Inevitável
e próprio do ser humano, existe uma tendência de procurar no outro, referencias
e capacidades para que possa constituir fonte de saber e de aprendizagem.
Resultado
das interações tradicionalmente mais frequentes, onde as pessoas se agrupam para
viver, como nas cidades por exemplo, nas relações que se tecem entre as pessoas,
de caráter variado; seja profissional, seja privado, seja social ou mesmo de
que tipo for, sempre ocorre na pessoa de forma natural, uma apetência por vezes
até inconsciente, de procurar pessoas que possam constituir uma referencia, uma
ajuda, para o desenvolvimento do próprio caminho, dos objetivos de vida do
momento, sejam de que área for, e a que nível for. Pode ser ao nível da saúde,
da forma de viver ou de pensar, da forma de expressar o sentir,… no fundo,
procuramos no outro muitas vezes, formas que nos testemunhem possibilidades
para o desenvolvimento da formação do nosso caráter e da nossa própria forma de
estar.
É
como se desejássemos e permitíssemos a um dado momento e a um dado nível, ser
contagiados por alguém que consideramos possa ser uma pessoa de confiança, para
nos ajudar a desenvolver alguma área de nossa própria vida que sentimos
precisar, seja pela sua experiência, como pela sua capacidade ou forma de ver
que nos agrada e com a qual ressoamos.
Dado
o mote desta reflexão, é aqui que gostaria de salientar uma simples e crua
verdade, que poderá e deverá ser considerada, antes mesmo de eleger a nossa referência
humana de aprendizagem.
Tem
um pequeno teste reflexivo, que se for feito pode de antemão ajudar e muito, a
verificar se a pessoa é a pessoa certa para essa nossa entrega, como aluna/o ou
discípula/o, desse professora/o ou dessa/e Mestre.
Basta
antes do natural fascínio pela pessoa, verificar como a pessoa para além do
objeto que representa da nossa atenção, se relaciona com a natureza. Isto desde
os níveis mais básicos, como seja os seus comportamentos junto das pessoas, a sua
empatia, se fuma, se bebe, se apresenta um ar limpo e saudável, essas coisas
por demais evidentes, mas também e muito importante, como se relaciona com os
animais, com a natureza em estado bruto; se passeia ao ar livre, se faz
caminhadas, se vai à praia ou à floresta, se medita, se exercita-se, se alimenta-se
de coisas saudáveis, etc.
Pode
parecer um exagero, mas não é, explico: Nós somos natureza. O ser humano é
natureza, com igual necessidade natural de se equilibrar e alimentar das coisas
que lhe são complementares. Só assim poderá almejar o desenvolvimento das suas
capacidades e competências com elevada vibração, equilibrada e essencial
vibração, harmoniosa e integral vibração.
Assistimos
e disso temos incontáveis exemplos, de seres humanos geniais em determinadas
áreas, mas que por se terem afastado da sua essência natural caíram em desequilíbrio
e auto destruíram-se, vítimas do seu próprio génio descontrolado e de sua baixa
vibração. Esses exemplos não são bons exemplos a seguir para ninguém, excepto
se a pessoa procura tendências autodestrutivas, do tipo do fogo de artificio,
que numa espetacular explosão, encandeante e ensurdecedora, que logo se
converte no mais profundo silencio e obscuridade.
A
aluna/o deve procurar no seu guia, alguém que assegure na transmissão do saber,
um equilíbrio que é essência natural e deverá estar presente em todas as áreas da
atividade humana, porque sem ele, sem essa compaixão, sem esse amor pela causa
e pelo efeito, sem a humanidade e fraternidade a permear o saber, este de nada
servirá e nada promoverá, ao invés será como um veneno tóxico de saber, que paulatinamente
se irá acumular no ego da/o aluna/o, desequilibrando-a/o assim como o seu
professor.
Procure
a/o aluna/o, um professor que seja alguém que testemunhe e partilhe no seu
saber e experiência de vida, uma postura permanentemente holística, em que o
seu saber seja plasmado com o respeito pela natureza, pelos corretos vínculos à
existência humana e ás corretas relações e interações entre os seres, onde o
amor, o despojamento e a partilha, sejam o mote principal das ações, a
humildade e autenticidade sejam a cocriação de uma existência enriquecida de
sentido, e o ego para transmutar e servir, não para escravizar ou vampirizar os
nossos semelhantes.
É
num acto continuo de servir, que se é servido.
Paz
sobre todas as fronteiras.
