segunda-feira, maio 21, 2007

consciência VERSUS ónus

ninguém chega a santo para provar a sua santidade, mas muitos necessitam ser profanos para encontrar a sua santidade

quinta-feira, maio 17, 2007

Ganham as asas de um Anjo

Todo aquele que dentro de um sistema comunitário, social... de qualquer tipo, qualquer etnia... por um estranho evento ou capricho em sua vida enfrentar um justo. E se com o apoio incontestável dos seus, mergulhados em suas tramas causadas por não serem correspondidos em seus caprichos, no canto da vitória dos lobos descobrir em si próprio a liberdade e a inocência do cordeiro... Será libertado ainda mais generosamente que na proporção dos seus apedrejamentos. Assim amanhã como hoje, ganham as asas de um justo. Ganham as asas de um Anjo

quarta-feira, maio 16, 2007

os fins de um ciclo?

Hoje desloquei-me para almoçar a um restaurante típico na Ribeira no Porto.
Gosto de lá ir, porque se consegue facilmente almoçar muito bem e barato. Escolhido o restaurante, pequenino e com um pouco mais que uma dúzia de mesas, escolhi partir o pão numa mesa em onde pudesse ver o televisor, seguir as noticias do mundo.
Ao ritmo calmo e descontraído das pessoas que iam chegando, pedi uma garrafinha pequena de vinho da nossa terra, aquele regional, que além de fresco e saudável ainda espanta os espíritos, os maus espíritos claro.
E tudo na companhia impar das castas Malvásia Fina, Síria e Fernão Pires, acompanhei assim a refeição com um branco bem fresco de Valpaços. Entre refeição, inicia o noticiário que hoje entre tantas desgraças conhecidas de todos, tivemos em jeito resumidamente poético: Palestina versus Israel, que desde que crucificaram Cristo não mais tiveram paz, sarcozi em França no inicio de um ameaçador ciclo xenófobo para toda a Europa, o G5 e suas risadas cínicas enquanto um pouco por todo mundo dificilmente se controlam os distúrbios sociais bem no centro de suas politicas de governação, as mortes noticiadas junto com os escândalos um pouco por todo lado, testemunhadas com a indiferença dos clientes deste restaurante no centro da cidade velha do Porto.
A dita Invicta ou seja jamais vencida. Enquanto permanecer uma nação que seja armada, não existirá a paz entre os homens à escala global. E falando sobre a propagandeada globalização, nem que esteja um pequeno país em conflito armado, estão todos inequivocamente envolvidos.
A paz só vale quando for global, só é efectiva dessa forma.
A guerra ainda que num país distante que não vemos com nossos próprios olhos é uma guerra que está a acontecer à nossa volta ainda que não o queiramos aceitar (ver). O risco de continuarmos enquanto humanidade divididos e armados poderá em consequência final, ser uma lenta representação do que se passa nos nossos actuais matadouros, até não restar nada mais que meia dúzia de funcionários atónicos com a matança. Bom vinho Dólmen, que até tem nome de monumento fúnebre… De súbito no restaurante, depois de silenciado pela calma do ambiente, do som e imagens das noticias, eis que alguém se levanta da mesa ao lado para ver melhor. Depois alguém ao lado comenta e sorri sarcásticamente. Outro assim divertido genuínamente critica e comenta a noticia: O treinador português Mourinho teve uma arruaça em Londres com a polícia local por causa de um cãozinho pequeno. Daqueles tipo béu, béu… mais do que aúm, aúm….
E ei-los animados, mais de metade das variadas pessoas que compunham o panorama do meu almoço. De repente acordou tudo do torpor…. … Enquanto o Mundo gira nas mãos de tiranos….

terça-feira, maio 15, 2007

Macros de um mundo

olá!!!!!! aqui estou.
Vamos, vou-te levar até onde não levei ninguém ainda.
Espero que aprecies a viagem até ás Macros do meu mundo.
...esconde-se atrás de reflexos e não é facilmente que se revela ...
... percorrem~lhe os aneís em layer´s antigos, em promessas de uma irís portal... …assim como algo que contém um caminho para a alma e na impossibilidade de se revelar à imagem da nossa compreensão, prefere como uma flor divina, aprimorar suas cores em anos, em cada evento, cada mar que se procura e que revela sustentar a terra onde mora o céu.
vai esconde-te.... nos reflexos pelo menos até ao próximo....
Pôr-do-sol

jeff buckley everybody here wants you

ronda de 13 de maio

Reduzidos a cinco elementos já que parte da restante equipa se encontrava em peregrinação em Fátima, reunimos para mais uma ronda. Devido aos últimos acontecimentos e em resultado de uma reunião entre os elementos da RSA, ficou decidido focalizar nosso impacto sob os que verdadeiramente apresentam visíveis sinais de fome e carência. Esperamos assim, eliminar um pouco a tendência para a formação de grupos de pessoas cada vez maiores, a pedirem comida e roupa sem terem uma necessidade real. É que atrás destes se juntam outros iguais e pior ainda, afastam os verdadeiros destinatários da nossa acção. Esses sim, dão sentido à ideia de: quanto mais a necessidade, mais visível a candura e a educação da pessoa. Assim como: quanto menos a necessidade, mais o nervosismo e a agressividade latente na pessoa. E de facto temos confirmado isto nas ruas da cidade. Entre aqueles que bem vestidos se acotovelam a pedir uma peça de roupa usada para muito provavelmente ir vender em alguma feira de segunda mão, constata-se com facilidade a tendência para a zaragata e o desrespeito, mesmo para com os próprios membros da RSA, que dificilmente mantém alguma ordem. E é sobretudo esta constatação somada ao facto de outros grupos de solidariedade civil actuarem na zona em simultâneo, que decidimos estreitar ainda mais o foco da nossa objectiva. Assim, para já eliminamos três dos locais de paragem ou seja o Carregal, Aliados e Júlio Dinis. Revelaram-se estes locais autênticos pontos de mendicidade maioritariamente sem necessidades essenciais. Aqui será necessário um trabalho mais ao nível da educação, da sensibilização que propriamente ao nível dos cuidados e necessidades básicas. Este não é o mote da nossa ronda. Nós procuramos servir aqueles que se encontram no limiar da sua capacidade de se defender, aqueles que estão ou “à beira do abismo ou já transpuseram esta barreira”. Nesses queremos estar presentes corpo e alma, no sentido de ao aquecer um estômago e um corpo ter a esperança se possível, de aquecer uma alma. Esta é a nossa vocação. Desta forma reduzimos as 150 sacas de alimentos para pouco mais de metade, partindo com o objectivo de as distribuir o melhor possível. Generalizando, visitamos o casal de idosos na Sé, o Sr. António que já foi homem do mar, serralheiro, empregado têxtil, de entregas, enfim uma vida recheada de peripécias que não lhe retiraram a dignidade de um lobo solitário, os arrumadores um pouco pela cidade, fomos a Camões e por fim ao Aleixo. E para não surpreender foi em Camões entre indivíduos “bem calçados”, que se verificou uma zaragata por causa de uns sapatos, ameaças de pancadaria entre eles, motivo suficiente para depois de ver que ninguém partia cabeças, nos pormos a andar rapidamente meio aturdidos com estas pessoas que nem acarinham tão pouco algum respeito pelo que fazemos.
Na sequência do que relato, no Aleixo é exactamente o inverso. Pessoas hiper necessitadas, com fome até aos ossos, vestidas com o sujo da calçada, surgem rua acima com uma serenidade nos olhos para connosco indescritível. São gentis normalmente até entre eles, com uma conduta e uma humanidade tocante. Agradecem o simples pão como se fosse um jantar. Estes sentimos, serem aqueles que nós desejamos servir. Que apreciam genuinamente ou naturalmente, a nossa acção.
De referir no bairro do Aleixo derivado a nos deslocarmos mais cedo que o habitual, o frenesim da clientela da droga. É chocante testemunhar o género de pessoas que se deslocam ao Aleixo para comprar droga. São maioritariamente jovens em automóveis de gama alta, muito bem vestidos, passos apressados, angustiados, passam por nós rápidos e sem olhar, para aquela que será um dia por esse andar, a única refeição da noite.
Sim eles por ora passam sem parar, sem olhar sequer mas um dia, a manterem este vicio certamente já viram à procura é de pão. Que a droga leva é tudo deixando só, a alma dorida e algumas lembranças do seu abandono. E uma vez mais terminamos como iniciamos, com um circulo composto em oração magistralmente pronunciada pela Tia Ju, esta senhora que me encanta e que nos lembrou uma vez mais o fundador da RSA, o Sr. Fernando que todos sempre procuram com saudade, um homem que é uma referência de elevação espiritual, puro como uma criança, carismático e simples, entendido pelos que o amam e procuram seguir o seu exemplo. Bem-haja, bem-hajam aqueles que sem pensar em si próprios, procuram servir a seu semelhante caridosamente.
Parece duro não é verdade?... mas parece seguramente a única solução para o momento presente.

quarta-feira, maio 09, 2007

segunda-feira, maio 07, 2007

as primeiras subaquáticas - Rio Douro

Segurança florescente

depois de ter dado uma valente "bicada", no kayak do R.R. no passeio do Rio Cávado, restou iniciar alguma manutenção e reparação no SEAL. Ficam as imagens...
... estas manchas a escuro já foram estragos, hehehehe

... preparo assim o material para a aplicação de uma ideia....

a pintura de uma lista em florescente para que por exemplo numa autonomia ou passseio nocturno, possa ao virar acidentalmente, sinalizar a minha presença com maior segurança...

... resta saber se vai durar muito. Bem caso contrário é simples,... só preciso pintar novamente...

domingo, maio 06, 2007

Dia da Mãe

Uma Mãe chora, a dor lancinante da angústia. e o seu choro fere e pela frente purifica, as gangrenas do dia a dia, inesperado… Uma Mãe encarquilha-se no peso dos anos como um caracol, para acomodar melhor o jugo de seus filhos, seus cadilhos, sua feroz libertação. Uma Mãe rasga o peito em sangue vivo, em sangue tão vivo! como a luz, que os seus filhos como vampiros, disputam entre si, entre gritos violentos, de inconsciência. Uma Mãe desespera nas marés, não tanto pelas ondas que trás, mas pelas que leva. Como disse o meu irmão: Uma Mãe é um Sol, de um brilho Divino, onde dependentes gravitam mil planetas e estrelas, cheios de vida! Mãe que disforma o seu ser graciosamente, para albergar em seu ventre, um novo ser, um novo mundo. E tantas Mães são um único Pai!... …Mamã!...

quarta-feira, maio 02, 2007

Uma Passagem do Talmud

"Presta atenção em teus pensamentos, pois eles se tornarão palavras. Presta atenção em tuas palavras, pois elas se tornarão atos. Presta atenção em teus atos, pois eles se tornarão hábitos. Presta atenção em teus hábitos, pois eles se tornarão o teu caráter. Presta atenção em teu caráter, pois ele é o teu destino."

terça-feira, maio 01, 2007

Keziah Jones Beautiful Emilie

5 stars

paramos - praia

1º Experiência muito básica com a pentax na construção de um panorama

Flores

Rosmarinus officinalis, mais conhecido por Alecrim, a flor do alecrim... aromático, resistente e com muitos usos medicinais... Lavandula officinalis, a perfumada alfazema, sempre muito concorrida entre as abelhas...
... as pequenas rosas de Santa Teresinha....
Rosas ... eternas manifestações do belo....
e as orquidias, que neste caso vieram da ilha da madeira e após quase 5 anos são um testemunho de força vital...
Eis a fantástica Physalis Angulata. Plantada no quintal há cerca de um ano, já se prepara para uma segundo ciclo de produção de frutos, fresco e doces. Aqui o pormenor do balão chamado de cálice, que lhe serve de ninho
Propriedades medicinais: Purifica o sangue, diminui a albumina dos rins, fortifica os nervos ópticos, limpa as cataratas, alivia problemas de garganta e controla a amibiasis. Coadjuvante no tratamento do carcinoma de próstata e colesterol elevado. Povos nativos da Amazônia (Colômbiana, Peruana e Brasileira) e nordeste do Brasil, utilizam suas folhas, frutos e raízes no combate das seguintes doenças: Diabetes, reumatismo crônico, doenças de pele, bexiga, rins e fígado. Estudos científicos recentes em andamento e ainda não concluídos revelaram forte atividade como estimulante imunológico combatendo alguns tipos de câncer além de efeito antiviral contra os vírus da gripe, herpes, pólio e HIV tipo 1.Mais recentemente cientistas da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará descobriram uma substancia chamada “PHYSALINA” que atua no sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados. Os cientistas estão requerendo a patente desta descoberta.
Uma porção de 100 g de Physalis fornece:
Calorias 49 Kcal Proteínas 1,5 g Carboidratos 11,0 g Niacina 0,8 mg Vitamina A 1.730 UI Vitamina C 20 mg Ferro 1,7 mg Fibra 0,4 g Cálcio 0,9 mg Fósforo 21 mg Riboflavina 0,17 mg Água 85,9 g

sexta-feira, abril 27, 2007

David Sylvian - Silver Moon

Pentax Optio WP

Hoje finalmente e após mais de 3 meses de impaciencia e elaborada pesquisa, finalmente adquiri a minha companheira de imagem.
Preparada para me acompanhar em aventuras por todo o lado, ela é inclusive à prova de água.
Neste fim de semana, espero testar a veracidade de suas imagens, num passeio só nós dois... pela ria.
aqui está a primeira imagem captada com o seu modo Macro.... hum, já estou a ficar impaciente....

aqui é notável a qualidade do seu flash, surpreendeu pela positiva já que o local em questão é bem escuro.... gostei muito do detalhe também...

por fim abri a janela do escritório e deixei antever boas imagens ainda por acontecer...

segunda-feira, abril 23, 2007

Ronda de 22 de Abril 2007

22:15 Com a equipe reforçada pela presença do Fernando, depois de termos cumprido a preparação dos sacos saímos para a rua. Avenida da Boavista, o Hélder andava sem frio. Completamente trémulo, sumo na mão a cambalear entre os carros que passavam como quem desafia um acordar violento ou um adormecer súbito, com o que lhe resta de voz das suas cordas vocais meias desfeitas pelas injecções de droga no pescoço lá nos saudava com expressão ausente. Júlio Dinis, era já tarde. Nem uma alma só. São Bento. O centro da cidade do Porto. Uma multidão, cerca de 100 pessoas dificilmente contidas numa fila que junto a um dos três carros que partiram para esta ronda, avidamente esperavam a sua vez para receber um saco. Fiquei com a missão de retirar junto com o Bernardo os sacos do carro. Como temos que fitar bem o rosto da pessoa a quem entregamos o saco, para evitar que o venha pedir duas vezes e com isso penalizar quem não recebeu, acabei por literalmente me chocar com intensidade com esta talvez centena de olhares. É deveras chocante, embater com tipos de necessidades tão diferentes de uma assentada só. Mas ainda assim são deste os que se infiltram sem necessidades especiais, os que mais me custam a “digerir”.
Refiro-me ao olhar de alguém sem necessidade, sem fome, com plena consciência que está a receber algo que a alguém com uma real necessidade vai fazer falta, que confirmo na sua expressão, no olhar, que está em confronto com a sua consciência que lá dentro se revolta e ainda assim, com o olhar de que rouba um pacote de chicletes no supermercado, estende a mão para receber um saco, com um pacote de sumo, um de leite, uma lata de salsichas, um pão um doce e um salgado. De entre todas as misérias que ofendem os sentidos, esta é a mais difícil de superar. É o jovem equipado à FPC, que chegou do jogo ainda meio eufórico, a buscar um saco destinado aos pobres e necessitados e deve ter pago umas notas de euro para entrar no jogo, se calhar deixou em casa a sua jovem família sem nada para comer…
É a miséria mais terrível… a miséria da inconsciência. A auto infligida. A nossa sociedade está infectada terrivelmente desta miséria que fere o coração e que é difícil de ser combatida. É os jovens vestidos à punk num adereço que nem fica barato, a ver se lhes sai um saco. É a falta de solidariedade entre a pessoa que se comporta desta forma, que é mais chocante. Mas é aqui também que se aprendem grandes lições, para mim a mais importante nesta ronda foi que um sem abrigo de verdade não se mistura muito com outras pessoas. Geralmente é recatado, educado e simples, ferido de verdade se assim se pode afirmar. Quanto mais difícil a sua personalidade menos se mistura com alguém. O sem abrigo de verdade, vive ou viveu de alguma forma uma experiência que o condicionou a um isolamento social. É muitas vezes caracterizado inclusive pela dificuldade em se comunicar. Bem no centro do Porto na nossa velha cidade, o maior problema passou a ser mais assistência social que sem abrigo. É gente, muita gente que necessita ser reeducada, no sentido de rever as suas prioridades na vida, de forma a conservarem as coisas mais importantes em primeiro lugar. A dignidade humana e o bom senso, sobretudo. A Ronda dos Sem Abrigo, vai repensar esta paragem e muito certamente trocá-la por outras a sua acção seja mais frutuosa. Daqui fomos à rua escura e o contraste aconteceu de imediato, na escuridão duma rua apertada e antiga, entre os traficantes que davam alertas da nossa chegada para que não nos fizessem dano, cada um dos sacos que demos foi recebido com uma gratidão sincera e entre tanta miséria de verdade não existe espaço ao fingimento. Como é estranho para mim, confirmar que se encontra mais luz num lugar escuro, pobre mas mais honesto, que num lugar cheio de luz, movimento e gente, onde a desumanidade acaba mesmo por ser maior, como em São Bento. Junto à Sé do Porto, estivemos com um casal de velhinhos, sós e juntos há muitos anos, numa pobreza e solidão enorme, me tocaram profundamente. Com uma dignidade e uma mansidão só encontrada em almas muito grandes, o espírito dos saudosos avós esteve ali presente. E ao deixá-los enquanto nos despedíamos até a uma próxima vez, nos seus olhos abandonados pela cidade que os viu nascer, sentia eu já a angustia da saudade que me causava deixá-los ali, naquela noite quais guardiães duma Sé antiga de outros Portos. Também foi a ronda dos arrumadores de carros esta ronda. Acho que se juntaram todos cada um em seu “posto de trabalho”, numa fome que já não via algum tempo. Também aqui fomos alvo duma educação que não se vê muito por parte destes jovens. Muito agradecidos, não escondiam a satisfação de alguma coisa para enganar o estômago. Rua 31 de Janeiro, entrada de um prédio sujo mesmo junto ao passeio, debaixo de um cartão que normalmente serve de colchão, sobressai a carne branca de umas coxas e ao reparar no movimento para cima e para baixo que o cartão fazia, apressamo-nos a sair dali não fossemos interromper algo importante. Rua de Camões. Esta é sobretudo uma zona onde algumas prostitutas e homossexuais passam das conhecidas casas com reputação na cidade do porto frequentadas por gente da sociedade portuense, para a rua. Quando o corpo se degrada no consumo de uma vida que nunca se conseguiu dominar, sem as boas graças dos patrocínios é na rua que se acaba doente e enfermo, esquecido e abandonado.
Também aqui cada vez mais aparece o oportunista. Aliás com a difícil conjectura económica que todos sabemos em nosso pais, cada vez mais pessoas aderem ás refeições de movimentos como o nosso, para poupar algum do dinheiro que vão necessitar para os telemóveis da próxima geração que irão querer comprar quando saírem…. Dali rumamos em direcção ao Santo António, que sem alongar muito, poderia de nomear o acontecimento de São Bento versão II, ainda mais desolador. Também aqui terá que se reavaliar a acção da RSA. Por fim, lá fomos ao Aleixo. Já estava a Bruna com sua cadeirinha de rodas “enfeitada com sacos de plástico”, com um cobertor velho e surrado a cobrir do frio da noite, só os dois totós do seu cabelo sujo de fora, encostada sozinha no passeio, com fome, com ainda mais sede. A Bruna tem paralisia nas pernas, é uma jovem rapariga lindíssima e amorosa. Seu frágil corpo já serviu muito para lhe sustentar o vício e em sua adolescência serviu a muitos que agora não a reconhecem. No Aleixo, entre os toxicodependentes, portadores de doenças infecto contagiosas muito desenvolvidas, falta de roupa, falta de higiene, falta de tudo, fico enternecido ao reparar como trocam naturalmente gestos de carinho, como trocam um pacote de bolachas ou uma peça de roupa sem inveja, como partilham o que tem para comer com alguém que chegou tarde, como se apressam sem espectáculo em sossegar uma dor, que tão bem conhecem em eles mesmos. Á luz do que me foi ensinado sobre os ensinamentos de Cristo, não estarão alguns destes desabrigados do Aleixo, com suas vidas conturbadas e dominadas pelo vicio, mais próximos de Deus que aquele que vai oferecer o Domingo à Igreja? È que uns dão até o que não tem apesar de não serem um exemplo para a comunidade, enquanto outros no seu exemplo limpo e casto, nunca se aproximaram nem na metade da porção do que poderiam dar. Que pensará, aquele que tudo vê? Quem destes, despidos das aparências dá mais? Fico sempre com a ideia, que detrás de uma multidão tem sempre o risco de arruaça.

quinta-feira, abril 19, 2007

Profecia dos Índios Peles Vermelhas

“Quando a Terra tiver sido devastada e os animais estiverem a morrer, uma tribo composta por pessoas de todas as raças, credos e cores, porão a sua esperança em factos e não em palavras, para fazer com que a Terra volte a ser verde de novo.´
Serão chamados, GUERREIROS DO ARCO-IRIS, PROTECTORES DO AMBIENTE."