sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ribeira

entra... deixa lá fora a sede, um amigo de verdade sempre tem mais que uma bóia...

que quando elevo meu olhar encontro beleza, sentido, companhia... afinal que bem poderei largar e lançar as redes aos destinos que julguei sós quando adormeci as inquietações

sobre as pedras ...

junto ao rio.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Transportes saudáveis

Esta é a minha amiga bicicleta. Juntos vamos a sítios onde o tempo retrocede à minha feliz infância. É uma forte aliada pra desfrutar do fantástico sindroma de PETER PAN.
É um óptimo meio de transporte, económico e ecológico Para mim tem algo romântico e de aventura difícil de explicar. A própria Estação… depois a promessa do que sobre a linha virá. A paisagem fugidia...
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Salga a Alma

O mar puro, o caminho iluminado, bate à porta insistente...

a chaminé deixada para trás, já só o barco a leva...
O sustento esse, vou buscá-lo ao mar.
levo por companheira a luz.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Nº1

Tu és o Amor
Tua alegria e inocência
São o meu mar...
Contigo sei que nunca me sentirei só
e ao ver-te dançar, ao ver-te cresçer, ao acompanhar-te,
não páro de me surpreender grato por tanta recompensa.
Bem hajas filha e que possas encontrar sempre
motivos para te sentires feliz.
Por cá eu serei sempre o teu admirador,
nº1

quarta-feira, janeiro 10, 2007

RSA - Voluntariado

É difícil expressar em palavras o que a acção da RSA, significa para mim.
Relato o que sinto salvaguardando as opiniões dos/as colegas de ronda que naturalmente terão as suas próprias experiências. Mas não me surpreenderia não ser o único a passar por este tipo de experiência:
A ponte que liga dois extremos:
De um lado da ponte a acção dos voluntários e os próprios sem abrigo. Simples, fraterna, nobre e desinteressada. Se pudesse ser avaliada pelas imagens exteriores, veríamos um pequeno mas unido grupo de homens e mulheres de diversas idades, confraternizando com os muitos cidadãos que vivem mais ou menos permanentemente nas ruas da cidade do Porto. São vidas que se misturam entre os sacos de alimentos, as roupas e os cobertores que tentam mitigar carências maiores, que as da falta de pão. São intenções de passar alguma esperança, alguma força de vontade a estes irmãos, para que não abdiquem de sua dignidade humana em seus confrontos com as muitas atribulações que caracterizam a vida de rua. Como quem ao partilhar um gesto partilha o saber, da muitas vezes frágil fronteira que a todos a cada instante divide, entre um homem e uma fera. São conselhos sãos que nos sem abrigo procuram imediata utilidade, ainda que indirectamente a todos os habitantes da cidade sem excepção beneficiem. Afinal quem não aprecia um pouco menos de dor um pouco mais de paz, em nossas ruas. Muitas vezes passa por escutar alguns lamentos, destes muitos marginalizados. Mas também se sorri muito, que no meio de tanta dor muitas vezes nasce um sorriso puro, como uma flor.
Do outro lado da ponte os homens e mulheres que compõe a ronda dos sem abrigo. O que cada um sente no seu intimo a cada instante. Aqui relato unicamente a minha experiência. No dia em que vou fazer a ronda, quando chega a hora de deixar o conforto e segurança de meu lar, ao beijar a minha esposa e a minha pequena filha, saio para a rua encorajado pelo ânimo que estas me transmitem. Um ânimo revestido de uma aprovação serena, que ainda nos une mais fortemente.
Sinto nesses momentos em meu coração, a ternura dos nobres laços que podem envolver um núcleo familiar. E fico em gratidão com a vida. Ao chegar à cidade é o encontro com os colegas para organizar e preparar os alimentos e as roupas que vão ser distribuídas. É para mim, o reencontrar do sentimento que referi ao sair de casa, mas desta vez ao reencontrar os/as colegas de ronda. E fico uma vez mais, em gratidão com a vida. Tudo arrumado e antes de sair para as ruas, num círculo ritual e fraterno, trocamos conselhos sobre os vários procedimentos da equipe, a coordenação necessária para que todos estejam o mais possível em segurança em alguma situação que possa surgir de forma inesperada. São muitos os locais esquecidos e problemáticos que a ronda visita. Para finalizar alguém em oração curta e breve dá o mote para aquela noite. Humildemente pede a protecção, o conselho, o bom desempenho de cada um para as horas que se vão seguir. Muitas vezes é nesta altura que reparo, como me sinto afortunado por estar bem no meio destas pessoas e sentir-me estimado por elas. E fico em gratidão com a vida. Saímos para a ronda e é quando se torna mais inexplicável por palavras. Parece que cada um cumpre sempre uma função específica planeada no segredo da sua alma, ora dando ora recebendo apoio de algum lado e entre os locais que se sucedem, casos que acontecem. É nesta altura para mim que o espírito de equipa se revela de forma mais intensa. Que somos uma equipa que se protege mutuamente, que está atenta e de mente aberta para receber quem necessite de atenção. Um tipo de equipa que se confirma na acção.
Umas horas depois, mais desgastado que cansado com tantos problemas aos quais não pudemos por um ou outro motivo valer como gostaríamos, até porque no final depende sempre da vontade da pessoa o ser ajudada ou não, recolhemo-nos novamente num círculo. De forma meditativa revemos a noite e os seus casos, partilhamos as experiências e revimos modos de actuar. Por fim despedimo-nos como iniciáramos. Recitamos em conjunto uma oração pelo mundo e sobretudo por aqueles que nessa mesma noite encontramos, em situação problemática. Para que encontrem a luz suficiente para a resolução dos seus problemas. Para que este lindo planeta em que habitamos se torne cada vez mais um lugar onde se promova a saúde, o respeito de uns pelos outros, pelo ambiente do qual fazemos todos parte sem excepção ou melhor, sem exclusão. E fico em gratidão com a vida.
A RSA faz-me recordar aquela frase: Um pequeno passo na direcção certa é bem mais importante que um grande passo, na direcção errada.
Para mim, todos os voluntários de organizações que pratiquem obras similares á RSA, como referia o poeta Libanês Kahlil Gibran, estão entre os verdadeiros protectores da terra e do ambiente.
Aqui referi o outro lado da ponte.
O percurso entre as margens gostaria de considerar este preciso momento. São as pessoas maravilhosas que acompanho, que me encantam, é a vontade de estreitar as margens. É este excelente exercício filantrópico, uma preciosa forma de integração ou iniciação se assim o quiser, a uma muito mais completa noção daquilo que compõe o nosso espaço vivo diário. Aquele que afinal, é o que mais interesse tem. Um abraço a todos os/as colegas de ronda e em especial à maravilhosa “Tia Jú”, por quem eu sinto o maior respeito e admiração.
Bem Hajam todos.

terça-feira, janeiro 09, 2007

O voluntariado

Os voluntários de cariz humanitário, filantrópico, são como uma onda que não pára de crescer.
E assim acontece porque tem lugar de sobra para todos. São tantas e cada vez maiores as carências sobretudo nos centros urbanos, que tem lugar para todos. O voluntariado é um movimento imparável, advém fortalecido em tempos de perturbação e agitação social. É a altura em que cada um escolhe o campo onde se sente mais próximo do que para si próprio considera essencial. Tempo de liberdade e de amor para muitos de nós. Assim seja!

sábado, janeiro 06, 2007

acessórios dispendiosos

As sentenças perdem o sentido. Agora o que importa é reabrir o coração a renovadas disponibilidades. Falo de chegar até ti de novo, como da primeira vez... com honestidade. Falo de tocar o real como se este fosse um encantamento irresistível. Ser amigo exigente mais na vida que na função especifica, que por ultimo na primeira está contida… Falo vulgarmente em voltar a cantar, dançar, fazer exercício… É necessário voltar a seleccionar as coisas de importância, depois largar aquelas que já não fazem sentido… os agora acessórios dispendiosos.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Feliz Ano Novo 2007

sobre o céu, debaixo para cima, voaram desejos ofuscantes...
esqueceram-se as mágoas do ano velho
até deu vontade de sorrir de novo, de energizar a vontade
que o Ano Novo trás esperanças renovadas, são os votos que te dedico...
sobretudo de renovação...
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domingo, dezembro 24, 2006

O pior Natal

O pior natal será o que é igual aos dias do resto do ano para alguém que se sente excluido, só, inadaptado.
Não são os sítios, os lugares, mas a solidão.
Não é o dificil de uma vida mas a incapacidade para se sentir em casa com os outros, a maior infelicidade.
Não nascemos na maioria, para sermos ermitas felizes ou alucinados, na procura de uma qualquer alquimia.
Neste Natal de todos os Natais, o sentimento de solidão é o que faz mais vitimas em todos os grupos sociais.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

máquina de secar "o tamanco"

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Rebeldia

Fugir da chuva sem medo, molhado húmido em bando, éramos 4 ou 3 ou talvez mais, uma miúda? talvez … uma lá no meio sem companhia, sem outra que as fizesse aos pares para que tivessemos uma estrela. Escondíamos as faltas ao liceu entre a mesa de madeira da tasca lá mais perto, carcomida pelos anos, húmida de vinho como nós de água. Olhares trocava-mos em perfeita marginalidade auto imposta com prazer.
Éramos diferentes, frequentávamos as tascas dos bêbados ás 2 ou 3 da tarde. Comia-se pouco pela ênfase que se dava ás sensações que as misturas alcoólicas nos causavam, ao grupo. Saíamos muitas vezes já a tarde meada, ébrios com explosões de cores dentro das ópticas, na rua tudo era cinzento mas não magoava. Assim aprendíamos a estar fora duma realidade que todos julgavam controlar. Éramos os rebeldes da altura. Outras vezes até uma entrada de um prédio servia para nos reunirmos, consumir uma cachimbada em grupo, partilhar um sufoco de fumo entalado entre as costelas, alguém sempre dava umas palmadas, servia de acto socializante, como fazem os macacos ao catarem os piolhos em publico uns aos outros, estranha forma de mostrar cuidados. Depois também se chegou, nesses anos de 76 a fumar na mesa do café em comprido e albino cachimbo de barro, os tremoços e a cerveja, para mais tarde abanar a bem abanar os flipers cansados de pernas tortas.
Ás vezes íamos, o grupo que se constituía por faltas ás aulas no liceu em pleno Inverno, a casa de um de nós que não tinha os pais em casa. Depois era o secar dessa humidade invernil no consumo de umas valentes cachimbadas, cada um a seu canto, a musica á volta rodeava as descobertas, as sensações, seria enfim mais tarde, como quando íamos à tasca ou à soleira de qualquer prédio, … saíamos em grupo, anestesiados para a vida cinzenta e competitiva, irracional e poluente que fazia lá fora. Eram idas ao café do bairro, sempre com um ou dois amigos, daqueles que se ainda não se dissiparam não deixaram rasto das suas presenças senão no meu teatro intimo de uma juventude rebelde. Eram as festas, o dançar com as primeiras calças de ganga que eram rasgadas em casa, sem que nunca ninguém ainda o tivesse visto em pleno acto social, as botas alentejanas ensebadas do talho, eram alfinetes, mais raramente um risco nos olhos, a preto como quem quer sobressair as insónias de um velho no rosto de um adolescente. Era o namoro desenfreado à frente de todos, de todos os sítios, era sempre aquilo que ainda é sobre outras formas de expressão. Tem uma irreverência que continua, passa de geração em geração, que nenhuma virtualidade pode sumir, que ainda que adormecida será sempre a revelação de um tempo, com seus heróis, vitimas e mártires do que se inventa ou reinventa a um certo tempo.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Cidade Vã

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Trânsito

Estação

azul veloz

Pele

Pele, senso, sente, sabe, ferida, branco,

alfabeto, terça-feira, espelho, brasileiro, passo, rio, mão

direcção, trabalhos, encontros, teclados, sons, muitos sons, aqualung, solidão cheia,

chuveiro, pele, água, sabão, líquidos, mãos, alimento, sombras, alternativas,

poças, água, pratas, corpo, desejo, mulher, boca, linhas, círculos, pakuá, vinho, tinto, sangue,

café, acorda, saudade, dever, situação, posição, agitação, ambição… morte.

quinta-feira, novembro 30, 2006

o Beijo

Fui à procura de imagens na net, para colocar um post que abordasse o tema com a maior justiça possível. Convencido sem esforço que é uma matéria que se resume de uma forma perfeita ás imagens, encontro as imagens mais belas postadas em blogs. Não sou o único é a expressão que me ocorre, ao constatar esta universalidade. Pensei que só para alguns de nós fosse assunto nuclear o beijo e afinal verifico que o é para a maioria de nós, esteticamente, sentimentalmente, psicologicamente, sexualmente, enfim os todos os mente…. A mim ocorre-me sobretudo a linguagem do beijo, o som do beijo, o sabor e o despir do beijo… caramba e não é que o danado tem o poder de unir ou separar os amantes… Chego a achar sem duvida que o beijo é bem mais sexual que o próprio acto, como se fosse o sal do acto sexual, o que o transporta bem mais para além daquelas coisas mais apanágios da criação. O beijo é o menos redutor de todas as formas de comunicação entre duas pessoas. Com a família, com os amantes nas suas vertentes mais caprichosas, é a derradeira vontade da lívido libertada em forma de amor físico, recheado de sensações que completam os sentidos… o sabor, a textura, a temperatura o movimento, a humidade, o enlevo… Aquele que aprende a matar o beijo por ser incómodo, aprende de forma segura a matar a sua vitalidade, a sua razão de estar vivo, de respirar. O beijo é uma bela forma de vida. Acredito porque sei, que o beijo é capaz de revelar lados escondidos nas pessoas e as pessoas que não beijam acabam sentindo uma solidão tremendamente dolorosa. O beijo é das mais importantes alquimias da alma que se quer comunicar de forma amorosa, entre as pessoas que se querem bem. Através do beijo se descobre a fragilidade, a humanidade e o subliminal do ser. Quem acredita que o beijo salva, acredita na comunicação. Acredita no outro, quase ao ponto de o desejar. Xicha, isto deve ser certamente sede de beijo…

RSA - Voluntariado

Bairro do Aleixo. 1:00/2:00 Horas da madrugada.
Frio… tem frio a subir a calçada nos passos incertos em direcção aos sacos de comida. Quem sabe uma roupita limpa, umas calças ou um cobertor.
Chegam como feras de súbito amansadas pela necessidade de uma presença que se rende.
Estamos desta feita dois grupos, partilhamos o mesmo espaço. No fundo tem dentro de cada um dos voluntários uma motivação insondável. Uma coisa de grito calado, de resistência. Mas os actores principais deste palco, o Palco do Aleixo, são estes homens e mulheres maioritariamente jovens que irrompem pela madrugada rua acima, saídos das torres como se fossem ratos a sair das fossas, do esquecimento social, como se duma ferida infectada se tratassem.
Ei-los que chegam mansos mas apressados, é que se faz tarde a qualquer instante para voltar ás torres, onde esperam horas, minutos, segundos, milionésimos de segundos uma horrenda e suja história, a ansiada chegada da mãe do esquecimento: A droga.
Aqui é rainha, com seus anónimos quase invisíveis distribuidores, que se deslocam em velozes viaturas de alta gama. Aqui se confirma que são os sem abrigo da cidade os eleitos candidatos à toxicodependência. Maravilha para os traficantes. É que é gente altamente necessitada, gente da qual a sociedade já não pede muitas contas, gente que passa despercebida pelo desprezo que causa aos transeuntes e ás autoridades, que maravilha… gente pronta para entrar na dependência, até traficar se assim for necessário, gente com problemas psicológicos, problemas de saúde graves, problemas familiares, enfim de toda a espécie.
São muitos destes sem abrigo as vítimas escolhidas pelas redes de traficantes que operam no Aleixo sob a calada da noite, sob o consentimento hipócrita das autoridades ou a sua competência insuficiente para controlar o tráfico. Não tenho duvida que das ruas do Bairro do Aleixo já se passou de uma situação de sem abrigo para uma situação de foco de doença, de desumanidade a um nível do incompreensível.
Pobre cidade onde nasci, quando irão os nobres que te governam olhar para ti como um todo e deixar de dar tanta importância ao estado das fachadas?

segunda-feira, novembro 27, 2006

O MITO DA ALMA GÊMEA

Aristófanes, poeta cómico grego, contemporâneo de Sócrates, afirmou que no começo os homens eram duplos, com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas. Esses seres mitológicos eram chamados de andróginos. Os andróginos podiam ter o mesmo sexo nas duas metades, ou ser homem numa metade e mulher na outra. Bem, isso tudo Aristófanes criou para explicar a origem e a importância do amor. O mito fala que os andróginos eram muito poderosos e queriam conquistar o Olimpo dos deuses, e para isso construíram uma gigantesca torre. Os deuses, com o intuito de preservar seu poder, decidiram punir aquelas criaturas orgulhosas dividindo-as em duas, criando, assim, os homens e as mulheres. Segundo o mito, é por isso que homens e mulheres vagueiam infelizes, desde então, em busca de sua metade perdida. Tentam muitas metades, sem encontrar jamais a certa. A parte do mito sobre a origem da humanidade perdeu-se ao longo das eras, mas a ideia de que o homem é um ser incompleto, em sua essência, perdura até hoje. Talvez seja em função disso que o ser humano busca, incessantemente, por sua alma gémea para preencher sua carência afectiva. Embora o romantismo tenha sustentado esse mito por milénios, e muitos de nós desejemos que exista nossa metade eterna, é preciso reflectir sobre isto à luz da razão. Se fôssemos seres incompletos, perderíamos nossa individualidade. Seríamos um espírito pela metade, e não poderíamos progredir, conquistar virtudes, ser feliz, a menos que nossa outra metade se juntasse a nós. É certo que vamos encontrar muitas pessoas na face da terra com as quais temos muitas coisas em comum, mas são seres inteiros, e não pela metade. O que ocorre é que, quando convivemos com uma pessoa com a qual temos afinidades, desejamos retê-la para sempre ao nosso lado. Até aí não haveria nenhum inconveniente, mas acontece que geralmente desejamos nos fundir numa só criatura, como os andróginos do mito. E nessa tentativa de fusão é que surge a confusão, pois nenhuma das metades quer abrir mão da sua forma de ser. Geralmente tentamos moldar o outro ao nosso gosto, violentando-lhe a individualidade. O respeito ao outro, a aceitação da pessoa do jeito que ela é, sem dúvida é a garantia de um bom relacionamento. Assim, a relação entre dois inteiros é bem melhor do que entre duas metades. As diferenças é que dão a tónica dos relacionamentos saudáveis, pois se pensássemos de maneira idêntica à do nosso par, em todos os aspectos, não teríamos uma vida a dois. Pessoas com ideias diferentes têm grande chance de crescimento mútuo, sem que uma queira que o outro se modifique para que se transformem num só. Assim, vale pensar que embora o romantismo esteja presente em novelas, filmes, peças teatrais, indicando que a felicidade só é possível quando duas metades se fundem, essa não é a realidade. Todos somos espíritos inteiros, a caminho do aperfeiçoamento integral. Não seria justo que nossos esforços por conquistar virtudes fosse em vão, por depender de outra criatura que não sabemos nem se tem interesse em se aperfeiçoar. Por todas essas razões, acredite que você não precisa de outra metade para ser feliz. Lute para construir na própria alma um recanto de paz, de alegria, de harmonia e segurança, como espírito inteiro que é. Só assim você terá mais para oferecer a quem quer que encontre pelo caminho, com sua individualidade preservada e com o devido respeito à individualidade do outro. Pense nisso!

sexta-feira, novembro 24, 2006

Súa - Ecuador

Yo nací en una casita pequeñita
pura de paja, al aurilla del mar...
No tenía juguetes, no tenia nadia
y para mi consuelo, mi contestaba el mar...
Súa, Súa... contestaba el mar...
Súa, Súa... contestaba el mar...
Ay qué lindo es vivir junto al mar
en un rincón sitio lindo á las olas al murmurar...
yo hablaba con la soledad y para mi consuelo,
mi contestaba el mar...
Súa, Súa... contestaba el mar... Súa, Súa... contestaba el mar...
homenaje a José Bangéra
un mentor y un profesor muy bueno

quinta-feira, novembro 23, 2006

cidade velha

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Passava entre as paredes de uma cidade velha, escondia os medos libertando os braços, à largura do corpo. Soltava então passos largos em rasgo de calçadas frias. Sentia o sangue quente e calmo, a mente relaxada mas atenta. Que sentido, tanto sentido. Que cada coisa que fazia, cada coisa que adorava, tinha um sentido profundo em sua própria existência, uma relação para além do que reconhecia em si próprio usualmente. Entendeu as pessoas que amava, aqueles gestos que são tradutores de todos os gestos. Deixou-se levar pelo êxtase do enlevo, elevou-se assim, perdido e solto no seio das revelações. Acreditou de novo. Nasceu de novo para o som da sua própria respiração. Viu-se de novo, renovou votos, sorrio para dentro. Acreditou em cada um dos seus passos enfim, não estar só. Sentiu o propósito das coisas.