domingo, outubro 20, 2013
quarta-feira, outubro 16, 2013
terça-feira, outubro 15, 2013
O Silêncio
Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles...
nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás actuar.
Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando.
Dão prémios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.
segunda-feira, outubro 14, 2013
terça-feira, outubro 08, 2013
Competir... ser o melhor...
queres dar cabo de ti?
- então tenta ser o melhor, tenta ficar à frente de forma que todos te cobiçem..., que todos te adulem, que todos te procurem para que tu, dês cabo de ti.
a competição é a arma dos fracos.
- então tenta ser o melhor, tenta ficar à frente de forma que todos te cobiçem..., que todos te adulem, que todos te procurem para que tu, dês cabo de ti.
a competição é a arma dos fracos.
sábado, outubro 05, 2013
quinta-feira, outubro 03, 2013
Certa vez...
“Certa vez perguntaram a Buda:
-O que você ganhou meditando?
Buda respondeu:
-Nada.
-Contudo, disse Buda, deixe-me lhe dizer o que eu perdi:
Raiva, ansiedade, depressão, insegurança, medo da idade e da morte”
quinta-feira, setembro 26, 2013
segunda-feira, setembro 09, 2013
Um jeito de escapar do inferno
Mohandas Karamchand Gandhi foi um homem fabuloso e inesquecível.
Seu conhecimento sobre as leis de Deus é digno de nosso mais profundo respeito e admiração.
Uma das mais belas passagens de sua vida é relatada com competência pelo cineasta britânico Richard Attenborough.
O filme mostra a sangrenta guerra civil que se seguiu à divisão da Índia em Paquistão muçulmano e Índia hindu.
As mortes só trouxeram retaliações e mais vítimas, até que Gandhi, líder espiritual respeitado por hindus e muçulmanos, iniciou um jejum e jurou que não comeria até que a matança terminasse, mesmo que isso significasse sua morte por inanição.
Esse foi apenas um dos muitos jejuns de Gandhi defendendo a não-violência.
Um hindu enlouquecido visitou o Mahatma e, ao chegar aos pés da cama onde estava, atirou-lhe um pedaço de pão enquanto gritava:
Eu já vou para o inferno e não quero a culpa da sua morte também em minha alma! Coma, por favor!
Gandhi, sereno como sempre, replicou:
Por que você vai para o inferno?
O hindu tremia ao responder:
Eu tinha um filho pequeno, mais ou menos deste tamanho, que foi assassinado pelos muçulmanos. Então, eu peguei a primeira criança muçulmana que consegui encontrar e a matei, arrebentando-lhe a cabeça contra uma parede.
Gandhi fechou os olhos e chorou por dentro.
Depois se recompôs, pois sabia da importância de seu papel perante aquele povo e, com esperança na voz, disse:
Eu conheço um jeito de escapar do inferno.
Muitos meninos agora estão sem os pais por causa da matança. Encontre um menino muçulmano, com mais ou menos este tamanho - repetindo o gesto feito pelo visitante há pouco – e o crie como se fosse seu. Adote-o.
O homem desorientado estava admirado com a proposta, e tentava assimilá-la da melhor forma. Uma brisa de esperança chegou-lhe ao rosto.
Porém, Gandhi não havia terminado sua fala:
Atente apenas para um detalhe: você não deve esquecer que deverá criá-lo como um muçulmano.
O hindu não estava preparado para aquela proposta. Era muito diferente de tudo que sentia, de tudo que pensava. Era uma proposta revolucionária.
Era a revolução da lei do amor, ensinada por Gandhi, de forma magistral.
O homem caiu aos pés do mestre. A loucura abandonou seus olhos, que choravam copiosamente.
Gandhi colocou as mãos na cabeça do hindu, abençoando-o do fundo de seu coração, desejando que ele pudesse aceitar seu novo caminho, o caminho para sair do inferno.
Quando o hindu saiu, ele tinha um pouco de paz no coração, e uma proposta da lei do amor em suas mãos: proposta de perdão e de autoperdão.
* * *
Nada como o amor, em toda sua resplandecência, para nos libertar desse estado d’alma de inferno.
Sim, já somos capazes de entender que o inferno não é um local delimitado no espaço, mas um estado d’alma temporário.
Para alguns, desorientados e reincidentes nos mesmos erros, esse estado de espírito parece uma eternidade, mas essa dita eternidade dura apenas o tempo do aprendizado, o tempo do despertar para o amor.
O amor cobre uma multidão de pecados, conforme tão bem afirmou o Apóstolo Pedro.
A lei de causa e efeito abraça-se à lei da amorosidade e ambas, interligadas sempre, carregam-nos para a tão desejada felicidade.
quinta-feira, setembro 05, 2013
Lenda da Aldeia Histórica de Castelo Novo
Referidas até em relatos bíblicos, as pragas de gafanhotos sempre assustaram os agricultores. E segundo a tradição, em tempos idos, Castelo Novo esteve ameaçado por um praga de gafanhotos.
Vivia próximo desta aldeia uma rapariga de seu nome Belisandra e que por causa da sua fama de bruxa vivia na mais completa solidão, tendo por companhia, unicamente, um gato.
Sempre que necessitava de ir á aldeia, a pobre Belisandra tinha de enfrentar um coro de maledicência, risinhos de troça e o desprezo de todos.
Embora em horas de aflição, muitos a ela recorrerem-se em segredo, em publico troçavam dela como se uma maldição se tratasse. Do mesmo castigo sofrera sua mãe Lisandra e sua avó Cassandra.
Nunca ninguém tinha presenciado nada que confirmasse tais historias, mas dela se dizia que controlava o sol e a chuva, que curava doenças, que ensinava a melhor maneira de fazer filhos homens, e assim por diante…
Belisandra atendia quem a procurava mesmo sabendo que no dia seguinte todos continuariam a dizer horrores sobre ela.
Um belo dia estando os campos cobertos de belas searas e o povo preparando-se para colher os frutos do seu trabalho, viram surgir no céu uma espessa nuvem que quase cobriu o sol.
A princípio ninguém percebia do que se tratava, mas aos poucos compreenderam que se avizinhava uma praga de gafanhotos. E pela primeira vez, em grupo, recorreram a Belisandra que a todos surpreendeu quando lhes disse que deveriam fazer uma Procissão à Senhora da Misericórdia porque só ela lhes podia valer.
Assim fizeram e conta a lenda que ainda a procissão ia no adro já os gafanhotos caíam mortos às centenas.
O povo prometeu fazer a procissão todos os anos e cumpriu, porque ainda hoje em Setembro a tradição se mantém. Belisandra continuou a viver a sua vida solitária, pela fama de bruxa, mas desde esse dia o povo passou a respeitá-la.
Castelo Novo

O topónimo desta aldeia advém do facto de terem existido dois castelos, sendo este, Castelo Novo, ocupado após o abandono do Castelo Velho, por ter melhores condições de defesa. A sua construção data do século XII-XIII.
Esta denominação só surge associada à povoação por volta de 1208, no testamento de D. Pedro Guterres (Petrus Guterri) em substituição do nome anterior, onde é citado pela primeira vez, na sua doação aosTemplários apelidando-a de: "terra a que chamam Castelo Novo".
Em 1223 o nome de Castelo Novo é referenciado no foral de Lardosa.
A ser assim caem por terra todas as afirmações que atribuem a D. Dinis a construção do Castelo. O que não parece provável é que este monarca tenha ali mandado fazer qualquer intervenção.
Ainda no século XIII, a povoação viria a ser doada à Ordem dos Templários e, posteriormente, à Ordem de Cristo, no sentido de se garantir a posse do território conquistado aos mouros.
D. Dinis atribui foral à povoação em 1290. Este monarca ordena ainda a plantação de castanheiros na povoação.
No reinado de D. Manuel I, o castelo já não estaria propriamente novo, o que o levou a assumir a sua recuperação encarregando do assunto um escudeiro da Casa Real, que se fez acompanhar de um pedreiro mestre-de-obras natural de Castela.
D. Manuel I, em 1 de Junho de 1510, concedeu a Castelo Novo o seu segundo foral.
Deste reinado ficaram na antiga vila o Pelourinho e, eventualmente, os Antigos Paços do Concelho.
Em 1527 existe uma referência ao concelho de Castelo Novo, englobando: Alpedrinha, Vale de Prazeres, Póvoa da Atalaia, Atalaia do Campo, Louriçal, Soalheira, Orca e Zebras.
Em 1557, aquando do Numeramento Joanino, Castelo Novo é vila.
No ano de 1667, a assistência a pobres e doentes é feita pela Santa Casa da Misericórdia que é comum a Castelo Novo e Alpedrinha.
A construção do Chafariz da Bica, do Chafariz de D. João V e da Igreja Matriz (1732), nos inícios do século XVIII, comprovam o desenvolvimento que esta povoação sofreu, possivelmente, com o ouro vindo do Brasil, no reinado de D. João V.
O seu castelo, edificado no século XII, sofreu grandes estragos com o terramoto de 1755.
Em 1835 Castelo Novo perdeu o seu título de concelho e foi englobado no município de Alpedrinha.
Posteriormente, em 24 de Outubro de 1855, viria a ser anexado, junto com Alpedrinha, ao concelho do Fundão.
Dos seus tempos de concelho, conserva-se o seu símbolo principal: o Pelourinho.
D. Manuel I, em 1 de Junho de 1510, concedeu a Castelo Novo o seu segundo foral.
No ano de 1667, a assistência a pobres e doentes é feita pela Santa Casa da Misericórdia que é comum a Castelo Novo e Alpedrinha.
Senhora da Penha
Meus 50 anos decidi festejar de forma o mais possível diferente e memorável.Assim partilho esta notável experiência que muito me encantou...
Lenda da Penha da Senhora da Serra
Os vestígios arqueológicos conhecidos sugerem uma ocupação
humana do território provavelmente desde o Neolítico e Calcolítico,
projectando-se num crescimento de testemunhos que se referem às idades do
Bronze e do Ferro, na Época Romana e no período dos Visigodos e dos Muçulmanos.
Numa cota de cerca 1147 metros , no alto da
Serra da Gardunha, sobre a vertente norte da aldeia de Castelo Novo, situa-se uma intrusão granítica, trata-se do sítio de Nossa Senhora
da Penha. As coordenadas geográficas: 40º 05' 50,86'' N. e 07 º 30' 40,44''
O .
É um sítio Magnífico, situada no cimo da serra da Gardunha,
de onde se domina toda a cova da beira para norte e toda a campina a Sul.
Certamente de uma enorme vantagem na Antiguidade, este ponto Granítico no cimo
do monte Ocaya, assim se chamava a Serra da Gardunha na Antiguidade.
Os Montes na Antiguidade eram em alguns casos lugares
Sagrados, tendo mesmo o nome de Monte Sacro que derivou para Monsanto, na
antiguidade acreditava-se que os Montes, por se encontrarem mais
próximos do Mundo Celeste onde residiam os principais Deuses, por esta Razão
encontramos os principais Templos em cotas elevadas.
O Penhasco da senhora da Penha não é exclusão, há regra terá
existido ali um local Sagrado, onde os povos da idade do Bronze e do Ferro (
povos Indígenas que ocuparam este local cultoavam as suas divindades e sendo
assim divindades como Trebaruna, Reva e outras poderiam ter ali sido cultoadas
pelos Lancienses Ocelenses.
Em baixo surpreendeu a diferença de cor na vegetação, onde parece existir um "corredor mais seco entre vegetação.
Lá em baixo na curva o ponto quase imperceptível, é a Honda TransAlp em que fiz a viagem de cerca de 680 kms em dois dias e portou-se sempre como quem dizia; QUERO MAIS!!!!
Lá no alto da Gardunha, no meio de um sem fim de fragas que
se entranham pelo Céu a dentro, em terras do Souto a dar para Castelo Novo, por
baixo de um dos múltiplos penhascos, aparece a gruta da Capela da Senhora da
Serra.
Local aprazível, onde o horizonte termina bem longe, e o
domínio visual sobre a Gardunha é soberbo. O imaginário, o misterioso, a fantasia, o oculto, a
surpresa, a dúvida o conto e a lenda têm todos lugar aqui, – no Sítio da Penha.
Vamos apenas falar do que sabemos. E mesmo isso, referimo–lo
porque no–lo contaram!
A Penha, toda ela se encontra situada nos limites da
Freguesia do Souto da Casa. Logicamente e por consequência daquela afirmação, a
gruta que durante muitos anos albergou a Capela da Senhora da Serra, encontra–se
completamente dentro daqueles mesmos limites.
Importa ainda referir para uma melhor compreensão daquilo
que pretendemos transmitir,que a delimitação da nossa Freguesia com a de
Castelo Novo é "por águas vertentes".
Consta que: A disputa da posse da Capela e da Imagem da Senhora da
Serra, foi uma constante durante muitos anos, criando uma rivalidade temerária
entre os dois povos vizinhos. De tal ordem se criaram situações extremas, que a população
de Castelo Novo cuja povoação se encontra bem mais perto da Penha que a do
Souto da Casa, chegou a "roubar" a imagem da Capela e instala–la na
sua Igreja Matriz.
«Porque a Senhora não queria nada com o Povo de Castelo
Novo», regressou pouco tempo de pois à sua "moradia" original: – à
Capelinha, na Penha.
Não satisfeitos com tal situação e desconfiados que tivessem
sido os seus vizinhos a levar a Imagem de volta à Penha, os de Castelo Novo
voltaram a traze–la para a sua Aldeia.
Dias depois (poucos, naturalmente!), meia dúzia de homens
destemidos e corajosos do Souto da Casa, pela calada da noite, resolveram fazer
a vontade à Senhora e carregando–a ao colo, levaram–na de regresso à Sua
verdadeira Casa.
Novamente o orgulho, a força do desafio e o sentimento da
rivalidade soou mais alto e os homens de castelo Novo tornaram à Penha para
levar consigo a Imagem da Santa que tanto desejavam como sua. Só que desta vez,
«a Senhora chorou».
E «fê–lo porque não queria mais ser roubada por ninguém. –
também, porque não era Seu desejo ir novamente para Castelo Novo»
Os de Castelo Novo, temeram aquelas lágrimas mas jamais
iriam prescindir de uma preciosidade a que se julgavam com direito.
Os dos Souto da Casa, cumprindo com o desejo da Santa, não
mais voltaram a resgatá–La. Preferiram antes, sair prejudicados no seu orgulho
e nos seus sentimentos, que voltar a sentir lágrimas no rosto da Santa.
Por tudo isto, ainda hoje, a Imagem da Senhora da Serra
continua em Castelo Novo
e a Sua Antiga Capela no alto da Serra, – no sítio da Penha, continua vazia e
sem qualquer utilidade.
outra versão-«...uma mulher de Alcongosta ter ido à lenha para a serra,fazendo-se acompanhar pela sua filha de tenra idade, esta ali se perdeu, sem que fosse possível descobri-la, apesar das diligencias feitas. Voltou a mãe ao seu povo muito melancólica por este acontecimento e foi com os seus vizinhos novamente procurar a menina perdida, aonde só a puderam achar ao fim de 3 ou 4 dias dentro da Gruta de nossa senhora da Serra!
Tendo ficado estupefactos, quando encontraram a menina viva, pois já todos a supunham morta.
Achando-a dentro da Caverna formada entre dois rochedos; mas qual seria a sua admiração quando fitaram os olhos numa perfeitíssima imagem da Senhora da Serra (...), e mais admirados ficaram quando a menina lhes disse: - que a senhora lhe havia dado de comer, alimentando-a por todo o espaço de tempo, através de uma campainha!
Este milagre foi divulgado pela região e fizeram-se romarias á senhora da Serra. (...), sendo parte da despesa abonada por El-Rei o senhor D. João V, datada de Maio de 1731:
"poderão os vereadores gastar um jantar, na festividade que costuma fazer-se a nossa senhora da serra, por voto muito antigo do povo".» (CARDOSO,J. I.; 2005)
estas rochas em cimo da Serra mais pareciam cortadas como muralhas, da forma em alguns locais que entretanto explorei enquanto houve luz, estavam talhadas em linhas espantosamente rectas.
O facto de aparecer uma imagem em Pedra muito
antiga, que aparece como explicação de
uma imagem de nossa senhora em Pedra, trazida
pelos Godos quando em 711 fugiram
aos Muçulmanos e tendo-se refugiado na Gardunha os habitantes da Idanha.
Certo que Guarda de unha, significa refugio e o nome actual de Gardunha poderá derivar destas duas palavras.
podemos pensar ainda que a senhora da serra, que já não existe, uma vez que se partiu numa das procissões e terá mandado fazer uma réplica em Coimbra, réplica esta que se encontra em Castelo Novo.
Não é de excluir a hipótese de esta imagem ser uma Deusa Pagã em Pedra e ao ter sido compreendido tal facto pelo Bispo da Guarda e aproveitando-se dos factos dos desentendimentos entre povoações, terá resolvido mandar destruir o sitio de culto, não seria caso único esta situação, a população pensou ter caído no local um raio que destruiu a Capela.
Se pegarmos nos textos de Estrabão Geo III sobre os
Lusitanos «..que viviam em Castros, sacrificavam os
prisioneiros atirando-os das montanhas e abriam-lhes as
entranhas para adivinharem o futuro...»
( ESTRABÃO: geo III) É evidente que só uma intervenção
arqueológica profunda um dia poderá esclarecer
estas duvidas.
A LENDA DA GARDUNHA
No tempo em que vieram os Mouros, com muitas guerras, havia
na povoação de Idanha-a-Velha um homem
viúvo e rico que se casou com uma mulher muito mais nova que ele.
Esse homem tinha uma filha da primeira mulher, ainda pequena
e muito linda, que a madrasta não tratava lá muito bem, ralhando-lhe por tudo e
por nada.
A menina tinha um cão, que era seu grande amigo e a
acompanhava para todos os lados.
A madrasta maltratava o cão, para fazer zangar a menina que
era sua enteada. A menina chorava agarrada ao cão.
Um dia, a madrasta bateu com um pau no cão e a menina
refilou com ela. Em resposta, levou duas lambadas da madrasta, que ainda lhe
disse que, se dissesse alguma coisa ao pai, que a matava. A ela e ao cão.
A menina mais se pôs a chorar. Agarrou-se ao seu amigo cão e
disse-lhe que iam os dois fugir de casa. Às escondidas, arranjou uma merenda
com pão, queijo e chouriça, pôs um xaile pelos ombros e correram para fora da
povoação. Avistando uma serra ao longe, a menina disse para o cão:
Farrusco, vamos para aquela serra, que nós lá nos arranjamos!
O cão sacudiu as orelhas, deu dois pinotes e arrumou-se às
pernas da amiga.
Lançaram-se, então, pelos caminhos na direcção da serra, que
se alevantava ao longe. Caminharam, caminharam, por veredas e caminhos. Quando
chegaram aos altos da serra, já estava o dia quase a acabar. Andando mais um
pouco, pelo cimo, a menina viu uns grandes penedos, onde encontrou uma grande
lapa. O cão entrou
na lapa e voltou a abanar o rabo. Com medo, a menina entrou logo na lapa, com o
amigo cão. Sentaram-se e comeram a merenda.
Já pelo escuro, a menina e o cão
aconchegaram-se no xaile para passarem a noite. A menina estava afoita, porque
tinha o cão que a guardava. Lá adormeceram.
Já com a claridade da manhã a entrar na lapa, a menina
sentiu que alguém lhe batia no ombro. Levantou-se, olhou em volta, mas apenas
vislumbrava alguma claridade. Ao lado, o cão pulava.
Os ares tornaram-se mais claros e no fundo da lapa apareceu
um grande brilho. De lá, saiu uma Senhora muito linda, vestida de branco e a
sorrir.
A menina e o cão ficaram parados a olhar para a Senhora.
Então, a Senhora, com uma voz que parecia vir dos altos,
disse:
- Menina! Tens de ir à tua terra, para levares um recado.
A menina arrepiou-se e perguntou à Senhora:
- Quem é vossemecê?
A Senhora, rindo-se, disse-lhe:
- Eu sou a Nossa Senhora! Vim do Céu para te ajudar, a tia e
ao povo da tua terra!
A menina ficou muito atrapalhada, a olhar a Senhora.
A Senhora caminhou para junto da menina, pôs-lhe a mão no
ombro e disse-lhe:
- Vai a correr à tua terra e diz ao teu pai e a todo o povo
que fujam para aqui, porque os Mouros já vêm perto, para matarem tudo. Aqui,
podem muito bem defender-se, para se salvarem.
A menina e o amigo cão correram logo pela serra abaixo. O
cão à frente, porque conhecia melhor o caminho.
Logo que chegou à Idanha, a menina contou ao pai o que tinha
acontecido. Que a Nossa Senhora lhe apareceu e que lha disse para fugirem da
Idanha.
O pai não acreditou e disse à filha que ela devia estar
doente ou a sonhar.
A menina continuou a dizer ao pai que tudo era verdade. Que
a Senhora lhe disse que veio do Céu para os avisar e lhes acudir. Que fugissem
todos para a serra, porque os Mouros já estavam perto da Idanha.
A notícia correu logo pelas ruas e pelos campos. O povo,
cumprindo o que a Senhora dissera à menina, logo fugiu e foi acoitar-se pelos
penedos e pelas lapas da serra, esperando o que viesse, bom ou mau.
Quando os Mouros chegaram, já ninguém estava na Idanha. Só
encontraram as casas vazias. Correram para a serra, procurando os da Idanha, mas
foram derrotados pelo povo que fugiu. Nas alturas da serra, estavam em posições
vantajosas e ainda, por cima, protegidos pela Nossa Senhora.
O povo da Idanha, que fugira para a serra, por ter sido
avisado pela Nossa Senhora, começou a chamar Gardunha à serra, o que queria
dizer: Guardou os da Idanha.
O povo da Idanha-a-Velha, refugiado na serra, logo
transformou a lapa, onde aconteceu a aparição, numa capela e nela colocou uma
imagem da Senhora, à qual passou a chamar Nossa Senhora da Serra e a
adorá-la pelo milagre que fez.
Narrada por Laura Saraiva, natural de Castelo Novo, 97 anos,
1987, Alcaide.
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