, pensamento na COOPERAÇÃO, na PARCERIA, em olhar o outro com INTEGRIDADE e inteireza, não de modo fatiado e fragmentado como é nos dias de hoje.

Havemos de trabalhar a síntese, a mesma síntese que o Mestre Jesus veio ensinar há mais de dois mil anos, mas que só AGORA, começa a frutificar nos corações que trabalham para assumir sua HUMANIDADE, honrar os talentos e dons recebidos, para usá-los em benefício e em COOPERAÇÃO com o TODO.

Apenas com espírito fraterno, em parceria e cooperação, corretas relações de RESPEITO e ricas de significado, poderemos sair de todo o lodo nefasto que se instalou, e que está com os dias contados, fadado à EXECRAÇÃO.

Todo padrão novo deverá suceder àqueles que não servem mais à humanidade.

NOTAS

NOTA 01 – DISTOPIA: Estado imaginário em que se vive em condições de opressão, desespero ou privação; O mundo distópico é um lugar de baixa qualidade de vida, marcado por autoritarismo do sistema que impõe comportamentos fora do padrão como se fossem “normais”, tornando a anomalia uma coisa COMUM. Mundo da desesperança pela ausência de perspectiva de mudança.

NOTA 02 – ENTROPIA: Grau de degradação ou desordem de um sistema; Grau de irreversibilidade de um sistema em colapso.

NOTA 03 – QUALIDADE HUMANA, HUMANIZANTE e HUMANIZADA:

QUALIDADE HUMANA: características de um ser humano pleno, íntegro, saudável;

HUMANIZANTE: que pode ser humanizado;

HUMANIZADA: que já está saneada, que já tem caráter humano, que se tornou benéfico; cujo comportamento é tolerável e adaptado a um novo nível de Consciência mais aprimorado.

NOTA 04 – EXPURGADO: Saneado, depurado, purificado, com retirada e limpeza do lixo.

domingo, maio 16, 2021

Todo o lugar onde uns olhos pousam

 

Todo o lugar onde uns olhos pousam, perde o seu mistério.

Porque ganha uma história,

Porque deixa de ser intacto…

 

Porque mostra um caminho,

Para que possa ser compreendido…

Porque se deixa vislumbrar…

 

Haverá vezes poucas, onde uns olhos humanos…

Conseguindo olhar imaculadamente…

Observem a plenitude de um mistério,

Suas histórias sem julgar,

 

Então abençoados podem ser considerados,

Aqueles que pelo olhar de alimento

Servem a alma, do néctar de luz…

Na claridade desvendada…

sexta-feira, abril 30, 2021

Um mundo só

Irmãos de jornada na Terra:

Desde o início dos tempos estivemos ao seu lado. Somos a brisa discreta que se mostra presente, fazendo dançar as folhas verdes na árvore que lhes dá sombra. Somos a nuvem que se dissipa ou se aglomera no alto, prevendo tempo aberto ou momento de lutas. Somos a coincidência do encontro e do desencontro, quando desejamos, de alguma forma, que nos ouçam com clareza. Somos a lembrança fora de hora. Somos a intuição repentina. Somos a canção de conforto que ecoa na alma, sem aparente razão.

Somos as ideias que se somam às suas. Somos as letras das suas músicas. Somos as músicas das suas letras. Enfim, somos um mundo só. Sim... Nossos mundos sempre foram apenas um.

Foram vocês que aprenderam a se referir a nós como seres do outro mundo, seres de outra esfera. Foram vocês que aprenderam a chamar este lado da vida de lá, de além...

Fronteiras são apenas desenhos acanhados de transições, de passagens. Desaparecerão, tão logo compreendam com mais profundidade as leis universais. Tudo é apenas uma questão de perspetiva.

Escutem: a vida é uma só, a vida do Espírito, de todos nós, independente se estamos vestindo um corpo físico neste instante ou não. A vida é uma só e ela nos interconecta a todos, criaturas da criação: desde o átomo até o mais perfeito ser. E as almas... as almas são todas irmãs.

Vindas de Deus, todas as filhas da raça humana são unidas por laços estreitos de fraternidade e solidariedade. Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do espaço. Esta mesma força, que é apenas uma das mil nuances do amor do Criador, sempre propiciou também que as almas, em todos os graus de sua ascensão, fossem atraídas e socorridas pelas entidades superiores.

Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo. É maravilhosa essa fecundação constante dos corações mais áridos, necessitados, pelas almas mais esclarecidas e nobres. Daí vem todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas.

Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. Deus, na Sua equidade, nunca recusou seu socorro nem Sua luz para raça alguma, para povo algum. A todos tem enviado guias, missionários, profetas. A verdade é uma e eterna, ela penetra na Humanidade através de irradiações sucessivas, à medida que seu entendimento se torna mais apto para assimilá-la. 

Um mundo só. Sempre fomos um mundo só, interligados pelas sutilezas da vida exultante, entrelaçados em Deus, Espírito e matéria. O Espírito sopra onde quer, e eis que aqui estamos, onde desejamos estar, ao seu lado, num mundo só.

quarta-feira, abril 14, 2021

EU SOU Babaji.

Hoje vim ter convosco uma conversa séria e espero que a Minha determinação ajude os que estão prontos para a mudança.

Durante a Minha encarnação, Eu disse que a revolução estava prestes a chegar. Ora, o período de tempo disponibilizado para a sua chegada terminou. Por isso, estejam prontos para mudanças realmente revolucionárias!

Essas mudanças devem acontecer na vossa consciência. À medida que a vossa consciência começar a mudar, tudo em redor começará imediatamente a arder no fogo da mudança.

Tudo o que agora é normal e familiar será completamente varrido da face da Terra. Tudo a que estão acostumados. Todos os vossos hábitos e apegos. Isso acontecerá inevitavelmente porque essas coisas não estão de acordo com o Plano Divino nem com o sentido correcto da evolução humana.

Quando a persuasão não funciona e as pessoas persistem em não obedecer à Lei divina, então é necessário recorrer ao uso da força. Quando a humanidade não obedece à Lei Divina e os prazos dados para a sua consciencialização expiram, então têm de ser aplicadas medidas reforçadas. Na verdade, a maioria das coisas a que estão acostumados na vida não cumpre com os requisitos necessários para passar para a fase seguinte da evolução. Portanto, muitas esferas da actividade humana passarão por mudanças verdadeiramente revolucionárias.

Estão habituados a comer carne e produtos cárneos. Terão que desistir deles, à medida que as vibrações do plano físico começam aumentar; deverão mudar para alimentos de mais elevada vibração, nomeadamente de origem vegetal, para que o vosso corpo físico se conforme com essas novas vibrações.

Estão habituados a beber álcool. Terão que desistir dele de uma vez e para sempre. E o mesmo em relação ao tabaco e estupefacientes.

Habituaram-se a abusar da energia sexual. Terão que ser castos, pois a viabilidade da próxima geração de pessoas vai depender da preservação do vosso potencial sexual.

Os seres inviáveis não serão capazes de viver no novo mundo.

Estão viciados em assistir a programas de televisão e afins. Terão que desistir desse hábito, pois irão precisar da qualidade de concentração na Realidade Superior, qualidade que é destruída por esse vício.

As mudanças que se avizinham vão destruir pelo menos metade de toda a vossa indústria e negócios – todos os negócios de entretenimento de massa, a produção de substâncias entorpecentes e os alimentos de baixa qualidade vibratória.

Essas são mudanças verdadeiramente revolucionárias que irão realmente acontecer. Só assim é que a humanidade provará a sua capacidade de evoluir ainda mais.

Num dos pratos da balança, há todas aquelas “coisas boas” da vossa civilização que mencionei acima a que a humanidade está ligada e de que não quer desistir; no outro prato, coloca-se a existência do física planeta Terra.

Têm que tomar a vossa decisão dentro de um apertado período de tempo. Quanto mais tempo demorarem a decidir, menores serão as oportunidades de uma transição gradual e maior a probabilidade de um cataclismo global que destruirá a vossa civilização sem rumo.

A culpa de tudo reside isso na vossa falta de desejo em mudar.

A falta de desejo de seguirem a Lei Divina.

A Lei Divina supõe que a sociedade deve ser baseada em princípios completamente diferentes, que permitam às pessoas manifestarem a sua Natureza Divina de modo cada vez mais intenso. A vossa civilização actual favorece a manifestação da natureza demoníaca do homem. Por isso, a necessidade de fazerem escolhas é urgente. Esta escolha é clara – ou desejam seguir o caminho do desenvolvimento evolutivo ou desejam juntar-se às civilizações falhadas do passado.

O caminho está aberto para todos os que fazem a escolha Divina no seu interior e a seguem, apesar de as pessoas que vos cercam continuarem a seguir os mesmos caminhos antigos, afastados de Deus e da orientação Divina. E se algo acontecer com o planeta, receberão um passe para outros mundos que estejam em sintonia com a sua vibração. Contamos com cada pessoa que possa provar o seu direito de passar para o próximo estádio evolutivo.

Tem-vos sido dito que uma grande oportunidade está em vias de se abrir e que será fácil mudarem agora porque os Céus dar-vos-ão ajuda e apoio. E é verdadeiramente um tempo abençoado este que estão a viver. Enquanto alguns indivíduos tomam medidas rápidas para ascenderem para o próximo nível de consciência, os outros afundam-se rapidamente à mesma velocidade.

A todos é dada uma oportunidade de sobreviver.

A todos é estendida uma mão amiga.

Mas a lei do livre-arbítrio não nos permite interferir, a não ser que haja um pedido de ajuda da vossa parte.

E mesmo se a situação for completamente impossível devido ao karma que criaram, mesmo que o derradeiro pecador implore por ajuda ao Céu no último minuto, nós não nos poderemos recusar.

Então, peçam ajuda, que a ajuda virá!

Orem pela salvação, e ela chegará!

Confiem em Deus, e Deus proteger-vos-á e guiar-vos-á! A única coisa realmente necessária é o vosso desejo de mudar e servir a evolução do planeta Terra.

Não percam a oportunidade que vos é dada agora!

É difícil perceber a urgência da situação quando tudo parece estar bem. A consciencialização é mais rápida quando a situação se torna tão absurda que até mesmo os surdos e os cegos percebem que algo está errado.

É por isso que grito aos vossos ouvidos: “Chegou a hora!”

Chegou o tempo de revolucionarem a vossa consciência!

EU SOU Babaji. 

terça-feira, abril 06, 2021

A ATITUDE CORRECTA.

O espiritualista deve encontrar um justo equilíbrio entre o orgulho e a humildade exagerada. Não é bom que, com o pretexto de ser modesto, ele se apague completamente, porque acabará por ficar embrutecido e estúpido. Mas sentir-se um ser superior, alegando que segue um ensinamento espiritual num mundo de materialistas e de descrentes, também não é recomendável, porque desse modo ele tornar-se-á ridículo. O que é mais difícil é a medida correta. Muito poucos discípulos, mesmo nas Escolas Iniciáticas do passado, souberam não soçobrar no orgulho ou numa humildade afetada... que, muitas vezes, não é senão outra forma de orgulho!

Então, como se apresenta um verdadeiro espiritualista, um verdadeiro discípulo? Sempre natural, simples, acessível. Para que há de ele querer atrair atenções por meio de ares superiores ou inspirados? Vós perguntareis: «Mas então não devemos querer mostrar as nossas aquisições espirituais?» Na realidade, não há absolutamente nada a mostrar! Se soubestes adquirir verdadeiras riquezas espirituais, elas aparecerão por si, não precisais de as expor. Uma vez que trabalhais sobre vós, deixai que os traços do vosso rosto, a vossa postura, os vossos gestos, falem por vós. Sede simples, espontâneos, naturais. Para que haveis de impor-vos de uma maneira artificial?

Quem segue um ensinamento espiritual deve compreender que terá ocasião de manifestar as suas qualidades e que os outros as notarão sem que ele tenha necessidade de adoptar toda a espécie de atitudes para as evidenciar. Ele que deixe falar o seu trabalho interior: mesmo à sua revelia, esse trabalho dará testemunho dele.

Quando alguém se põe a falar-vos insistentemente acerca do trabalho espiritual que está a fazer, desconfiai! Vangloriar-se do seu trabalho espiritual não é próprio de um verdadeiro espiritualista. Por isso, aconselho-vos a não falar nem do trabalho que empreendestes, nem dos resultados a que aspirais. Aliás, mantendo secreto o vosso trabalho mantereis o impulso, o ardor, o entusiasmo de que necessitais para progredir.

Imaginai um jardineiro que acaba de plantar a semente de uma árvore extraordinária, única. Se ele for insensato ao ponto de ir desenterrá-la sempre que alguém vier visitá-lo e dizer: «Está a ver esta semente? Olhe bem para ela! Um dia, ela tornar-se-á uma árvore excecional com frutos deliciosos; qualquer dia já se poderá comê-los...», para logo correr a plantá-la de novo, será o fim da pobre árvore. Mas é isso que muitas pessoas têm tendência para fazer: desenterram o que mal acabaram de plantar, para que toda a gente saiba bem que árvore elas estão a fazer crescer. Pois sim, mas mataram-na! Não deviam ter tirado a semente do solo.

Por isso, limitai-vos a trabalhar! As leis são verídicas, absolutamente verídicas: se o que fazeis é belo, podeis estar certos de que, mais dia menos dia, isso transparecerá e todos serão obrigados a sentir as bênçãos que emanarão de vós.

quarta-feira, março 31, 2021

EU SOU Shiva! Eu vim!

Eu vim hoje destruir alguns estereótipos que estão ancorados na vossa consciência há milhares de anos.

E o estereótipo principal que eu vim destruir hoje refere-se à vossa convicção de que são totalmente livres para tomar decisões nas vossas vidas e para agir da forma que muito bem entenderem.

Sim, a lei do livre-arbítrio existe no vosso mundo. E Nós não interferimos com as vossas decisões até o momento em que elas, o vosso comportamento e a vossa maneira de viver coloquem em perigo a civilização existente no planeta.

No entanto, há um momento em que o vosso livre-arbítrio vos coloca perante um impasse kármico. E tudo o que fazem transforma-se num bacanal de permissividade, numa festa trágica a que deve ser posto fim.

E Eu vim agora lembrar às vossas almas outros tempos que existiram na Terra. Durante estes tempos, existiu o primado da Lei Cósmica. A humanidade da Terra obedecia aos seus Guias que se encontravam num nível mais elevado de desenvolvimento evolutivo. Mas depois, o abuso da liberdade consolidou a “cortina” entre vós e os vossos Guias que não mais puderam permanecer entre vós.

Na mitologia hindu, o actual período histórico é chamado de Kali Yuga, uma época de trevas e ignorância. É por isso que regressamos de novo, para vos dizer que a vossa permanência no actual estado de ignorância está a chegar ao fim. O tempo em que os vossos Guias voltarão a caminhar no vosso meio aproxima-se.

No entanto, é necessário que vocês mesmos criem as condições necessárias para essa mudança na Terra. E essas condições estabelecer-se-ão no mundo através da mudança da vossa consciência. E se a humanidade continuar a mostrar obstinação e a tentar defender as posições do seu ego, então chegará o tempo em que cataclismos enormes arrasarão cidades inteiras e até mesmo continentes da face da Terra.

Não pretendo intimidar-vos mas apenas avisar-vos que o tempo é curto. E como nunca antes, é agora necessária a vossa humildade perante a Lei Maior.

Parem de brincar aos deuses. Transformem-se, isso sim, em Deuses verdadeiros. Mas, para isso, é necessário darem alguma coisa em troca. É preciso que se libertem da vossa parte irreal, do vosso ego, que tem sido utilizado para desempenharem os vossos papéis no plano físico do planeta.

Estou-vos a dizer que o período do Kali Yuga está a terminar. E chegou o momento para mudanças grandiosas na vossa consciência.

A humildade perante a Lei Maior deve tornar-se a base da vossa existência.

Actualmente, o vosso ego faz-vos correr, instila-vos a dúvida e busca permanentemente algo para satisfazer os seus caprichos e desejos.

Vocês têm que entender que se aproxima o momento do fim da vossa parte irreal. E tempos difíceis esperam os indivíduos que não estiverem prontos para se adaptar às novas condições, que estiverem demasiado comprometidos com a sua parte irreal.

O Karma que continuam a criar por causa da vossa loucura ou ignorância ultrapassa todos os limites razoáveis. E mesmo o poder dos Mestres Ascensionados pode não ser suficiente para manter o karma dentro de certos limites, de modo a que não desabe sobre as vossas costas e destrua a maior parte dos continentes da face da Terra.

EU SOU Shiva, o destruidor de ilusões. E o meu poder não pode ser comparado com o poder de muitos “magos livrescos” que se julgam deuses encarnados. Ganhem consciência da vossa situação. Não aumentem o vosso karma já insuportavelmente pesado.

Eu vim tentar fazer-vos compreender que o período de predominância do vosso ego está a chegar ao fim. Dispõem de pouco tempo para mudar a vossa opinião sobre a evolução e o sentido das vossas vidas.

Separarem-se de Deus e da Hierarquia Divina que existe no universo é uma decisão profundamente irrazoável. Isto já vos foi dito muitas vezes e, com surpresa Nossa, continuam a não perceber ou a não quererem perceber uma grande parte das informações que vos transmitimos.

A aceitação da Lei Maior é algo de muito simples, mas o vosso ego rebelde continua a lutar. Mas lutam contra quem?

Não vos parece estranho estarem a lutar contra o verdadeiro Deus, afastando-se de Nós em direcção aos “deuses” que vocês mesmos criaram à vossa imagem e semelhança?

Não será a hora de regressarem para o único Deus do universo em vez de se renderem aos deuses inventados pela vossa consciência imperfeita?

Eu vim hoje instruir-vos novamente no caminho do conhecimento da Verdade Divina e dirigir a vossa atenção para os obstáculos que impedem o vosso progresso no caminho do conhecimento desta Verdade.

EU SOU Shiva! OM NAMAH SHIVAYA!


terça-feira, março 30, 2021

O CAMPO DAS NOSSAS RESPONSABILIDADES

Em todos os domínios – político, social, científico, económico, religioso, moral – se ouve as pessoas falarem de responsabilidade. Presidentes, ministros, generais, directores, pais, professores, etc., todos sabem que são responsáveis. Uma quantidade de seres humanos e de acontecimentos dependem do seu comportamento, das suas decisões.

Sim, mas a noção de responsabilidade vai muito mais longe, porque todas as criaturas no mundo estão ligadas entre si e se influenciam mutuamente. A despeito das aparências, a separação não existe, é uma ilusão, nada está separado. E é assim que, não só pelos nossos actos mas também pelos nossos pensamentos e sentimentos, cada um de nós tem influência nos outros seres do mundo inteiro. Precisamos de saber isto para termos a verdadeira dimensão das nossas responsabilidades.

Vale a pena reflectir sobre este assunto. Todos vós tendes imensas responsabilidades que podeis utilizar como ocasiões para vos desenvolverdes e vos tornardes mais conscientes, mais lúcidos, mais senhores de vós. Como é magnífico saberdes, com plena certeza, que, pela vossa vida pura, nobre e luminosa, podeis arrastar todas as criaturas para a via do bem! Ainda que vos pareça que o que fazeis não produz qualquer efeito, na realidade há sempre, algures, algo de bom que desperta, que recebe um impulso. E, se vos desleixardes, influenciareis também os outros, criareis condições favoráveis para a sua queda.

Vou dar-vos um exemplo: estivestes a meditar durante muito tempo e profundamente, enviando luz e amor ao mundo inteiro, e depois saís para caminhar um pouco pelas ruas. Quando voltais a casa, não tendes a impressão de ter feito o que quer que fosse... Pois bem, estais enganados. Se fôsseis clarividentes, veríeis bem o que a vossa presença pôde fazer, sem que o soubésseis, às pessoas com quem vos cruzastes. Algumas, que tinham projectos maléficos, abandonaram esses projectos; outras, que estavam perturbadas, desesperadas, encontraram um pouco de serenidade e de ânimo. Tudo depende da sinceridade das vossas aspirações.

Os vossos estados interiores não dizem respeito unicamente a vós; eles também influenciam quem vos rodeia, e vós sois responsáveis... Se não acreditardes em mim, tanto pior para vós, um dia verificá-lo-eis! Quando chegardes ao outro lado e vos disserem: «Olha para estas desgraças, estes acidentes, estes crimes; também foste a causa deles, foi por tua culpa que alguns seres sofreram», bem podereis protestar, dizendo que nunca fizestes todo aquele mal, que vos responderão: «Sim, mas participaste nele e essas pessoas sofreram realmente por tua causa: os teus pensamentos e os teus sentimentos contribuíram para que outros lhes fizessem esse mal.»

Não somos responsáveis apenas pelos nossos actos, mas também pelos nossos pensamentos e sentimentos, porque eles agem como forças no mundo invisível que arrastam os seres para o mal ou para o bem.

sexta-feira, março 26, 2021

EM 15 DIAS

"Queridos irmãos da Terra.

Que momento extraordinário passa esse planeta.

Em 15 dias todas as nações do mundo se ajoelham perante o invisível.

Nenhum dinheiro do mundo pode aplacar o medo que hoje habita os corações dos seres.

A capital mundial do dinheiro finalmente descobre que não é possível comer e respirar o ouro.

A cidade luz, mergulhada nas trevas.

A Cidade Eterna parece condenada a encontrar o seu fim.

Enquanto isso, o Planeta Terra, organismo vivo, aproveita a ausência do homem e cura-se.

Rios estão a ficar cristalinos. O ar está mais puro em todo mundo e as estrelas estão mais visíveis.

Tudo em 15 dias.

Enquanto a solidariedade se destaca em alguns, outros exacerbam o seu egoísmo, deixando evidente quem serão os futuros moradores da Terra regenerada.

E, que ironia, esse vírus abençoado parece não atacar animais.

O seu alvo é a raça humana.

Abençoado sim, pois nos foi ensinado que a dor é a grande professora.

E quantas lições podem ser aprendidas com esta situação.

Sabemos que para o espírito na matéria é difícil ver as coisas com os olhos da alma.

Mas creiam! O que acontece neste momento é uma oportunidade única, que outros Orbes não tiveram.

A guerra nuclear era o carma da raça humana. A auto destruição o seu destino.

Mas este planeta tão amado por Jesus, recebeu a chance maravilhosa de ter um chamado diferente.

Em vez de se autodestruírem para aprenderem a fraternidade, afastar-se-ão, para aprenderem na dor da solidão a importância do colectivo.

Sentirão na falta de contacto humano, a importância de um abraço.

Os vossos contactos virtuais não serão suficientes para aquecerem os vossos corações.

Dor, lágrima e sofrimento ainda serão sentidos nos próximos meses.

Mas feliz daquele que entende este momento sublime.

No mundo espiritual, seres elevadíssimos acompanham o momento com atenção e um amor infinito.

É finalmente chegada a hora.

A Terra amada não será mais a mesma.

Se pudessem ver o que vemos, veriam o espetáculo que está a ser a mudança vibratória do planeta.

Que força tem a oração!

Que força tem o pensamento!

Tudo em 15 dias.

O que não será possível quando esta vibração for perene?

E como é infinito o amor do Cristo!

Ele está em cada coração. Em cada oração. Em cada pensamento.

Como um pai que não abandona um filho.

Que Ser extraordinário, que um simples raio do seu olhar magnânimo seria capaz de ofuscar o próprio sol.

E este Ser gigantesco olha para a Terra com piedade e amor.

Então, que motivo existe para ter medo?

O momento é de esperança!

O momento é de mudança!

Mudança para uma nova Era.

E também é chegada a hora de espalhar esperança.

Aqueles que têm consciência do actual momento, têm a enorme missão de levar esperança aos corações sofredores.

Quando todos estiverem com medo da morte, sejam a luz que mostra a vida eterna.

Lembrem-se dos primeiros cristãos que, aguardando o martírio, cantavam e louvavam o Senhor.

E enquanto os tiranos de Roma os transformavam em tochas humanas, Jesus transformava-os em tochas do espírito, que iluminavam as trevas do medo e da ignorância.

O momento actual é de igual grandeza.

Sejam semeadores da esperança.

Bem-aventurados os que entenderem e aproveitarem este momento, pois quando tudo passar, serão bem-vindos a um planeta regenerado".

Portagem do Irmão José...

terça-feira, fevereiro 23, 2021

ASSUMIR AS TAREFAS QUOTIDIANAS

 A vida quotidiana não é senão uma sucessão de tarefas que é necessário realizar; todos os dias é preciso ir trabalhar, todos os dias há que pensar na família, na mulher ou no marido, nos filhos, nos pais, etc. Por toda a parte há problemas a resolver, novas situações a enfrentar, e muitas vezes é difícil. Mas não se deve fugir a esses esforços. Sejam quais forem as tarefas de que o destino vos encarregou, deveis incumbir-vos delas o melhor possível. Se as descurais com o pretexto de que são fastidiosas ou indignas de vós, parais na vossa evolução e, de qualquer maneira, sereis obrigados a voltar para as assumir até ao fim. Então, constatareis como é difícil ter de retomar uma tarefa que se imaginava ter completado.

Quem julga que pode escapar às suas obrigações para levar uma vida mais fácil, mais agradável, não conhece as severas leis que regem o destino. Se estamos na terra, a sofrer e a debater-nos no meio de tantas dificuldades, é precisamente porque devemos recomeçar a nossa tarefa. Enviaram-nos à terra para repararmos certas coisas, para nos mostrarem que não sabemos trabalhar e precisamos de aprender a fazê-lo. Se não aceitarmos isso, seremos enviados de novo e as nossas falhas tornar-se-ão cada vez mais difíceis de corrigir.

Dir-me-eis: «Mas há momentos em que a situação fica insustentável, não se consegue suportar mais, fica-se esmagado.» Sim, eu compreendo. Então, ide tomar ar por uns momentos e depois voltai para enfrentar a situação.

quarta-feira, janeiro 06, 2021

Como se dará o Despertar Coletivo

 Muito se fala hoje em dia sobre “espiritualidade”, “era de aquário” (esse termo existe desde a década de 60), “abertura de portais” (desde a década de 80), etc. De outro prisma, para algumas religiões o que vale são os apegos a livros clássicos sagrados como tema central e de regras a serem seguidas, a exemplo da Bíblia dos cristãos, da Pistis Sophia dos coptas, do Alcorão dos islâmicos, dos Upanishads e do Hig Veda dos hindus, do Livro dos Mortos dos egípcios, do Livro Tibetano dos Mortos, entre outros milhares. 

Se fizermos um mergulho na CONTEMPLAÇÃO e na MEDITAÇÃO, todos os fundamentos e conceitos expressos pela religião e segmentos ditos “espiritualizados”, começam a perder seus contornos e vão se liquefazendo. Nessa desconstrução, todos os fundamentalismos e conceitos rígidos vão ganhando NOVAS DIMENSÕES, se ampliando e trazendo novas significações.

No que diz respeito à compreensão dos paradoxos “espirituais”, há alguns aspectos que jamais devem ser desconsiderados. 

Umberto Eco, um expoente da Semiótica, ao retratar características dos símbolos, nos indica que eles carregam em si um conglomerado de significados. De minha parte, eu os entendo como verdadeiros “pacotes” de informação que se interpenetram e se suplementam entre si, nos trazendo panoramas completos e amplos. A cada ampliação de nosso cone de percepção, esses símbolos nos revelam mais e mais significados e informações.

Entretanto, em um mundo repleto de interesses díspares e nem sempre primorosos, o símbolo para educação das massas, caso possua finalidade destrutiva ou que prevaleça o benefício de lobistas e/ou grandes conglomerados empresariais, não visaria o bem comum nem a elevação do nível de consciência dessa coletividade atingida pelo símbolo ou símbolos. Esse é o grande perigo para quem está disperso e à mercê do controle alheio, via campanhas publicitárias, algumas vezes subliminares.

E por que os símbolos têm tanto “poder” de persuasão ou de informação? Porque todos os símbolos possuem sistemas de significação que estão latentes no inconsciente coletivo, esperando que a consciência humana adquira capacidade de acessá-los. E eles só poderão ser alcançados através da visualização e da ampliação da percepção. 

No filme “Matrix” (trilogia que ganhará um 4º filme até 2022), demonstra que a maioria dos “adormecidos” nos casulos da Matrix não podem ser despertados porque não possuem condições para ingressar nesse doloroso processo, de usar os sentidos externos e muito menos os sentidos internos. Entretanto, quando “NEO” quebra a Matrix, todos os que estão nela se beneficiam imediatamente, expressando que uma espécie de libertação coletiva dispensa o despertar de todos através dos métodos convencionais.

Alguns filmes inspirados, nos dão pistas valiosas. Em "Contato" (1997), a linguagem usada pelos seres de "Vega" se baseava em símbolos e foi apresentada dentro de uma geometria, um poliedro regular (salvo engano era um icosaedro regular). Portanto era uma linguagem não linear, advinda de um nível de compreensão muito avançada. 

Da mesma maneira que as figuras planas estão em um nível físico e emocional, as figuras geométricas estão entre o nível mental concreto e o abstrato. Já os símbolos, eles penetram no infinito, transcendendo em muito a compreensão linear e estreita. Uma consciência expandida não apenas compreende e apreende os símbolos, como ressoa em alta frequência vibratória, mantendo simultaneamente um excelente padrão de equilíbrio natural. 

A compreensão humana segue o mesmo modelo: ela precisa expandir-se para alcançar o infinito, com as notas muito altas no quesito AMOR e COMPAIXÃO, estando a serviço da construção, da reconstrução e constante aprimoramento do TODO.

Leonardo da Vinci em seus fabulosos desenhos nos forneceu várias figuras geométricas, indicando interconexão e o viés do PENSAMENTO e COMPREENSÃO ESPACIAL. Platão e seus magníficos sólidos platônicos, nos trouxe também um tipo de ensinamento e inspiração muito elevados, fonte de sabedoria para a evolução humana.

Semelhantemente, na vida “real”, também é assim. Embora atualmente caminhemos sobre o caos, paradoxalmente, nos dirigimos para a graduação da humanidade. Para tanto, haverá um “salto quântico” COLETIVO de compreensão.

Como isso se daria, uma vez que a massa social está adormecida e completamente à mercê de eventos externos?

Digo sem embargo, que esse “salto” de compreensão NÃO SE DARÁ através do conhecimento e muito menos do convencimento. Por que digo isso?

Porque adquirir conhecimento é um processo demorado, requerendo investimento de grande envergadura em livros, cursos, tempo, envolvendo recursos financeiros consideráveis, o que já dificultaria para muitas pessoas que eventualmente estivessem interessadas nessa escolha, além, é claro, de possuir um nível de cognição excepcional para absorver matérias difíceis e muitas vezes de elevado teor filosófico.

As portas para o “salto” de compreensão COLETIVA, se dará através da SINTONIA, da VIBRAÇÃO do AMOR, conforme dito por vários sábios, inclusive, pelo apóstolo Paulo inspirado, quando escreveu o livro bíblico de Coríntios, afirmando que de todos os DONS, o AMOR é o maior. 


AMOR e MÚSICA estão em uníssono no trabalho de ascensão humana, porque se constituem vibrações afinadas e harmoniosas, que expressam e ressoam com grande propriedade o ENLEVO, o AMOR, a SUBLIMIDADE e as SINFONIAS dos MUNDOS EXCELSOS de COMPREENSÃO.

Será o AMOR a nota chave para subirmos os degraus da compreensão e acessarmos no inconsciente coletivo, todos os registros do conhecimento passado, presente e futuro. 

Logo, a ânsia ou a pressa em levar conceitos através do conhecimento não é suficiente nem eficaz para que uma onda de despertar coletivo ocorra.

Muitos abrirão os “olhos” da compreensão através de alguns outros que já se encontram despertos e são capazes de AMAR, emitir AMOR de alto poder vibracional, num espectro amplo, que IRRADIE a LUZ DIVINA de longo alcance. Essa é a NOTA CHAVE para um despertar coletivo.

No livro “Como Conhecer Deus – A Jornada da ALMA ao Mistério dos Mistérios”, Deepak Chopra nos inspira a percorrer por sete níveis de compreensão. Ilustrativamente ele discorre sobre esse tema, e, indica que uma pessoa que consegue acessar simultaneamente esses 07 níveis de compreensão, se torna um diferencial, uma vez que as massas se fixam nos dois primeiros níveis: Corpo e Ambiente Físico, e, Ego ou Personalidade.

Quem consegue galgar nível a nível de compreensão ali expresso, já poderá contribuir para uma elevação do quociente vibracional do planeta.

Se esses sete níveis despertos estiverem associados ao vislumbre nos níveis imediatamente superiores (8°, 9° e 10° níveis), essa pessoa já terá condições de emitir, exalar e expandir vibrações de AMOR e MÚSICA altamente refinados, capazes de elevar a ressonância e a frequência vibracional de milhares de pessoas ao redor do planeta. Esses são e funcionarão como voluntários, na qualidade de catalisadores no processo de despertar coletivo. 

Embora possam deter alto nível de conhecimento, usarão na verdade, a maior potência que detém longo e profundo alcance, que é o padrão AMOR, a força mais poderosa dos Universos, capaz dos maiores milagres. Será o AMOR o grande pilar da nova civilização que está em andamento e que surgirá quando o “salto coletivo” puder ser dado de modo pungente.



domingo, novembro 08, 2020

Como se vestem os Espíritos

Em seu julgamento, Joana D’Arc respondeu perguntas capciosas. Tudo para que se pudesse afirmar que ela tinha pacto com as sombras. Que não fora enviada por Deus para a grave missão que cumpriu: devolver a França aos franceses. 

Poder-se-ia imaginar que a adolescente fosse subjugada pela astúcia de um tribunal que objetivava condená-la. Também ridicularizar o seu papel como heroína de um povo. Quando o bispo Pierre Cauchon lhe perguntou se os Espíritos lhe apareciam nus, de imediato, respondeu: Acreditai que Deus, nosso Pai, não tenha com que vesti-los?

Ao longo das eras, a arte sacra representou os anjos com vestes longas, brancas, leves, esvoaçantes. Tudo que nos desse a ideia de sua pureza. Os elevados a condição de santos, por sua vez, mesmo aqueles como Pedro, o Apóstolo, que era um pescador, são apresentados com ricas vestes, em que se misturam cores vibrantes, veludo, púrpura, sedas. Jesus, o Mestre de Nazaré, que afirmou que as cobras tinham seus covis, os pássaros tinham seus ninhos, enquanto Ele, o Filho do Homem, não tinha uma pedra para repousar a cabeça, não ficou livre dessa conceção.

As pinturas, as estátuas que objetivam apresentá-lO aos homens, O mostram com vestes luxuosas, ricos mantos. Para assinalar a grandeza desses Espíritos, em alguns foram acrescentadas joias e coroas. Por detrás de todas essas conceções, existe uma verdade. O mundo espiritual é muito rico de recursos e os Espíritos, quando se apresentam aos olhos humanos, o fazem com trajes específicos.


Yvonne do Amaral Pereira, cuja vidência mediúnica lhe permitia ver os Espíritos, afirma que eles podem vestir-se, servindo-se dos ricos elementos esparsos pelo Universo, aos quais acionam voluntária ou insensivelmente, valendo-se das forças do pensamento e da própria vontade! 

Assim, o músico polonês Frédéric Chopin, ao lhe aparecer, se apresentava muito bem trajado, à moda da sua época, reinado francês de Luís Filipe.

Lázaro Zamenhof, o criador do Esperanto, lhe aparecia com seu terno do século XX, circundado de um halo como que formado de ondas concêntricas, que assinalam o seu elevado trabalho intelectual.

A entidade que se denomina Charles, martirizado por amor ao Evangelho, no século XVI, na França, durante a célebre matança de São Bartolomeu, se deixa ver em trajes de iniciado hindu. Ou em trajes de príncipe indiano, visto que no século XVII foi soberano na Índia. Os integrantes da falange de iniciados hindus ela os percebia em seu uniforme característico, as gemas do anel e do turbante inclusive, envoltos em neblinas lucilantes, com reflexos azuis. Quanto temos a descobrir da Espiritualidade, um mundo pleno de bênçãos, de recursos acionados pela vontade dos Espíritos. Os homens, mesmo ignorantes, como que deduzimos tudo isso. Por isso representamos os santos, os anjos, as entidades mais sublimes tão bem vestidas.

Razão tinha a donzela de Orléans em cientificar àqueles homens do século XV que infinitos são os recursos de Deus. Quanto ainda nos cabe aprender a respeito desse imenso universo de formas, de ondas, de fluidos.

segunda-feira, outubro 26, 2020

As preces dos nossos irmãos

Nos dias de tristeza, quando a alma se veste de luto e tudo parece desencanto, buscamos o Senhor da Vida. Nossa rogativa se transforma em lamúrias porque há muita dor em nossa intimidade. E, ainda assim, guardamos reservas para com o irmão que ora ao nosso lado.

Mesmo em meio ao cenário triste da pandemia que arrebata vidas, ao lado de outras tantas enfermidades que, há anos, vem retirando do mundo os seres humanos, alguns de nós olhamos de forma diferenciada os irmãos de outras crenças. Esquecemos que Jesus nos afirmou que o Pai vê o que se passa em secreto, ou seja, no profundo da criatura, e recebe toda súplica, providenciando o socorro.

Os ensinos do Mestre de Nazaré prosseguem a nos esclarecer como O fez para a samaritana, no poço de Jacó. Naquela época, a discussão era em torno do local em que deveriam ser proferidas as preces a Yaweh. Seriam melhores as que fossem ditas no suntuoso templo de Jerusalém? Seriam essas as ouvidas pelo Pai Celeste? Ou, aquelas pronunciadas no Monte Garizim, mesmo após a destruição do templo ali erguido, seriam ouvidas igualmente?

Qual delas revelaria, enfim, a verdadeira adoração?

Jesus, o Mestre Incondicional, com Seu pensamento universal e atraindo todas as Suas ovelhas para o mesmo redil, pronunciou-se, elucidando: Está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, esses são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito e aqueles que O adoram devem adorá-lO em espírito e verdade.

O ensino era para aqueles dias. Também para os do futuro. Para todos os homens. Deus é um só. Criador. Pai Celeste. Infinitamente amoroso, acolhe as súplicas que lhe dirigem os Seus filhos, residam nas grandes metrópoles ou nas terras áridas. Realizem as suas rogativas em suntuosos templos ou em plena natureza. Ou em um casebre, à beira da estrada. O verdadeiro altar é o do coração. Por isso, o ensino crístico recomenda, quando orarmos, nos retirarmos para nosso quarto, fecharmos a porta e nos dirigirmos ao Pai em secreto.

Isso quer dizer, mergulharmos em nossa intimidade, cerrar os olhos e ouvidos a tudo que nos possa distrair do propósito de dialogarmos com Aquele que alimenta as aves, levanta as ondas do mar e veste a erva do campo. Seja a prece esse encontro mais íntimo com Deus. Como fazia o Mestre, que buscava o silêncio para se ligar mais intimamente ao Pai. Servia a todos, horas e horas. Depois, refazia-se, unindo-se em prece Àquele cujo pensamento Ele interpretava na Terra.

Para isso, o silêncio. De fora. A tranquilidade de dentro.

Ante o sacrifício que logo mais lhe seria exigido, entregue às mãos dos homens que O temiam, ou não O desejavam entender, Ele ora. E, outra lição de valor, pede aos amigos que estão com Ele, que O acompanhem na prece. Isso nos diz da importância de, ante as provações que nos alcançam, pedirmos aos nossos amigos que se irmanem connosco na oração em nosso favor.

Oração. Hoje, amanhã, sempre. Verdadeira escada de Jacó que une a criatura aos céus.

quinta-feira, outubro 15, 2020

TRABALHE EM SOLIDÃO

Um dia, uma pessoa subiu a montanha onde se refugiava uma mulher eremita que estava meditando e perguntou-lhe:


- O que você está fazendo nessa solidão?, Ao que ela respondeu:


- Eu tenho um monte de trabalho.

- E como você pode ter tanto trabalho? Não vejo nada por aqui ...


- Tenho que treinar dois falcões e duas águias, tranquilizar dois coelhos, disciplinar uma cobra, motivar um burro e domar um leão.

- E onde estão eles que não os vejo?


- Eu os tenho dentro.


Os falcões se lançam sobre tudo que vem pela frente, bom ou ruim, tenho que treiná-los para pular em coisas boas. Eles são meus olhos.

As duas águias com suas garras machucam e destroem, eu tenho que ensiná-las a não causar danos. Eles são minhas mãos.

Os coelhos querem ir para onde querem, não para enfrentar situações difíceis, tenho que ensiná-los a ter calma mesmo que haja sofrimento, ou tropeço. Eles são meus pés.

O burro está sempre cansado, é teimoso, não quer carregar sua carga muitas vezes. É meu corpo.

O mais difícil de domar é a cobra. Embora ela esteja trancada em uma gaiola forte, ela está sempre pronta para morder e envenenar qualquer pessoa ao seu redor. Eu tenho que discipliná-la. É minha língua.

Eu também tenho um leão. Oh ... quão orgulhoso, vaidoso, ele pensa que é o rei. Eu tenho que domá-lo. É meu ego.

- Eu tenho um monte de trabalho.

E você trabalha no que?

quarta-feira, abril 22, 2020

Rabi da Galileia

A cidade de Jerusalém se estendia magnífica nas montanhas, entre o Mar Mediterrâneo e o norte do Mar Morto. Era primavera e os muros que a protegiam estavam tomados por flores multicoloridas.

Nas ruas, o povo ocupava-se de seus afazeres. O burburinho incessante da população contrastava com o silêncio bucólico do deserto que a rodeava.

Contudo, naquele dia, algo estava dissonante da rotina da cidade. Um aglomerado de pessoas reunia-se em torno de uma figura peculiar, que pregava nas escadarias do templo.

Sua fala era grave. Logo se via que Ele tratava de assuntos de suma importância. Porém, Seus olhos eram ternos e transmitiam uma serenidade capaz de apaziguar os mais revoltos corações.

Aqueles que O escutavam, facilmente nEle reconheciam uma admirável fortaleza: Vinde a mim vós que estais cansados e eu vos aliviarei.

NEle encontravam respostas para as questões profundas: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. E também esperanças de dias melhores: Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.

Alguns o chamavam Rabi, palavra judaica cujo significado é professor, mestre. Outros o consideravam um agitador público, cujas ideias revolucionárias deveriam ser combatidas.

A verdade era que esse galileu, filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, era ciente, desde a mais tenra idade, de Sua missão para com o nosso planeta.

Em torno dos trinta anos, conforme os relatos evangélicos, convocou doze companheiros para que, junto dEle, pudessem levar a mensagem consoladora de Seu Pai.

Falou com simplicidade, levou esperança aos aflitos, curou os doentes. Estendeu a mão para os marginalizados, secou lágrimas, saciou a fome do corpo e, principalmente, da alma.

Ensinou a orar de maneira a conjugarmos menos o verbo pedir e mais o agradecer: Pai nosso que estais no céu...

Aconchegou as crianças em Seu colo e orientou a que tornássemos nossos corações semelhantes aos delas, pois que, se agíssemos com a pureza e a simplicidade das criancinhas, conheceríamos o Reino dos Céus.

Ensinou a importância de não julgar. Antes, a de agir de acordo com a lei de caridade: O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis.

Recomendou, ainda, a vigilância, para que não acabemos por sucumbir através das tentações oriundas dos vícios morais que ainda trazemos em nosso íntimo.

Doou-se inteiramente à Humanidade. Entretanto, vítima inocente do orgulho e da mesquinhez humana, foi-Lhe destinado o madeiro da cruz, que aceitou resignadamente.

Antes, todavia, deixou-nos a maior lição acerca do perdão, quando, num gesto de total doação, perdoou seus algozes: Pai, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem.

Seu nome é Jesus Cristo. Filho de Maria e de José, filho de Deus Pai. Irmão de toda a Humanidade e de cada um em particular.

É Ele o Mestre Divino, o melhor amigo, Aquele que permanece ao nosso lado, auxiliando-nos na caminhada que nos conduz a Deus, à luz, à eterna felicidade.

Mais de dois mil anos depois, o convite se repete: Eis que estou à porta e bato.

Teremos coragem para abrir as portas de nossos corações e permitir que nele o Bondoso Amigo faça morada?

Pensemos nisso!

segunda-feira, abril 20, 2020

PASTOREIO DO TOURO

A RECUPERAÇÃO DA PUREZA ORIGINAL

Nos dez quadros do pastoreio do touro, o mestre zen Kaku-as Shi-em na dinastia Sung, ilustrou as etapas da doutrina zen. Ali está o homem, dividido em personalidade e espírito, esquecido da pureza original, lutando contra tudo, incapaz de distinguir entre a falsidade e a verdade. Mas, ao prestar atenção àquilo que o rodeia, percebe, através dos sentidos, a verdadeira natureza das coisas, eliminando toda noção de ganho e perda, de claro e escuro. Enfim, a dualidade desaparece quando se recupera a natureza original.

    PROCURANDO O TOURO  
  Descrição: Descrição: Descrição: http://bp3.blogger.com/_1BFtB3M5T2I/R6Sy5KU1E0I/AAAAAAAAAMc/r9iSYI7i3ZA/s400/AA.jpg

O touro, na realidade, nunca foi perdido. Então, por que procurá-lo? Tendo dado as costas à sua verdadeira natureza, o homem não pode vê-lo. Por causa de suas ilusões, ele perdeu o touro de vista. Repentinamente, se acha confrontado por um labirinto de encruzilhadas. Desejos de ganhos e medos de perdas sobem como chamas; ideias de certo e errado aparecem como punhais.

“Desolado através da floresta, com medo, nas selvas, ele procura o touro e não encontra. Para lá e para cá, grandes rios sem nome; nas profundezas dos ermos das montanhas ele segue muitas veredas. Cansado de coração e corpo, continua sua busca por aquilo que não pode ainda encontrar. De tardinha, ouve as cigarras cantando nas árvores.”


ENCONTRANDO A PISTA
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Através dos sutras e ensinamentos, ele vislumbra as pegadas do touro. Foi informado que, assim como diferentes vasos (de ouro) são todos basicamente do mesmo ouro, assim também cada coisa é uma manifestação do próprio ser. Mas ainda é incapaz de distinguir o bem do mal, a verdade da falsidade. Não entrou ainda pelo portão, mas vê, numa tentativa, a pista do touro.

“Inumeráveis pegadas ele viu na floresta e nas margens das águas. Não é aquilo que ele vê adiante, mato amassado? Mesmo nas mais profundas grutas ou nos mais altos picos, não pode ser escondido o nariz do touro que alcança para os céus nas alturas.”

 PRIMEIRO VISLUMBRE DO TOURO
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Se ele somente escutar os sons de cada pegada, virá à realização e, naquele instante, verá a própria origem. Os seis sentidos não são diferentes desta verdadeira origem. Em todas as actividades a origem está manifestamente presente. E análoga ao sal na água, à liga na tinta. Quando a visão interna está correctamente focada, realiza-se, que o que é visto é idêntico à origem.

“Canta o rouxinol num galho o sol brilha nos salgueiros que ondulam; ali está o touro, onde poderia esconder-se? A esplêndida cabeça, os majestosos chifres, que artista pode retratá-lo?”

SEGURANDO O TOURO
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Hoje ele encontrou o touro que estava vadiando pelos campos selvagens. E verdadeiramente o pegou. Por tanto tempo se comprazeu nestes arredores que quebrar seus velhos hábitos não é fácil. Continua querendo o capim cheiroso, está ainda indócil e teimoso. Para domesticá-lo, completamente, o homem deve usar o chicote.

“Ele deve segurar firmemente a corda e não soltar agora ele corre para as terras altas agora demora-se nas ravinas enevoadas.”

DOMESTICANDO O TOURO    

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Com o nascimento de um pensamento, outro e outro mais nascem também. A iluminação traz à realização, pois estes pensamentos são irreais, já que não surgem de nossa verdadeira natureza. Somente porque a ilusão permanece, são os pensamentos tidos como reais. Este estado de ilusão não se origina no mundo objectivo, mas em nossas próprias mentes.

“Ele deve segurar o touro com força pela corda do nariz e não permitir que vague sem cuidado. Ele se torna limpo e claro. Sem cabrestos, segue o dono por sua própria vontade.”

INDO PARA CASA MONTADO NO TOURODescrição: Descrição: Descrição: http://bp0.blogger.com/_1BFtB3M5T2I/R6S7JaU1E5I/AAAAAAAAANE/l8HciUVFkHw/s320/FF.jpg

A luta acabou, “ganho e perda” não mais afectam. Ele murmura canções rústicas dos montanheses e toca as cantigas simples da meninada da aldeia. Montado no lombo do touro, olha serenamente as nuvens que passam. Sua cabeça não se vira (na direcção das tentações). Tente-se, como quiser, aborrecê-lo, e ele permanece imperturbável.

“Usando um grande chapéu de palha e capa, montado e tão livre quanto o ar, ele alegremente vem para a casa através das neblinas do entardecer. Aonde quer que vá, cria a brisa fresca, enquanto que no coração prevalece a profunda tranquilidade. O touro não requer nem um talo de capim.”

O TOURO ESQUECIDO, O EU SOZINHODescrição: Descrição: Descrição: http://bp1.blogger.com/_1BFtB3M5T2I/R6S7sqU1E6I/AAAAAAAAANM/gy8LJfD_d7Q/s320/GG.jpg

No dharma não há duas coisas. O touro e sua natureza original. Isso ele reconhece agora. A armadilha não é mais necessária quando o coelho foi capturado, a rede se torna inútil quando o peixe foi apanhado. Como o ouro separado da escória, como a Lua que apareceu entre as nuvens, um raio de luz brilha eternamente.

“Somente com o touro ele pode chegar a casa mas agora o touro desapareceu e só e sereno senta o homem. O sol vermelho passa alto no céu enquanto ele sonha placidamente. Lá em baixo do telhado de sapé jazem, sem uso, chicote e corda.”

O TOURO E O EU SÃO ESQUECIDOSDescrição: Descrição: Descrição: http://bp0.blogger.com/_1BFtB3M5T2I/R6S8laU1E7I/AAAAAAAAANU/-IMgjcRKFGE/s320/HH.jpg

Sumiram todos os sentimentos ilusórios e desaparecidas estão também as ideias de santidade. Ele não se demora (no estado de “eu sou um Buda”) e passa rápido (pelo estado de “e agora me livrei do orgulhoso sentimento de ser”) para não Buda. Mesmo os mil olhos (dos quinhentos Budas e patriarcas) não podem discernir nele qualquer qualidade específica. Se centenas de pássaros jogassem flores por sua casa, ele só se sentiria envergonhado.

“Chicote, corda, touro e homem pertencem igualmente ao vazio. Tão vasto e infinito é o céu azul que não há conceitos que o alcancem. Sobre o fogo flamejante o floco de neve se funde. Quando este estado é realizado chega finalmente a compreensão do espírito dos antigos patriarcas.”

   VOLTANDO A ORIGEM
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Desde o começo, nunca houve nem um grão de poeira (para bloquear a pureza intrínseca). Ele observa o crescer e decrescer das coisas do mundo, enquanto permanece sem esforço, num estado de tranquilidade inalterável. Isto (o crescer e decrescer) não é ilusório nem fantasmagórico (mas a manifestação da origem). Por que, então, é preciso lutar por algum objectivo? As águas são azuis e as montanhas verdes. A sós, consigo mesmo, ele observa o mudar sem fim das coisas.

“Ele voltou à origem, retornou à fonte primeira. mas seus passos foram em vão. E como se agora estivesse surdo e cego. Sentado em sua palhoça, não procura coisas de fora; fluem de si mesmas as águas correntes, flores vermelhas desabrocham naturalmente vermelhas.

ENTRANDO NA PRAÇA DO MERCADODescrição: Descrição: Descrição: http://bp2.blogger.com/_1BFtB3M5T2I/R6S-I6U1E9I/AAAAAAAAANk/uBx-A19GbL4/s320/JJ.jpg


O portão de sua palhoça está fechado. Nem o mais sábio pode encontrá-lo. O seu panorama mental finalmente desapareceu. Ele vai no seu próprio caminho, não fazendo tentativa alguma de seguir os passos dos antigos mestres. Carregando uma garrafa, passeia pelo mercado; apoiado num bordão, volta para casa. Conduz os donos de botequins e peixarias ao caminho de Buda.

“De peito nu e descalço, dá entrada no mercado enlameado e coberto de poeira; como sorri amplamente sem recorrer a poderes especiais faz com que as árvores ressequidas floresçam novamente.”


FONTE: ZEN-BUDISMO. Planeta especial. N. 188-A.
Os dez quadros do pastoreio do touro dizem respeito ao nosso desenvolvimento interior e possui também um significado mais amplo, pois neles se manifesta a busca da própria humanidade. Podemos também associar os quadros ao mito do filho pródigo do cristianismo. O filho pródigo “tendo dado as costas a sua verdadeira natureza”, se perde tal como o pastoreio do touro e perambula pelo mundo buscando a felicidade para, enfim, voltar e encontrá-la na casa do pai.
Os quadros representam nossa própria busca interior, pois todos temos que enfrentar nossos inimigos, que são as recordações, os hábitos e as repetições. É preciso que estejamos atentos a esses círculos viciosos e cansativos cujo peso impede que encontremos a paz e o repouso.